Guardians of Life
8 Guardian Seven
Notas iniciais
A Guardiã albina estava meditando em frente a uma enorme pedra vermelha, ela se concentrava, ignorando a voz de dentro da pedra, pedindo para ser retirado. Ela suspirou cansada e abriu seus brilhantes olhos azuis, se jogou no chão e seu baque ecoo pela caverna inteira.
– Eu sou mesmo capaz de proteger-lhe? – Lassie falou para o nada, ela levantou a mão e olhou para o anel com a pedra azul em seu dedo anelar. – Eu acredito que não... – Ela fechou os olhos e deixou uma lágrima fugir de seus olhos. – Eu deixei que morresse, lutasse contra a Corrupção e foi destruído. – Ela voltou a abrir os olhos e suspirou novamente.
Ela deixou sua mão cair ao lado do corpo e ficou olhando para o nada acima de si. Ficou pensando no que havia acontecido com ela, as pessoas que ela ajudou, as pessoas que a ajudaram... Todos eles confiaram nela, e ela desapareceu uma segunda vez, fazendo assim, com que eles fossem mortos e destruídos. Ela só foi capaz de salvar uma pessoa, já que ele mesmo havia lutado por sua vida.
Mesmo assim, após prometer que nada aconteceria mais a ele. Novamente fora morta, ganhou o selo da vida, conseguiu o proteger até que...
– DROGA! – Crescente se sentou e socou o chão, causando uma grande rachadura. – E eu ainda perdi o que restava de minha humanidade. – Ela reclamou, ouvindo o barulho de metal. – Nem mesmo... Sangue? – Ela sussurrou, olhou para cima, esperando ver algo. – Quanto tempo ainda falta? – Ela se questionou e levantou do chão.
Se conseguisse voltar mais do que três minutos para o passado, talvez conseguisse evitar sua morte. Mas é impossível. Ela jamais conseguiria salvar seu amado. Não importa o quanto tentasse. Ele não foi apenas morto em batalha, mas ele também se tornou Tempo da Rosa e para piorar... As pétalas desapareceram ao invés de se espalhar como o certo. Ela olhou para o anel e fechou os olhos, segurou o anel delicadamente e o retirou de seu dedo, voltou a abrir os olhos e com uma expressão de dor, o destruiu com a mão, esmigalhando a preciosidade.
Ela ficou olhando o pó dourado e azul desaparecer no ar, como se jamais tivesse existido. Crescente ficou com uma expressão mais calma e deu um pequeno sorriso, mas sua tristeza ainda era facilmente notada, ela cambaleou e sacudiu a cabeça cansada.
Com um movimento de mão, toda a escuridão se esvaio, e o teto desapareceu, dando espaço para a lua e sua luz. Ela fechou os olhos sentindo o vento frio passar por seu cabelo a ajudando a se acalmar. Com um suspiro, ela voltou a abrir os olhos, vendo um portal se abrindo, de dentro dele saiu Malthael, ela ficou olhando a Lâmina cair e quando ele ia colidir com o chão, ele abriu suas asas e pousou suave.
– A gravidade dessa dimensão é mais baixa mesmo. – Malthael comentou.
– Ela também é menor do que uma dimensão normal. – Crescente respondeu, a Guardiã albina chamou a atenção do rapaz de cabelos prateados.
– Nos encontramos de novo! – Ele falou animado. – Eu sou o último que conseguiu abrir o portal, mas você foi sacana sabia? Foi muito difícil encontrar sua pedra, e só deixa cinco em cada dimensão, uma em um lugar pior que a outra ainda. – Começou a falar, a albina ficou olhando para ele com uma expressão de confusão, até que começou a rir. – O que foi?
– Eu achava que Emperius era estranho, mas você nem tem a personalidade compatível com sua aparência. – Ela falou ainda rindo, com um suspiro, ela parou de rir. – Antes de começar, eu sou Crescente Wild, ou Lassie Liam, como meus pais me chamavam. – Crescente falou suave.
– Lassie? Tipo... Lessie? – Ele perguntou.
– Não, Lassie tipo Laço, agora se você me comparar com um cachorro macho de novo, eu juro que deixo Cloud te matar mesmo. – Ela reclamou e ele se calou. Não parecia uma boa aguentar porrada de um dos filhos de Baphomet, ainda mais o mais forte deles. – O que eu quero que faça, tire sangue de mim. – Ela falou e se espreguiçou. – É difícil, mas não impossível.
– Você tá dizendo que vai tomar porrada sem reclamar? – Malthael perguntou um pouco (muito) chocado com o que a albina acabou de falar.
– Não é como se eu sentisse dor. – Ela piscou para ele e sua armadura mudou, de preta, ela mudou para branca com detalhes azuis.
– Não sente dor? – Malthael pegou suas foices e as girou. – É o que veremos.
Com as foices em mãos, Malthael pulou na direção da albina, ela sequer pensou em defender, as lâminas bateram contra um pele e faíscas voaram, assim como as foices fugiram das mãos de Malthael com o susto. As lâminas caíram no chão e se arrastaram um pouco antes de parar.
Ele estava tão chocado que não conseguia falar, ela olhou para as foices, uma de cada lado da sala e deu de ombros, ela moveu o braço fazendo um corte, e quando terminou o movimento, uma foice branca se encontrava em sua mão. Ela girou a foice e a prendeu contra o chão com um sorriso.
– Que tal eu te ensinar a usar as foices? – Essa frase irritou Malthael. Ela acabou de chamar ele de fraco na maior cara de pau. Sem medo e remorso.
Ele estendeu as mãos e as foices voltaram para elas. Com um sorriso de canto, ele se posicionou novamente e avançou. Com a foice esquerda ele fez um corte, ela defendeu com a foice sem dificuldade. Então ele usou a direita para acertar sua cintura. Ela colocou o próprio braço no caminho e novamente o tilintar de sua pele o alertou.
Ela sorriu de canto e forçou a foice, fazendo ele se desequilibrar para a esquerda e com isso ela acertou um chute em sua cintura. O impacto repentino o assustou, mas ele sorriu de canto.
– Você é boa. – Malthael comentou.
– Eu tenho que ser. – Crescente respondeu um pouco fria. Ela levantou a foice e a foice desapareceu em pétalas.
– Abrir mão da arma não é inteligente da sua parte. – Malthael olhou para a albina confuso. Ela podia não se machucar, mas doía tomar os golpes... Não doía?
– Malthael, tem algo que você não entende... – Ela simplesmente deu as costas para ele e começou a andar em direção a uma das paredes. – Eu sou a única Arma aqui. – Ela desapareceu em um piscar de olhos, ele olhou ao redor e não conseguia a ver.
– “A única Arma aqui? Mas minhas foices estão em minhas mãos.” – Ele pensou, ainda procurando qualquer sinal dela. Alma, cheiro, movimento. Ele simplesmente não conseguia. Na verdade, conseguia. Mas era difícil acreditar, ele parou seu olhar em uma espada cravada no chão, a espada azul com detalhes dourados e pedras roxas era linda. Ele chegou a mão para a tocar mas parou no caminho. – Isso é uma armadilha?
– Descubra você. – A albina apareceu do seu lado, ele fez um corte com a foice e a atravessou, mas era como se ela não existisse. Ele piscou confuso. – A decisão é sua. O desafio é seu. O poder é algo que você controla e não eu. – Ela desapareceu novamente.
– O poder é algo que eu controlo? – A confusão foi genuína. Do que ela estava falando agora? Essa garota não falou na coerente até agora. – Bem... O que tenho a perder? – Ele falou consigo mesmo e pegou o punho da espada.
A energia que sentiu emanando da arma foi um choque. Uma alma viva estava ali dentro, ele puxou a espada com força, a desprendendo do chão e ouvindo um suave click. Ele olhou a arma e viu que a lâmina era na verdade uma bainha. Ele puxou a bainha para revelar a mesma lâmina com uma forma mais pálida e viva. Ele fez um simples corte e o som de corte foi alto e forte, ele deixou a espada cair e a albina apareceu, ela fez um barulho de dor e ficou com um olho fechado segurando a cabeça.
– Não seja violento, mesmo sendo poderosa... Eu sinto dor sabia? – Ela falou e ele deixou a bainha da arma cair, o choque foi grande demais para até mesmo ele suportar.
– Você é a...? – Ele não conseguia uma fala certa para aquilo.
– Sim, eu sou a arma. – Crescente respondeu fria.
– Isso é... – Ele parou e ficou olhando para ela. – MANEIRO! – Ele esticou a mão para pegar a espada de novo, mas ela ficou alerta repentinamente, com um movimento de seu corpo, a espada e ela sumiram, assim como a bainha e a rachadura. – Onde ela foi? – Malthael começou a olhar ao redor, e parou seu olhar em um homem de capuz, a albina apareceu a sua frente com os braços esticados.
– Vá embora Cloud. – Ela ordenou ao homem encapuzado.
– Por que deveria? – Ele perguntou.
– Apenas se vá! – Ela gritou e ele soltou uma risada fria e cruel.
– Não estou aqui para lutar. – Ele falou e ela continuou a frente de Malthael, o rapaz ficou apenas encarando, sem saber como reagir naquela situação. Parecia perigoso tentar se meter no meio deles.
– Eu mandei que saísse! – Ela gritou e várias armas apareceram, todas se formaram a partir de pétalas. Espadas, lanças, foices, pistolas, facas, adagas, katares... Uma grande variedade e tipos de armas se encontravam ali, e ele não sabia o que pensar. – Você sabe que não vou recuar Cloud, desapareça!
– Eu vou provar que eu não quero fazer mal. – Cloud falou simplesmente, ele esticou a mão e sua roupa foi para sua mão em forma de uma bolinha, continuava com um capuz. Mas era possível notar que sua defesa havia diminuído. Ele jogou aquilo na direção de Malthael e acertou o rapaz.
– Malthael! – Ela se virou e viu o garoto ganhar uma nova roupa, sem o capuz, mas com uma máscara de caveira, ela sorriu aliviada ao ver que ele estava bem. – O que você quer agora? – Ela se virou para o Cloud, os olhos antes azuis claros, agora avermelhados, mostrando sua raiva, assim como seu cabelo que ganhou um tom avermelhado.
– Tentar usar a Lua de Sangue contra mim não vai funcionar. – Cloud falou e ela rodou os olhos, obviamente incomodada. – Eu apenas vim avisar que matar Baphomet não é uma opção.
– Eu sei Cloud. – Crescente respondeu e as armas viraram pétalas. – Malthael, tanto minha magia da vida quanto a magia da morte envolve essas pétalas brancas que você está vendo. – Ela falou simplesmente.
– Pétalas? – Ele segurou o riso e ela suspirou pesado.
– Sim, pétalas. – Ela esticou o braço e as pétalas tomaram a forma de um prisioneiro, o homem não tinha qualquer vida no olhar e ele não estava completo, faltava um pedaço de sua cintura e de seu rosto, mas não havia sangue, apenas pétalas. – Quando o tempo da rosa é incompleto, isso acontece.
– Tempo da rosa? – Malthael segurou o riso.
– Tempo da Rosa é minha habilidade para reviver ou matar Malthael, essas lindas pétalas brancas são tão afiadas quando suas foices. – Ela falou e mandou uma das pétalas perto dele. – Sem contar que são de um material parecido com o de meu corpo. – Com isso, a pétala passou perto do rosto de Malthael, um arranhão fundo foi feito na máscara e ele deu um pulo para o lado.
– Você vai me ensinar isso? – Malthael ficou animado.
– Eu já ensinei Malthael. – Ela sorriu. – Para reviver com as pedras da lua, você aprendeu abrindo o meu portal. Para controlar as pétalas você aprendeu pegando minha bainha. Pode não parecer, mas da mesma forma que manuseou minha bainha, é a mesma forma que se controla as pétalas. – Ela soltou as pétalas e elas começaram a se espalhar. – Pegue-as.
– Certo... – Assim como ela ordenou, ele começou a tentar pegar as pétalas, usando o mesmo movimento suave que havia utilizado para retirar a bainha. E se surpreendeu ao ver o quão suave era ordenar as pétalas a seguirem seu comando.
Não demorou até ele descobrir que a magia dela não era difícil de se controlar, mas difícil de se conseguir. Ele precisou pegar a Pedra da Lua e ainda puxar ela da fechadura, sem contar que a bainha só sai se for gentil com a lâmina.
A magia dela em si também não era poderosa. A magia não era o que fazia a força e sim a pessoa que estava a controlando. As rosas dela tem espinhos, enquanto as dele... Não tinham sequer folhas. Aquilo mostrava a diferença entre uma Guardiã da Vida e uma Lâmina.
– Preciso te ensinar uma coisa. – Ela falou olhando para a joia naquele lugar.
– O que seria? – Malthael perguntou.
– O Selo que usei para prender meu pai e meu irmão é poderoso de fato. Ele não é eterno por causa da minha morte. – Ela falou e o vento se fez presente, ela se virou para ele com uma cara nada feliz. – Eu vou ensinar você a usar o Selo da Alma. – Ela fechou os olhos e deu as costas para Malthael. – Isso custa uma alma Malthael e eu sei que pode usar a pedra das almas... Mas... – Ela soltou um suspiro pesado. Relembrando seu passado.
– Eu sou imortal sabia? – Malthael comentou.
– Malthael. – Crescente sorriu ainda de costas para ele. – Sele Baphomet e proteja essa dimensão! – Ela pediu se virando para ele. – Prove que as Lâminas são capazes de fazer algo que nem as Guardiãs da Vida puderam fazer!
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