Guardiões do Olimpo
4 Cap 4- Modo de Guerra
Notas iniciais
POV Hannah
— O quê?!- exclamamos eu e Bryan ao mesmo tempo.
—Por que não disse logo?!- disse revoltada.- Vamos chamar todo mundo.
Praticamente arrastei os dois de volta pra central em direção ao prédio alfa. No caminho, já mandava mensagem pro pessoal avisando pra nos encontrarem na sala de reuniões. Outra vantagem de ser uma guardiã: nossos comunicadores. Eram pequenos dispositivos cilíndricos finos, que eu gostava de prender no pulso, como uma pulseira. Quando os abríamos puxando pro lado, uma tela holográfica aparecia. Também dava pra prender na orelha para ligações.
Em menos de cinco minutos já estavam todos reunidos no mesmo lugar de ontem. Acenei para Jacob começar a explicar.
— Bem, como vocês sabem, eu fiquei vagando pelo chip que a Hannah me deu o dia todo tentando decodificar as informações. Eu estava revisando tudo de novo, quando consegui achar um padrão, que na verdade era bem interessante, juntava linguística antiga, o teorema de Pitágoras e algumas outras anotações de Arquimedes…
—Jacob, foco.- pedi. Bryan que estava interessado na conversa me olhou incrédulo.- Depois você pode falar sobre genialidade do código, mas o que você descobriu?
— Ah, certo, desculpe. A questão é, de acordo com a lista de materiais transportados e dos projetos, eu acho que sei o que estão construindo. Se for o que acho que é, vamos ter muitos problemas.
— Tá, mas o que é?- questionou Vitória impaciente. Jacob abriu a boca pra falar, mas nunca teve a chance de responder. Bem naquele momento ouvimos um estrondo vindo do lado de fora, e o prédio tremeu. Corremos pra janela. Pedras voavam por cima dos muros, acertando todos no pátio. Estávamos sob ataque.
— Modo de Guerra!- berrou Ayla. Todos os guardiões passaram a correr para seus postos e a repassar a mensagem. Ayla e Jacob foram pro sistema central, enquanto Maia viajava nas sombras. Em questão de instantes um escudo de força cobriu a villa, tirolesas e passarelas surgiram conectando os prédios e o pátio, os muros quase dobraram de tamanho e várias catapultas surgiram do chão. O Modo de Guerra era uma das nossas melhores defesas. Os prédios se trancaram e todos foram para fora. Pulei em uma tirolesa e em segundos já corria pelo pátio. Os arqueiros e atiradores subiram no alto da muralha para começar a abater os inimigos. O resto de nós correu pra batalha. Avancei junto com os outros guardiões, atacando todo monstro que aparecia na minha frente. Foi então que percebi quem liderava o ataque.
— Você!- esbravejei.- O que você quer?
— Não acredito que vai me perguntar isso toda vez que nos encontrarmos.- respondeu Sybilla com um sorriso cínico no rosto. Sem mais palavras corremos na direção uma da outra, trocando olhares mortais. Avancei com minhas espadas e começamos a lutar. Tomava todo cuidado possível com sua lança que pingava veneno. Num golpe rápido consegui acertar seu braço. Um filete de sangue escorreu por seu braço manchando a pele branca como papel. Ela urrou, mais de raiva que de dor e atacou. A raiva a deixou mais determinada, e mal conseguia me defender. Ficamos nessa brincadeira de gato e rato até ela me acertar no estômago e me derrubar no chão. Tentei me levantar, mas ela cortou minha perna. Fraquejei e caí novamente.
— Por que?- tive forças pra perguntar.
— Por muito tempo os oniah ficaram nas sombras. Sempre menores que os deuses e menosprezados pelos gigantes e titãs. Nunca conseguimos nos encaixar. Até que percebemos que não precisavamos nos encaixar no meio desses seres patéticos e decidimos criar nosso próprio caminho. Ganhamos um sonho. Uma nova era onde os oniah reinam supremos. A única coisa entre nós e esse sonho são vocês, guardiões, sempre uma pedra no sapato. Mas logo logo, vocês não passaram de uma triste lembrança. — ela foi se aproximando enquanto eu ficava no chão, sem forças. — Nós ganhamos.
— Acho que você se esqueceu de uma coisa.- avisei. — Estamos no meu território agora.
Dito isso, juntei minhas espadas pelo cabo, formando uma única espada dupla. Usei a espada para me apoiar e levantei. Ergui os braços. Geisers brotaram do chão e vinhas cresceram. Todos foram na direção dos monstros e Sybilla. Acho que aquilo foi o que causou a nossa vitória. Eles recuaram. Mal consegui me manter em pé. O corte na minha perna ardia. Logo os guardiões vieram na minha direção.
— Nossa. — disse Vitória. — Esse é um corte muito feio. Quer ajuda?
Neguei e voltei pra central, tomando cuidado pra não forçar demais minha perna. Precisava pegar minha bolsa na sala de reuniões. Cheguei no pátio pálida, suando com o esforço de andar. Mesmo assim, recusava toda a ajuda que me ofereciam. Minha teimosia era mais forte que a dor. Maia apareceu na minha frente, surgindo das sombras. Ela jogou minha mochila.
— Achei que fosse precisar. — agradeci com o olhar enquanto revirava os bolsos à procura das amoras. Senti seu suco escorrendo na minha garganta e o alívio foi quase imediato. Todos os guardiões se reuniram no centro do pátio pra conversar. O céu já estava escuro e as estrelas brilhavam. Formamos um círculo no meio do pátio e começamos a cantar. Era uma tradição, todo fim de tarde, para celebrar o fim do dia e a aparição das estrelas, cantávamos uma música escolhida por um dos guardiões. Naquele dia foi a vez de Mike, um protegido de Apolo, que logo começou a tocar (N/A comecem a música aqui). Sorri. Todos a conhecíamos, ela era uma das mais populares entre nós. Ayla começou a cantar.
“There will come a soldier
Who carries a mighty sword
He will tear your city down, oh lei-oh lai-oh Lord
Oh lei, oh lai, oh lei, oh Lord
He will tear your city down, oh lei-oh lai-oh Lord
Ela e um pequeno grupo de guardiões começaram a dançar em círculo. Era uma dança num estilo mais medieval.
There will come a poet
Whose weapon is His word
He will slay you with His tongue, oh lei-oh lai-oh Lord
Oh lei, oh lai, oh lei, oh Lord
He will slay you with His tongue, oh lei-oh lai-oh Lord
Seguimos a deixa deles e nos colocamos em círculo. Começamos a dançar em conjunto. Era uma dança simples, em pares, mas a animação das pessoas era contagiante.
There will come a ruler
Whose brow is laid in thorn
Smeared with oil like David's boy, oh lei-oh lai-oh Lord
Oh lei, oh lai, oh lei, oh Lord
Smeared with oil like David's boy, oh lei-oh lai-oh Lord
Oh lei, oh lai, oh lei, oh Lord
He will tear your city down, oh lei-oh lai... oh
Trocamos de pares o tempo todo, batendo as mãos em conjunto no ritmo da música. Giravamos bastante, movendo muito os pés, como sapateado. Depois desse trecho todos começaram a cantar juntos e a dançar cada vez mais rápido.
Oh lei, oh lai, oh lei, oh lai, oh
Oh lei, oh lai, oh lei, oh lai, oh
Oh lei, oh lai, oh lei, oh lai, oh lei, oh lai, oh lei, oh lai, oh
Oh lei, oh lai, oh lei, oh lai, oh
Oh lei, oh lai, oh lei, oh lai, oh
Oh lei, oh lai, oh lei, oh lai, oh lei, oh lai, oh lei, oh lai, oh”
(N/A fim da música)A música acabou. Rimos. Era muito legal quando deixávamos nossas diferenças de lado e cantávamos como adolescentes normais. Os guardiões podiam ser um grupo sério, mas sabiam se divertir.
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