Guardiã Negra
6 Capitulo 6 :Um convite de um garoto do inferno
Notas iniciais
Meus irmãos mal chegaram e já foram brincar e estudar um pouco, enquanto Marcos preparava a janta, eu estava sem fome nenhuma então avisei a eles que iria dormir e subi para o meu quarto, que estava arrumado, o que nunca acontecia, mas ele estava meio revirado também, alguém tinha entrado lá, eu sentia uma coisa estranha nele, mas ultimamente nada na minha vida era normal então apenas ignorei e deitei na minha cama e fechei meus olhos.
Estava acorrentada presa dentro de uma caverna, quando uma luz forte apareceu na minha direção e me soltou das correntes mas me puxou pelo braço e me levou em direção a uma luz muito forte, ele gritava:
–Vamos, corra temos que chegar lá antes de tudo acabar.
–Não consigo ir mais rapido que isso- Disse a ele tentando correr.
Quando paramos na bera de um abismo vermelho, e ele olhou pra mim e suas assas também cobertas de luz se abriram e ele me colocou em suas costas e voamos descendo aquele abismo.
Acordei com Marcos gritando meu nome tentando me acordar, mechendo devagar meu corpo quando eu disse:
–Ok já estou acordada, porque toda essa gritaria? – Perguntei.
–Você estava gritando, claro fiquei assustado, ultimamente me assustar é só o que você tem feito- Disse ele sorrindo tentando esconder a preocupação.
– Desculpa- Disse com um sorriso meio torto.
– Esta tudo bem, agora vá tomar café afinal... Você tem aula hoje mocinha-Disse ele me mostrando minha mochila.
– Sim, é claro já vou indo — Respondi sorrindo.
Sonhos... Os meus sempre tem significados, ás vezes bons, ás vezes ruins, ás vezes nada. Mas eu sou uma pessoa que desconfia demais de todos e tudo, e confio demais em minhas sensações e impresões, eu sou assim, se eu olho na sua cara e sinto uma boa sensação você pode virar meu melhor amigo ou amiga, mas se for uma sensação ruim vou te odiar ou te evitar para o resto da minha vida. Marcos é um exemplo, nunca conseguiu mentir pra mim, ou fingir que estava tudo bem, e naquele momento ele estava muito preocupado e sentia medo de alguma coisa ou alguém, mas de quem ou o que eu não sabia. Eu sinto tudo e mais um pouco, nisso eu me considero perigosa.
Coloquei o uniforme e comecei a arrumar minha bolsa, quando de um dos cadernos no chão um bilhete caiu:
Encontre-me na escola,
Quando o sinal para o intervalo tocar
Não tenha medo, e saiba que você me encontrará.
Assinado: G.S
Não entendi muito bem... E como iria encontrar alguém que não sei quem e nem onde esta? A unica coisa que sei é que ele assina os documentos como G.S, mas é bem provavel que se eu não o encontrasse ele viria até mim, de um jeito ou de outro, mas essa historia não estava me animando nem um pouco, na verdade apenas me assustando mais, primeiro o pesadelo e agora isso.
Desci as escadas com tudo arrumado e tomei meu café, Marcos estava me olhando como se soubesse que algo estava errado comigo, mas ele não me falou nada, apenas me colocou no carro e me deu um beijo na bochecha antes de eu entrar na escola.
Eu entrei na escola e tive minhas primeiras tres aulas normalmente, até tocar o sinal do intervalo, e eu não querer sair da sala, mas ao mesmo tempo estava morrendo de curiosidade para saber quem é G.S, por isso sai e fui em direção ao mesmo lugar que eu sempre fiquei nos balanços do parque infantil, mas tinha outra pessoa no segundo balanço, eu não consegui ver quem era, pois ele estava de touca preta, e parecia ser um homem, então me aproximei e sentei no meu balanço quando ele tirou a touca e olhou para mim e pude reconhecê-lo imediatamente, era o Nicolas e ele me olhou deu um sorriso e disse:
– Oi.
– Oi, a proposito, você não é de falar muito não é? – Disse falando ironicamente.
–Não, sou meio timido- Disse ele sorrindo.
–Bem você já falou uma frase, é um começo- Disse e sorri pra ele.
–Engraçadinha – Disse ele mostrando a lingua
–Ual, como você é maduro- Sorri.
–Você também né – Ele disse e depois sorriu.
Eu nunca havia visto tal sorriso em toda minha vida, talvez sim, mas o sorriso dele lembrava meu próprio sorriso, e estando ali perto dele pude reparar em sua pele extramente branca, e seus cabelos castanhos escuros e lisos, e seus doces olhos castanhos que demonstravam varias emoções ao mesmo tempo, dor, amor, tristeza e alegria, mais um profundo vazio o que o tornava incrivelmente misterioso e doce, mas num desvio de olhar comecei a reparar em seus lábios de um rosa tão claro que quase chegava à cor de sua pele, ele era incrivelmente lindo,e pra eu admitir isso ou reparar nesse tipo de coisa, era totalmente estranho.
–O que esta fazendo aqui? E para que aquele bilhete? – Perguntei.
– Eu queria conversar com você e queria que você soubesse que aquela é a pior parte do inferno — Disse ele serio.
– E tem alguma boa? –Perguntei.
– Quer ver? –Disse ele sorrindo.
–Não sei... –O olhei desconfiada
– Ok não irei te dar escolha- Ele sorriu
No mesmo momento ele me puxou pra perto dele,agarrou minha cintura, e por fim,estalou os dedos, ao fazer isso nos começamos a cair dentro de um buraco que surgiu de repente, e eu me segurei nele com muita força e ele rindo, confesso que estava querendo bater nele, mas meu medo não deixava e fomos parar em um lugar parecendo um castelo, mas o calor era infernal... Literalmente... quando o peguei pelo colarinho e disse:
–Nunca mais faça isso de novo-Disse o encarando.
–Ta bom irritadinha- Disse ele sorrindo.
–Onde estamos? – Perguntei.
– No castelo do arrependimento — Disse ele.
– Onde?-Perguntei novamente.
– Aqui é onde ficam aqueles que realmente se arrependeram dos seus erros e pecados, mas só depois de ficar um bom tempo refletindo aqui no inferno- Respondeu ele.
– Entendi. — Falei olhando para ele
Aquele lugar era lotado de homens com fardas do exercito, ou com armas, espadas e armaduras... Os outros me pareciam mulheres ou adolescentes,todos completamente normais.
Ele de repente ficou extremamente serio pegou em minhas mãos e perguntou:
– Você quer vir na festa de sexta? É quase um baile, ou um banquete... É bem claro que se você não quiser tudo bem é só um pedido, não que eu esteja te convidando pra sair nem nada... É enfim sim ou não? – Ele disse olhando fixamente para mim
– Sim, e você é completamente atrapalhado com garotas — Disse sorrindo.
–Só percebeu isso agora? – Disse ele corado.
– Só – respondi sorrindo.
–Bem aqui esta o mapa do inferno, você leva ele pra casa, não se preocupe ninguém vai descobrir, pois quando alguém tentar ver vai estar escrito como sobreviver à vida- Disse ele colocando o livro na minha mão.
– Está bem,entendi tudo, pode deixar que vou ler bem pra saber como vir aqui... Ou fugir daqui caso qualquer coisa aconteça... – Respondi tentando esconder minha preocupação.
– Claro agora vá a aula já acabou te vejo sexta- Disse ele sorrindo e me abraçou e me deu um beijo na bochecha, mas que pude sentir no canto da minha boca.
Vi-me sentada na cadeira da sala de historia ouvindo o professor dispensar todos os alunos e assim fui direto pra minha casa, e quando cheguei lá a unica coisa em que conseguia pensar era nele no sorriso dele e o que aconteceria naquela “festa infernal” e então fechei meus olhos.
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