Guarda-costas
38 Capítulo trinta e oito
Notas iniciais
CP XXXIII
Quatro semanas antes da reunião de famílias
Hinata estava olhando desconfiadamente pelo espelho retrovisor do carro, observando Naruto no banco traseiro com o tablet na mão, trabalhando... para variar. Ela ainda estava remoendo a situação do café da manhã no seu apartamento dois dias atrás e em nenhum momento Naruto havia pedido desculpas para ela.
Não… Ele simplesmente a ignorou completamente durante esses dias, pois ele estava muito ocupados com “coisas mais importantantes”. Ele até mesmo trabalhou quase o tempo todo no seu apartamento, enquanto ela criava fungos na sua dispensa aka quarto.
Sakura pelo menos estava bem melhor e ela pode conversar um pouco sobre as coisas boas do dia, mesmo que nenhuma tentasse entrar no debate do que havia realmente acontecido.
Quando ela ligava para saber como Sakura estava, ela já não mais sentia a vontade de correr para o seu apartamento só para ver a sua amiga, pessoalmente. E apenas isso fez com que esses dias não fossem um completo inferno.
Mas, só melhorou um pouquinho.
Ela não conseguia parar de pensar em como Naruto pode tê-la deixado com fome, enquanto fazia uma omelete completa para Sakura. Completamente injusto.
Hinata murmurou impulsivamente, quando sentiu a raiva borbulhando no seu peito: — Não quero mais você na minha casa.
Naruto sorriu sem levantar a cabeça do aparelho. Ele já sabia do que se tratava. — Engraçado, Sakura disse ontem que eu poderia visitá-la a qualquer momento… Principalmente, se você não estiver.
— Você ligou para ela ontem?
— Claro. Senti falta dela.
Hinata parou de olhar pelo espelho retrovisor e se concentrou com a estrada na sua frente. Os dois estavam indo em direção ao escritório e Hinata permaneceu emburrada durante todo o percurso.
Na chegada ao escritório, ela parou o carro e saiu em direção a elevador privativo de Naruto sem esperar por ele, no entanto, ele conseguiu a alcançar antes do elevador chegar.
— Não me diga que você ainda está com raiva? — ele disse sorrindo. — Você está com essa cara a alguns dias. Quando que pretende parar?
Hinata continuou em silêncio. O gelo não era algo que incomodava Naruto, mas ele fechou o tablet e colocou no bolso do seu casaco, antes de dizer:
— Se você parar com isso eu cozinho para você hoje a noite.
Hinata levantou os olhos para Naruto que a observava com um sorriso no rosto. Ela estava completamente desconfiada daquela proposta, mas não pode impedir que um sorriso começasse a se formar nos próprios lábios.
— Se você me dizer o que quer comer eu posso fazer para você.
Hinata pensou por alguns instantes e sorriu completamente. — Eu quero uma omelete.
— Hum? — ele levantou o arco das sobrancelhas em uma expressão zombadora. — Eu pensei que você ia pedir coisas realmente impossíveis.
— Você fez omelete para a Sakura, eu quero uma também, com o dobro de ovos.
Ele a fitou com estranheza antes de cruzar os braços e a olhar sério.
— Eu acho que alguém realmente ficou com ciúmes naquele dia.
— Hump! — Hinata segurou o dedo do meio para ele. — Ciúmes é a tua avó!
Ele ignorou os insultos e as maneiras rudes de Hinata. Não era nada novo, mas decidiu continuar a provocação. — Eu posso fazer qualquer coisa, exceto, a omelete.
— Porque não? — Hinata perguntou chateada.
— Esse é o prato especial da Sakura.
O olhar de desgosto era tão evidente no rosto de Hinata que ela não pode se impedir de rir. Ela não sabia nenhum pouco como controlar as suas expressões. Se ela estava com raiva, ela estava com raiva e ponto. — Então não quero nada.
— Certeza? Eu posso fazer vários outros pratos, inclusive os bolos de arroz que Sasuke te deu da última vez.
— Não. — Hinata sentiu um novo sorriso aflorar no seu rosto. — Aquele é um prato especial para mim e para o Sasuke.
Naruto deu um peteleco na sua cabeça. — Você não pareceu pensar muito no Sasuke enquanto estava dividindo um deles comigo.
Hinata lembrou do dia na piscina quando Naruto tinha roubado um dos seus bolos sem permissão. Ela no impulso havia recuperado parte do seu bolo com a própria boca. Ela empurrou seu peito com força.
— Você me roubou!
— Você me beijou…
— VOCÊ me beijou! — Ela replicou lhe golpeando novamente.
— Mas, você correspondeu. Quem corresponde beija também.
Hinata tentou ir para um golpe no seu pescoço, mas ele a impediu de atingir o ponto recuando no elevador. — Aquilo não foi um beijo! Foi só você me provocando como sempre.
— Foi mesmo? — ele perguntou com um sorriso brincando nos lábios e se aproximou de Hinata.
— Hum? — Hinata sentiu-se um pouco perturbada com o rumo da conversa.
O elevador abriu as portas, mas nenhum dos dois pareceu notar que não estavam mais sozinhos. — Tem certeza que eu só queria te provocar?
Hinata suspirou. Ele estava a provocando propositalmente de novo. — Quer saber? Eu vou fazer uma lista bem grande das coisas que eu quero que você cozinhe. Uma lista tão grande que você não vai terminar nesse século.
Naruto abriu um sorriso brilhante e simplesmente disse.- Não se esqueça que quanto mais tempo leva para cozinhar, mais demorado será para você comer.
Naruto a empurrou do seu caminho e saiu pelo elevador. Ela veio logo atrás dele ditando todas as coisas que queria para o jantar.
Ele já estava raciocinando maneiras de adiar as suas duas últimas reuniões para chegar em casa mais cedo e conseguir cozinhar aquele tanto de comida para a sua guarda-costas.
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Os dois não almoçaram e foram direto para o apartamento. Assim, que chegaram Naruto dispensou todos os empregados e foi em direção da cozinha. Hinata permaneceu perto dele, observando enquanto ele tirava vários materiais da geladeira e colocava no balcão.
Desde o início, Hinata começou a receber várias tarefas diferentes de Naruto e os primeiros dez minutos, ela passou cortando cebolas com os olhos vermelhos de tanto chorar e se arrependendo de ter pedido toda aquela comida.
Mas, aquilo era culpa dele também, ela só queria uma omelete... Prato especial da Sakura é a tua bunda!
Ela entregou para ele um prato cheio de cebolas, então, ele lhe passou tomates, cenouras, batatas… Como ele ia fazer com que a mistura de tudo aquilo ficasse bom era um segredo indesvendável. Hinata fez todos os seus afazeres e sentou na bancada de frente para Naruto, enquanto ele continuava a cozinhar, sem lhe dar qualquer atenção.
Ele sequer tinha trocado de roupa, ainda vestido com a camisa social, ele tinha se preocupando apenas com enrolar as mangas para cima. Ele também estava usando o avental de Remmy, o mordomo, mas mesmo com aquela peça de açougueiro, ele ainda parecia extremamente bonito...
Hinata bateu as duas mãos na cabeça com força, para ajustar a sintonia dos seus pensamentos para que os mesmos voltassem ao normal. Coisa que ela estava tendo dificuldades, porque várias vezes ela se pegava pensando no cabelo... Abdómen... Rosto... Tórax… E aquelas coxas, meu pai…
Ela bateu com mais força na cabeça e puxou os cabelos.
Naruto não era o tipo de pessoa que ela observava com qualquer olhar que não fosse o de puro desinteresse, na verdade, Hinata simplesmente não observava qualquer pessoa com interesse. Exceto se essa pessoa fosse a sua paixonite de longa data. Sasuke Uchiha.
Mas, aqui estava ela, achando que Naruto parecia ridiculamente bonito lhe fazendo comida, mesmo que não fosse a omelete que ela queria provar, mas que foi dado a outra pessoa.
— O que você está pensando com tanta força? Eu estou quase vendo a fumaça sair pelas suas orelhas. — Naruto disse, sem sequer levantar a cabeça. Como ele poderia dizer que ela não estava completamente focada, era um mistério. Ele simplesmente tinha três olhos.
— São pensamentos realmente estúpidos não valem a pena comentar.
Hinata descansou a bochecha na mão e se concentrou em ver como as mãos de Naruto iam de um lado para outro, pegando ingredientes e adicionando na diversas panelas no fogo, sem qualquer hesitação. Ele sabia exatamente o que fazer.
— Onde você aprendeu a cozinhar? — Hinata perguntou.
Naruto começou a bater os ovos e sequer levantou seus olhos. — O meu pai me ensinou. Kushina não sabia cozinhar, nunca soube. Então era sempre eu ou ele que cozinhava.
Hinata tentou pegar um pedaço de carne que estava fervendo no fogo, mas Naruto bateu na sua mão com força. — Ai!
— Ainda não está pronto.
Hinata desviou o olhar emburrada e assistiu o caldo da comida ferver, enquanto apreciava o cheiro dominando todo o ambiente. Depois de um tempo, Naruto perguntou:
— Você não vai perguntar mais nada?
— Hum? — Hinata levantou a cabeça.
— Eu vou te permitir a fazer perguntas para mim, se você responder as minhas.
— Mas, eu não quero saber de nada sobre você. — ela disse com desinteresse.
Naruto levantou a sobrancelha e parou de bater os ovos. — Eu vou parar de cozinhar.
— Não, não, não, não! — Hinata olhou para a comida sendo pronta, seria um desperdício ele parar de cozinhar agora. — Vai você primeiro.
—Não. — Naruto respondeu. — Pergunta e eu perguntou de volta.
— Mas e se eu não quiser contar?
— Você tem três passes. — ele disse caminhando para a geladeira e pegando chocolates. Sobremesa! — Eu tenho seis.
O que? — Porque você tem mais que eu?
— Eu tenho trinta e dois anos, você tem vinte e um. Eu já vivi muito mais, eu posso passar mais.
— Foi você que teve a ideia de fazer perguntas, eu deveria ter seis e vocês três.
Naruto ameaçou jogar os chocolates no triturador de lixo, mas Hinata levantou as mãos tentando acalmá-lo. — Para com isso já! Por que você está me ameaçando com comida? Se tu jogar fora, nós dois vamos ficar com fome.
— Eu posso cozinhar para mim mesmo.
— Mesquinho!
— A comida, Hinata!
— ok, ok. Eu aceito!
Hinata começou a buscar perguntas na sua cabeça que ela possivelmente poderia ter algum interesse e inesperadamente encontrou várias… Muitas, ela não tinha coragem de perguntar, então ela foi no seguro.
— Você tem realmente trinta e dois?
Naruto colocou os chocolates em banho maria de começou a bater os ovos ao lado. — Sério que essa é a sua pergunta?
— Você é velho! — ela sorriu e ele revirou os olhos irritado.
— Você é uma pirralha!
— Não respondeu a pergunta!
— Tenho trinta e dois e você não tem sobremesa hoje. É só para mim.
Hinata bufou. — Você não pode me punir por fazer uma pergunta. Tudo isso é ideia sua!
Ele a silenciou com a mão. — Minha vez. — ele derramou os ovos batidos em um dos pratos salgados e deixou eles cozinharem no molho. — Como você e o Sasuke se conheceram?
— Essa é a sua pergunta? — Hinata o olhou confusa. — Bom… Meu primo o conhecia. Neji. Quando eu tinha doze anos, o meu primo me livrou de uma briga que eu me meti com alguns meninos mais velhos. Eles eram bem maiores que eu, então ele me salvou. Sasuke estava com ele esse dia.
— Seu primo te salvou e você se apaixonou pelo Sasuke?
— Ele me comprou comida depois de tudo.
— Hum… Tá explicado...
— Como você conheceu o Sasuke?
Naruto parou hesitando por um momento e Hinata se perguntou se aquela era realmente uma pergunta tão difícil. — O meu tio o tinha como afilhado. Então, nos conhecemos.
Hinata revirou os olhos frustrada. — Só isso? Nenhum contexto? Nenhuma história?
— Na verdade, não. Nada tão idiota quanto você se metendo em um briga aos doze anos, com pessoas que poderiam te matar.
— Ele me provocaram. — Hinata se defendeu. — Eles ficavam dizendo que eu parecia um menino quando eu vestia as roupas do meu pai.
— Você vestia as roupas do seu pai?
— Claro, minha mãe só queria me vestir com florais e babados, eu corri para alguém com um estilo mais legal.
Naruto gargalhou imaginando a menina na sua frente muito pequena, utilizando as roupas de um adulto. Hinata deveria ser um problema quando era criança… O que ele estava falando, Hinata era um problema hoje em dia em sua “vida adulta”!
— Minha vez. — Hinata proclamou.
— Eu ainda não perguntei?
— Perguntou sim! Perguntou se eu vestia as roupas do meu pai.
— Ok, então. — Naruto sorriu. As vezes ele se esquecia o quanto Hinata conseguia ser perspicaz.
— Hum… -ela pensou por alguns instantes. — Por que você voltou?
— Como assim?
— Por que você voltou para casa se estava de mau com a sua família?
Naruto sorriu. — Dinheiro.
— Mentiroso!
Ele olhou uma das panelas a ignorando completamente.
— Você vai passar a pergunta?
— Eu respondi. — ele saiu de perto das panelas e deu a volta no balcão, aproximando-se de Hinata. — Dinheiro é a única coisa que me move. Não gostou da resposta?
Hinata o olhou desgostosa. — Claro que não, essa é uma resposta que eu daria, não você.
Ele sorriu e circulou o balcão para se aproximar dela. Ela não percebeu a movimentação até que ele a puxou de frente para poder encará-la. Hinata o olhou curiosa, mas ele permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de perguntar:
— Por que você acha que eu voltei?
Foi a vez de Hinata sorrir, ela tinha a resposta na ponta da língua. — Porque você tem o coração mole. — ela apontou para o seu peito. — Seu tio pediu que você voltasse, mas eu não vejo como apenas um pedido dele poderia fazer com que você simplesmente esquecesse o quanto odiava ele. Então, eu só posso pensar que ele sabia que ele estava prestes a morrer e você ficou preocupado com alguém… Sua mãe, por exemplo.
Naruto a olhou pesadamente, sem dizer nenhuma palavra. E Hinata se divertiu com a forma como ele a olhava desconfiado e frio. Aquele era o olhar que indicava que ela tinha acertado na mosca.
— Eu sei que eu estou certa. — Ela disse convencidamente.
Mas, ele não a perdoou. — Sakura criou toda essa teoria sobre mim? Eu estou surpreso com ela.
Hinata bateu no seu peito com força.
— Isso veio da minha própria cabeça. — ela disse chateada. — Eu não sou tão estúpida assim. Eu apenas conheço você e sei que você tem um coração mole.
Hinata subiu a sua mão para o rosto de Naruto e acariciou de forma zombeteira as suas bochechas.
— Você é bemmmm bobo!
Hinata ia tirar a mão e voltar a se focar completamente na sua comida, mas Naruto não a deixou retroceder. Ele a segurou no lugar, prendendo as suas duas mãos atrás das costas, em um abraço que o trouxe para o meio das suas pernas.
O banco em que ela estava sentada tornava perfeito a sua submissão pelo abraço e ela se viu presa entre os braços e o peito de Naruto. Ele aproximou o rosto e ela sabia que o seu castigo a esperava e tentou se afastar o máximo.
— Você está me punindo de novo, pela sua própria brincadeira! E só porque eu estou certa. — ela reclamou. — Isso realmente não é justo.
— Não sei exatamente para quem isso não é justo. Você continua me provocando.
Naruto disse, o seu rosto ainda sério, mas não havia mais a frieza e desconfiança de antes. Não. Ele parecia simplesmente irritado.
Ela deu risada da sua expressão puxando a mão para se soltar do agarre, mas ele apenas a apertou com mais força, aproximando os dois corpos.
— Eu nunca tive uma mulher rindo da minha cara, enquanto estava nos meus braços.
Hinata sorriu de novo.
— Você é tão chato. Meu ombro esta doendo com essa posição.
— Você quer uma posição melhor?
Ele parou de prender as mãos de Hinata nas costas dela e as jogou por cima do seu ombro, aproximando os dois ainda mais. O sorriso no rosto de Hinata morreu ao perceber que a situação estava piorando cada vez mais para o seu lado. Ela simplesmente não tinha qualquer caminho para correr.
E quando os olhos dos dois se encontraram no mesmo nível, ela sentiu um arrepio no seu corpo.
Naruto encostou a testa dos dois e Hinata fechou os olhos esperando a sua habitual punição. Ela já estava tão acostumada àquele ato que simplesmente respirou em resignação, no entanto, Naruto não se moveu nenhum centímetro.
Hinata abriu os olhos, voltando a encarar as orbes azuis. A irritação de antes também já tinha ido embora, no seu rosto tinha uma expressão que ela não conhecia e nunca tinha visto alguém ostentar em sua direção.
— O que foi? — ela perguntou confusa.
— Por que você fechou os olhos?
— Eu estou esperando pelo seu ataque infantil…
— Você acha infantil?
Ela revirou os olhos. — Claro! Vamos sair na porrada para eu conseguir um pouco de dignidade.
Ele sorriu maldosamente. — Tenho uma ideia melhor de punição.
— O que…
Ela não terminou as palavras, sentindo os lábios delicados de Naruto no seus próprios. Ela fechou os olhos sentindo o breve toque, mas tudo foi rápido demais e antes de ela entender o que tinha acontecido, ele já tinha parado.
Ele deu uma risada baixa que ela sentiu todo o caminho de seu corpo. — É exatamente assim que as mulheres ficam no meu braço.
Ela abriu os olhos sentindo os braços sem força ao redor do pescoço dele. Ela queria que Naruto a soltasse para ela voltar a raciocinar com os punhos e dar um soco nele, mas ele permaneceu exatamente onde estava.
— Nada a me dizer?
Ele perguntou, levantando o queixo de Hinata e a puxando novamente na direção dos seus lábios.
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