Guardians and Gods

1 Conhecendo a Verdade I


Aquele sonho de novo... Um grande urso polar desmaiado sob o chão ao meu lado com um corte horrível no pescoço, meu braço sangrava muito enquanto o outro era protegido por uma armadura. Ele estava ali estralando seu chicote em minha direção, a cada chicotada eu era eletrocutado, meu corpo se debatia e o sangue escorria mais de meu braço... Ele ria de mim, pedia mais sangue, porém a criatura atrás dele rastejando era o que me dava mais medo; seus olhos azuis brilhavam perigosamente, ela parecia impaciente rastejando de um lado para o outro sob o chão de ferro do local, ela abre sua boca exibindo a energia que passava ali — ela ficava por um momento assim, até que finalmente ela mordia a mim...

09:00

O relógio despertara ao meu lado, eu me levanto rápido e atordoado, tanto que acabo escorregando na minha bola de basquete — AI! — Vou de cara ao chão, eu me levanto ainda desnorteado por ter acordado agora e vou até o armário para me trocar, me visto com a roupa diária da escola, shorts e camisa, coloco um gorro em minha cabeça, quando por fim meu pai bate na porta:

— VAMOS FILHOTE VAI SE ATRASAR! — grita batendo freneticamente.

— AINDA SÃO 09:25 VELHO, ESCOLA SÓ COMEÇA ÀS 11:00!

— Ah é mesmo... ENTÃO VENHA TOMAR O CAFÉ!

— EU VOU SE PARAR DE GRITAR!

— TÁ! — e sai da porta.

Eu a abro e vou ao banheiro, o vento batia em minhas costas, mas mesmo assim não sentia nada, nunca senti muito frio graças a criação de meu pai, não tínhamos muito dinheiro, portanto não tínhamos condições de ter aquecedor em casa — por isso usávamos muitas cobertas —, mas me acostumei tanto que não sentia mais tanto frio assim. Ajeitei meu cabelo escovei os dentes e descia as escadas, meu pai e eu morávamos em Nova York, ele tinha uma empresa grande no passado, mas por um jogo com um trapaceiro ele perdeu tudo. Bom, era assim a vida, meu pai trabalhava na pizzaria do meu amigo, Turner. Turner era um cara engraçado, tinha de tudo para ser um riquinho mimado, mas preferiu ser meu amigo na infância, e sempre fazíamos tudo juntos, até que seu pai Joaquim me contratou; eu fazia pizzas, tortas e comida, e sempre me buscava para ir à escola, cuja mesma estava pagando pelos meus trabalhos. Estava esperando ele para vir me buscar enquanto tomava meu café e pão matinal e meu pai carregava caixas para todo lado e as colocando na sala.

— Bartholomeu, eu vou ficar em casa o dia todo arrumando o sótão, então não se preocupe em voltar mais cedo para casa para abri-la. Estarei aqui pode sair com seus colegas.

— Valeu pai, acho que iremos comer pizza hoje, mas qualquer coisa é só me chamar para ajud... — Oxford tinha chegado, a buzina do carro de seu pai tocava lá fora. — Eles chegaram, fui! — sai correndo até a porta.

— Não arrume encrenca de novo, senão você ira ficar mais uma semana de castigo!

Fecho a porta sem ligar para o que ele disse, abro a porta de trás da caminhonete preta e entro nela, Oxford estava ali me esperando e seu pai Joaquim também com uma expressão um tanto severa, acho que ele descobriu sobre a nossa briga na escola.

— E aê Bartho!

— Dia Ford, bom dia Joaquim.

— Bom dia Bartho — falou acelerando ao caminho da escola, ele não dirigia bem, mas era melhor que uma vaca dirigindo o carro. — Você esteve em alguma luta na escola envolvendo Oxford, Robert, Dexter e você? — ele ajeitava o retrovisor para nos olhar.

— Luta? Que luta? Eu não luto... Nem Oxford. — falei olhando para Ford com ele concordando com o que eu digo.

— Ah, então essa intimação que recebi ontem não é nada. — ele entrega para mim a carta escrita à intimação em vermelho... Merda. Ele descobriu. — Não escondam de mim as coisas, e, por favor, não briguem com aqueles moleques, eles são muito arruaceiros e filhinhos de mamãe. Não sabem o que é trabalhar e se sentem melhor que os outros, então, por favor: Não briguem de maneira alguma! Isso serve para Robert e Dexter também.

— Ok pai, mas eles xingaram a mamãe... — Oxford tinha perdido a mãe em um acidente de metro, o mesmo que o da minha mãe.

— Espera... O QUE?! POIS ENTÃO ARREBENTE A CARA DELES!

— Pode deixar. — disse Oxford entusiasmado.

— Ah ta, aliviado de não levar bronca.

— Chegamos, pego vocês as cinco, e, por favor: Não arranjem mais encrencas esta semana, na próxima podem arrebentar eles.

— Valeu. — falamos juntos ao descer do carro e entrar na escola.

Nossa escola a academia Urdney era uma das melhores da cidade, então eu não podia desperdiçar meus estudos em brigas, mas como eu brigava muito com os outros sempre tinham essas reclamações, e meus amigos sempre ajudavam também. Dexter e Robert são primos, eles estavam nos esperando fora da escola, pareciam assustados — Dexter tinha seus cabelos curtos e brancos, diz que era uma condição física que a família do pai dele impôs, possuía olhos azuis e era baixinho. Já Robert que era magricelo com o cabelo ruivo sempre com gel, tinha um olhar sacana, normalmente entravamos em confusões graças a ele, mas é nosso amigo então o que podíamos fazer.

— Caras, nós estamos ferrados, o John quer vingança por ele e os amigos terem apanhado de nós ontem. — Dexter disse amedrontado.

— É, eles estão se juntando lá dentro, ao todo são quinze já, mas parece que têm mais gente se juntando, não tem como passar. — Robert também tinha medo, apesar de não demonstrar muito.

— Calma pessoal, é só dar a volta pelo pátio, pular o portão e entrar nos campos.

— Tá louco Bartho?! Sabe que ninguém entra mais lá, depois do acidente que teve a escola foi processada. — Ano passado teve um ataque de urso nos campos, lá onde tínhamos piscinas e os jardins, mas fecharam pelo ataque.

— Então estamos ferrados. — concluiu Oxford.

Todos acenaram com a cabeça, não tínhamos escolha a não ser brigar com eles, estávamos indo para dentro, quando alguém nos chama, era Terry o zelador.

— E aê caras, tudo na paz, fui fazer meu yoga mais tarde hoje e cheguei atrasado... — seu cabelo black power estava todo desgrenhado — Que vocês tão fazendo ai? As aulas vão começar já!

— Terry! Você tem que ajudar a gente, John quer nos arrancar os ossos! — fala Dexter.

— Claro camaradas, aqui nada é na briga, aqui se resolve na paz. Vamos lá vou fazer vocês passarem.

Nós estão fomos conversando ao lado de Terry, não podiam fazer nada contra nós, John tinha xingado a mãe de Oxford, ela era muito amiga de todos nós então não podíamos deixar em pune, ele ainda chamou mais quatro caras para bater em nós, ele nos olhava praticamente como se pudessem ferver nossos miolos com o olhar, nós chegamos até a sala que era de frente com o quarto do zelador.

— É aqui que nós nos despedimos brous, se cuidem não briguem mais hein, fica na paz. — Ele então entra no quarto e fecha a porta.

Nós entramos na sala, Dexter e Oxford pulavam de alegria. — Conseguimos! — quando por fim do quarto do zelador sai um barulho alto demais para ser de algo caindo, Dexter perde sua cor, mas que merda tinha acontecido?!

— O que... FOI ISSO? — gritou o mesmo.

— Será que tá vendo pornô? — Todos riram com a piada do Robert, mas mesmo assim, Dexter continua com medo, tudo está bem todos sentam em seus lugares. John senta na minha frente, e Dexter atrás de mim, Oxford a minha direita e Robert na sua frente. O professor chega com uma nova aluna, seus cabelos curtos eram lindos, seus olhos eram brancos, como isso era possível? Não sei, mas são lindos, ela não era muito alta, mas era maior que o Dexter (todos são maiores que ele, ele tem 16 anos, alias, todos temos), seu corpo era lindo também, ela era perfeita. O professor pede para ela se apresentar, e é assim que eu desencarno dela.

— Meu nome é Emma, tenho 17 anos, estudo em uma academia militar fora do país, estou de intercambio nessa escola, obrigado por sua atenção. Permissão para sentar professor?

— Ah... Sim, pode se sentar atrás de Oxford.

Que legal, a soldada agora senta perto de nós.

— Show, temos uma cadete aqui. — Oxford diz rindo.

— Eu a achei bonita... — Dexter se abaixa na cadeira.

— Calem a boca, que ela está vindo...

Ela nos olha, ela literalmente para na nossa frente como se nos analisa-se da uma risadinha e se senta, nesse momento algo passa perto da porta da sala, um vulto negro passa ali, algo de errado está acontecendo, e tem conexão com essa menina. A aula vai passando e a menina não parava de nos analisar, ela nos olha mesmo quando viramos para ela.

— Ei, Oxford duvido você manter os olhos nela. — desafio ele.

— Então tá espera aê, Robert conta o tempo. — ele a olha, e ela que olhava para Dexter redireciona seu olhar a Ford, ele faz o mesmo, os dois não param de se olhar até que o sinal bate e ela levanta e vai para fora da sala.

— Cara que medo. — indago.

— Nem me diga, ela é estranha. — fala Robert.

— Ela é linda. — todos nós olhamos para Dexter ao mesmo tempo com expressão incrédula.

— Vamos logo comer.

Todos vão ao refeitório ao sair da sala, vemos o quarto do zelador aberto, algum líquido preto estava derramado no chão e na parede, aquilo me dava medo e percebi que os outros também estavam, então chegamos ao refeitório, era um grande salão que tinham as mesas e um pequeno lugar em que subiam as escadas e mais mesas para as janelas — como um meio segundo andar, porque se dava para ver tudo que acontecia embaixo. Fomos logo para lá, íamos nos sentar na mesma mesa de sempre, onde ninguém sentava lá em cima, até que vemos Emma sentada na nossa mesa.

— Ei, o que está fazendo aqui? — fala Robert.

— Esperando vocês quatro.

Nós nos entreolhamos confusos e sentamos ao lado dela.

— Tá, o que você está fazendo aqui e por que não para de nos olhar? — Oxford explode de raiva.

— Bom tentando descobrir o porquê me mandaram aqui para ver se vocês têm sangue de escolhidos, mas o que vejo aqui são só um pobre que não sente frio, um baixinho medroso, um idiota sem mãe e o bastardo da família. Mandaram-me ver inúteis, como sempre. — ela suspira.

— Cale a boca sua vadia... — Oxford ia pular para cima de Emma, mas logo em seguida a porta do refeitório caiu ao chão.

Fomos até a beira do segundo andar para ver o que aconteceu, Terry estava lá embaixo ele estava ao redor do refeitório, atrás dele uma massa daquele mesmo líquido prende a porta, nela havia pequenas mascaras, todos representam uma expressão; caras sorrindo, caras tristes, com raiva. Terry agora para no meio do refeitório, ele olha para onde estamos, ele sorri, mas seu sorriso era escarnio, seu rosto muda, parece que uma máscara emerge dentro dele mesmo e aparece para fora do rosto. Agora com o rosto coberto por uma máscara azul, ele vira para uma mesa a sua esquerda, ele se mexe. Parece que todos do refeitório haviam parado de respirar, algo ruim iria acontecer, então ele a perfura com o braço, o sangue escorria de seu peito até seu braço, ele então a levanta e joga seu corpo para o monte de líquido que tinha na porta, ele suga o corpo da menina. Então, tudo virou um pandemônio — todos que estavam ali entraram em pânico, não tinha como sair, as janelas estavam trancadas pelo frio que fazia lá fora, e a única porta livre agora estava barrada pela gosma negra. Todos ficaram malucos, corriam, batiam nas janelas tentando escapar pela gosma, mas isso foi o pior, criaturas saiam da gosma, seus braços tinham garras que cortavam todos que os rodeava, era um verdadeiro banho de sangue; crianças eram mutiladas, professores tentavam manter a calma, enquanto alguns já estavam enlouquecidos. As criaturas tinham aproximadamente dois metros, e cortavam e destruiam tudo a volta.

Terry só ficava ali parado olhando para nós.

— Então vocês tem mesmo sangue de escolhidos! — Emma fala na maior tranquilidade possível.

Todos ficaram confusos.

— Estão vendo o monstro vestido de zelador? Ele analisa as pessoas, o verdadeiro zelador foi morto por ele, e ele descobriu vocês.

— Sangue de escolhido o que é isso? Se não percebeu, tem gente morrendo ali embaixo!

— Não me importo com eles, eu ligo para vocês, foi para vocês que me mandaram aqui.

— Como assim? — indaga Dexter olhando as escadas.

— Se quiserem sair vivos daqui terão que fazer o que eu disser, senão já sabem...

— Então ajude eles! — berra Oxford.

Terry começa a subir as escadas, seu corpo muda, ele começa a jogar gosma sobre nós, o chão ao nosso lado fumegava parecia ácido.

— Então, eu tiro vocês daqui e venham comigo, temos um acordo?

Não sabia o que fazer, ela queria que fizessem uma escolha que nem sabíamos se iria dar certo e...

— Temos um acordo! — fala Robert desesperado.

— Ok., nós iremos descer essas escadas, eu vou derrubar o falso zelador e corremos até aquela porta que vai aos campos, vamos lá!

Ela então pula para as escadas, uma lança aparece em sua mão e um pequeno escudo na outra — a lança era de cristal limpo — ela finca a lança no chão e acerta Terry com o escudo, ele cai das escadas batendo a cabeça no chão espirrando para todo o lado o líquido negro. Agora corríamos atrás dela, monstros cortavam os outros, os professores não se preocupavam mais em ajudar alunos, eles agora se preocupavam em sair vivos dali. Um aluno jogou outro para que os monstros não o pegassem, um professor em desespero jogou um corpo morto de um dos estudantes para quebrar a janela. Enquanto corríamos, braços, vísceras, sangue e a gosma preta estavam espalhados pelo chão. Até que aquele professor consegue quebrar a janela, mas uma criatura de quatro patas sai da gosma e corre em direção aos que estão saindo.

A porta estava trancada... Eu não aguento isso, acabei vomitando, eram muitas coisas horrendas acontecendo. Por fim ela consegue abrir a porta com um chute, então nós finalmente iriamos sair, mas três alunos corriam até a porta, eu estiquei o braço para ajudá-los, mas era tarde demais as criaturas já os havia alcançado — a besta quadrupede arrancou a cabeça do menino e a mastigou. Os outros dois foram derrubados por um humanoide de máscara vermelha, seu corpo era líquido preto, mas aquilo era... Tinta. O líquido preto é tinta, porém a criatura tinha dentes e garras fortíssimas. Ele corre em nossa direção. Tentávamos fechar a porta, mas era muito pesada só para nós, então Emma nos ajuda. Oxford ficou no meio para controlar a fechadura da porta, ele a empurra, contudo o monstro foi mais rápido e acaba prendendo a mão na porta. Quando pensamos que ele não tinha o acertado, ele estica o braço e golpeia o rosto de Oxford. Fechamos a porta finalmente a salvos, porém Oxford sangrava muito.

— Agora que saímos dali, preciso levar vocês comigo o mais rápido.

Eu deveria tê-la ouvido, mas estar naquele campo me trouxe uma energia estranha e quando vi já estava correndo em direção oposta a eles enquanto escutava seus berros.

{...}

Acabei chegando a uma espécie de galpão que nem sabia que existia por dentre os campos... Uma forte luz emanava e me chamava tentadoramente. Quando vi por mim, já havia entrado. A luz se torna mais forte e escuto uma voz arrepiante chamando meu nome.

Havia um enorme urso polar ali, e talvez por coincidência; o mesmo urso do meu sonho.