Guarda-costas
67 Capítulo sessenta e sete
Notas iniciais
Reunião
Hinata suspirou consigo mesma, enquanto descia as escadas, ela não tinha lá uma postura muito boa, mas se esforçou ao máximo em manter a cabeça erguida, costa ereta e jamais cometer o erro de olhar para o chão.
Mesmo que ela estivesse com o sentimento de que a qualquer momento ela erraria um degrau e quebraria o pescoço na queda.
Por outro lado, ela imaginava que pessoas que estavam para enfrentar situações perigosas, não gastavam tanto tempo imaginando escadas longas e o medo de tropeçar em degraus, mas ali estava ela fazendo exatamente isso.
E a culpa era de Naruto. Segundo os seus planos era seria sua “procuradora” hoje a noite. Uma personificação de um líder da tríade.
A primeira vez que ela escutou, ela sorriu, mas agora ela percebeu que a situação não era nenhum pouco para risos.
Por que ele não havia contado o seu plano ridículo, enquanto ela estava sóbria?
Não... Ele foi falar para ela, quando ela estava alta demais em um orgasmos delicioso e louca para tomar o café da manhã que ele havia interrompido mais cedo.
Ele poderia ao menos ter falado com ela com mais antecedência, antes deles chegarem na China, não no mesmo dia da reunião.
Se ele a contasse antes, ela poderia ter se preparado muito melhor, inclusive ensaiado um pouco o leve sotaque que Naruto carregava, quando estava chateado. Ou os gesto frios da sua mão, ou o rosto de pôquer que ele dominava tão bem com as pessoas.
Será que ela teria que fingir a prepotência dele também?
Hinata lembrou que Naruto costumava tocar as abotoadeiras da sua camisa, como se estivesse preparando para cair na porrada com alguém a qualquer momento. Ela olhou para as suas mangas e percebeu que não havia levado nenhuma abotoadeira em seu terno.
Que porra, como ela ia fingir ser ele, se ela nem tinha uma abotoadeira para acompanhar?
Hinata continuou a descer a cabeça um pouco menos confiante que antes, em uma descida que parecia interminável.
Ela observou três pessoas que já conhecia. Hidan, o sacana. Nagato, o psyco. Tomoyo, o idiota.
Ela chegou próxima a mesa com várias pessoas a encarando, tanto da galeria do lado de cima, quanto os membros que estavam sentados à mesa.
Ela sorriu para todos eles, até que os seus olhos bateram em um rosto que ela não conhecia, mas reconhecia com facilidade.
Ela apontou para os dois homens sentados com cara fechada animadamente.
— Você são os Uchihas?
O mais velho e o mais novo se entreolharam com os cenhos franzidos e o mais velho se levantou de sua cadeira com cara de poucos amigos. Oh... Ele parecia tanto com o Sasuke? Tão lindos!!!
Ele até mesmo tinha a mesma postura agressiva elegante. Oh! Se ele tiverem a mesma voz adocicada ela estaria muito distraída a noite inteira...
Ainda distraída com a presença daqueles dois e antes que ela pudesse confirmar a compatibilidade de vozes dos Uchihas, Hinata tirou a arma de trás da sua costa.
Em tempo recorde, ela escutou o uníssono barulho de armas sendo carregadas e apontadas uns para os outros e logo o silêncio reinando.
A única pessoa que não havia movido um dedo foi o Uchiha mais novo cujos olhos, ela podia jurar, que estavam brilhando em diversão.
Hinata arqueou as sobrancelhas e ampliou o seu sorriso. Ela descansou a arma na mesa e sentou-se em uma das cadeiras vazias, de frente a Hidan que a olhava com raiva desmedida.
— Relaxa! – ela não tinha motivos nenhum para sorrir, principalmente quando havia tantas pessoas tensas naquela sala, mas por alguma razão toda a situação diminuiu o seu nervosismo. – Eu só queria tirar a arma das minhas costas. Sabe, tio Hidan... Posso chamá-lo assim não é? Você disse da última vez que eu podia... Então... Bom, continuando... Você sabe quantos acidentes existem com armas de fogo com pessoas que gostam de colocar armas atrás nas calças?
Hinata sorriu.
— Eu não quero ser parte das estatísticas de morte com um tiro na bunda. Eu não me perdoaria por tal coisa.
— Cadê Naruto? – Tomoyo perguntou agressivamente, batendo na mesa e interrompendo o seu monólogo. As armas mudaram de direção saindo da cabeça de Hinata para a dele, todo mundo estava reagindo a pessoa que falava primeiro.
Ao ouvir a voz daquele miserável, Hinata franziu o cenho, ela definitivamente não gostava dele. E, tampouco, achava que ele teria coragem de dirigir alguma palavra a ela.
Hinata o considerava um dos seus inimigos número um e já teria se livrado a muito tempo dele se não fosse pelos constantes lembretes de Naruto que ainda precisava dele para os seus planos.
“Se eu livrar dele agora, apenas vamos estar fazendo o que Hidan precisa, além de que Hidan pode facilmente colocar outra pessoa em seu lugar, muito mais difícil de se livrar.
— Ele tentou te matar e quase me matou, vamos realmente ficar assim?
— Claro que não. Mas, eu preciso que Hidan ache que eu não seja capaz ir diretamente contra o conselho da tríade, assim ele vai sentir uma sensação de proteção que vai vir a servir em algum momento.
— Isso parece complicado e completamente ilógico. Você nunca jogou league of legends, não? Quanto menos gente do outro lado, mais fácil de conseguir objetivo. Essa é a lógica.”
Quando ela utilizou esse argumento com ele, Naruto apenas suspirou e a ignorou. Além, de fazer de tudo para mantê-la afastada dos lugares onde Tomoyo, possivelmente, estivesse.
Ela não entendia por que ele estava defendendo o seu inimigo dela, mas tentava não criar conflito naquilo. Até agora...
Bom... O seu temperamento apenas aceitava uma certa porção de provocação por vez e o fato dele estar falando com ela naquele tom e falando o nome de Naruto como se eles fosse amigos e ele tivesse o direito de pedir satisfações, fez o seu sangue ferver.
Ela não era a melhor em lidar com pessoas que tentavam matar o seu chefe. E a presença daquele homem na mesma sala que ela a ofendia grandemente.
Hidan pareceu percebeu o olhar que Hinata lançava sobre Tomoyo e resolveu ignorar a própria raiva e apaziguar a situação.
“Hidan vai fazer de tudo para que nada fuja do controle.
— Mas, o fato de eu estar lá já não quer dizer que tudo saiu do controle? Ele não vai querer remarcar tudo por que você não vai estar lá?
Naruto sorriu. – Hidan é muito orgulhoso. Inicialmente, ele pode até se sentir incomodado, mas eu não acho que ele vai fazer algo sobre isso. Ele pode até pensar que a sua presença pode servir em favor dele, então ele entrará em seu melhor papel de mediador. Não confie. Crie o caos.”
As instruções de Naruto vinham facilmente na sua cabeça, apesar dele ter falado tudo isso em menos de doze horas, enquanto estava pelado na cama com ela.
Ponto para ela.
— Onde está Naruto, querida? – Hidan repetiu a pergunta de Tomoyo.
— Ele ficou com medo. – Nagato respondeu com um meio sorriso no rosto. – Mandou uma mulher para cuidar dos assuntos dele?
Ele sorriu. Hinata não sorriu. Ela olhou para a arma na sua frente, depois encarou Nagato. Ele parou de sorrir alcançando levemente a arma que ele havia guardado. Ela também não gostava dele, mas isso vinha muito mais pelo fato dele parecer ridículo com aquele monte de coisas na cara.
Hinata ignorou a pergunta de ambos e perguntou: — Por que esse cara está aqui?
— Perdão? – Tomoyo perguntou. – Eu estou aqui porque eu sou um membro dessa mesa. Quem você pensa que é?
— Tomoyo você está mais morto que vivo e sabe bem disso. Eu só vou considerar o fato de você ter vindo aqui, apenas um ato de coragem e não um de estupidez. – Hinata respondeu contorcendo a boca. — Mas eu não garanto que vou manter essa postura por toda reunião. Por isso eu te digo pra você sair antes de mim porque se eu te pego lá fora a coisa vai ser feia.
— Quem você pensa que é pra falar assim comigo?
— Eu sou a representante de Naruto. — Hinata dessa vez falou para todos. Ela já estava cansada de toda aquela conversa. — A razão de eu estar aqui é porque Naruto tem coisas mais importantes para fazer do que perder o seu tempo negociando coisas inúteis .
Hidan dessa vez se pronunciou. Ele não se sentia mais tão apaziguador quanto antes. Hinata sorriu pensando que o caos já estava se criando sozinho.
— Não diga isso minha isso, menina. Aqui está ficando muito grande pra você. — O tom de voz de Hidan era irritado e prepotente o que quase a fez revirar os olhos. — Eu sinto que o meu sobrinho está perdendo a cabeça. Naruto não pode ser tão idiota para permitir que uma simples guarda costas simplesmente interrompa uma reunião tão importante quanto esta. isso seria um grande insulto.
— Não entenda como isso, tio Hidan. A única coisa o que eu vim fazer aqui foi fazer com que ninguém perdesse o seu tempo. Naruto tinha coisas importantes para fazer. Coisas de última hora... Por isso, me voluntariei a trazer os recados que interessam a todos. Então, os senhores podem me ver apenas como uma leal a mensageira, lembrando-se que jamais se mata o mensageiro, hein?
Hinata sorriu mas, a sala continuava tensa. Tomoyo sentou-se na cadeira que lhe pertencia e começou a refletir silenciosamente no seu lugar. Hinata agradeceu por isso, porque se ela escutasse mais uma palavra que vinha da boca dele ela não saberia se conseguiria se controlar.
— Então, vamos começar a reunião? – Hidan falou, colocando panos quentes de novo na situação.
— Não ainda falta uma pessoa e temos que esperar para dar continuidade.
— Ah! — Renata disse como se estivesse lembrando de alguma coisa — não percam tempo esperando pela tia Tsunade, ela também estará muito ocupada hoje à noite, não se preocupe eu também irei negociar por ela.
— O que? – Nagato perguntou confuso. — como assim você vai negociar por ela? Você sabe de quem você está falando?
— Claro que sei. – Hinata respondeu calmamente. — Como eu já disse eu sou o mensageiro. E Naruto me disse que Tsunade não seria capaz de vim para a reunião, eu estou apenas passando a mensagem agora que tal começarmos a falar sobre o real propósito desse encontro?
— Querida receio que você não seja capaz de escolher qualquer coisa nem para o seu chefe nem para Tsunade.
— Bom, obviamente vocês podem escolher não falar nada comigo, mas eu já aviso que o Naruto não se interessa por essas negociações. Ele simplesmente o já determinou as condições dele, se vocês não quiserem seguir, ele desiste. Simples assim.
Dessa vez, o Uchiha mais novo falou e Hinata pode confirmar que a voz dele era muito parecida com a do Sasuke, Só havia uma diferença com a dele, a desse Uchiha parecia mais calma que fria.
— Me quais são essas condições? A senhorita se importa em compartilhar?
— Claro que não, afinal é por isso que eu estou aqui. Naruto apenas quer três coisas para começar é discutir sobre as rotas de areia. – Hinata se levantou e começou a andar de um lado para o outro pela extensão da mesa. Hinata pensou naquilo como um exercício para se lembrar de cada coisa que o seu chefe havia lhe falado antes, mas aquele simples gesto, chamou a atenção dos guardas em cima da galeria que permaneciam desconfiados e prontos para atacar
— A primeira delas, — Hinata levantou um dos seus dedos. — ele quer a oficial dispersão de todos os membros da tríade para fora do seu território, sem exceção. Segundo, ele quer que Tomoyo seja retirado do conselho o mais rápido possível, porque ele se sentiria muito mal em ter que matar um dos membros dessa amável mesa. O quanto antes melhor. Principalmente, o senhor tio Hidan, eu sei o quanto você gosta de ter os seus amigos por perto.
— Apenas Naruto pode pedir a exclusão de alguém, querida. – Hidan se pronunciou rapidamente, antes mesmo de Tomoyo que era o mais afetado. – Talvez o melhor seja termina essa reunião, poque nada que essa menina fala faz qualquer sentido. E, Naruto, simplesmente, nos humilha enviando-a aqui.
Hinata sorriu, assistindo a sua descompostura. — Você foi mais amável na última vez que encontramos. – Hinata debochou suavemente. — Eu já disse que o Naruto não tem interesse em se reunir. E as condições deles não vão mudar. Ele não tem interesse nos lucros da rota de areia.
Nagato levantou-se batendo na mesa, explodindo em seu temperamento irascível. — Isso é mentira! Ele é o que mais precisa, ele perdeu tudo quando o porto explodiu.
Hinata sorriu. — Não me diga que você também caiu nessa...? Na verdade, Naruto gostaria de agradecer pelas explosões em seu negócio, aquele lugar dava mais despesa que qualquer outro de seus negócios e já queríamos demolir, mas alguém foi mais rápido. – O sorriso de Hinata se expandiu. – O que me leva a terceira condição de Naruto: ele quer receber o valor de cinquenta por cento em cima de todos os produtos que passarão por sua área. Nem mais, nem menos? Então, o que me dizem, qual a resposta? Sim ou não?
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