Guarda-costas
52 Capítulo cinquenta e dois
Notas iniciais
Gaara continuou sentado no sofá confortavelmente observando o homem sentado em uma mesa olhando mais que desconfiado para todos os lugares, enquanto comia o jantar.
Ele estava em seu poder a quase um dia e até o momento ele mantia a imagem de menino inocente que não sabia de nada. Gaara não era estúpido e nem gostava de perder tempo, mas tinha o pressentimento que aquele homem poderia saber algo para lhe ajudar nos seus planos.
Além disso, ele não era uma coisa ruim de se olhar.
O homem que se chamava Kiba tinha a pele morena exótica muito rara de se encontrar no Japão e que pertencia quase que exclusivamente para países da América do Sul. Os seus cabelos eram pretos um pouco mais longo que os seus e os olhos eram realmente bonitos.
Kiba parou de comer e concentrou o seu olhar em Gaara antes de lhe lançar um olhar desagradável.
— O que é?
Gaara não respondeu e continuou a olhar fixamente para Kiba que começou a se mover desconfortável na cadeira. Ele quase queria sorrir pela expressão de pânico que percorria no olhar do moreno.
Ah! A irônia...
Gaara já tinha mandado dois dos seus homens para interrogá-lo sobre as informações que ele buscava, mas nenhum deles sequer riscaram a cobertura das defesas de Kiba, quanto mais descobrirem os segredos deles.
Agora, o Gaara olhando apenas um pouco para ele era o suficiente para ele estar todo desconfortável no seu lugar.
— Quando eu vou poder ir embora? — ele perguntou afastando o seu prato de comida e cruzando os braços.
A sua camisa estava com três botões folgados e o tecido completamente amarrotado. A sua barba já tinha crescido um pouco de um dia para o outro. Interessante!
— O que você está fazendo é cárcere privado. O que é um crime muito grave. Se você me deixar ir eu promete que não digo nada para ninguém.
— Descruze o braço e coma. — Gaara disse baixinho, mas foi o suficiente para chegar no ouvido de Kiba que descruzou os braços imediatamente e foi para o seu prato.
Kiba franziu o cenho e jogou o prato da mesa, o prato veio parar quase aos pés de Gaara.
— Eu quero ir embora. Eu já disse que não sei de nada. — ele saiu da cadeira e começou a andar de um lado para o outro. — Você não parece ser um homem fácil, então porque você simplesmente não vai atrás de quem você quer informação? Por que tem que ser eu?
Gaara não disse nada novamente. Ele não tinha intenção de responder nada àquela pessoa. Tão malcriada! Jogando comida fora!
Gaara se levantou e Kiba e não percebeu até que ele parou bem na sua frente. O susto foi suficiente para fazê-lo recuar um passo para trás, mas logo ele se arrependeu do recuou e firmou seus pés no chão.
Gaara conseguia ler os breves pensamentos que passaram na mente de Kiba, antes dele lançar um soco em direção ao seu rosto. Gaara não desviou recebendo o soco na sua mandíbula, ele dobrou o corpo em uma falsa submissão e quando Kiba deu a volta para correr, Gaara chutou o seu joelho o fazendo cair no chão.
Kiba tentou mover a perna para se levantar, mas percebeu que ela estava travada no lugar. Ele se virou e conseguiu ver que Gaara estava limpando a sua mandíbula no lugar onde ele tinha lhe dado um soco.
Que porra! Meu soco é fraco assim?
— Você realmente acha que consegue me subjugar apenas com isso?
Kiba respirou fundo, sua perna não se mexia e seus dedos do pé estavam começando a ficar dormentes.
— Eu não machuco pessoas inocentes, mas uma vez que você agiu de forma violenta… — Gaara se moveu em direção ao bar e pegou uma faca do balcão. Kiba estava de olho naquela faca a algum tempo e agora estava sendo usada pelo seu inimigo. — Eu acho que a sua isenção acabou.
— Eu não sei de nada. E porque a minha perna não mexe?
— Você não deveria estar preocupado com a perna. — Gaara chegou mais perto com a faca em mãos e Kiba tentou se arrastar para longe do homem que queria lhe matar.
— Que porra você está fazendo. Isso é agressão física! Eu sou apenas um guarda costas. Eu nem sou bom nessa merda! Um dos meus clientes quase foi baleado uma vez, porque eu estava conversando com uma mulher. Isso é quão ruim eu sou. Como pode ser que eu saiba alguma coisa sobre um membro da máfia?
— Você estava hackeando ele. E passando informações para alguém chamado Haruno, a mulher que você estava jantando ontem.
Kiba chegou em um beco sem saída assim que bateu em uma parede. Ele se sentou e olhou para Gaara que vinha na sua direção. — Ela é a amiga de uma amiga minha hahaha. — ele sorriu apavorado. — Eu só queria comer ela, mas acabou que ela era muito chata.
— Você hackeia a conta de um membro da máfia por uma garota que você só quer comer?
— A seca tá braba. — ele disse sentindo o seu sorriso morrer, quando percebeu que sem querer ele tinha concordado que havia roubado informações. Mas, ainda assim tentou contornar a situação. — E eu já falei eu não hackeei nada. Eu sou uma anta com coisa tecnológicas. Eu ainda ligo para as pessoas quando quero falar com elas. Olha que otário!
Gaara se abaixou perto de Kiba e levantou a faca. Ele tentou se defender, mas Gaara fez com o seu braço a mesma coisa que fez com a sua perna e no mesmo instante ele perdeu aqueles movimentos também.
Rapidamente, Gaara fez a mesma coisa com o resto de seus membros e Kiba ficou completamente sem qualquer forma de defesa. Mas, ao invés de tirar sangue dele como Kiba imaginava. Ele tinha outros planos. Ele sabia muito bem como assustar homens sem ter que forçar muito a sua mão.
Gaara desceu os olhos pelo corpo de Kiba de forma sugestiva e olhou de volta para as suas negras orbes. Kiba estava em choque com o súbito entendimento do que estava acontecendo e engoliu em seco.
Gaara pegou a faca e cortou a camisa de Kiba de cima a baixo.
— Que você está fazendo, porra? EU NÃO SOU BIXA!
Gaara abriu um pequeno sorriso. — Estou tentando achar alguma utilidade para você. Já que não sabe de nada, então, você não será mais necessário.
Gaara deixou a ponta da faca deslizar pelo abdómen de Kiba, traçando os gomos de sua um pouco antes de parar na beira da sua calça.
— Ok! — Kiba disse quando percebeu que a sua tão estimada pureza estava sendo ameaçada de forma tão inesperada. — Eu conto! Eu faço qualquer coisa.
O rosto de Gaara voltou a ficar frio como pedra.
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Hinata tinha bebido e ela não gostava de beber.
Ela sequer se lembrava do momento em que tinha entornado o primeiro copo, poderia ter sido quando Naruto voltou de uma das suas fugidas de festa e começou a dançar com uma das meninas na piscina.
Ela não conseguia se lembrar muita coisa depois disso, porque a festa realmente tinha ficado louca e todo mundo começou a tirar a roupa. Tudo se tornou um borrão regado a álcool.
Ela só se lembrava que depois dos primeiros copos, ela simplesmente tinha desistido de procurar garçons e foi para a cozinha pegar uma garrafa só para ela. Muito mais rápido e fácil.
Agora ela estava sentada na varanda no pequeno apartamento que dividia com Naruto. Ela não se atrevia a entrar no quarto, porque se ele levasse alguma mulher para o quarto deles o que ela faria, exceto ter que sair para eles se curtirem?
Pelo menos dessa vez ele não tinha a pedido para ela comprar camisinha para ele.
Ela engasgou com a bebida, enquanto tentava não sorrir lembrando que tinha comprado uma camisinha pequena demais para ele. Pequena mesma… Ela sabia disso por experiência própria.
Hinata sentiu sua bochecha aquecer com as lembranças da manhã e quase choramingou retirando a parte de cima do seu paletó, ela estava apenas com uma fina camiseta por baixo. Ela tinha se vestido tão bonita hoje... O seu segundo melhor terno foi completamente gasto em um dia terrível.
Uma sombra lhe cobriu, mas ela não se importou em descobrir quem tinha a encontrado naquele estado, pegando o litro de álcool para outro gole. A bebida, no entanto, não chegou na sua boca e a garrafa foi arrancada da sua mão com certa violência.
Ela olhou para cima com raiva procurando o seu mais novo desafeto, talvez ele quisesse uma briga. Isso seria o melhor acontecimento do dia. Mas, levantando os olhos, ela encontrou a única pessoa que não queria ver naquele momento.
Naruto a estava olhando de forma muito irritada.
Ele estava apenas de calças jeans e ela conseguia perceber marcas de batom em seu pescoço e peito. Mas, porque ele estava com raiva dela, quando tratava aquelas pessoas na piscina de forma tão gentil? Só ela merecia raiva?
— De-volve! — Ela disse levantando a mão para buscar a bebida, mas a única coisa que Naruto fez foi sentar a sua frente na varanda do apartamento. Era um lugar apertado e ela se surpreendeu que ele coube. A bebida, no entanto, ele colocou atrás das suas costas, bem longe de seu alcance.
— Você esteve aqui esse tempo todo? — ele perguntou apertando os dentes.
Ela se surpreendeu com a forma como eles estava irritado e tentou puxar na cabeça o que tinha feito de errado durante todo a tarde em que ele estava festando. Já era um pouco mais de sete horas da noite e ela não conseguia se lembrar de nada.
Exceto, o óbvio… Ela deveria estar lá em baixo... Cuidando dele e não bêbada na varanda do apartamento que eles dividiam.
— Onde mais eu estaria?
— Não sei, talvez andando pelas ruas sozinha. — ele disse aumentando o tom de voz, mas logo respirou fundo antes de abaixar novamente. — Eu entendo você estar com raiva, mas porque você não atendeu minhas ligações ou mensagens. Porque, porra, você simplesmente não avisou para qualquer pessoa, qualquer uma, para me dizer que você estava aqui? Hein?
Hinata esbugalhou os olhos e tentou formular algum pensamento coerente na sua cabeça por baixo da neblina de embriaguez. — Porque você está gritando comigo?
— Porque!
Ele deu um soco na grade da janela o que a tomou completamente de surpresa. Êta merda! Ela que havia bebido porque ele que estava agindo como um louco? A mão dele começou a sangrar, mas ele sequer lançou um segundo olhar para a mão castigada, focando em encará-la em uma mistura de emoções que ela nunca tinha visto antes nos seus olhos.
— Por que eu estava louco te procurando pela cobertura, jurando que eu te encontraria morta com um tiro na testa. Por isso, Hinata.
— Que?
Ela tinha o deixado louco? De verdade? Porque qualquer um que visse a forma como ele tratava outras mulheres na sua frente pensaria muito diferente daquilo. Pensaria que ela era uma simples guarda-costas, alguém sem importância nenhuma para ele.
Alguém que estava alí para levar tiro e não receber beijos assustadoramente quentes.
Hinata ficou um pouco assustada com tudo aquilo que ele estava falando, era quase como se eles estivessem em um sonho e que quando ela acordasse ela estaria apenas com uma ressaca incrível.
Mas, aquilo não era um devaneio, era realidade. Ela tinha feito ele se importa nem que fosse um pouquinho, certo? Ela quase ficou feliz com a descoberta, porque aquilo significava que ela finalmente tinha tirado tirado um pouco do frio e da dor que ela sentia percorrer por todo o seu corpo. Ela estava aliviada por saber que ela não era a única perdendo a cabeça.
Mas, ao invés de sorrir, ela engoliu em seco, porque aquela raiva nos olhos dele, ela já tinha visto antes direcionada a pessoas bem mais perigosas e só significava uma coisa.
Ela estava fodida!
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