Guarda-costas

20 Capítulo vinte


Notas iniciais
Espero que gostem!

— Você é da máfia?

Naruto não se surpreendeu em nada com a pergunta. Ele até mesmo antecipava o momento em que ela o enfrentaria lhe fazendo aquele questionamento. Não era como se não existissem inúmeros rumores sobre a sua família circulando por todos os segmentos sociais.

Ele apenas se surpreendia da informação ter demorado tanto a chegar. Isso apenas confirmava a sua ideia de que ela a pessoa mais sem noção que ele já havia posto os olhos.

Ainda assim, o tom de voz dela o fez sorrir.

— Essa pergunta pertence a um filme dos anos 90.

Hinata sorriu também, acompanhando-o. — Então, é mentira! Sabia...

— Não.

Naruto a interrompeu suavemente e observou como o sorriso desvanecia lentamente do rosto dela, enquanto os seus ombros caíam. Ele quase podia olhar as máquinas girando na cabeça oca da sua guarda-costa e tentou ao máximo não se divertir com aquilo.

Aquele deveria ser um momento sério.

Ela permaneceu em silêncio durante algum tempo com os olhos voltados para o horizonte e ele sabia, no momento que os olhos dela se aguçaram na sua direção novamente, que ela estava querendo lhe agredir de alguma forma.

— Isso importa? — ele perguntou, após o silêncio permanecer por alguns minutos.

— Não sei… — ela respondeu honestamente. — O que ser da máfia significa?

Naruto parou para pensar, ninguém nunca tinha feito aquela pergunta para ele e respondeu com a única coisa que lhe veio na cabeça. — Significa que eu nasci em uma família da tríade japonesa.

Hinata coçou a cabeça tentando assentar as informações e o que elas deveriam significar no seu coração, e perguntou de uma única vez outra dúvida que estava pesando em sua cabeça. — Você matou seu tio para ficar na posição de chefe?

Os olhos de Naruto escureceram e ela sentiu vontade imediata de retirar o que disse, mas não o fez. Hinata queria aquela resposta. E ela não o conhecia o suficiente para afirmar algo do tipo “ele nunca faria isso”.

Na verdade, ela acreditava piamente que ele seria bem capaz de fazer exatamente o que ela estava perguntando.

— Eu escutei várias coisas sobre você esses dias, uma delas era que você poderia ter matado o seu tio junto com a sua mãe para assumir a posição de chefe ou algo assim… Isso é verdade?

— Quem te falou isso?

— Não importa.

— Claro que importa. — Naruto se aproximou de Hinata puxando a lapela do seu casaco. — Se eu encontrar alguém lançando boatos sobre mim e a minha família, dessa forma, você sabe o que eu tenho que fazer? — Hinata levantou as sobrancelhas em questionamento. — Primeiro, arrancar as unhas. Depois, quebrar dedo a dedo das mãos da pessoa…. Quando ela estiver em agonia o suficiente, eu cortaria cortar a língua para ela. Assim, ela nunca mais poderia escrever qualquer coisa ou falar qualquer palavra sobre mim, novamente.

Hinata revirou os olhos e puxou as mãos dele para fora do casaco. — Idiota!

Naruto gargalhou com o hilário desgosto dos seu olhos. — Eu realmente faria isso… Não é brincadeira.

— Você teria que fazer isso com metade do Japão. Boa sorte!

Os dois voltaram a ficar em silêncio. Inúmeras coisas que ele havia descoberto nas últimas semanas começaram a passar na sua cabeça. Coisas que ele já suspeitava, mas tinha decidido fazer vista grossa, em prol de derrotar inimigos maiores.

— Porque você está com essa cara azeda de novo? — Hinata lhe perguntou.

— Se esse rumores chegaram em uma cabecinha oca como você, eu imagino quem mais acredita nessas coisas…

— Eu não sou cabeça oca! — ela reclamou e Naruto sorriu pela frustração no seu olhar.

Ele não planejava contar aquela preocupação específica para a sua guarda-costas, mas por alguma razão ele confiava nela sobre não dar com os dentes sobre aquilo. Na verdade, ele confiava que uma pessoa estúpida como aquela, provavelmente, esqueceria todos os detalhes menos importantes daquela conversa já na manhã seguinte.

— Foi por isso que tentaram te matar aquele dia, não foi? — Hinata perguntou.

— Em parte.

E ele não estava mentindo. Naruto acreditava que a própria existência dele já era motivo o suficiente para caçarem a sua cabeça, entretanto não duvidava que se aqueles rumores chegasse nos ouvidos corretos poderia ser apenas mais um motivo para lhe apagar.

Ele deveria ter dado atenção a aquilo mais cedo. Mas, na primeira vez que havia escutado aqueles mesmos rumores, imaginou que fossem apenas mentiras inventadas pelas outras famílias rivais ou pela mídia. Apenas, depois do jantar com Nagato, ele simplesmente percebeu que algumas daquelas fofocas poderiam ter um fundo maior de verdade que o esperado.

Ele suspirou. Não podia fazer mais nada para fazer as pessoas deixarem de falar. E ele não colocaria a sua mão no fogo, enquanto a própria Kushina não aparecia para se pronunciar.

— Algumas pessoas da família não acreditam em mim como chefe. — ele disse se surpreendendo pela segunda vez por ter feito aquela declaração em voz alta. Ainda assim ele continuou. Ela tinha um certo direito a saber, afinal havia sido ela que levou um tiro no seu lugar. — Foi por isso que eles conseguiram chegar tão perto de mim nas Marinas.

— Quem foi?

— Um membro antigo do grupo de guarda-costas do meu tio. Ele decidiu sozinho que eu não seria capaz de honrar o nome da minha família. Ele era muito leal ao meu tio e fazia tudo que era pedido, então, quando eu voltei dos Estado Unidos, ele foi simplesmente colocado no meu grupo de proteção.

Naruto respirou fundo, agradecendo o ar gelado castigando o seu rosto. — Foi quando eu aprendi a minha primeira grande lição como chefe, nunca confie como sua, a lealdade que era de outra pessoa. — Ele voltou a encarar os olhos perolados de Hinata. — E também foi por isso que eu o matei.

Hinata continuou em silêncio por um tempo, enquanto ele a fitava. Seus olhos eram claros como a água, não demonstraram surpresa ou qualquer julgamento, ela apenas escutava calmamente tudo que ele falava. E ele continuou, mesmo sabendo que deveria deixar aquela parte do lado de fora daquela conversa.

— Eu precisava de um exemplo para os membros da minha família que também estavam pensando em me trair, então, eu o matei e mandei para fora dos Uzumaki, toda e qualquer pessoa que tinha alguma coisa a ver com ele. Muita gente não ficou satisfeita com isso, mas a mensagem foi mandada.

— Isso não é perigoso para você? Ele podem querer voltar para se vingar.

— Eles sabem o preço da traição que cometeram. Eu estou mais preocupado com as pessoas que eu ainda não expulsei.

— O que você vai fazer agora? — ela perguntou.

Naruto se calou pensando que os seus próximos planos incluíam mais perigos que soluções para os seus problemas atuais e que a primeira parte dele começava com ele demitindo a sua impulsiva guarda-costa.

— Eu disse que eu não vou a lugar nenhum, então pode cortar essa merda. — Hinata declarou antes mesmo dos seus pensamentos se materializarem fora da sua boca.

— Isso seria o melhor para você.

— O melhor é a minha bunda! — Hinata se desencostou do parapeito e virou Naruto para a sua frente. — Eu não quero coisas seguras para a minha vida, Naruto. É muito chato! E você precisa de mim… Então, eu não vou a lugar nenhum.

Naruto sorriu ironicamente. — Eu preciso de você?

Hinata assentiu. — Pelo menos comigo, você não vai precisar ficar olhando eternamente sobre os ombros imaginando que a qualquer momento um dos seus homens possa estar segurando uma arma nas suas costas para te matar. Eu posso te proteger.

As palavras dela por mais divertidas que soassem no seu ouvido, pareciam reais demais para ele. Naruto nunca tinha visto uma pessoa daquela forma, alguém que muito facilmente e sem nenhum entrave entregava de bandeja a sua lealdade para alguém, sem pedir nada em troca.

O seu objetivo aquela noite era que ela o mandasse para o inferno depois que contasse que era da máfia, mas a raiva não veio, sendo substituído por um estado de confusão mental que ele achava engraçado e incrivelmente adorável.

Ela também não havia julgado a sua escolha de matar uma pessoa. da sua família e ele só podia imaginar que era porque ela entendia o que ele havia feito e confiava que aquele era o melhor caminho.

Mesmo que ele próprio ainda estivesse cheio de dúvidas.

Mas, ele confiava nela?

A resposta óbvia era que sim. Hinata havia se jogado na frente de uma bala que ia na sua direção. Ela não correu para a polícia ou tentou vender a história para vários dos repórteres que matariam para divulgá-la. O problema era que a sua capacidade de confiar em qualquer pessoa havia ido para o buraco a muito tempo atrás.

— Você está fazendo isso pelo Sasuke? Por que ele te pediu para me proteger, porque sua vida vale mais do que isso, Hinata. Eu não sou uma boa pessoa e Sasuke muito menos… Nenhum de nós dois vale o preço da vida preciosa da filha de alguém.

Hinata sorriu com a seriedade da voz dele. — Porque você está sendo tão profundo comigo? Eu só quero ficar do seu lado. Você aceita ou não?

Naruto sentiu um peso nos seus ombros vendo a lealdade de alguém sendo colocada a sua disposição de forma tão simples. Ele desviou dos olhos dela e se virou para observar o horizonte novamente. — Você sabe as consequência das suas palavras? Você está mesmo querendo entrar na máfia?

— Eu não disse que quero entrar na máfia. — ela rapidamente o corrigiu segurando a manga da sua camisa. — Eu só quero proteger você.

— Isso não é possível, Hinata. Uma promessa de lealdade vai para além do trato de duas pessoas. Você estaria oferecendo lealdade para a família e qualquer pessoa que eu escolha para assumir o meu lugar, caso alguma coisa aconteça comigo.

— Eu mal gosto de você, você quer que eu ofereça lealdade àqueles gorilas de preto que me olham como se eu fosse uma criança?

Os dois ficaram em silêncio, permanecendo em um impasse. Naruto queria fazê-la desistir, mas antes que ele pudesse falar qualquer coisa para empurrá-la para o seu desejo, ela abriu um enorme sorriso no rosto.

Ele podia ver uma lâmpada acendendo dentro da cabeça dela e se preparou para o que vinha.

— Você já ouviu falar em Pi Ya Nuo e Du Zi Feng?

— Que?

— É um dorama taiwanês. Sakura me obrigou a assistir e eu gostei. No dorama Pi Ya Nuo salva a vida Du Zi Feng e ela se torna seu irmão de juramento. Ele era da máfia também e ela não era. Vamos fazer isso!

Naruto sentiu seu cérebro doer. Como que Hinata conseguia parecer tão razoável falando tanta besteira.

— Você está tirando isso de um programa de televisão?

Ela assentiu com um sorriso enorme no rosto. — Um dos meus favoritos. Isso não existe na sua família?

— Apenas homens podem se tornar irmãos de juramento.

Ela lhe olhou com asco. — Machista!

— Isso são regras da tríade, não minhas.

— Você não é o chefe? — ela perguntou perdendo a paciência. — Isso não quer dizer que você pode fazer o que quiser?

Naruto quase sorriu vendo aquele pirralha desprezar uma tradição de centenas de anos. Quando uma pessoa que não pertencia a máfia e fazia alguma coisa de muito valor para o chefe ou herdeiro da tríade, ele se tornava uma extensão do chefe da família, assim que prestasse sua lealdade. Aquele pessoa não se tornava um membro da família, mas sim um irmão juramentado.

Isso daria a Hinata quase o mesmo status de Naruto, bem como os mesmos riscos.

— Você tem certeza que você quer isso?

Os olhos de Hinata brilharam e ela simplesmente respondeu. — Sim!

— Por sua conta e risco.

Naruto quase não acreditou no que ele mesmo estava falando, mas mesmo assim, pegou o braço de Hinata e a puxou até o carro, dessa vez, jogando-a no passageiro, enquanto entrava pelo lado do motorista.

Enquanto, saía rapidamente da vaga, Naruto pensou se realmente estava disposto a se conectar, de forma irreversível, a uma pessoa que ele sequer tinha afinidade, mas por mais absurda que toda a situação parecia, pelo menos ele não se sentira entediado durante um longo tempo.

Notas finais
O que acharam do capítulo? Comentem, favoritem e acompanhem a história. Se alguém tiver curiosidade sobre o dorama citado no capítulo, ele se chama Bromance. Hinata e Sakura tem muito bom gosto, porque o Dorama é muito bom mesmo kkkkkkk