Guarda-costas

107 Capítulo cento e sete


Notas iniciais
Boa leitura!

(Quem quiser um pouco de contexto, basta ler o capítulo 78 novamente – momento no qual Gaara mata Tsunade)

Gaara era o tipo de pessoa simples, ele não particularmente gostava de destruir com a mente dos outros antes de matá-las. Ele era rápido, meticuloso e direto. Apenas um tiro na cabeça resolvia todos os seus problemas, porque ele sabia que a espera algumas vezes deixava ao acaso o resultado.

Contudo, quando era necessário, ele era capaz de fazer qualquer tipo de joguinhos mentais, sem sequer pensar duas vezes.

Aquela era justamente uma dessas situações. Afinal, ele lutou a vida inteira para estar naquela posição, que graça teria se ele apenas terminasse com um tiro na cabeça de cada um?

Na maior parte do tempo, o seu plano deu bastante certo, ele conseguiu a confiança de Naruto, tornando-se o seu parceiro comercial e aliado e, depois, a completa apatia de Yumi em relação a sua presença.

Nenhum dos dois percebeu as suas verdadeiras intenções, enquanto ele assistia de camarote a relação entre os irmãos apodrecer: Naruto com a sua completa ignorância em relação a verdadeira natureza da irmã e Yumi acreditando que a única pessoa que ela deveria se livrar era Naruto.

Gaara só precisou esperar o melhor momento para jogar as suas cartas.

Ele queria sorrir com a semelhança dos irmãos, ou melhor dos Uzumakis. Aquela família sempre se colocava em um pedestal inalcançável, eles tinham a mais absoluta certeza que ninguém seria capaz de chegar perto o suficiente para machucá-los — o que na maioria das vezes era verdade -, mas não com ele.

Muitas pessoas tentaram destruí-los antes: a Polícia, a tríade, pequenos e grandes inimigos que apareciam algumas vezes no decorrer de negociações sangrentas... O problema é que eles sempre chegavam tão arrogantes quanto os próprios Uzumakis. Eles não eram corajosos, ou criativos, ou capazes na preparação de seus planos de aniquilação, mas Gaara era tudo isso e mais um pouco.

Na verdade, ele tinha de sobra uma única qualidade que resumia tudo o que era necessário para destruir aquela família: paciente.

Ele esperou a vida inteira, se escondeu como um rato para sobreviver, ficou mais forte por conta própria, terminou de fortalecer o poder da sua família e utilizou todo o sentimento de culpa que outras pessoas tinham em relação ao massacre da sua família apenas para evoluir bem debaixo dos narizes deles.

Gaara sabia muito bem que se não fosse pela sua impecável paciência, se ele tivesse mostrado a sua verdadeira cara antes para o mundo antes que estivesse forte o suficiente para lutar suas próprias batalhas, nem ele, nem seus irmãos estariam vivos para assistir o final dessa história.

No entanto, agora perto do final, aqui estava ele, em uma posição de poder conquistada em cima do sangue dos seus pais, assistindo o seu inimigo perdido, confuso e irritado.

Ele conhecia aquele conjunto de sentimentos muito bem. E ele queria fazer com que outras pessoas sentissem aquele mesmo estado de angústia e aflição, afinal, não era sempre que as pessoas responsáveis por toda a desgraçada da sua vida apareciam tão vulneráveis na sua frente.

— Gostou da surpresa? Não é sempre que se tem a oportunidade de conhecer o irmão depois de tão velho. — Gaara perguntou abaixando a cabeça e falando próximo ao ouvido de Yumi. — Sabe o que é mais engraçado? Você era a única que não sabia disso.

Yumi não conseguiu afastar a surpresa nas suas feições. Os seus olhos suavizaram pelo choque e por breves momentos ela parecia bem diferente da Yumi que matava e destruía, utilizando pessoas inocentes apenas para alcançar os seus objetivos.

Gaara quase sorriu, considerando patético o fato de tal olhar se esboçar no rosto de uma pessoa tão infame, mas ele entendeu a surpresa, afinal, não era sempre que se descobria que você não era a maior filha da puta da história.

Gaara segurou o queixo de Yumi, desviando o olhar dela do seu e a virando de volta a Naruto que agora simplesmente não esboçava mais qualquer reação, exceto raiva.

— Para alguém que se dizia tão esperta, você é realmente estúpida! – ele esboçou um leve sorriso, aproximando o seu rosto do dela. — Olha a cara dele, Yumi... Ele não tem uma aparência, digamos que... um tanto quanto familiar? Eu particularmente descobri desde o ínicio...

Gaara observou Naruto também. Os olhos azuis claros que pareciam tão absurdamente lindos, raivosos e frios. A boca bem delineada, carnuda. A pele branca que parecia ter uma textura deliciosa nos dedos. O corpo alto de músculos trabalhados...

Qualquer um que o visse sentiria borboletas na barriga e uma imediata atração, mas em Gaara a única reação que causava era nojo, repugnância... Um sentimento tão violento que ele segurou o queixo de Yumi com ainda mais força, apenas para se impedir de alcançar a faca nas suas costas e começar a despedaçar toda aquela perfeição, apenas pelo bem do seu próprio entretenimento.

Aquele sentimento o levou para um momento que assombrava seus pesadelos a muito tempo, algo que ele gostaria de esquecer, mas que nunca conseguiria arrancar da sua cabeça, mesmo depois que o seu corpo apodrecesse após a morte.

O único momento da sua vida que ele foi usado como o ponto fraco de uma pessoa...

— Por favor, Tsunade! – Kankura gritou se ajoelhando aos pés da mulher na sua frente. O seu pai estava sendo segurado por três homens, enquanto um quarto apontava uma arma na sua cabeça. – Por favor, deixe o menino ir. Ele é apenas uma criança!

Tsunade pareceu pensar por alguns instantes, era óbvio que ela estava surpresa com a aparição de Kankura naquela casa, principalmente, depois de ela ter mandado ele ir embora. Sua mente estava em branco... O que ela faria agora?

— Deixe-os ir, Tsunade. Ela é inocente e não vai correr atrás de vingança! O único interesse que ela tem é cuidar da nossa família!!

Tsunade de repente mudou as suas feições, ela olhou novamente o menino que se escondia tão mal dentro de um armário. Gaara não sabia o que ela estava e apertou a mão no peito pedindo a Deus que alguém ajudasse os seus pais.

— Família? – ela deu uma risada. – Vocês dois tem de fato uma bonita família...

Ela olhou para ele no fundo de seus olhos e, para ele, naquele momento, parecia que ela tinha escutado todos os seus pensamentos e orações, porque, no segundo seguinte, ela soltou uma risada diabólica. Ela parecia um monstro em seus olhos e tudo nela transbordava ressentimento e angústia.

— Você não voltou por causa daquele pequeno! – Tsunade apontou para Gaara. — Você voltou por causa desse filho da puta! – ela apontou a arma para o seu pai e atirou em seu peito.

— NÃOOO! – Kankura gritou a todos os pulmões, sentindo os soluços quebrarem na sua garganta. – Rasa...!

Ela tentou correr até ele, mas antes de o alcançar uma última vez, um novo disparo soou na sala e, dessa vez, o corpo de Kankura caiu no chão completamente sem vida.

Naquele momento, Gaara paralisou. Os olhos dela ainda estavam abertos cheios de terror, a sua boca aberta pelo grito da frase que não conseguiu terminar. Ela poderia facilmente parecer estar apenas caída no chão se não fosse pela feição aterradora em seu rosto e o pequeno furo em sua testa.

— Kankura... – O seu pai sussurrou tentando aproximar os seus dedos da mão de sua esposa, mas foi impossível para ele. Tsunade pisou na sua mão e o fez assistir o corpo de sua mulher, nos seus últimos instante de vida.

Gaara fez o mesmo, assistindo a cena que se desenvolvia lentamente. O seu pai deu um último suspiro, mas antes de morrer, os seus olhos se voltaram para ele. E foi naquele momento que Gaara não sentiu mais medo. O olhar do seu pai era de completa confiança. Ele confiava nele para seguir em frente.

Tsunade deixou de assistir a cena e se aproximou de Gaara que não fazia mais a mínima questão de estar escondido. Nos olhos dele não tinha lágrimas, ou surpresa, ou choque, eles eram simplesmente frios, carregando todo o legado que um dia o seu pai carregou.

O peso da família Sabaku. O peso da vingança que deveria ser realizada.

Tsunade abaixou-se para estar no mesmo nível do seu olhar e na sua expressão havia uma mistura de angústia que o enjoo, ela estava decidindo se o manteria vivo ou morto. E ela se decidiu rapidamente. Ele sairia vivo.

— Tsunade! – outra voz chamou no fundo.

Gaara olhou para o homem que entrava, cabelos loiros, olhos azuis, bastante novo. A sua roupa estava completamente manchada de sangue e terra. Era óbvio que ele vinha de uma luta feroz!

Gaara o conhecia como amigo de infância de seu pai, mas ele também era o mais novo chefe da família Uzumaki.

Minato Uzumaki.

— O que você fez, Tsunade? – ele aprecia chocado com a cena presente, mas Tsunade não lhe respondeu imediatamente, chamando um dos homens para pegá-los.

— O que planejamos, idiota! – ela respondeu, após deixar Gaara sobre a responsabilidade de um dos seus homens. O home o carregou para fora da sala, mas antes que estivessem completamente fora do seu campo de audição, Tsunade disse a última frase que selou completamente o destino de Yumi e Naruto. – Você disse que era para matar o desgraçado e qualquer um que se aproximasse e foi exatamente isso que eu fiz!”

— Bastante familiar não? – ele perguntou novamente para Yumi que abaixou o olhar, desviando de Naruto novamente. – Vamos, não seja tímida, ele está bem aqui na sua frente. Talvez você esteja emocionada por encontrar alguém que nem sabia que estava perdido?

Gaara largou o queixo de Yumi e olhou apenas para Naruto, ainda com um leve sorriso no rosto.

— Eu acredito que depois dos dezesseis começou a ficar difícil não notar a semelhança entre você e o Minato. Não foi por isso que você fugiu, Naruto? — Gaara provocou com um leve sorriso no rosto. — Você estava com muito medo de descobrir como foi que você nasceu tão parecido com o seu tio... – dessa vez ele sorriu descaradamente. — Mas, eu posso te adiantar o conto... Geralmente, envolve duas pessoas querendo passar algum tempo na cama um do outro. Se eu puder adivinhar... Bem, eu provavelmente chutaria que teve alguma coisa haver com a época que a sua mãe era prostituta em um dos melhores bares de solteiros da cidade... Os boatos que corriam na época é que ela tinha a melhor boceta de toda Tókyo. Será que eu devo contar a história completa de como vocês dois viraram dois irmãozinhos? Afinal, — ele olhou para o relógio de forma cínica. – não temos pressa nenhuma. Alguma oposição?

Gaara observou os dois amordaçados, eles olhavam um para o outro com idêntica e transparente raiva. Era quase como se eles nem prestassem atenção no que ele falava, mas Gaara sabia que nenhum dos dois deixava escapar sequer uma palavra.

— Bom, se não temos objeções... Era uma vez...

Notas finais
O capítulo de hoje está mais curto, porque eu estou estudando para uma entrevista de emprego! Me desejem boa sorte! Comentem! Qual é a visão de vocês do Gaara? Curiosa aqui! Spoiler: Os próximos capítulos serão flashbacks da visão de Kushina. próximo capítulo programado para o dia 17!