Guarda-costas
29 Capítulo vinte e nove
Notas iniciais
Sasuke entrou no prédio do escritório de Naruto depois do meio dia. Ele estava irritado e o seu coração sentia uma pressão que quase o impedia de respirar.
Ele tinha conseguido marcar uma reunião para Naruto mais cedo.
A mesma que ele vinha tentando marcar a tanto tempo, mas que sempre era impedido. Naquela época, ele concordara com a reunião porque Naruto possuía a vantagem da surpresa e, além disso, possuía o porto como ameaça para o que quer que as famílias propusessem para ele.
Mas, agora, com o porto derrubado e com nenhuma chance deles reconstruírem até a data da reunião que será em um mês. Naruto não tinha como jogar com a sua vantagem e estava condenado a sucumbir com as exigências das outras famílias, apenas para continuar a possuir algum valor dentro das tríades.
Então, com todas essas condições desfavoráveis a ele, porque Naruto havia aceitado tão rapidamente se encontrar com as família? Ainda mais, sem conversar com ele?
Sasuke passou pela secretária de Naruto, sem dar qualquer atenção a mulher e entrou no escritório de Naruto e quando ele não encontrou a pessoa que queria achar lá, voltou para onde a secretária de Naruto o olhava assustada.
Nenhum dos dois precisou comentar qualquer coisas, porque antes de Sasuke perguntasse qualquer coisa para a mulher, o elevador abriu e Naruto e Hinata saíram de dentro.
Era incrível como os dois haviam se aproximados nos últimos meses, ainda mais incrível quando ele descobriu que Hinata não era mais apenas a sua guarda-costas, mas também havia se tornado sua irmã de juramento.
Isso tudo com apenas uma semana de convivência.
Dessa forma, Hinata deu um salto em tanto na vida, deixando de ser uma simples guarda-costas que trabalhava vigiando celebridades entediadas à sombra de um dos homens mais poderosos do japão.
Sasuke quase sorriu quando imaginou que ela sequer sabia no que realmente estava se metendo, e talvez tenha sido por isso que havia dado tão certo, ela ainda não tinha ideia do poder que ela possuía dentro e fora da sua organização.
— Onde você estava? — Naruto lhe perguntou passando direto de onde ele estava plantado e Hinata percebeu a sua presença imediatamente.
— Sasuke! — ela sorriu docemente na sua direção e ele não pode deixar de sorrir de volta. — Estávamos de esperando para o almoço. Mas, você demorou muito e fomos comer.
— Ela estava te esperando para o almoço. — Naruto corrigiu entrando no escritório.
— O que aconteceu com o seu rosto, Hinata?
Naruto olhou por cima do ombro e sorriu maliciosamente para Hinata. — Passamos uma noite selvagem juntos.
— Você disse que não ia falar isso para mais ninguém! — Sasuke olhou desconfiadamente para Hinata, não entendendo exatamente o que estava acontecendo. — Quero dizer… Não é nada disso que você está pensan…
— Entre, Sasuke, vamos conversar? — Naruto disse interrompendo Hinata.
Sasuke acenou com a cabeça e entrou no escritório, no entanto, antes que Hinata pudesse entrar com ele, Naruto fechou a porta, trancou e cerrou as janelas de vidro do escritório. Nenhum dos dois escutou os insultos que muito provavelmente Hinata estava jogando em direção do Uzumaki do lado de fora.
Mas, assim que os dois estavam sozinho, o rosto do Naruto voltou a se tornar sério.
— Você aceitou uma reunião com as família? Nesse momento?
— Sim. — ele respondeu simplesmente e lhe deu as costas para sentar na sua poltrona.
Naruto abriu o notebook e puxou algumas pastas da sua gaveta. Ele estava trabalhando como em qualquer outro dia e não parecia que estava com nenhuma preocupação com qualquer um dos recentes acontecimentos.
Sasuke sentiu o seu próprio temperamento aumentar e aquilo era um episódio raro em sua vida, uma vez que ele era conhecido justamente pela sua atitude friamente desumana tanto nos negócios quanto em sua vida pessoal.
Mas, o peso da sua própria culpa o estava fazendo perder o controle.
— Naruto!
Foi a única coisa que ele disse, antes de conseguir a completa atenção de Naruto. Ele olhou os seus olhos, mas mesmo que ele soubesse que estava ultrapassando e muito os limites da subordinação, ainda assim ele continuou.
— Com o porto destruído o que você vai utilizar como moeda de troca para conseguir as rotas do transporte de areia? Eles vão jogar as piores condições para você, porque não tem como você ameaçá-los com o veto das negociações do porto.
Naruto continuou em silêncio por mais alguns segundos, antes de responder calmamente. — Você parece bastante preocupado com isso.
— Claro que sim. — Sasuke jogou a sua bolsa na poltrona na frente de Naruto, mas decidiu por não se sentar. — Eles nunca aceitaram qualquer reunião que eu tentei marcar com eles antes, porque eles estavam esperando justamente quando você estivesse mais enfraquecido para fazer isso.
— Hum...
— E você simplesmente aceitou ir para a armadilha deles? — Sasuke perguntou colocando as duas mãos em cima da mesa.
— Sim.
Foi a única resposta de Naruto antes que ele voltasse a observar algo na tela do seu computador. Como se ele estivesse encerrando a conversa. Mas, Sasuke não queria ver toda aquela passividade no seu chefe.
Ele queria vê-lo com raiva. E uma raiva direcionada na direção certa. Nagato.
A muito ele parou de achar que não machucar Nagato seria o mesmo que não machucar Yumi. Na verdade, depois de todo esse tempo, ele começou a entender que quanto mais eles alimentavam o poder de Nagato, mas eles colocariam Yumi em posição de refém.
E mesmo sabendo que qualquer coisa que falasse agora seria apenas a construção de outro ato de traição com a sua família, ele continuou.
— Foi Nagato, Naruto. Você não vai revidar?
Naruto olhou para cima de novo, os seus olhos o fitando cheios de sabedoria, quase como se ele pudesse ler a sua mente. Minato, o seu antecessor tinha a mesma qualidade. Era como se ele pudesse entrar na mente de qualquer um dos seus homens.
E mesmo que Minato fosse apenas o tio de Naruto, ele tinha herdado aquela qualidade especial.
— Se eu precisasse desse tipo de conselho do meu braço direito, eu tinha colocado Hinata no seu lugar. Ela que gosta de resolver tudo com os punhos.
Sasuke respirou fundo, sentindo-se realmente mal ao se lembrar da guarda-costas de Naruto. Ele não merecia nunca ser comparado com ela, porque mesmo que o temperamento dela fosse o inferno para se lidar, ela, ainda assim, sempre fazia tudo o que podia pelo bem de Naruto.
Ela até mesmo ligou para ele, em uma rara ocasião, para pedir que ele impedisse que uma policial se aproximasse muito de Naruto, porque ela temia pela vida dele.
Naruto tinha conseguido com sua guarda-costas uma lealdade que ele nunca considerou ser possível. E tudo isso, enquanto eles juravam até a morte que se odiavam mais que tudo.
Ele, por outro lado, que jurara sua lealdade a família desde quando era criança, não conseguiu manter o pinto dentro das calças e estava fazendo de tudo, até mesmo tentar manipular o seu chefe para alcançar os seus próprios objetivos.
— Eu penso que você já deixou Nagato andar livre a muito tempo. Tomoyo é a mesma coisa. Se você não começar a revidar, eles vão te considerar fraco.
— Eu não poderia me importar menos com o que essas pessoas pensam e você também não deveria Sasuke. Deixe as coisas comigo e prepare a minha viagem para a China.
Aquele era o tom definitivo do seu chefe e se ele puxasse um pouco mais sobre o assunto, ele conseguiria apenas a desconfiança de Naruto.
— Não a leve. Hinata.
Naruto sorriu, voltando a mexer nos seus papéis. — Você realmente acha que eu tenho como impedí-la?
— Eles vão comê-la viva.
— Eu já te disse, Sasuke, deixe as coisas comigo.
Quando Sasuke pegou sua maleta e saiu do escritório, Hinata estava chegando com dois copos de café em mãos. Ela sorriu para ele e pareceu nervosa, enquanto se aproximava.
— O que aconteceu com você hoje? — ela perguntou.
— Eu estava ocupado. Como Naruto se saiu hoje?
Hinata olhou para a porta do escritório de Naruto. — Você conhece ele… Ele vai resolver tudo no final.
Sasuke queria ter aquela confiança, pelo menos assim poderia se sentir um pouco menos culpado por não ter contado sobre o que Yumi havia dito a ele.
— Mantenha-se ao lado dele, Hinata.
Ele ia embora, mas Hinata o impediu, se colocando na sua frente, e lhe estendendo um dos cafés que tinha em mãos.
— Eu fui até a cafeteria para buscar para você. Tem creme e chocolate. — ela sorriu. — E mesmo que você não goste de muito doce, você vai ter que aceitar porque é o meu favorito.
Sasuke pegou o copo de café da sua mão. — Obrigada.
Ela balançou o corpo para frente e para trás como se estivesse envergonhada. — Eu queria te agradecer, sabe?... Por ter feito o que eu pedi naquele dia… Sobre a policial.
Sasuke sorriu. — Você pode me pedir qualquer coisa, Hinata. Não importa o que.
— Certo. Obrigado.
Ela foi embora e entrou no escritório de Naruto. Ele só conseguiu ver Hinata deixando o outro café na frente de Naruto antes de se virar e ir embora.
E mesmo o café estando doce a ponto de lhe causar glicemia, ele ainda assim não conseguiu tirar o gosto amargo que ainda permanecia na sua boca.
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Ino preparou uma mesa a luz de velas com apenas dois lugares, deixando um terceiro em aberto em caso de outra pessoa chegar. Um dos seus homens chegariam a noite e ela estava mais que pronta para o que aconteceria entre os dois.
Ou entre os três, se a Sakura aceitasse o seu convite. E era aquilo que estava a deixando nervosa.
Ino lembrou-se de como Sakura parecia envergonhada, enquanto se declarava para ela. Ela nunca tinha recebido uma declaração na vida e receber uma de Sakura havia feito o seu coração aquecer de uma forma que ela não estava preparada.
O beijo veio depois em um momento de impulso, onde tudo que ela pretendia era matar a curiosidade e descobrir se os lábios de Sakura eram tão delicados, quanto pareciam.
E eram muito melhores. Tornando cada músculo do seu corpo em uma massa de calor que ela nunca tinha sentido na vida.
Sempre foi muito raro ela se aproximar de qualquer pessoa que não fosse um de seus inúmeros clientes e fazê-la se sentir confortável era uma missão impossível em muitos níveis.
No entanto, durante esses últimos três meses em que ela levava a vida dupla como a namorada interesseira de um homem rico e a dançarina exótica de um cabaré, ela sentia-se cada vez mais próxima de Sakura.
E isso a confundia como o inferno, porque ela não tinha objetivo nenhum de se tornar qualquer coisa para aquela mulher.
Quando ela conheceu Sakura pela primeira vez, sua missão era apenas se aproximar da rosada usando a fachada de ser apenas uma cliente da galeria na qual ela trabalhava, comprando um dos quadros mais caros da sua coleção. Obviamente, com um comprador tão importante, a única coisa que Sakura poderia fazer era lamber o chão que ela pisava.
Mas, desde o início, Ino percebeu a luxúria confusa nos olhos esverdeados. Ela lhe olhava da mesma forma que muitos homens lhe olharam durante toda a vida. E, naquele momento, Ino pensou que Sakura não poderia ser um alvo mais fácil.
O problema é que diferente dos homens que entravam e saíam da sua vida, Sakura foi gentil, doce, carinhosa e amiga. Mesmo quando as duas bebiam e Ino fingia estar para lá de acabada, Sakura lhe levava para casa e ficava com ela até ela se sentir melhor. Não a tocando de forma inapropriada uma única vez.
Ino até mesmo chegou a pensar se o que ela havia visto no olhar de Sakura era apenas fruto da sua imaginação. Como aquela menina poderia simplesmente não ter segundas intenções e cuidar dela tão bem?
Até que finalmente naquela manhã, Sakura lhe beijou e roubou todo o ar do seu pulmão.
Quanto tempo fazia que ela não se sentia tão bem, apenas com um beijo?
Nunca, talvez.
Ino olhou para o relógio já eram quase oito da noite. O horário que ela havia marcado com Sakura. Será que ela apareceria? Ino não queria que aquilo acontecesse.
Ela ainda queria fingir que Sakura e ela eram amigas.
O seu celular tocou no balcão da cozinha e Ino correu para atendê-lo. Poderia ser Sakura avisando que não viria, mas assim que viu o visor, ela sabia que aquele não era o número da rosada.
— Tudo pronto? — a mulher do outro lado da linha perguntou.
Ino sentiu uma onda de repulsa invadir o seu estômago. — Eu não acho que ela vai aparecer.
— Você não disse que tinha conseguido?
— Foi só um beijo. Ela esta apaixonadinha… Mas daí, a aceitar a fazer sexo a três só para estar comigo, não sei se ela topa!
— Eu te enviei um homem muito perigoso, Ino. Eu quero que ele a conheça. Eu preciso ter algo contra ela nas minhas mãos.
— Você realmente acha que isso é necessário, não é como se ela estivesse ligada a Naruto.
— Eu não preciso que ela esteja conectada com Naruto e sim com a nova irmãzinha dele.
Ino suspirou, sabendo que a sua missão era conseguir imagens sexualmente comprometedoras de Sakura. Ela sentia nojo de tudo aquilo e pena de sua amiga por ter caído tão facilmente nas suas garras.
— Você está tendo dúvidas contra isso? — a mulher perguntou, sua voz com um tom de preocupação que Ino nunca sabia se era real ou não. — Não se esqueça quem você é Ino. E onde quer chegar… Não seja uma vítima, meu amor.
Ino lembrou-se que aquela mulher havia lhe prometido tudo que ela sempre quis. O topo. E se o preço daquilo fosse trair a única pessoa que lhe tratou como um ser humano durante toda a vida, ela faria exatamente aquilo.
O interfone do seu apartamento tocou e a imagem de Sakura apareceu na tela. Ela estava vestida em um pesado casaco com uma maquiagem que fazia as suas bochechas parecerem fofamente rosadas. Os cabelos solto e longos que Ino várias vez já havia acariciou com os dedos, enquanto as duas estavam deitadas na cama, assistindo um filme.
Ino endureceu o seu coração e permitiu a entrada de Sakura com um toque no teclado do interfone.
— Não se preocupe, senhora. Amanhã você terá exatamente o que deseja de mim. O coelhinho já entrou na toca.
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