Guarda-costas

91 Capítulo noventa e um


Notas iniciais
Capítulo mais leve! Por que os outros personagens estão todos no hospital kkkkkk Avisos no final do capítulo!

Kiba olhava para o teto do seu quarto com raiva, enquanto fazia de tudo para ignorar a pessoa sentada na poltrona ao lado de sua cama. Ele estava deitado, puto da vida e na constante tentativa de descobrir formas de se livrar do seu novo cativeiro...

Hump! Novo cativeiro? Como isso poderia ser novo de alguma forma? Essa casa sempre foi um cativeiro, eu apenas me peguei em uma síndrome de Estocolmo maldita! Mas, isso havia chegado ao fim!

Ele olhou de esgueira para o homem de seu lado que calmamente olhava o seu tablet, bebericando a sua sempre presente taça de vinho. Kiba imaginava se haveria compartimentos escondidos de vinho por toda a casa, porque quando ele menos esperava, lá vinha o ruivo com uma taça renovada.

Kiba balançou a cabeça com força, vendo o seu foco sendo perdido de novo por algo tão banal. Esse estava sendo o seu problema, ele estava sempre distraído perto daquele mafioso, filho da puta, sequestrador, desgraçado...! Não existiam nomes suficientes para ele. Não depois dele ter colocado uma arma em sua cabeça!

— Você ainda está bravo? — Gaara perguntou com um tom frio e entediado, enquanto continuava encarando a tela de seu tablet. Será que eu estou com raiva? Vamos ver... Não sei, talvez... Como você se sentiria sendo um prisioneiro? Kiba apertou os olhos e suprimiu vários xingamentos que vinham na sua cabeça em uma sequência rápida e bastante hostil.

Após Gaara apontar uma arma para ele, Kiba ficou tão chocado com a amostra gratuita de violência que havia ido para o seu quarto sem qualquer reclamação. Uma semana sem sair daquele lugar, trancado na porra do seu quarto, como se ele fosse uma criança de castigo por mal comportamento.

Kiba deveria ter feito um barraco, quebrado algumas coisas, gritado com ele. Com alguma sorte Gaara perceberia quão insana era a sua saúde mental e o chutaria para fora de sua mansão com medo da sua forçada bipolaridade ser contagiosa...

Mas, não. Kiba havia oferecido um contra-ataque diferente. O tratamento de silêncio para o ruivo.

Assim, Kiba ignorou todas as suas mensagens, comunicados e, até mesmo, as suas mais breves visitas. Aquilo tudo havia sido fácil no início, mas a cada dia ficava mais difícil. Simplesmente, porque as visitas dele ficavam ainda mais demoradas, transformado a sua autoproclamada guerra fria, em um verdadeiro martírio.

— Saia daqui seu filho da puta! – Kiba falou sem sequer olhar em sua direção.

— Se você está dizendo isso para o lustre, sinto muito te informar, mas ele não tem tal capacidade. – ele respondeu. Dessa vez, sua voz estava muito próxima de soar como um deboche... Pelo menos para os ouvidos de Kiba, para qualquer outra pessoa Gaara tinha a mesma monotonia no tom de voz. – Você vai me dizer como foi o seu dia? – ele perguntou.

Kiba bufou, pegando o seu travesseiro e escondendo seu rosto debaixo dele. “Como foi o seu dia?” Aquela frase retumbou dentro do seu cérebro por diversas vezes, justamente, porque isso parecia ser tudo o que Gaara conseguia perguntar para ele.

Todas as vezes que ele vinha para o seu quarto, ele fazia parecer como se fosse apenas uma pequena visita social para um amigo que ele encontrava todos os dias. Perguntando amenidade e desejando bom dia, boa tarde, boa noite, com a maior normalidade do mundo, o que apenas servia para aumentar a frustração de Kiba.

Mas, como será que poderia ter sido o meu dia? Confinado na porcaria de um quarto sem qualquer tipo de tecnologia, celular, computador, televisão, qualquer coisa que poderia de alguma forma ser usado para enviar ou receber mensagens. Meus dias estavam sendo um inferno!

Gaara sabia muito bem que ele havia passado dos limites com ele, mesmo que Kiba estivesse determinado a atrapalhar os planos do ruivo, na visão dele, Gaara poderia apenas ter feito o esforço de explicar o que estava pretendendo fazer... Os seus planos... As suas razões.

Mas, por que perder tempo explicando alguma coisa, quando você simplesmente poderia apontar uma arma na cabeça de quem você queria calar a boca?

Kiba estava percebendo que claramente a sua tática de silêncio estava longe de obter resultado, isso é o que acontece quando você tenta começar uma guerra fria com o próprio capitão inverno. Então, ele resolveu mudar de tática parecendo razoável e negociando sua libertação.

— Eu não entendo, porque eu estou preso aqui. Eu não posso simplesmente ir embora, porque você acha que eu vou simplesmente sair contando os seus planos – dos quais eu não tenho nenhuma ideia quais são – para todo mundo. Mas, ao mesmo tempo eu não posso ficar, sem ter um maldito guarda na minha porta. Isso significa que nenhum de nós dois confia um no outro, então me diga, por que você se incomoda em vir até aqui apenas assistir a minha miséria?

Gaara pareceu pensar por alguns instantes. — Você de alguma forma... Me diverte!

— Ótimo, agora eu sou um palhaço em um cativeiro. – Kiba voltou a se deitar na cama e a olhar o lustre em cima da sua cabeça.

Ele se perguntou como estava Hinata. Será que ela já havia descoberto o segredo de Sakura? Sakura não era nem um pouco estúpida. Ela arranjaria alguma forma de contar para Hinata o que havia acontecido com ela, mesmo após a sua morte, principalmente porque a sua situação poderia facilmente envolver Naruto.

Agora, o ponto era se Naruto conseguiria olhar além da cuidadosa fachada que Yumi colocou ao seu redor. Ela havia se feito de vítima a vida inteira, talvez durante algum tempo ela de fato houvesse sido uma vítima, mas depois do que ela havia feito com Sakura, muito pouco de sua, já ínfima, simpatia iria para ela.

Se Naruto conseguisse descobrir quem ela era a tempo, talvez Hinata não saísse machucada. Talvez, onde quer que Sakura estivesse, ela não estaria o xingando por ser um covarde e ter escolhido ir embora, deixando-a sozinha para lidar com alguém que ela nunca tinha lidado.

Ele sim, já havia sido obrigado a interagir com esse tipo vil de pessoa em seu antigo trabalho. Ele vasculhava cada resquício da assinatura digital das pessoas que eram seus alvos e não havia nada que determinava mais a personalidade de uma pessoa que o seu computador. Seu histórico de internet, o tempo que despendia observando vídeos, conversas e textos.

Tudo aquilo na palma da mão de qualquer pessoa que fosse apenas um pouco capaz. E Kiba não era apenas capaz, ele era o melhor.

Kiba não apenas tinha a capacidade de descobrir qualquer coisa que fosse apenas com um teclado em mãos, ele também sabia ler muito bem os dados que recebia. Ele sabia dizer se uma pessoa estava muito triste ou muito alegre, qual comida preferia, qual música gostava mais.

Conseguia descobrir a rotina e os pequenos hábitos. Para onde ia, de onde vinha. Em que horários geralmente dirigia. E até mesmo por onde andava. Que Deus abençoe o GPS e a falta de senso de direção das pessoas!

Todas essas habilidades acabaram se transferindo para a vida real e ele se orgulhava muito de conseguir ler as pessoas na vida real da mesma forma que uma pessoa online. Exceto...

Kiba olhou de relance para Gaara, apenas se irritando ainda mais. Ele não deveria estar com tanta raiva. Ele sabia que naquela casa ele nunca foi um convidado, apenas um prisioneiro de luxo... Ainda assim, aquela arma na sua cabeça foi demais!

Com raiva renovada, Kiba continuou a puxar Gaara, tentando atrapalhar a sua harmoniosa leitura. — Eu simplesmente não entendo, por que você não quer que as informações que o tenho sejam passadas para Naruto, ou pelo menos Hinata...

— Informações possuem preços dúbios, podem ser tanto uma vantagem ou uma desvantagem.

— Mas vocês dois não são amigos? Você ajudou Naruto quando ele quis encontrar a pessoa que estava o traindo. Você até mesmo investiu nos negócios dele e criou uma aliança de negócios com ele logo depois. Então, qual é o problema?

Gaara olhou para Kiba pela primeira vez em toda aquela conversa. Ele ainda parecia relaxado, como se o que eles estivessem conversando não fosse nada muito importante.

— Naruto, não é meu amigo. Ele é apenas um parceiro de negócios. Nós dois temos uma relação mutuamente benéfica que eu nunca pensei que se tornaria tão boa. Contudo... Se ele for estúpido o suficiente para afogar sozinho, eu não vou emprestar a minha mão para ele se puxar para fora da água.

Kiba rolou os olhos.

— Em poucas palavras... Eu realmente não me importo se ele vive ou morre. Em ambos os casos os meus planos ainda permaneceram intactos.

— E o que Hinata tem a ver com isso? Pessoas como você adoram envolver pessoa normais nos seus problemas de merda. Foi isso que aconteceu com a Sakura, é isso que está acontecendo comigo. – Kiba estourou levantando-se da cama e indo até a poltrona onde Gaara estava sentado, bebericando a sua taça de vinho e olhando-o com toda a atenção possível. – O que me leva a uma nova pergunta, o que você pretende fazer comigo quando você conseguir tudo o que pretende de mim?

Os olhos de Gaara ficaram ainda mais alertas e Kiba percebeu algo diferente flutuar naquela orbes verdes. Era algo quente, muito atípico dos olhares gelados que Gaara sempre ostentava em seu rosto. E Kiba sabia que tinha se metido em problemas enormes apenas olhando para ele.

Naquela cena, Kiba estava de pé, olhando de cima para baixo na direção de Gaara que ainda permanecia sentado. Toda a vantagem da situação parecia pertencer ao moreno, mas Kiba não se iludia com aquelas impressões. Gaara era lobo demais para se deixar ser transformado em presa.

Gaara sorriu levemente e se levantou, apenas com aquele movimento toda a aparente vantagem de Kiba foi embora. Em pé, Gaara ultrapassava sua altura em alguns centímetros e Kiba precisou olhar um pouco para cima, para encarar os mesmos olhos verdes.

Havia um toque de selvageria que Kiba nunca tinha visto antes e, apesar dos instintos dele estarem gritando a plenos pulmões para ele se afastar, Kiba apenas fincou o pé no chão, não recuando um passo. Aquilo seria um erro fatal na frente de um predador.

Gaara avançou em sua direção, deixando apenas alguns centímetros entre o dois. Kiba podia jurar que sentia o calor dele, invadindo o seu espaço pessoal e deixando-o levemente aquecido.

Gaara aproximou o seu rosto do rosto de Kiba e ambos se encararam pelo que parecia muito tempo, mas foram apenas alguns segundos. Gaara se aproximou ainda mais e Kiba se deixou levar por aquela aproximação, deixando suas pálpebras caírem lentamente...

Mas, Gaara apenas sussurrou em frente aos seus lábios.

— Nós não estamos nem perto de eu conseguir tudo o que eu pretendo de você, Kiba... Nem perto.

Com isso, ele terminou a sua taça em um único gole e saiu do quarto. Kiba permaneceu parado, sentindo-se completamente idiota.

Ele realmente tinha um caso grave de Estocolmo!

Notas finais
AV 1: Vou mudar meus dias de postagens para segunda feira. Eu não estou conseguindo editar os capítulos no domingo, por que esse está sendo o meu dia mais ocupado, então, vai ficar mesmo na segunda! AV 2: Comentários - Galera, tem alguns capítulos que eu acabo não comentando os comentários de vocês, isso não quer dizer que eu não os leiam. Eu leio todos os comentários e adoro cada um que você escrevem para mim, o problema é que agora eu acompanho os comentários de vocês assim que um deles ocorre, por email e notificação. Espero que as novas atualizações do site, permitem as respostas pelo email, mas, enquanto isso, eu espero que vocês entedam que, em alguns capítulos, eu não vou conseguir responder a todos. MAS, POR FAVOR, NÃO DEIXEM DE COMENTAR! Isso me deixa muito feliz. Fora isso, saibam que a NHL está voltando! Finalmente, para quem é fã de hockey! kkkkkk Tipo eu! #GoLeafsGo