Guarda-costas
32 Capítulo trinta e dois
Notas iniciais
Sakura sentia todo o seu corpo doer, mas as implicações do que estava acontecendo com ela era algo que não fazia sentido na sua cabeça. Ela não sabia o que fazer e sua cabeça estava entrando em parafuso pouco a pouco.
Mas, ela só tinha que esperar mais um pouco, Hinata estava vindo.
Sua amiga saberia o que estava acontecendo e o que ela deveria fazer. Ela conseguiria tirar todos os pensamentos ruins da sua cabeça ou pelo menos abraçá-la um pouco?
Isso era tudo que ela queria. Ser segurada.
Ela se lembrou do apartamento que ela tinha acabado de sair. Ela havia chegado com o intuito de apenas jantar. A sua curiosidade de conhecer o homem com quem a sua amiga estava saindo a fez fazer isso. Mas, o jantar não foi a única coisa que ela fez aquela noite.
Ela sentia os sinais do seu corpo, como se ela tivesse transado aquela noite. Ela sentia dores em todas as suas partes íntimas. E se apenas isso não fosse o suficiente para que ela suspeitava que alguma coisa estava muito errada, ela também tinha acordada no quarto do apartamento da sua amiga nua e completamente sozinha.
Ino.
Não se importando consigo mesma, ela tentou ligar imediatamente para a sua amiga, porque Ino havia sido a primeira coisa que veio na sua mente, quando não viu ninguém ao seu lado e a preocupação começou a machucar o seu coração.
Mas, Ino não atendeu.
Sakura correu para o banheiro e verificou todos os hematomas no seu rosto, no braço e nas pernas, bem como havia um pouco de sangue entre as suas coxas. E foi nesse momento de completa consciência que o pânico a deixou desgovernada.
Ela procurou por todo o apartamento e não havia nenhum sinal da sua amiga, nem das coisas dela alí. Era como se tudo tivesse sido limpo, como se ela nunca havia existido.
Ela sentiu as lágrimas saírem do seu rosto de novo. Ela não conseguia sequer imaginar como havia ido embora daquele lugar e voltado para o seu próprio apartamento no estado em que se encontrava.
No entendo, a única coisa que ela queria, era ver Hinata.
Porque, Hinata conseguia resolver qualquer coisa. Ela sempre lhe protegia.
Sakura se levantou do chão do banheiro e foi até o chuveiro de água quente. Ela não pensou em tirar a roupa, nem qualquer coisa. Tudo que ela queria era que aquela sensação de nojo escorresse para fora da sua pele.
E foi naquele estado que Hinata a encontrou poucos minutos depois.
Sakura sequer escutou quando ela entrou, mas assim que os braços de Hinata se fecharam no seu corpo e ela começou a sussurrar alguma coisa no seu ouvido preocupada, ela desmoronou.
Os soluços horríveis saíram da sua garganta antes mesmo dela perceber e depois disso, ela não conseguia se lembrar de mais nada, exceto do calor do braço da sua amiga que continuava a segurando com força sob a água quente.
Depois que as suas lágrimas secaram e a exaustão tomou de conta da sua mente, ela não sentia mais nada. Nem o seu corpo, nem os machucados e a sua mente estava em um lugar silencioso. Ela gostava daquele lugar, porque tudo que existia alí era a sensação de conforto que os braços de Hinata a faziam sentir.
Hinata desligou o chuveiro e a levantou gentilmente do chão. Quando ela tentou tirar a sua roupa, Sakura acordou momentaneamente do seu torpor. E se ela visse os machucados na sua pele? Ela ia lhe perguntar alguma coisa?
Mas, não foi por isso que você a chamou? Ela tinha que resolver tudo.
Sakura olhou pela primeira vez para Hinata. Ela estava tão molhada quanto ela e havia uma pequena roxura na sua bochecha, provavelmente, resultado de um se seus treinamentos com Naruto. E a imagem conjurada de Naruto a fez cair em si sobre o que estava fazendo.
Tirando sua amiga do trabalho, apenas para vir enxugar as suas lágrimas?
Sendo fraca de novo Sakura?
Ela desligou a voz na sua cabeça, antes que fosse tarde demais e afastou as mãos de Hinata. Ela não queria que Hinata visse ainda mais sua humilhação.
— Eu consigo tomar banho sozinha. — sua voz ainda estava longe de parecer normal, mas estava estável o suficiente para passar alguma confiança ou pelo menos era o que ela esperava.
Porém, Sakura conseguia enxergar claramente a desconfiança nos olhos de Hinata, enquanto ela debatia se deveria deixá-la sozinha ou não e Sakura quase sorriu com o olhar assustado de Hinata.
Claro que você estava a assustando, porque você a chamou aqui, estúpida?
Hinata se aproximou e lhe deu outro abraço que ela mau conseguiu retribuir, depois finalmente se afastou, indo em direção a porta.
— Eu vou deixar algumas roupas na sua cama e preparar alguma coisa para você comer. Se precisar de alguma coisa grita, tá bom?
Sakura não respondeu, mas assentiu com a cabeça e assim que percebeu que sua amiga não estava mais no banheiro, trancou a porta atrás dela e caminhar até o seu enorme espelho do banheiro.
Retirando as roupas novamente, ela reviu as marcas vermelhas na sua pele. As mesmas marcas que ela havia percebido horas antes quando ela acordava sozinha no apartamento de Ino, completamente sozinha.
Haviam tantas perguntas que continuavam corroendo a sua cabeça, mas apenas uma era importante naquele momento.
O que estava acontecendo?
E Sakura meio que suspeitava da resposta, mesmo que não tivesse coragem de repetir na sua cabeça.
xxxxxxxxxxxxxxxx
Hinata esperou o timing do microondas começar a rodar antes de começar a andar de um lado para o outro na cozinha. Olhar Sakura sentada no chão do seu banheiro toda vestida era uma coisa que ela não esperava encontrar quando chegou em casa.
E o choro assustador que escutou quando abriu a porta do banheiro da amiga, ainda estava retumbando por todo o seu corpo e se repetindo no ouvido como um eco.
Ela nunca tinha escutado nada igual, muito menos de uma pessoa como Sakura que tudo o que fazer era sorrir.
Deixá-la sozinha, depois disso, havia sido uma das coisas mais difíceis que ela já havia feito na vida, mas ela conhecia Sakura muito bem e qualquer tentativa de cuidar da amiga, seria como um balde de água gelada na sua cabeça.
O orgulho dela não aceitaria um golpe daqueles e Hinata teve medo que se forçasse demais, ela se desmoronaria de vez. Então, ela decidiu sair, deixando que a sua amiga lhe chamasse se precisasse.
Hinata sentiu a sua mão coçar, sua própria ansiedade tomando o melhor dela. Mas, ela segurou o temperamento e se deixou cair em uma das cadeiras nas bancadas. O que estava acontecendo?
Sakura nunca havia ficado daquela forma antes. E ela não era tola o suficiente para acreditar que ela desmoronou daquela forma por causa de uma simples gripe.
Hinata retirou a sopa do microondas e deixou na mesa antes de bater na porta de Sakura. Ela mesmo ainda estava completamente molhada por causa do banho que havia levado junto com Sakura no seu chuveiro.
Hinata teve que esperar apenas dois segundos antes de Sakura abrir a porta para ela. Ela estava vestida com a calça moletom e o suéter longo que ela havia separado para ela, e parecia bastante ocupada secando o cabelo com uma toalha.
Hinata levantou o queixo de Sakura com a mão e encontrou a sua amiga de sempre. Os olhos verdes limpos e lúcidos, muito diferente da forma como estavam poucos minutos atrás, completamente destruídos.
Se não fosse pelo inchaço do rosto, a vermelhidão nos olhos e a falta de brilho nas suas orbes verdes, Hinata juraria que toda a cena do banheiro havia sido invenção da sua cabeça.
— Por que você não trocou de roupa, Hina?
Sakura parou de enxugar o seu cabelo e colocou a toalha em cima da sua cabeça de Hinata, enxugando o cabelo dela. Mas, ela não deixou que Sakura continuasse, e puxou a mão dela para baixo e não disse nada, esperando pelo momento em que Sakura levantaria a cabeça e olhasse nos seu olhos.
Era a única forma que Hinata conseguia pensar para tentar ver a verdade nos olhos da rosada.
— Tudo bem? — ela perguntou hesitante.
Sakura suspirou, voltando a tocar com a toalha na ponta dos seus cabelos, sem quebrar o contato visual. — Eu só tive um momento.
— Momento?
— Você sabe… Quando a gente se sente triste sem nenhuma razão.
Não, Hinata não sabia o que era isso. Mas ela também não queria responder daquela forma. Seria bastante insensível.
— Porque o seu rosto esta machucado, então?
— Hum? — Sakura perguntou parecendo confusa, mas logo ela deu uma leve risada. — Não sei, devo ter me machucado em algum lugar.
Ela disse, parou de enxugar as pontas do cabelo de Hinata e passou por ela, deixando-a ainda mais confusa. Como ela poderia parecer completamente normal? Hinata a seguiu até a cozinha e Sakura pegou uma colher na gaveta antes de sentar na bancada e começar a comer silenciosamente.
— Você tem certeza que esta tudo bem?
Sakura assentiu e apontou para a cadeira do outro lado da bancada. Hinata se sentou e Sakura tocou o seu rosto na mandíbula.
— Você vai me dizer o porque do seu rosto está machucado?
Hinata nem precisava olhar no espelho para saber do que ela estava falando. Naruto havia realmente conseguido pegar ela de jeito no rosto com um dos seus socos. O fato de não estar doendo era apenas um milagre.
Mas, Hinata não queria falar sobre aquilo. Ela queria saber de Sakura, porque, mesmo que ela quisesse acreditar que Sakura estava tendo apenas um “momento” que ela nunca teve antes, algo nos seus instintos lhe contava uma história bem diferente.
Algo tinha acontecido, ela tinha certeza, mas será que valia a pena puxar Sakura apenas para ela saber o motivo de tudo aquilo. Ela parecia tão quebrada poucos minutos atrás.
— Onde você estava? — Hinata perguntou, decidindo abordar Sakura sem parecer estar duvidando dela. — Você estava com o seu vestido de festa no banheiro, então…
— Uma amiga me convidou para jantar. — ela disse rapidamente e Hinata viu uma pontada de dor atravessar os olhos de Sakura, mas foi tão rápido que Hinata se perguntou se ela realmente havia visto alguma coisa.
— Você ficou muito tempo fora. — Hinata decidiu parar de pressionar, isso não a levaria a lugar nenhum. E muito menos lhe daria as respostas que ela queria. — Da próxima vez me liga e eu vou te buscar. É perigoso andar na rua a essa hora da noite sozinha.
Hinata se levantou e pegou o prato de sopa que estava na bancada vazio e colocou na pia. Quando voltou a olhar a bancada Sakura ainda estava sentada no mesmo lugar, sem se mover um centímetro.
Hinata suspirou e abraçou Sakura por trás, apoiando o queixo no seu ombro. As duas ficaram assim por alguns minutos até que Sakura enxugou as lágrimas silenciosas que saíam dos seus olhos. Hinata fingiu que não percebia as lágrimas saindo do rosto dela e quando ela sentiu o corpo de Sakura se acalmar entre os seus braços, ela finalmente se sentiu aliviada.
— Porque não dormimos juntas hoje? — Hinata sugeriu. — O aquecedor do meu quarto quebrou de novo.
Mesmo que isso fosse mentira, Hinata trataria de quebrar pessoalmente o seu aquecedor amanhã apenas para ser verdade. Sakura assentiu e levantou da cadeira, sem virar o rosto para ela e as duas seguiram para o quarto.
— Você está molhada. — Sakura disse, sem se virar. — Você precisa se trocar, não?
Hinata olhou o estado da sua roupa, ela deveria estar batendo os dentes agora, mas o seu corpo estava preocupado demais com Sakura para reagir a qualquer estímulo de frio. — Eu já volto.
Hinata saiu do quarto, pegou seu telefone e entrou no banheiro, trancando a porta. Ela não sabia muito bem o que iria fazer, mas seguiu os seus instintos novamente. Ela ligou para um número que já estava acostumada e uma voz grogue atender do outro lado.
— Hinata?
Ela sabia que estava tarde e em qualquer momento ela se sentiria completamente envergonhada de estar ligando naquele horário, mas era urgente.
— Sasuke, desculpa ligar agora.
— Tudo bem, aconteceu algo.
— Eu preciso de outro favor.
Sasuke suspirou. — Naruto tem outro psicopata atrás dele?
— Não. — ela pensou na melhor forma de pedir aquilo. — Eu nem sei se você consegue fazer isso, mas tem como você rastrear as ligações de alguém para mim? Mensagens também.
— O que está acontecendo?
— Não é nada haver com o Naruto. É pessoal.
Ela esperava que apenas aquilo fosse o suficiente para ele, porque se ele perguntasse qualquer outra coisa, ela não saberia o que responder.
— Tá tudo bem?
— Sim, — Hinata respondeu ansiosa. — Tem como?
— Claro. Vou conseguir isso para você.
— Eu te mando o número da pessoa por mensagem. Obrigado Sasuke.
— Boa noite, Hinata. Quando eu conseguir eu te envio.
— ah… — ela disse antes de desligar. — Obrigada pelos doces.
Ele sorriu suavemente do outro lado da linha.
— Boa noite, Hinata.
E desligou.
Quando Hinata voltou ao quarto de Sakura, ela já estava deitada na cama. Hinata se arrastou para se aninhar com Sakura. E se deixou dormir, pensando vagamente que deveria ligar para Naruto quando acordasse.
Ela tinha certeza que ele poderia tentar arranjar alguma solução para tudo aquilo.
Fale com o autor