Guerra Das Sombras
11 Os verdadeiros Dark Chaos.
Notas iniciais
Aproveitem a fic ^^
Guerra das Sombras
Novamente dentro daquela imensa biblioteca os dois eram envolvidos por um silêncio incomodo. Enquanto ela andava de um lado para o outro procurando os respectivos livros para seu trabalho ele estava sentado em uma das mesas mirando sem compreender algumas imagens que tinha em um livro que pegara, lendo alguns trechos e tentando entender a cultura humana. Vivera sempre entre os demônios e a cultura de ambos era completamente diferente! Mas outra coisa também lhe incomodava, nem era o fato da contradição de culturas, mas sim o que vivenciara no conselho. Queria perguntar a vampira que pulava de um lado para o outro a sua volta, mas sentia vergonha de fazê-lo. Por que? Talvez por sua natureza, talvez por seu orgulho ou talvez apenas pela vergonha de não saber o porque de algo para eles era tão básico.
— Sonia... – chamou com a voz um pouco apagada, e talvez se não fosse pelas habilidades da vampira de super audição ela não teria escutado. Mas esse não foi o caso e ela parou perto da mesa onde estava, o mirando de uma maneira confusa indicando que poderia falar. Não era costume dele pronunciar palavras e para Sonia era raro ele começar uma conversa. – Por que... Por que vocês protegem tanto aquela vampira? Digo, todos sabemos o que ela pode se tornar, o que ela é, mas mesmo assim... Mesmo assim vocês a defendem, acreditam que ela não vai ser má. Por que? Como tem tanta certeza?
Sonia sorriu um pouco compreendendo as perguntas do demônio. Diferente do que ele pensava não havia vergonha no que perguntara, muitos tinham a mesma questão na cabeça e provavelmente faziam a mesma pergunta nas costas deles. Pelo menos o demônio tivera coragem de perguntar sobre o que era claro para todos. Com lentidão se sentou na frente do lobo e segurou sua mão encima da mesa encarando a mesma com um pequeno sorriso.
— Yin sempre foi... Doce, gentil... Apesar de sua existência ela era a que unia a todos nessa casa. Aceitou Scrooge, mesmo sabendo o que ele fizera a seu tio, não culpara o pai por ser o que é, e continua o admirando, ela tem tanta pureza que nem parece filha desse mundo. É igual a mãe. – falava a vampira enquanto apertava de leve a mão do demônio que a mirava tentando digerir com perfeição todas aquelas palavras. Tentaria compreender ambos os lados, para julgar com precisão e justiça. Queria apenas... Aprender. – Diferente do que muitos pensam Yin não odeia, ela não guarda magoas e não tem nada que a assemelhe com aquelas criaturas. Pode ser parecida fisicamente com elas, mas não é igual a elas. Talvez pelo fato do pai dela ter se transformado na nossa frente e ao mesmo tempo ter lutado todos esses anos para não sucumbir ao mal que tenha dentro dele é que percebemos que Yin é tão forte quanto ele e que não cairia nas redes de Gaia com facilidade. Por isso a defendemos. Porque vemos coisas que ninguém mais vê, porque somos uma família.
Confuso, essa era a palavra que o descrevia com melhor precisão. Família? O que era uma família? Nunca tivera uma, pelo menos pensava que não tivera. Devolveu o aperto a garota, fechando sua mão contra uma dela e a apertando com leveza. Era macia, fria obviamente, mas confortante e carinhosa. Transmitia segurança e algo que deveria ser nomeado pelos humanos de... Materno... isso, era maternal. Olhou para a mão da vampira e sentiu algo que nunca pensara sentir: seu coração gélido esquentando.
— Não compreendo boa parte do que vocês vivem aqui. Minha vida era diferente, solitária, e esse sentimento de compaixão que vocês tem pelo próximo aqui na terra é desconhecido para mim. Acho que sempre tive inveja de Kaira por isso, ela conheceu amigos, conheceu isso de... Família. Conheceu tudo o que eu queria conhecer e mesmo presenciando isso tudo agora acho que é tarde de mais para compreender. – confessou passando o polegar sobre as costas da mão da ouriça, distraído em apenas “brincar” com aquela delicada mão que segurava. Sonia então retirou uma de suas mãos da dele e a levou a seu rosto, erguendo seu queixo com cuidado e carinho.
— Nunca se é tarde de mais para aprender. – respondeu sorrindo para ele tentando mostrar, com aquele simples gesto, que estava ali para ajudá-lo, para mostrar o que ele não conhecia. Pela primeira vez desde que o demônio tinha estado ali Sonia o viu sorrir. Sentiu seu rosto arder, enquanto o coração que deveria estar morto palpitava sem parar. Era a primeira vez que sentia isso e se perguntava se seus irmãos tinham sentido a mesma coisa quando encontraram seus parceiros. Com tudo aquilo se esquecera de suas mãos ainda juntas e de sua mão no rosto do lobo, e com o passar do tempo tinha impressão que seus rostos se aproximavam.
— Sonia? – chamou uma voz conhecida atrás da porta enquanto a mesma rangia, mostrando que estava sendo aberta lentamente. Os dois se separaram e Sonia se virou para trás, olhando a porta que mostrava atrás de si uma tímida esquila branca de olhos verdes, o vestido negro era ressaltado por causa de sua pele e o chapéu pontudo caracterizava pessoas de sua espécie. Com passos delicados e tímidos, Cassandra entrada na biblioteca, mas Sonia pensara que tinha mais alguém com ela, podia sentir, com seus sentidos de enfermeira, duas forças, a da bruxa e uma força menor que parecia a de uma criança. Pensara talvez a líder das bruxas tinha trago uma criança de sua espécie para o castelo, mas não, ela estava sozinha. – Tem um minuto?
— Claro Cassie, o que foi? – perguntou preocupada se levantando da cadeira e se aproximando da bruxinha que tremia um pouco. Sonia estranhou a ação, Cassandra parecia fraca e como líder de sua espécie não deveria se sentir assim. Como bruxa mais forte ela deveria de ter reservas de energia enormes então porque parecia tão frágil? – Cassie, você esta bem? Parece fraca...
— Isso que eu queria verificar com você. Faz alguns dias que sinto minha energia se esvaindo mais rapidamente, até mesmo usando um simples feitiço me sinto acabada. Não sei o que esta acontecendo e se Manic descobrir vai ficar doido! – falou a pequena garota que tinha os olhinhos brilhando de uma maneira incrível, talvez até mais quando tinha seu poder completo. Sonia não precisou fazer nenhuma analise medica. Lembrou da relação de seu irmão, lembrou do que acontecera com as parceiras de seus outros irmãos, lembrou da outra energia que sentira e ainda sentia e juntou os fatos que tinha. Um enorme sorriso apareceu em seu rosto e os dois presentes que observavam não entenderam. – Sonia?
— Com certeza, meu irmão vai ficar louco quando descobrir. – falou de maneira enigmática abraçando a pequena esquila que ainda não compreendia o que estava acontecendo. O demônio observava de longe se perguntando porque ficavam felizes pelos outros, porque aqueles vampiros se importavam tanto com essa tal de Família. Talvez um dia fosse compreender.
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Tinha se escondido em um prédio qualquer que tinha na cidade. Racer tirou, surpreendendo a Ramon, um bocado de dinheiro da bolsa e o entregou ao recepcionista e subiram para um quarto qualquer que tinha no lugar. Fecharam todas as cortinas e as portas, qualquer lugar que desse para entrar a luz do dia. Yin ainda estava aparentemente inconsciente e nos braços de Racer quando chegaram. Manchas de sangue marcavam seu rosto, sangue que tinha escorrido de seus olhos por minutos até finalmente cessarem. Agora, seguros dos raios do sol, Racer caminhou para um quarto que tinha no lugar e a deitou em uma cama com cuidado para logo limpar seu rosto com um pano úmido que encontrara.
Ficara um tempo ao lado da garota, acariciando seu rosto e admirando sua face tão tranqüila e angelical. Dedicou boa parte de seu tempo passando a mão por seus cabelos, tocando a pele de seu rosto e imaginando como seria sentir aqueles lábios contra os seus. Segurava a mão dela, passava a mão por seu pescoço e por mais que seus impulsos luxuriosos de vampiro quisesse que fosse mais para baixo não podia, não se ela não estivesse querendo também, não se ela também não sentisse o mesmo. Depois de minutos saiu do quarto se encontrando com a figura de Ramon que tinha os braços cruzados.
- Você sabia. – pronunciou olhando criticamente para Racer, o julgando pelo o que tinha acontecido a pouco, pelo o que Yin tinha revelado a eles ao lutar contra os Dark Chaos. Racer desviou o olhar para o chão, lembrando do momento que era apenas uma criança e viu Yin se transformar pela primeira vez. Aquilo ainda o assombrava, mas nunca deixou de acreditar nela. – Você sabia o que ela era, sabia que ela era uma Dark Chaos!
— Metade Dark Chaos. Ela não é completamente e sim eu sabia desde que o pai dela a chamou para conversar quando ainda estava conosco. – as lembranças vinham começando a inundar sua mente e chegara ao ponto de fechar os olhos para tentar espantá-las. Essa maldição de nunca poder se esquecer das coisas ainda o atormentava, depois de tudo que passara o que mais queria era esquecer esses momentos ruins. – Mas tente entender Ramon, ela tinha medo e ainda tem. Ela tem medo dessa parte dela, de nos machucar por causa disso. Não a julgue pelo o que ela nasceu sendo, você mais do que ninguém deveria entender que não se dá para impedir aquilo que nasce destinado a ser.
Ramon não conseguiu responder. Racer tinha razão, não poderia acusar Yin por ter nascido dessa maneira, mas não deixava de se preocupar, agora sabia a causa de todos os seus temores. Se Yin perdesse o controle todos eles estariam perdidos, porque não poderiam lutar contra ela e ela naquele estado não hesitaria em matá-los. Suspirou, não queria mais falar sobre o assunto, sua mente ainda não conseguia tirar a preocupação que tinha com Mitsuki da cabeça.
— Tudo bem Racer, agora vamos descansar que essa noite sairemos para procurar por Mitsuki. – Racer apenas assentiu e se sentou em um dos sofás que tinha na sala onde estavam. Ramon se sentara no chão, as pernas cruzadas, o corpo ereto e os olhos fechados. O ouriço azul analisou bem o amigo, supondo que ele estava em meditando, como diria os humanos. Se dedicara apenas a observá-lo então, procurando ver se isso poderia levar a alguma coisa, mas tudo o que conseguiu perceber fora que Ramon agora parecia ter absorvido a capacidade de Yin de parecer realmente dormir.
Cansado, entediado e com várias coisas na cabeça, Racer se acomodara mais no sofá fechando os olhos e deixando seu corpo relaxar por alguns instantes. Respirou fundo sentindo os vários cheiros que tinha no quarto, cheiros de pessoas que um dia estiveram ali, o cheiro dos produtos de limpeza que tinha deixado o lugar tão bem arrimado... Também se dedicara a prestar atenção nos sons, na respiração leve de Ramon, no vento que soprava do lado de fora, nos ruídos que tinham do lado de fora da porta, no quarto que tinha logo acima ou no quarto que tinha abaixo deles. Estava tudo normal até que um barulho em particular chamou sua atenção, um que vinha de dentro do quarto onde Yin estava.
Abriu os olhos e virou o rosto na direção da porta de madeira que o impedia de ver o que tinha do outro lado. Voltou seu olhar para Ramon por alguns instantes, verificando se ele realmente estava bastante concentrado no que fazia e então se levantou, caminhando sorrateiramente na direção do quarto onde deveria estar Yin. Com os anos tinha melhorando bastante sua capacidade de se manter em completo silêncio e agora colocava isso a prova. Não queria chamar a atenção de Ramon e ao mesmo tempo não queria alertar Yin que estava entrando. Quando estava prestes a abrir a porta ouviu novamente o barulho e da maneira mais cautelosa que conseguiu abriu a porta, adentrando no quarto completamente escuro, mas não vira Yin deitada na cama.
— Yin? – chamou e ouvira um pequeno barulho em um dos cantos do quarto. Olhou para lá e vira dois olhos reluzentes, de uma mistura quase intrigante de vermelho e azul, mas que agora tinham um ligeiro brilho dourado. Vira também o brilho de presas, tão afiadas quanto nunca vira algum dia. – Yin, o que aconteceu? Deveria estar descansado depois do que aconteceu lá na boate.
Fez menção de se aproximar da garota, mas ela recuara ainda mais contra a parede a suas costas. Parecia estar fugindo dele, querendo se manter distante, e agora que pensava bem não era a primeira vez. Ela estava assim desde que chegaram a Nova York, evitando chegar perto deles apesar de seu rosto sempre se manter imparcial. Percebera também enquanto ela conversava com Linda que os caninos dela estavam exageradamente grandes, como se estivesse faminta a dias!
— N-não chegue perto. Posso acabar te machucando. – falou a garota com dificuldade se encolhendo mais na escuridão onde estava. Racer definitivamente não queria se manter afastado, queria ajudá-la, queria estar do lado dela apoiando seja para o que for. Sabia que ela nunca o machucaria por mais que falasse. – Não sei o que esta dando em mim. Acho que meu lado Dark Chaos esta ficando mais forte, e se... se...
— Se não se alimentar vai acabar atacando eu e Ramon. – completou Racer para ela. Viu como a garota abaixava a cabeça, constrangida pelo o que era, constrangida pela situação que se encontrava. Mas Racer compreendia, Racer entendia o que ela passava e tudo o que queria era ajudar mesmo que para isso tivesse que dar seu sangue a ela. Aproximou-se da garota e com cuidado segurou sua mãe, sentido como ela ficava tenso no mesmo instante que percebera que ele estava perto. – Agora venha. – ela obedeceu, se deixando levar por ele até a cama e sendo colocada sentada na mesma enquanto ele se punha a seu lado e retirava a blusa que usava. Yin não compreendia o que ele pretendia fazer, não entendia a onde ele queria chegar até o momento que ele cortara um pouco de seu pescoço. – Beba.
No susto Yin se afastou, ficando bem próxima da ponta da cama, tampando o nariz com desespero e negando vigorosamente com a cabeça. Racer suspirou e novamente segurou a mão dela para puxá-la para mais perto, mas ela resistira e puxara sua mão de volta. Ainda sem desistir o ouriço se aproximou da garota e novamente fizera um corte em seu pescoço, já que o anterior tinha se fechado. Segurou os braços da garota a impedindo de se afastar, mas ela ainda resistia em beber seu sangue, afastando seu rosto o máximo que conseguia do machucado do garoto.
— Vamos Yin, eu estou te oferecendo, não vai ter nenhum mal nisso. – insistiu, mas a garota voltara a negar com a cabeça, se recusando a fazer aquilo. – Você precisa de sangue fresco Yin, e de um vampiro, agora beba logo. Já não estou pedindo estou mandando!
A garota resistira por mais alguns instantes, mas por um mero descuido acabara respirando novamente, sentindo o doce cheiro do sangue de Racer tão próximo de seu rosto. Perdeu a razão e agora não podia mais resistir, não tendo aquele doce sangue tão perto de si. O Dark Chaos witch tinha razão quando disse que o Racer cheirava de uma maneira incrivelmente atrativa, era incrível que não atraísse mais Dark Chaos para onde estavam. Abriu a boca e lambera de leve o sangue que havia escapulido dos dois machucados que Racer tinha feito, e com o simples toque de sua saliva com o machucado quase curado o mesmo parara de sarar e Racer sentira um enorme prazer que nunca antes havia sentido.
Arfou enquanto Yin lambia com cada vez mais intensidade as gotas de sangue que continuava a escapar do ferimento, conseguia sentir os afiados dentes da garota raspando de leve sua pele, mas sabia bem que ela nunca o morderia. Mais uma lambida e agora soltara os braços da garota, que imediatamente levou as mãos até os ombros do garoto, esticando seu corpo para ficar mais próximo da fonte de alimento, enquanto Racer levava uma mão até as cobertas da cama, as apertando com força e a outra mão posicionava na cintura da garota segurando com um pouco mais de força do que o necessário.
Por um mero impulso Yin o empurrara na cama, se posicionando encima dele logo que o viu deitado e aumentando um pouco mais o corte que tinha no pescoço bebendo mais e mais sangue que escorria para fora do garoto. O mesmo grunhia e soltava leves gemidos, não mais conseguindo controlar seus impulsos. Sua razão tinha desaparecido logo que o prazer domara-lhe o corpo e agora uma de suas mãos deslizava pela perna da garota enquanto a outra lhe tirava o típico casaco negro que sempre usava a jogando em algum lugar do quarto. Agora mantinha as mãos na cintura da garota, aproveitando que usava uma blusa justa para apreciar bem o corpo dela. Primeiro desceu a mão até a curva dos quadris, tateando com cuidado, saboreando cada momento, então subiu com a mão, voltando a tocar a cintura estreita, subiu para os ombros e então desceu pelos braços da garota, finos e fortes. Voltou para os ombros e desceu pelo tronco tocando de leve os seios da garota que por conseqüência drenara com mais força seu sangue o fazendo gemer com mais força.
As mãos dela também não ficavam paradas, desciam por seu corpo, tocando todo seu peito, chegando bem perto do inicio das calças e logo depois voltando a subir, passando pelas costas e tocando o rosto. Era incrível essa sensação que lhe preenchia, ambos nunca tinham sentido tal coisa em toda sua existência e quando Yin se sentira satisfeita e se afastara um pouco de Racer, se miraram diretamente nos olhos. Estavam corados, com a respiração agitada e ainda sobre o efeito entorpecente do prazer que a pouco lhes havia envolvido. Seus rostos estavam bem próximos e ainda tinham o desejo de ter um ao outro borbulhando em seu interior e talvez tivesse continuado se um deles não tivesse retomado a razão.
— Desculpe. – murmurou Yin saindo de cima de Racer e se sentando em uma parte mais afastada, não conseguindo encará-lo de nenhuma maneira. Ainda conseguia sentir o sangue dele em sua boca e as mãos dele em seu corpo... Foi tão bom... Tão... Incrível! Mas eles eram primos, isso não podia acontecer, não podiam ficar juntos e por alguma razão isso lhe incomodava. Abraçou a si mesma tentando não pensar nessa sensação de tristeza que a domavam quando pensava que tinha uma barreira de sangue lhes unindo e ao mesmo tempo lhe separando.
— Tudo bem. – murmurou Racer enquanto se sentava na cama, olhando para o chão de maneira distraída. Não tinha palavras para descrever tudo o que tinha sentido naquele momento que passara com Yin. Todo aquele prazer... Todo aquele calor... Só ela poderia lhe causar algo daquela maneira, daquele tamanho tão exuberante. Queria sentir de novo e talvez fosse com esse sentimento que uma estranha coragem tomou conta de seu corpo, o incentivando a falar, a contar o que tinha preso na garganta a tanto tempo. – Yin... Faz um tempo que queria te dizer que... Desde que éramos pequenos eu...
Antes que pudesse continuar batidas na porta foram ouvidas e Yin quase que imediatamente falara um “entre”. Suspirou desanimado enquanto a porta se abria e mostrava um Ramon meio atordoado. Racer nem se preocupou em esconder o ferimento que já tinha se curado em seu pescoço, estava distraído de mais ainda sentido as descargas de prazer passando por seu corpo.
— Temos que encontrar Mitsuki. Agora! – exclamou ainda atordoado se sentando em uma cadeira que tinha ali perto. Parecia exausto, seu corpo tremia e sua respiração estava agitada. Nenhum dos dois ouriços ali compreendia o que estava acontecendo com ele, parecia tão agitado que nem percebera o jeito constrangedor que os dois estavam. – E-eu a vi... A vi cercada de Dark Chaos e não tinha como escapar, parecia proteger alguém, mas eu não vi quem era... Seja como for temos que encontrá-la antes que isso aconteça.
— Racer, você é o único que consegue se conectar a nossa mente e nos achar em qualquer parte do planeta. – Yin tinha virado o rosto em sua direção com a expressão completamente diferente do que estava a poucos instantes. Talvez se ele a tivesse analisado com mais determinação teria percebido o ligeiro rubor que ela tinha no rosto e o brilho de confusão que tinha quase escondido no olhar, mas não conseguiu encará-la nem por dois segundos quando voltou a desviar o olhar novamente, abaixando a cabeça. – Acha que consegue achá-la.
— Não tenho certeza. Minha percepção é limitada, dependendo de onde ela estiver posso não conseguir achá-la. – respondeu olhando para as próprias mãos. Não conseguia pensar direito, estava falando de uma maneira automática e sem conseguir nem levantar a cabeça para olhar as pessoas que tinha ali. Se sentia um idiota por acreditar por um instante que poderia realmente confessar aquilo com tanta facilidade. Só ergueu o olhar quando sentiu algo ser colocando em sua mão, aumentando suas forças. Olhou para Yin que tinha um delicado sorriso no rosto o encarando com os olhos cheios de um brilho de confiança e incentivo.
- Tente. Sei que consegue, você é forte. – Racer encarou por um instante a ouriça negra e logo voltou seu olhar para a esmeralda que ela havia colocado em sua mão. Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto e assentiu mais confiante. Segurou a esmeralda branca com mais força e fechou os olhos se concentrando em encontrar a ouriça prateada.
Já não se encontrava mais naquele quarto, sua mente se expandiu para todos os lugares daquela cidade, ouvia vários pensamentos, sentia o que cada pessoa ali sentia até que chegou a sair do país, atravessou o oceano, indo para outro continente até chegar no maior país de todos, o pensamento fluiu por sua mente e apesar de fazer anos que não ouvia aquela voz conseguiu identificá-la perfeitamente. Mitsuki podia ter parado de falar, mas não de pensar e com isso a encontrara, perambulando em meio a neve com aquela chama azul a rodeando. Abriu os olhos no mesmo instante enquanto um pesar enorme se pousava em seu peito. Sabia onde ela estava...
— E então? – perguntou Ramon já impaciente pela demora que estava tendo para saber onde a ouriça estava. Racer respirou fundo e mirou seus dois amigos com um pouco de tristeza.
— Sei onde ela esta. Mas acho que não vão gostar muito do lugar. – Yin e Ramon miraram o ouriço azul sem compreender exatamente o que ele queria dizer. O mesmo suspirou desanimado e voltou a encarar seus amigos. – Ela esta na Rússia.
Calafrios percorreram o corpo dos dois ali ao ouvir o nome. Foi lá, naquele país, que eles lutaram pela primeira vez com Gaia, que eles verdadeiramente sentiram o amargo sabor da perda e da derrota. Foi lá onde tudo isso, de certa forma, começou...
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O vento frio castigava seu rosto enquanto soprava de uma maneira surpreendentemente forte. A cada passo era mais um desafio para se manter em pé, e a neve que lhe chegava até a canela não lhe ajudava muito com relação a isso. Mal conseguia ver e se sentia fraca, neve era o oposto de seu poder e por isso, se não tivesse uma boa proteção poderia acabar morrendo no meio daquele lugar infernal antes de conseguir encontrar seus amigos. A pequena chama azul tinha acabado de sai de sua bolsa e agora tentava lhe dar ânimos a continuar, balançando freneticamente para frente, mas mesmo sendo vampira tinha também seus limites.
Na verdade nem sabia direito como fora parar lá, e nem sabia onde estava! A poucos instantes atrás estava escorregando por aquela passagem que tinha caído, deslizando sobre o metal frio que nem mesmo sabia onde poderia dar quando de repente um enorme vórtice roxo apareceu bem na sua frente e não teve como evitar ser lançada para dentro dele. Em um piscar de olhos depois fora jogada para fora do portal caindo de cara na neve e já tendo seu corpo atacado por aquele vento gelado. Não pode mais voltar para o portal já que o mesmo desaparecera então tudo o que se viu na possibilidade de fazer foi caminhar pela neve até encontrar um lugar para ficar e pensar no que faria para encontrar seus amigos.
Não sabia a quanto tempo estava andando, nem mesmo quanto havia andado. Mas não conseguia encontrar nenhum sinal de vida, o que indicava que não estava em um país muito habitado como França, Inglaterra, Alemanha ou qualquer outro país que pudesse ter neve e fosse um centro de concentração de pessoas. Um forte vento lhe lançou então para trás, as pernas bambas por causa da fraqueza não foram suficientes para mantê-la erguida e agora se encontrava senta no meio da neve, com as forças se esvaindo cada vez mais para fora de seu corpo. A pequena chama azul se aproximou, visivelmente preocupada, e rodou frenética entorno de sua cabeça como se dissesse que deveria levantar.
Tentou, realmente tentou, mas no mesmo instante que achou que iria conseguir se colocar de pé novamente suas pernas voltar a fraquejar e novamente caíra, só que dessa vez de cara na neve. Seus olhos passaram a pesar e já não mais conseguia mover seu corpo. Talvez fosse a falta de alimento que agora era intensificada pela perda de energia que estava sofrendo pelo clima tão inapropriado a seus poderes. Ou talvez fosse outra coisa... O que poderia deixar um vampiro tão incapacitado, tão sem energia? Sua cabeça começou a latejar e tudo a sua frente passou a luzir de maneira borrada. Estaria perdendo a consciência? Mas como isso era possível se era uma vampira? Isso não acontece com vampiros, ou sim?
Viu a pequena chama azul se inquietar a seu lado, tentando fazê-la despertar, mas não mais conseguia se mexer, iria morrer ali mesmo, não conseguiria ajudar seus amigos, nunca visitaria a todos os lugares do mundo nem mesmo poderia dizer a seu melhor amigo o que passou a sentir por ele. Foi só então que percebeu que alguém se aproximava, não conseguia ver quem era, mas passava por aquela neve com tanta facilidade que parecia até mesmo que o vento tinha parado... Mas espera! O vento realmente tinha cessado! Mas como era possível? Agora a pouco ele soprava sem piedade!
Não teve mais tempo de pensar, sua mente ficara em branco e não mais conseguia ver. Seria isso a morte? Então porque algo lhe acariciava o rosto? Porque sentia como se alguma mão tocava-lhe o rosto com carinho? Abriu os olhos e não compreendeu quando se viu em um quarto, muito parecido com o seu só que parecia maior. Se assustou quando sentiu algo lhe tocar o braço e tão rápido quanto podia virou o rosto para o lado se encontrando com Ramon, que lhe sorria com carinho enquanto deslizava cuidadosamente a mão por seu braço até encostar em sua mão.
-Tudo bem Mi? – o ouviu perguntar, mas não conseguia compreender como tinha ido parar ali, a pouco tempo estava deitada no meio da neve parecendo chegar perto da morte. A mão dele se apertou contra a sua enquanto a outra mão dele ia para seu rosto o acariciando com cuidado. – Não precisa se preocupar, não deixarei que mais nada te aconteça.
Ele a puxou para um longo abraço, mas não conseguia sair da confusão que se encontrava e a única coisa que conseguiu fazer foi passar os braços em torno do corpo do garoto e se deixar levar pela sensação de tê-lo perto. Fechou os olhos e se acomodou mais contra o garoto querendo acreditar que tudo aquilo era realmente real. Por um instante ele a afastou de si e para a surpresa da garota levara as duas mãos a seu rosto o aproximando do dele lentamente. Não conseguia acreditar que aquilo realmente estava acontecendo, não conseguia nem mesmo pensar direito ao ver o rosto do garoto tão próximo ao seu. Fechou os olhos e esperou, esperou que finalmente conseguisse o que tanto imaginava, o que tanto queria.
Mas então um forte calor inundou seu corpo e gritos lhe fizeram abrir os olhos novamente. Tudo a sua volta agora estava pegando fogo, chamas verdes se alastravam para todos os lados enquanto a garota se encontrava no centro de tudo, com os olhos bem abertos, completamente estáticos com o que via a sua frente. Ouvia gritos ecoando por todos os lugares, pessoas pedindo ajuda e ela não sabia como controlar as chamas, não conseguia controlá-las! Levou as mãos a cabeça e negou com desespero, não queria machucar ninguém, não queria ferir as pessoas!
Foi então que despertou se sentando rapidamente na cama de colchão fino e duro que estava deitada. A pequena chama azul se sacudiu a sua volta enquanto a garota, com respiração agitada, encarava o lugar que agora se encontrava. Era um pequeno quarto que tinhas as paredes de pedra parecendo ter sido feito dentro de uma caverna, tinha alguns cômodos, como a cama que estava deitada, uma escrivaninha, um armário e uma cadeira de madeira bem afastada de tudo, quase escondida nas sombras em um canto do lugar. Mitsuki também vira alguém naquele quarto, sentada perto da escrivaninha olhando algo que parecia ser muito interessante estava uma gata de pelo branco, tão branco quanto a neve que vira agora a pouco, ela era pequena, devia ser um pouco maior que Yin ou do mesmo tamanho que ela, os cabelos eram ligeiramente grandes, caindo sobre os ombros enquanto uma franja lhe tampava o olho na parte da frente. Não tinha curvas muito bem formadas, era quase plana para se dizer apesar de ter uma cintura bem estreita. Usava um vestido negro bem acolchoado, botas também negras e só. Quando a garota se virou pode ver que seus olhos eram de um profundo cinza inocentes e inteligentes ao mesmo tempo.
— Vejo que já acordou. Gostou da sensação de sonhar? – Mitsuki voltou a ver suas próprias mãos. Então aquilo era um sonho... Não, talvez devesse chamar aquilo de pesadelo. Será que seus poderes poderiam mesmo... – Ainda esta fraca. – voltou a falar a garota enquanto se levantava da cadeira que estava sentada e se aproximava de onde estava. – Não é de se estranhar, não esta acostumada a receber tanta energia escura. – Mitsuki a encarou de uma maneira interrogativa, sem compreender o que realmente a garota falava. – É o seguinte, aqui a concentração de energia caos é bastante baixa. Por alguma razão foi substituída por energia escura e por isso que seres da noite como eu e você ficam enfraquecidos já que não recebem energia que precisam do ambiente.
Mitsuki então assentiu, compreendendo agora no que a garota se referia. A pequena chama que tinha a seu lado rodopiou novamente entorno de sua cabeça, e só então percebeu que a cor azul que antes tinha agora estava se tornando negra, parecendo puxar a energia que vinha daquele lugar. Era estranho, mas Mitsuki também sentia seu corpo diferente e quando fez uma pequena chama aparecer em suas mãos percebeu que também se encontrava quase negra, deixando a cor esverdeada de lado. Quase no mesmo instante que sua chama desaparecera a porta do lugar foi aberta e dela entrou o que parecia ser um Dark Chaos, só que um pouco diferente. Mas de qualquer jeito era um Dark Chaos, Mitsuki podia sentir sua energia e com um salto se preparou para atacar, isso claro se aquela gata não tivesse se colocando na frente.
— Não! Ele não é como os outros! – exclamou e quase no mesmo instante Mitsuki se lembrara dos olhos de Yin, antes de cair naquela alçapão estranho. Sua posição de ataque fraquejou por um instante e a gata se afastou um pouco se aproximando do Dark Chaos que mirava tudo aquilo com cautela, mas compreensão. – Ele te trouxe até aqui, salvou sua vida. Não é mal, ele é diferente.
Mitsuki relaxou e voltou a se acomodar na cama procurando em sua bolsa que estava ali perto e retirou dela o caderno que Yin lhe entregara para se comunicar com os outros. Anotou rapidamente alguma coisa lá com um lápis que achara e logo o mostrou para a gata. “Por que protege um Dark Chaos? Por que ele é diferente dos outros?”
— Bom... é algo difícil de se explicar. Não sei porque ele é diferente, mas percebi isso quando me salvou dos Dark Chaos que moram por aqui. – a gata olhou com carinho para o Dark Chaos que tinha do lado. Nos olhos de Mitsuki ela via a mesma criatura que sempre temera desde pequena, só que sua cor agora era de um cinza escuro com partes mais claras, os olhos continuavam da mesma maneira só que com um brilho de compreensão, os caninos estavam grandes, mas não eram tão ameaçadores quanto a garota se lembrava de ver em outros da mesma espécie, ao invés de andar encurvado ele ficava ereto, e como andava na ponta dos pés ele ficava bem mais alto, devia ser maior que Ramon até. Ele definitivamente era diferente. – Ele não ataca os seres da noite, na verdade ele parece ser contra isso. Não consigo entendê-lo por isso não sei o motivo dele ser assim.
“E onde estou?” anotou novamente mostrando para a gata que logo fez um sinal para ela se aproximar. Saltara da cama e se aproximada da gata que logo abriu uma pequena brecha da porta apontando para fora. Mitsuki quase engasga com o próprio ar quando viu o que tinha do lado de fora. Era uma floresta de pinheiros como era costumeiro de lugares com um frio muito intenso, mas não era a floresta que lhe surpreendera e sim o que andava por ela. Vários Dark Chaos caminhavam de um lado para o outro, devorando qualquer tipo de animal que encontrasse pela frente e se energizando com a energia negra que pairava no ar.
— Você esta na Rússia, no ponto de concentração de vários Dark Chaos. – respondeu a gata enquanto a ouriça engolia em seco. Em que diabos tinha se metido?
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— Kaira, me devolve esse livro! – exclamou o ouriço negro de olhos verdes enquanto corria atrás da raposa que saltava de um lado para o outro tirando sempre o livro que havia tomado do ouriço de perto dele. Um enorme sorriso estava pousado em seu rosto fazendo o ouriço correr para todos os lugares que ia. – Kaira, me devolve isso agora! É importante e você sabe disso!
— Não até você me dar um pouco de atenção. – rebateu a garota balançando o livro do seu lado e logo desviando de mais uma tentativa do ouriço de alcançar o livro. Tudo tinha começado por isso, Kaira tinha chegado depois de uma reunião que teve que ir no mundo dos demônios e tudo o que queria era passar um pouco de tempo com o ouriço negro de olhos verdes, mas ele se encontrava tão concentrado no estudo que fazia para entender tudo o que acontecia com Gaia que nem mesmo prestara atenção nela quando chegou e isso deixou a demônio bastante frustrada. Por isso fez a única coisa que podia para chamar a atenção do ouriço, pegou o livro que estava lendo. E lá estavam eles naquele pega-pega sem fim!
— Kaira eu preciso terminar isso! – exclamou o garoto que já estava rindo no meio daquela brincadeira, tentando pegar a raposa que apenas escapulia para os lados e tudo o que conseguia era pegar o ar. Estavam no quarto do garoto e agora Kaira pulava encima da maca ainda balançando o livro em suas mãos, rindo sem parar e pulando na cama igual a uma criança. Mephiles já não agüentava, Kaira de vez em quando podia ser tão imatura quanto uma garota de oito anos e era isso o que mais o atraia. Com um salto pulou na cama e dessa vez conseguiu segurar Kaira, fazendo aos dois caírem deitados na cama, com ele encima dela. – Dessa vez consegui!
— Não vale! Me pegou quando tava distraída, exijo uma revanche! – exclamou a garota fazendo uma cara emburrada enquanto tentava escapar dos braços do ouriço que apenas ria e a abraçava com mais força. Seus olhos verdes brilhavam encantados com a garota que tinha entre os braços, ela havia se envolvido tanto na brincadeira que agora não mais conseguia sair do papel de criança. – Mephiles, eu quero uma revanche!
— Nada de revanche, eu ganhei e agora quero meu premio. – respondeu eu entrando na brincadeira. Ajeitou-se encima dela colocando uma mão a cada lado do rosto da garota e se apoiando nelas enquanto seus rostos se aproximavam. Kaira ainda tinha a cara emburrada e tentava empurrá-lo para longe. – Você pediu agora agüenta. Toda minha atenção esta voltada para você e mais nada.
Kaira parou então de lutar e virou o rosto para encarar o ouriço e com um sorriso travesso o puxou para baixo. Primeiro o ouriço se surpreendeu pelo ato repentino, mas então retribuiu o beijo que a garota lhe dava levando uma de suas mãos até o rosto dela acariciando-o com carinho. A raposa ruiva levou as mãos até o peito do garoto e as desceu até alcançar o inicio da mesma, puxando-a para cima até finalmente chegar a cabeça do garoto os obrigando a se separar por alguns instantes antes para logo voltarem a se beijar. Como em nenhuma das duas existências era realmente necessário a respiração os dois podiam ficar naquilo por horas a fio sem nem mesmo se cansar ou precisar se separar. Mas algo estranho acontecia com eles ao igual aconteceu com os outros vampiros quando estão com seus parceiros. Depois de vários instantes na intensidade do beijo era como se o pulmão já não suportasse mais e pedisse ar, se esquecendo que ele não era necessário.
Mephiles levou a mão até a blusa da garota e abriu os botões que tinha na frente ao mesmo tempo que subia um pouco a saia que ela usava. Os dois continuariam aquilo se um grito não tivesse ecoado por todo o lugar assustando a ambos que rapidamente se separaram. Mephiles conhecia o grito e o mais rápido que conseguiu saiu do lugar e foi até o escritório de seu irmão. Kaira ajeitou a blusa junto com a saia e também saiu do quarto seguindo o ouriço negro de olhos verdes. Quando chegaram Manic estava sentado no chão com os olhos completamente arregalados e nublados, Sonia estava do seu lado com um rosto inocente e um sorriso bobo no mesmo.
— Cassandra reagiu quase da mesma maneira. – falou a ouriça rosa arroxeada segurando as mãos atrás das costas e sorrindo divertida. Mephiles ficara atordoado, sem saber nem o que pensar. Shadow parou a seu lado poucos instantes depois que chegou e estava tão confuso quanto ele.
— Sonia, o que diabos aconteceu aqui? Por que Manic gritou? – perguntou Shadow. Sonia sorriu para ele de um jeito enigmático e logo balançou a cabeça, parecia até mesmo inocente se os dois irmãos não soubessem que foi ela que disse alguma coisa para Manic para deixá-lo naquele estado.
— Eu só disse o que acabei de descobrir. – respondeu Sonia que logo sorriu ainda mais. – Teremos mais um membro na família daqui a alguns meses.
— Minha nossa! Agora entendo porque Manic esta desse jeito. – comentou Mephiles levando uma mão a cabeça. Shadow suspirou aliviado ao ver que não era nada grave. Kaira passou flutuando pelos dois com as pequenas asas negras em suas costas, eram suas típicas asas de demônio só que para não gastar muita energia Kaira decidira deixar elas menores.
— Manic vai ter um filho?! Ai, faz séculos que não carrego um bebê! O do Shadow e do Sonic eu perdi, mas ainda posso segurar seu e do Manic! – exclamou faliz a raposa enquanto praticamente rodopiava no ar, já imaginando aquela pequena criatura em seus braços. Desde os cinco primários nunca mais tinha segurado uma criança no colo e sentia muita falta de ter aquela doce sensação que sentira quando estava com aquelas pequenas criaturas nos braços.
— Mas e o seu Kaira?! Não vai achando que vai deixar meu irmão sem um filho, porque isso eu não vou deixar! – Kaira corou com o comentário e desviou o olhar. Nunca imaginara ter uma família com o ouriço, queria ficar junto dele pela eternidade, mas nunca imaginara ter um filho com ele... E mesmo se quisesse isso o pai dele iria lhe matar se isso acontecesse.
— Sonia! – exclamou Mephiles também corado enquanto Shadow a seu lado ria. As memórias voltavam enquanto via seu irmão discutindo com sua irmã. Logo a casa voltaria ficar animada.
— O Manic não esta aqui agorinha mesmo? – perguntou Kaira chamando a atenção dos três irmãos, eles olharam o lugar onde Manic antes estava e agora não tinha mais ninguém. Quando foi que ele se tornou tão rápido? Kaira riu e então bocejou. – Se me dão licensa vou tirar um cochilo, a reunião dos demônios foi cansativa, nunca vi falarem tanta besteira como ali.
— Não vai a lugar nenhum, mocinha. Temos coisas a terminar. – reclamou Mephiles a carregando e logo desaparecendo de lá, deixando apenas Shadow e Sonia no lugar.
— A família vai continuar a aumentar. Será que os garotos vão gostar da noticia? – comentou Sonia enquanto encarava a porta por onde todos tinham saído com um sorriso no rosto. Shadow também sorriu, um pequeno sorriso, mas mesmo assim estava lá, era visível e era mais do que se podia imaginar do ouriço sempre sério e frio.
— Tenho certeza que onde quer que eles estejam vão ficar felizes em saber das novidades. – respondeu enquanto um pesar se pousava em seu peito. Como estariam? Teriam conseguido alguma coisa? Yin estaria bem? Era frustrante apenas ficar ali esperando por eles, ficando apenas na torcida, mas agora tudo estava nas mãos dos quatro garotos.
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Frio era pouco para o que estavam sentindo naquele momento. Aquelas terras geladas pareciam mais o pólo Norte e não o continente Asiático. O vento soprava com velocidade e fazia os três ali terem dificuldades para andar. Mesmo com a visão sendo dez vezes melhor que a de um ser humano eles ainda tinham uma ligeira dificuldade de enxergar o que tinha em frente. Mas não era apenas isso que os impedia de continuar. Racer e Ramon se sentiam estranhos, cansados apesar de terem se alimentado antes de irem para lá, mas Yin, ela se encontrava bem, estava andando na frente dos dois tentando ver se conseguia achar alguma coisa.
— Não sabe a localização exata dela Racer?! – questionou a ouriça negra virando o rosto para trás e tentando fazer a voz passar por cima do vento. Racer voltou a se concentrar, a esmeralda caos estava na sua mochila, seus amigos decidiram que ele deveria tomar conta delas, apesar de não entender muito bem o motivo disso. A energia caos passava por seu corpo lhe dando forças, mas mesmo assim o tanto que entrava não se comparava ao que saia e por isso mal conseguia andar. Se concentrou, tentando encontrar mais uma vez a ouriça prateada, mas novamente sem sucesso, era como se tivesse deixado de pensar. – Racer!
— Não consigo achá-la! – gritou de volta logo que saiu de sua concentração. Se sentia o dobro mais fraco agora suas pernas tremiam e tinha a impressão que logo cairia no chão. O vento soprou com mais força e com ele foi sua energia, até mesmo a esmeralda caos parecia mais fraca. O que estava acontecendo naquele lugar?
— Se concentra Racer! – gritou Ramon e apesar dele estar um pouco certo não era esse o motivo de não encontrar Mitsuki. Racer realmente não estava se concentrando direito, ainda tinha em sua mente o ocorrido com Yin ocasionalmente puxando a memória da primeira vez que ela quase o mordeu, no jardim do castelo... Tudo aquilo o desconcentrava, fazia sua área de alcance diminuir, mas tinha certeza que não era aquilo que o atrapalhava.
— Não é isso! É como se ela tivesse parado de pensar! – gritou de volta e um calafrio percorreu pelo corpo dos outros dois. Parado de pensar, Mitsuki não podia estar com a mente em branco, isso era mais que improvável. A única maneira dela ficar dessa maneira seria se...
— Não! Isso não é possível! Recuso-me a acreditar que ela... – antes que pudesse continuar Ramon sentiu como seu corpo perdia o chão, não mais conseguia mover os membros, não sentia mais frio, não sentia mais nada! Por sorte Yin conseguiu correr até ele e segurá-lo antes que atingisse a neve acumulada em seus pés. Mas ao mesmo tempo não conseguiu agüentar o peso do garoto por causa da surpresa e acabou se ajoelhando no chão segurando a cabeça de Ramon que parecia quase desmaiar.
— Mas que diabos... – antes que pudesse continuar Racer caiu na neve a seu lado, a alguns passos de distancia. Yin não se sentia cansada, não sabia o que estava acontecendo com seus amigos para que isso estivesse acontecendo até que sentiu. Havia algo diferente no ar, antes não tinha percebido porque estava muito preocupada com Mitsuki, mas agora compreendia o que acontecia. – Essa nevasca não é normal, vem de um feitiço para esconder alguma coisa... E esse clima...
A energia caos estava escassa, tudo o que sentia era a energia escura passando por seu corpo e lhe dando a mesma força, só que deixando seu lado racional mais fraco e dando mais chances de perder o controle de seu corpo para aquele Dark Chaos em sua mente. O que mesmo que seu tio tinha lhe dito? Ela também poderia manipular as duas energias como Gaia fazia e como foi naquele lugar que tinha aberto a ultima passagem para aquele estranho mundo quer dizer que dizer que talvez uma pequena parte dele devia ter ficado aberta fazendo a energia escura passar e sobressaindo com a energia caos.
Fechou os olhos e se concentrou. Energia escura entrava e saia energia caos, energia escura entrava e saia energia caos. Era assim que tentava fazer, usando seus poderes para algo que valesse a pena no momento. Foi então que sentiu um grande choque em seu corpo, a fenda entre os dois mundos estava se fechando e isso lhe causava algum efeito no corpo como alguma coisa dentro de si tivesse sido arrancado. Talvez tivesse absorvido energia escura de mais e agora, com a fenda se fechando, seu corpo tinha a radical mudança de energia escura para energia caos.
— Fecha... Vamos, fecha! – com um grito de dor conseguiu fazer aquela emanação de força escura parar e que assim uma grande quantidade de energia caos. Seus amigos logo acordariam tendo suas energias recuperadas, mas ela não sabia o problema que havia causado com essa mudança.
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Sentada naquela cama tentava pensar, pensava, pensava e pensava em uma maneira de sair dali e encontrar novamente seus amigos para voltarem a procurar as esmeraldas caos. A pequena chama azul que tinha a seu lado estava no chão, sem que suas chamas pudessem queimá-lo, estava muito quieta até que se ergueu rapidamente e passou como uma flecha para a frente da ouriça que estava muito distraída para prestar atenção. Com um rápido movimento a pequena chama acertou a testa da garota que pelo susto caiu de costas na cama.
Furiosa, Mitsuki voltou a se sentar e encarou de maneira desconcertada a chama azul que ainda se sacudia no ar. A chama deu voltas em si mesma, cortou o ar, fez formas circulares e Mituski não compreendia o que tanto queria. Até que finalmente a pequena chama moldou seu formato para o de uma esmeralda e finalmente a ouriça compreendeu o que queria. Com toda a velocidade que conseguiu pegou sua bolsa que estava perto de si e a abriu, retirando o mapa de dentro. O desdobrou e o mais rápido que pôde e então olhou a localização das esmeraldas compreendendo o que a pequena chama queria dizer.
Tinha uma esmeralda naquele país! Talvez pudesse se adiantar e procurá-la para quando estivesse com seus amigos já teriam o trabalho adiantado. Mas o país era muito grande e nem sabia em que parte dele estava. Talvez a pequena gata, que descobrira a pouco que era uma bruxa, pudesse lhe ajudar. No momento ela estava novamente sentada na escrivaninha parecendo escrever alguma coisa. Rapidamente se levantou da cama e se aproximou dela.
— O que houve? – perguntou a bruxinha logo que colocou uma mão em seu ombro. Mitsuki rapidamente fez sua chama azul ficar no formato de uma esmeralda e então mostrou o mapa para a bruxinha que compreendeu. – Pensa que tem uma esmeralda caos aqui? – Mitsuki rapidamente assentiu, tendo a esperança que aquela gata pudesse lhe ajudar. – Se realmente tiver uma aqui na Rússia você não vai poder encontrá-la com tanta facilidade. A energia caos aqui é escassa e isso também deveria lhe afetar, mesmo você sendo uma controladora do caos não conseguiria sentir a energia baixa dela, principalmente estando tão fraca.
A ouriça prateada abaixou a cabeça, triste pelo o que ficara sabendo, mas ainda não tinha perdido as esperanças. A porta do lugar onde estavam escondidas se abriu e dela passou aquele estranho Dark Chaos, que ao invés de matar procurava ajuda os seres da noite como ela e a pequena bruxinha. Rapidamente foi até ele e novamente mostrou a pequena chama azul no formato de uma esmeralda. Ele assentiu, compreendendo o que queria. Ele ergueu a mão, mostrando a palma dela e logo depois apontou para si. Mitsuki compreendeu, eles tinham a esmeralda caos que estava naquele país. O Dark Chaos então negou com a cabeça e levou a mão ao pescoço. Novamente a ouriça compreendeu, ele não poderia pegá-la, era muito perigoso. Dark Chaos então apontou para ela e novamente negou e dessa vez era ainda mais clara a mensagem. Ela também não poderia ir pegá-la.
Mitsuki parou para pensar um pouco. O que deveria fazer se era muito arriscado qualquer um ir pega a esmeralda caos? Como poderiam chegar até ela se a própria controladora do caos estava fraca de mais para agir. Foi então que uma forte energia percorreu todo o local, uma energia que Mitsuki conhecia muito bem... De repente se sentiu forte de novo, seus poderes voltavam a força normal e como agora não teria problema em usá-los. Mas o Dark Chaos a sua frente ficou fraco, quase caindo no chão se não fosse a bruxinha segurá-lo.
— A energia escura foi substituída pela energia caos? Mas como?! – exclamou a bruxinha desconcertada, mas Mitsuki já tinha uma resposta para aquilo. Fora Yin, era a força dela que apareceu antes disso acontecer e sabia que tinha sido ela que ocasionara aquilo, apesar de não saber exatamente como. Foi então que ouviram guinchados do lado de fora, todos se aproximando de onde estavam. – Sentiram sua energia. Agora sabem que esta aqui. Eles vão passar meu feitiço de proteção!
O Dark Chaos ergueu a cabeça e por um instante Mitsuki viu algo muito parecido com ela. Talvez por ter ficado anos sem falar sabia interpretar perfeitamente aqueles que também apenas se comunicavam por gestos, por isso conseguiu ver nos olhos peculiares daquele Dark Chaos um brilho de temor, mas não por ele, era por outra coisa... Só descobriu o que era quando ele se ergueu, mesmo parecendo fraco e empurrou a pequena bruxinha na sua diração, a obrigando a segurá-la enquanto ele se colocava na frente da porta que já começava a ser arrombada.
— Você não pode estar querendo lutar contra todos eles sozinho! – exclamou a bruxinha em seus braços tentando voltar a se aproximar do Dark Chaos. O mesmo virou o rosto e sorriu, de uma maneira que Mitsuki nunca antes tinha visto um Dark Chaos sorrir. Seu corpo ficou estático enquanto segurava a bruxinha. Que tipo de Dark Chaos era aquele? – Não! Você esta fraco, não vai conseguir enfrentar todos eles!
Foi então que o Dark Chaos voltou o olhar para o seu e não precisou de mais nada para compreender o que ele queria. Mitsuki conhecia aquele olhar, porque ela mesma já tinha tido aquele olhar um dia. Era o olhar da suplica para proteger alguém, era o olhar de quem só queria proteger quem amava. Mitsuki não podia negar aquilo, carregou a bruxinha e quebrou o lado oposto do que os Dark Chaos tentavam entrar. A gata chorava e esperneava em seus braço pedindo para voltar, pedindo para ajudar aquele Dark Chaos, mas Mitsuki não parava de correr, corria para fora daquela floresta e em fim chegando a onde tudo tinha começado, aquela planície de neve. Deixou a garota ali e fez um sinal para que ficasse parada e logo voltou a correr na direção onde tinha o ataque.
Quando chegou, era mais que claro que teria que enfrentar vários Dark Chaos até chegar no que estava querendo. Suas mãos já se encontravam flamejantes com aquele fogo verde as rodeando sem nenhum problema e, ao passar pelo aglomerado de criaturas sombrias, vez com que várias delas pegassem fogo, procurando identificar qual seria o que estava procurando para assim não machucá-lo. Quanto mais adentrava na floresta, mais Dark Chaos encontrava e mesmo eles não estando com a mesma força que deveriam ter quando a energia escura era abundante, a ouriça ainda tinha um pouco de dificuldade de lutar. Principalmente por causa da quantidade que tinha a seu redor.
Chegou um momento que pensou que nunca encontraria aquele Dark Chaos no meio de tantos até que vislumbrou um ligeiro brilho. Não soube dizer se foi o Dark Chaos que o provocou ou se foi outra coisa, mas no momento isso não tinha importância. Correu até o lugar onde vira o brilho e lá o encontrara, lutando contra seus iguais, tentando defender sua própria vida. Rapidamente saltou, pulando pelas cabeças dos Dark Chaos que tinha a sua volta até finalmente chegar ao que queria salvar. Viu que ele estava fraco e já não poderia lugar mais, sabia que tinha que ser rápida para sair de lá com ambos ainda inteiros.
Segurou com o Dark Chaos e o colocou em suas costas, e mesmo ele sendo maior que si conseguia carregá-lo com facilidade. Saltou novamente por cima das cabeças dos Dark Chaos, pulando de uma em uma até finalmente pular nos galhos das árvores onde teria mais liberdade de correr sem ter o risco de alguma daquelas criaturas segurar seu pé. O mais rápido que conseguiu saiu da área onde estavam os Dark Chaos e saltou para perto daquela bruxinha que permaneceu no mesmo lugar que a havia deixado.
Deixou o Dark Chaos perto dela, que o abraçou sem demora ainda chorando. Mas ainda não tinha acabado, os Dark Chaos que antes estavam na floresta agora saiam a montes os rodeando e agora Mitsuki não sabia o que fazer. Se usasse seus poderes prejudicaria aos dois que estavam atrás de si, se não usasse, os Dark Chaos que os tinham rodeado agora lhes matariam. O que fazer? O que fazer?
Foi então que viu, vários Dark Chaos começaram a explodir sem explicação aparente, e sombras começaram a sair do chão, lançando vários Dark Chaos para o alto e atravessando a outros. Sorriu feliz ao perceber que seus amigos a havia encontrado e na hora certa. Um vulto então parou na sua frente mal teve tempo de pensar, os braços de Ramon já estavam a sua volta a abraçando com força.
— Nunca mais se afaste de nós, entendeu?! – exclamou ele preocupado enquanto tudo o que poderia fazer era retribuir o abraço com toda a saudade que sentia dele. Foi então que se lembrou os dois que estava tentando proteger. Rapidamente se separou de Ramon e apontou para trás de si, indicando aqueles que estava protegendo. – Vamos tirá-los daqui então, Racer e Yin cuidaram dos Dark Chaos aqui e logos nos encontraram.
Mitsuki carregou o Dark Chaos, o colocando novamente em suas costas enquanto Ramon carregava a bruxinha. Como agora os Dark Chaos estavam concentrados nos dois que os atacavam eles puderam passar com certa facilidade adentrando em uma parte da floresta mais afastada de onde estavam. Mitsuki deixou o Dark Chaos no chão enquanto a bruxinha logo saltava dos braços de Ramon e ia até onde ele estava. Foi só então que o equidna percebeu o que tinha salvado.
— Ele é um Dark Chaos! Mitsuki o que pensa que esta fazendo o salvando?! – exclamou ele desconcertado já se preparando para atacar a criatura que a pequena gata alva abraçava, mas antes que pudesse chegar perto Mitsuki se colocou na sua frente, impedindo sua passagem com o próprio corpo. – Que diabos esta fazendo?! Ele é um Dark Chaos! – a ouriça prateada negou com a cabeça e então apontou novamente para o Dark Chaos mostrando a Ramon que ele tinha aparência diferente e que ele não atacava a pequena gata que o abraçava. Ramon recuou. – Mas o que esta acontecendo aqui?
— Vocês estão bem? – perguntou Yin enquanto ela e Racer se aproximavam. Conseguiram escapar enquanto as criaturas estavam atordoadas e agora ficariam escondidos por um tempo. O Dark Chaos ergueu a cabeça e quando viu a ouriça negra rapidamente saiu dos braços da bruxinha e se ajoelhou no chão fazendo uma reverencia para ela.
— Rainha. – Yin o havia escutado dizer e seu rosto se contorceu em desgosto. Com raiva recuou alguns passos e logo quase gritou.
— Mas que droga, porque todo Dark Chaos que me encontra agora tem que me chamar de rainha?! – esbravejou, mas quando viu que todos os olhares tinham pousado em si não compreendeu o porque. – O que foi?
— Você o entendeu? – perguntou a pequena bruxinha com os olhos arregalados. Todo esse tempo que esteve com aquele Dark Chaos, que ele cuidou de si e a fez companhia nunca o entendera, então por que agora aquela garota conseguia? – Ele só grasnou, como pode tê-lo entendido.
— Ele falou, eu ouvi ele falar. – rebateu Yin confusa, mas quando viu os olhares de todos ali decidiu não discutir e bateu em sua própria cabeça. Odiava ser quem era. – Sempre comigo, porque sempre comigo?
— Apenas os Dark Chaos podem entender uns aos outros. – voltou a dizer o Dark Chaos sendo entendido apenas por Yin que o mirou curiosa. – E você tem nosso sangue Rainha.
- Yin o que ele esta dizendo? – perguntou Racer a seu lado não agüentando mais apenas ouvir grasnados. Queria saber o que ele falava para sua prima.
— Disse que posso entendê-lo porque sou metade Dark Chaos. – respondeu a garota encarando atentamente. Tinha algumas perguntas a fazer. – Mas por que você é tão diferente dos outros? Por que parece mais...
— Racional? – Yin assentiu com a cabeça e pareceu que o Dark Chaos soltou um suspiro. – Meu nome é Dalkon, sou um dos Dark Chaos verdadeiros.
— Dark Chaos, verdadeiros? – questionou Yin sem compreender muito bem.
— Sim. Esse vampiro do seu mundo, Gaia, conseguiu abrir uma brecha entre as dimensões e descobriu o nosso. Ele nos estudou e descobriu que nossas capacidades físicas eram bem maiores que as das criaturas de seu mundo por isso coletou nosso sangue e o injetou em si mesmo. – Yin escutava tudo com muita atenção e logo traduzia para aqueles que estavam em volta. Qual a melhor maneira de descobrir o que Gaia tinha feito se não por um próprio Dark chaos? – Assim ele conseguiu criar replica de nós enquanto outros eram controlados por ele. Com nosso sangue correndo em suas veias ele conseguiu ter uma ligação mental conosco, nos manipulando para segui-lo. Passamos séculos assim, sem ter vontade própria nem nossas vidas, éramos escravos! Até que você surgiu. Quando você nasceu alguns de nós já sentiram sua energia que interferiu no controle de Gaia e assim se libertaram. Formamos então os rebeldes que lutariam contra Gaia pela liberdade de nosso povo. Muitos de nós te admiramos e faremos de tudo para lhe ajudar em sua luta.
O silêncio pairou no lugar, ninguém sabia o que dizer depois que Yin traduzira toda aquela historia. Yin então virou seu rosto para onde estavam os outros Dark Chaos. Esse tempo todo estivera matando um povo que nunca quisera lutar, até mesmo quando estivera na terra deles não percebera isso e lutara contra eles. Se fora mais forte deveria conseguir trazê-los de volta ao normal, ajudá-los ao invés de matá-los. Foi então que decidiu.
Foi para as árvores e de lá se impulsionou para o meio de toda a confusão de Dark Chaos que tinha por ali. Seus olhos brilharam enquanto pela primeira vez fazia contato com a criatura que tinha em sua mente.
Você não queria um exercito?! Exclamou em pensamentos enquanto enchia os pulmões. A fúria, tanto sua como a do seu outro lado subiu por seu corpo e se acumulou em sua garganta enquanto uma onda mental passava por cada Dark Chaos ali presente. Então conquiste-os!
Um alto grasnado saiu de sua boca, ecoando por todo aquele lugar, trazendo cada Dark Chaos que tinha por ali de volta a seu estado normal, com a mesmas cores e aparência do que se escondia com seus amigos. O rugido tinha chegado a tal ponto que até mesmo Gaia, que estava em outra dimensão, pôde escutá-lo, tendo sua mente confundida pela forte onda mental que o atingiu.
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A manhã na Rússia estava quase chegando e agora era hora de ir embora. Todos os Dark Chaos que estavam naquele lugar tão peculiar da Rússia agora tinham suas mentes de volta ao normal graças a Yin que se encontrava fraca de mais e precisava ser carregada por Racer. Mitsuki sorria sem parar para os novos amigos que tinha conquistado e lhes desejava boa sorte na viajem que teriam que fazer.
— Melhor vocês continuarem na Rússia por enquanto. – aconselho Yin que estava nas costas de Racer, com um pequeno sorriso no rosto. – É arriscado ficarem em países que tem outros vampiros, já que depois da guerra contra Gaia os Dark Chaos não são muito bem vistos em nosso mundo. Fiquem escondidos até eliminarmos a Gaia e então poderão voltar para seu mundo sem problemas e com a liberdade para todos.
— Agradeço muito pelo o que fizeram, tenho certeza que Dalkon esta feliz por ter seus companheiros de volta. – os quatro controladores do caos dirigiram seu olhar para o Dark Chaos que sorriu e fez uma pequena reverencia na direção de Yin, que ainda não gostava daquela reação. – Desejamos boa sorte na busca de vocês, e realmente esperamos que derrotem a Gaia. Cofiamos em vocês.
Os quatro sorriram. Depois de tanto tempo ouvindo como as pessoas lhes menosprezavam agora tinham quase uma legião inteira lhes apoiando, dando confiança para continuarem. Foi então que o Dark Chaos se aproximou de Mitsuki e com um pequeno sorriso ergueu a mão mostrando a esmeralda do caos azul clara, que reluziam de uma maneira incrível. Foi então que a ouriça percebeu que o brilho que tinha visto antes de achá-lo era daquele pequeno objeto, ele tentara encontrá-lo para ela mesmo estando em perigo. Sorriu em agradecimento e pegou a esmeralda de sua mão.
Com um aceno de mão se despediram e os controladores do caos foram para seu próximo destino: O Deserto do Saara.
Notas finais
Bjsss e até o proximo cap ^^
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