Notas iniciais
N/Rocker: Sinto muitíssimo pela demora, mas teve alguns probleminhas com a MJ quando ela foi checar o capítulo que eu tinha escrito para revisar >.

Capítulo 3

Narradora

Não era fácil aguentar um manicômio judicial. Não estava sendo os melhores anos da vida de Alex, e não era uma experiência que ela queria novamente. O lugar frio e úmido que ela era obrigada a chamar de quarto ficava no lado norte do prédio B. Era um conjunto de três prédios. O prédio A, feminino; o prédio C, masculino; e o B, onde ela ficava. Não tinha um nome exato para aquele prédio, mas em resumo era onde ficava aqueles que os exames deram ainda menor que negativos. Aqueles que acreditavam ser realmente loucos. Ela não era louca, disso Alex sabia. Mas sempre que revivia a noite que a incriminara, apenas flashes soltos vinham em sua mente.

"– Mas que droga! — gritei, jogando o garfo no chão. — Droga de festa! Droga de aniversário! Droga de...

– Epa, epa, epa! — ouvi alguém atrás de mim. Olhei para trás, e não vi ninguém, mas quando me virei para frente novamente, dei um grito com a aproximidade de Jack Frost, comigo. O Jack Frost real desta vez. — Calma.

Respirei fundo. — Jack Frost?"

Jack Frost existia? Ele não era apenas mais um personagem mitológico que foi transformado em herói pela DreamWorks e por quem ela se apaixonava todas as vezes em que via o filme? Não seria possível, seria?

"– Não beba. — ordenou Jack ao meu lado.

– Por que não?

– Não. Beba. — disse ele entre dentes.

– Ah, mas a festa já está uma droga mesmo... — e eu meti o líquido garganta abaixo, ignorando as instruções de Jack.

A bebida queimava meu pescoço, meu estômago. Meus olhos ficaram embaçados, minha boca seca, minha cabeça doía. Minha mente se esvaiu de qualquer pensamento. Quando dei por conta, já havia voltado ao normal."

Mas, se fosse verdade mesmo, ele não a teria ajudado naquilo? Ou não? Alex não sabia, pois após aquele dia nunca mais havia visto Jack Frost. Afinal, se ele realmente existisse, ele teria tentado ajudar. Não é?! Alex não sabia. A única coisa que sabia era que, nos momentos infelizes que passava naquele lugar horrível, sua única companhia eram uma borboleta vermelha que sempre aparecia na janela de seu quarto e as fantasias que sua mente criava com Jack Frost.

Mas então Alex se lembrava do que a levara até ali. Ou, ao menos, pequenos fragmentos que conseguia se lembrar.

"Eu apenas sabia que tinha sangue. Muito sangue. Escorrendo pelas paredes, manchando a capa da minha fantasia e as faixas que envolviam meus pulsos.

E então, de repente, sem mais nem menos, eu estava com minha irmã no banheiro. Ela estava jogada no chão, suja de sangue, com um ferimento horrível aberto no meio da coxa e um no abdome. A faca que eu tinha pego pra comer outro pedaço de bolo estava ainda em minha mão. Mas estava também suja de sangue. E então, antes que eu pudesse raciocinar novamente, meus pais entraram no banheiro, gritando comigo, me insultando e me olhando como se eu fosse insana."

Alex sabia que tinha algo errado em todas aquelas lembranças. Mas o que era? Por quê será que ela não conseguia se lembrar? Por quê as lembranças pareciam tão difusas a ponto de deixá-la louca?

Sem eufemismo.

Aquele ambiente era extremamente propício para isso. Alex, após tudo o que passava naquele lugar, sentia a insanidade a consumindo aos poucos. Pouco a pouco, ela a mente dela se sucumbia à insanidade que aquele quarto simples proporcionava. Havia momentos claros de lucidez, como aquele, em que ela se dedicava quase completamente a se recordar dos bons momentos com seu amigo Willian, e quando também fantasiava ver Jack Frost aparecendo na janela de seu quarto e a observando. Quando ele nada dizia e o sonho se dissipava.

Pois ele se tornava novamente os momentos de tormentos, físicos e psicológicos, pelos quais Alex ainda passaria.

~*~

Alex

– Olá, Alex! — cumprimentou a enfermeira Sydney, entrando sorridente no meu quarto. — Está fazendo um lindo dia!

Abri um sorriso preguiçoso e cínico. Um sorriso que eu mesma já não reconhecia mais em mim.

– Ah, claro. — respondi sonhadoramente, sabendo que meus olhos tinham um brilho insano e vazio e meus lábios tinham um sorriso frio e cínico. Apontei para o teto monotonamente branco do quarto, vendo coisas que, possivelmente, não eram reais. — Eu estou vendo uma nuvem em forma de faca bem ali. Oh, tem uma com a forma de uma arma. Cara, tem um fuzil maneiríssimo bem ali!

Sydney suspirou derrotadamente, como condizia com a rotina com a qual eu já estava acostumada.

– Esse lugar está te deixando cada vez pior... — sussurrou ela, se aproximando com uma maletinha que que eu sabia bem o que tinha.

Eu sorri, desta vez, por incrível que fosse, consegui abrir um sorriso verdadeiro. — Você é a única que não acredita que eu tenha realmente tentado matar a minha irmã.

– Seus exames constavam transtorno psicológico de bipolaridade e alucinações periódicas. Não que isso não pudesse ser arranjado, pois como consta nos seus relatórios, não houve qualquer incidente semelhante antes.

E, como sempre, eu não entendi metade do que ela dissera. A única coisa que eu sabia era que tinha alguma coisa muito errada nisso tudo.

– E por quê você é a única enfermeira boa daqui, Syd? — perguntei, já sentindo as lágrimas escorrendo, enquanto Sydney injetava um sonífero em minha veia, com uma agulha pontuda que ela sempre mantinha longe de mim.

Ela sabia bem que se eu pegasse aquela agulha, eu já teria dado um jeito de me matar há muitos meses.

– Não sei, Alex. — disse ela docemente, ajeitando uma mecha do meu cabelo que agora ficava constantemente embaraçado.

– Mas, sabe... — eu comentei, e pausei para bocejar, já sentindo o sonífero fazendo efeito. — Pelo menos ter ficado viciada nesses remédios me fazem esquecer as noites aterrorizantes de quando o enfermeiro Richard que fica responsável por mim.

O sorriso meigo de Sydney saiu meio embaçado pela minha dificuldade de manter os olhos abertos.

– Descanse, Alex. Você tem algumas horas ainda até lá.

E ela se foi, deixando-me sozinha com minha insanidade e o medo de que as horas se passem mais rápido do que deveriam. Afinal, aquele lugar havia se tornado meu inferno particular.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.