Guarda-costas
40 Capítulo quarenta
Notas iniciais
— Porque você está olhando o seu telefone com tanto afinco?
Naruto sentou-se ao lado de Hinata após deixar todos os pratos na mesa de centro da sua sala. Os dois haviam colocado um dos filmes de Resident Evil, enquanto estavam comendo. Nenhum dos dois se incomodando com as diversas cenas nojentas que passavam na tela.
— Eu pedi para Sasuke dar uma olhada em uma coisa para mim, mas ele não está me respondendo.
Naruto tomou o celular da sua mão e jogou em cima do sofá. — Sasuke de novo?
Hinata observou o seu celular sendo jogado descuidadamente e rosnou para ele. — Ei! Esse é o meu celular, idiota.
Ele a ignorou. — Você está pedindo de novo para ele fazer coisas para você, assim como você pediu para ele queimar aquela policial que vivia me perseguindo… Sem sequer falar comigo primeiro.
Hinata abriu a boca irritada. — Quem disse que eu fiz isso? Hein? Eu lá me importo com uma doida querendo dar um tiro na sua cabeça...
Naruto sorriu e colocou carne prato dela. Aquela parecia uma boa tática de persuasão, porque assim que a carne bateu no prato, toda a atenção dela foi desviada. Ela pegou um hashi rapidamente, mas antes que ela pudesse pegar a carne, ele a puxou para os seus braços em um longo beijo.
Ela parecia adorável, quando estava brava e a compulsão de beijar havia sido simplesmente forte demais para resistir, mesmo que ele quisesse. Suas línguas brincavam uma com a outra e Naruto aproveitou a oportunidade para os aproximar ainda mais.
Hinata era nova em tudo isso e Naruto utilizou toda a sua experiência para fazê-la aproveitar cada segundo do que deveria ser a sua punição. O coração dela vibrava e borboletas voavam por todas as partes no seu estômago.
Ele a largou e começou a colocar comida no prato que estava na frente dela, como se o beijo não tivesse acontecido. Hinata suspirou lentamente, sentindo o cheiro do perfume dele sendo impregnado na sua roupa e ela desejou outro beijo do mesmo estilo, talvez um pouco mais… forte?
Ela sorriu com o pensamento completamente inapropriado, mas logo fechou o sorriso no seu rosto e alcançou a água em cima da mesa, buscando se acalmar. Ela não estava no seu estado normal.
Ela sabia muito bem que Naruto estava a beijando apenas porque ele achava que ela odiava tudo aquilo. Ele mal sabia que ela estava curtindo bastante toda aquela língua..
— Coma, vai esfriar! — ele disse e colocou uma tigela de sopa ao seu lado.
Os dois comeram silenciosamente por algum tempo e quando Hinata sentiu que já tinha voltado aos seus sentidos, ela voltou a falar.
— Dessa vez, eu começo com a pergunta. Na verdade, é uma coisa que eu quero saber a bastante tempo.
— Fala.
— Porque você gosta tanto de ficar esfregando a minha testa? — Hinata perguntou mostrando todo o aborrecimento que sentiu durante esses três meses. — Aquilo é doído e humilhante.
Naruto sorriu e parou de comer, preferindo observá-la enquanto respondia.
— Você lembra da primeira vez que eu fiz isso em você?
— Claro! Você estava agindo como um psicopata.
— Eu estava realmente bravo, porque você não deveria ter entrado no meu escritório sem permissão. — ele apertou seu nariz, antes que ela pudesse afastar a sua mão com o hashi. — Mais que isso, você não deveria ter subido naquele andar em hipótese nenhuma.
— Porque isso? Ainda hoje você não deixa ninguém subir.
— Porque eu não gosto dos outros no mesmo ambiente que eu. E eu não confiava em você naquela época.
Hinata gargalhou. — Você continua não confiando em mim hoje em dia.
— Coisa diferente. Eu sei que você não vai me matar assim que eu piscar os olhos.
— O que? — Hinata parou de comer e se voltou para ele. — Ninguém vai te matar se você piscar os olhos Naruto. Você é desconfiado demais.
— Eu tive que ser, durante toda a minha vida. Quando eu era criança eu tive que cuidar das minhas costas porque eu era destinado a ser o braço direito do filho do chefe quando ele nascesse. Depois, quando eu saí de casa, eu tive que olhar por cima dos meus ombros o tempo todo porque alguém poderia tentar me usar para afetar a minha família. Quando eu briguei com a minha mãe e todos os Uzumakis, a minha desconfiança se tornou uma questão de preservação. Eu poderia ser condenado a morte por ter desertado da família. Depois de tanto tempo sendo assim, eu me tornei apenas dessa forma.
— E porque você continua deixando eu me aproximar? — ela perguntou curiosamente. — Por tudo que você sabe sobre mim, eu poderia estar usando a minha profissão de guarda-costa apenas para me aproximar de você. E quando você menos perceber, eu vou…
Hinata pegou os Hashis e imitou uma apunhalada.
Dessa vez, Naruto gargalhou. — Não acredito isso. Eu sei que se você quiser fazer algo contra mim, você simplesmente vai me chamar para uma luta e falhar miseravelmente tentando me vencer.
Ela rolou os olhos em óbvio desgosto. — Não contaria com isso por muito tempo. Você está velho... Daqui a pouco as suas juntas vão começar a enferrujar e eu vou chutar a sua bunda daqui até…
Naruto segurou os seu rosto interrompendo o seu discurso e virando-a na sua direção. Hinata leu claramente as intenções nos olhos azuis e virou a cabeça impedindo o ato que estava vindo.
— A gente está comendo, isso é nojento!
Ele sorriu um pouco mais e jogou o peso do seu corpo em cima dela, encostando a sua costa no carpete. Hinata tentou impedir a aproximação, ao mesmo tempo que fechava os olhos esperando outro beijo. Mas, diferente do que ela imaginava, Naruto foi para a sua testa, esfregando-a impiedosamente.
— Filho da puta para com isso.
— O que você achou que eu ia fazer? — ele sorriu.
— Para!
— Se você me disser diz o que você prefere, talvez da próxima vez eu realmente chupe seus lábios.
Ela bateu no seu ombro.- Vai se foder!
— Eu também poderia te fod…
Hinata pegou o copo de água que estava em cima da mesa de centro e jogou pela sua cabeça. A água interrompeu as palavras sujas que estavam saindo da sua boca e a surpresa do banho foi o suficiente para paralisá-lo por completo.
Hinata, no entanto, não ficou completamente imune a própria travessura, porque toda a água que descia de cima de Naruto, atingia ela diretamente no rosto.
Naruto levantou seu corpo de cima do dela e Hinata levantou para não se engasgar com a água que entrava pelo seu nariz. No final, mesmo que Naruto tivesse sido o primeiro atingido, ela tinha sido a pessoa que quase havia morrido afogada com o próprio ataque.
— Idiota! — Ela disse levantando do chão, mas ele sorriu e não a deixou escapar, puxando-a em direção ao seu abraço.
Hinata se viu sentada no colo de Naruto que estava com o cabelo molhado e com um sorriso divertido nos lábios.
— Não acredito que você prefere morrer a receber a sua punição.
— Para de me provocar!
— Não consigo. é… natural. — Ela tentou sair de cima dele, mas ele a prendeu com os braços. — Você quer saber a resposta da sua pergunta ou não?
— Que pergunta?
Naruto levantou uma das mãos na direção da testa de Hinata e com o nó dos dedos esfregou a sua pele. — Porque eu faço isso com você.
— Fala! — Hinata parou de se mexer e o escutou. Como ela estava no seu colo, ela estava acima do nível dos olhos dele e a sensação por mais que fosse estranha, não era exatamente ruim. Mesmo que ela ainda estivesse muito aborrecida com ele.
— Bom, porque fiz a mesma coisa com o meu pai. Eu entrei no escritório dele sem permissão, quando eu ainda era muito jovem para entender qualquer coisa e, naquele momento, ele estava interrogando um homem que havia cometido um deslize nas entregas de drogas da família. — Naruto ajeitou alguns fios molhados grudados na testa de Hinata. — Ele me viu espiando e, justamente, porque ele era o braço direito de Minato, ele deveria me repreender por ter feito isso. De forma mais que exemplar! — Naruto tinha um sorriso saudosista no rosto que Hinata nunca tinha visto antes. — Como eu era uma criança, ele não tinha coragem de me bater, então ele fez isso comigo. Esfregou nossas testas. — ele encostou a testa dos dois, mas os pensamentos dele haviam viajado alguns anos no passado, provavelmente, no momento da sua punição. — Eu odiava também, eu me sentia como uma criança.
— A idiotice é de família. — foi o único comentário de Hinata.
Isso chamou a atenção de Naruto. — Você está falando do meu pai, sabia?
Ela sorriu e se afastou, quando ele colocou ambas as mãos na sua nuca. — Se você fizer isso eu vou te bater, real.
Mas, ele não tocou em lugar nenhum das testa dela., dessa vez, ele foi para a sua boca, roubando o seu ar, em um único impulso. O beijo não se aprofundou, mas quando ele se afastou, ela apenas passou os braços pelo pescoço dele.
— Porque, você está fazendo isso? — ela perguntou ainda com os olhos fechados, pensando em todos os beijos que eles haviam trocado hoje.
— Não sei. — ele sorriu. — Estou entediado… Talvez.
— Uau, você poderia tirar o seu tédio de outra forma. — ela abriu os olhos.
Naruto levantou a sobrancelha maliciosamente. — Hum… E o que você tem em mente? — Ele a pressionou mais perto do seu peito de forma sugestiva.
Os olhos de Hinata brilharam. — Que tal você me ensinar aquele movimento de engate de mãos que utilizou com o Konohamaru naquele dia. Eu quero usar a mesma coisa com o Chouji.
Naruto lhe encarou com o seu sorriso ainda maior no rosto. — Eu posso fazer isso agora!
Ela percebeu para onde estava indo os pensamentos dele e gritou. — Não!
Ele a jogou para o carpete e em um movimento rápido de mãos a colocou de peito para baixo, prendendo a suas mãos atrás das costas. Ela tentou se desvencilhar, mas encontrou novamente a barreira da diferença de peso e força.
Ele sorriu no seu ouvido e ela ficou sem ar com o esforço de tirá-lo de cima. Naruto percebendo que ela já estava ficando vermelha e sua resistência havia diminuído consideravelmente, a virou no carpete e tirou o ar dela de outra forma.
Os lábios dos dois se chocaram suavemente, antes de Naruto aprofundar o beijo. Ela não tinha qualquer escolha a não ser prender os braços atrás do seu pescoço e se deixar levar pelos choques de excitação que tomavam o seu corpo.
Naruto puxou a sua perna para prender na sua cintura e ele aproveitou a posição para acomodar sua ereção entre as pernas delas. Ela sentiu a sua excitação, mas nenhum dos dois foi longe demais, porque Naruto foi novamente o primeiro a se afastar.
— A comida vai esfriar.
xxxxxxxxxxxxxxxxx
Quando Kiba entrou no prédio de Sakura e Hinata já era bem próximo da meia noite e ele estava completamente animado pelo convite. Não que ele esperasse que as suas investidas tivessem dado finalmente certo, mas ele meio que tinha um ponto de esperança se armazenando no peito.
Subindo pelo elevador, ele apenas imaginou como seria finalmente sentir a pele de Sakura na sua ou beijar aqueles lábios rosados. Ele sorriu olhando para o espelho na parede do elevador vendo se estava pelo menos decente para o encontro.
Ele tinha acabado de sair do trabalho, então ele ainda estava vestido com o seu surrado terno e calças sociais. O seu rosto estava com uma aparência cansada pelas duas noites que não havia dormido cuidando dos detalhes de segurança de uma operação que o seu chefe Shikamaru havia lhe entregado especialmente.
Mas, ele tinha um sorriso bonito o suficiente para manobrar a cara batida.
Ele já estava na frente do apartamento e bateu na porta apenas duas vezes, antes de Sakura abrí-la.
Inicialmente, ele não percebeu o clima, mas assim que observou o sorriso de boas vindas de Sakura, ele notou que algo não estava certo. A sua libida diminuiu para a estaca zero.
— O que aconteceu?
— Entre, Kiba, por favor!
Kiba entrou no apartamento e ele não conseguiu enxergar o ambiente alegre que geralmente o acolhia de primeira. Parecia que faltava um pouco da alegria de Sakura ou da selvageria de Hinata.
— O que aconteceu? — ele perguntou novamente preocupado.
— Você não quer beber ou comer algo? Naruto comprou um monte de coisas para Hinata comer e ela deixou aqui, quando voltou para casa com ele.
Ele pensou que era melhor não pressioná-la para falar qualquer coisa, então aceitou a bebida e um dos vários salgadinho que estava em uma cesta. Nenhum dos dois teve muito gosto na sua boca.
Sakura e Kiba haviam se tornado amigos, além da óbvia paquera que ele jogava nela em cada oportunidade. Ele participava das suas exposições, comprava até mesmo alguns dos seus quadros que passavam em muito do valor que ganhava no seu trabalho de guarda-costas.
Até que uns dois meses atrás os dois pararam de conversar como antes. Ele por causa do trabalho e ela simplesmente estava ocupada com a própria vida. No entanto, agora ele se perguntou se ter cortado a comunicação por um tempo pode ter deixado ela chateada de alguma forma.
— Eu queria te pedir um favor. — ela disse, mas antes mesmo de terminar a frase ela tinha lágrimas pinicando nos seus olhos.
Kiba largou o pacote de salgadinhos na sua mão e tocou levemente na mão de Sakura. — O que foi que aconteceu, Saku?
— Eu quero te pedir uma coisa, mas isso tem haver com uma coisa que a Hinata me contou e eu não sei se é certo eu pedir para você.
— O que?
— Eu soube que antes de se juntar com Shikamaru você fazia alguns serviços como... Hacker.
Kiba sentiu a sua respiração suspensa. O que diabos? Como ela poderia ter esse tipo de informação? A única pessoa que sabia do seu passado era Shikamaru e justamente porque havia sido ele a pessoa que tinha o tirado da prisão.
Mas, Hinata estava com ele no dia que Shikamaru foi buscá-lo… Óbvio, isso fazia sentido. Hinata tinha contado para Sakura. Para uma guarda-costas, ela abria demais a boca.
— Eu não faço mais essas coisas. Se é isso que você quer, então eu vou indo.
Kiba colocou o copo no balcão com força desnecessária. Ele não gostava de ser lembrado do seu passado, muito menos por alguém que supostamente não deveria conhecê-lo. Ele era uma outra pessoa agora, e não gostava de ser usado para o interesse de outras pessoas.
— Kiba…
A voz de Sakura que era quase um sussurro inaudível foi a única coisa que o impediu de correr para fora daquele apartamento. Ele já havia ouvido sons semelhantes àquele. Foram sons assim que o fizeram andar pelo lado errado da lei, durante toda a adolescência.
— Hinata não entrou em detalhes sobre você e eu não quero que você a culpe pela minha intransigência. Ela apenas me disse que você era muito bom com computadores. E conhecendo você o pouco que eu conheço, eu sei que tudo que você fez foi para ajudar outras pessoas...
— Eu fiz por dinheiro, Sakura, muito dinheiro. Mas, eu não faço isso mais, mesmo se você tivesse o dinheiro para me pagar.
Ela parece cabisbaixa. — Desculpa, eu te chateei.
O som da voz dela o fez voltar para o balcão e sentar novamente. Ela parecia devastada e a curiosidade do seu passado que sempre o meteu em problemas durante toda a sua adolescência, voltou com força total.
— Me diga o que aconteceu. Exatamente tudo o que aconteceu. Se você não me contar eu vou descobrir sozinho e isso não vai ser bom para você. Depois que você me contar eu te digo se eu te ajudo ou não. Em troca, você não vai contar sobre mim para mais ninguém e não vamos nunca mais tocar nesse assunto. O que você acha?
E Sakura lhe contou tudo o que aconteceu nos últimos três meses e ele sabia antes mesmo de ela terminar toda a história que ele ia voltar a ser o seu eu antigo apenas para tirar aquele olhar amedrontado do rosto dela.
Fale com o autor