Guarda-costas

115 Capítulo cento e quinze


Notas iniciais
Desculpa ae galera *.*

— Você está apenas perdendo tempo e se cansando, sabia? Nós dois não vamos a lugar nenhum.

Hanabi fechou os olhos cansadas de escutar mais do mesmo. Sasuke não tinha qualquer desejo de continuar a luta que ela travava sozinha para proteger os dois. Não. Para ele estava tudo bem ficar sentado ali naquele buraco por dias esperando a morte. Como ele havia ficado naquele estado de completa passividade desde a última vez que eles se viram?

Hanabi duvidava muito que aquilo tinha algo a ver com o fato das suas pernas estarem inúteis, algo em seu comportamento simplesmente não estava certo e se perguntava se havia algum tipo de razão por trás daquilo.

Será que ele estava esperando pelo seu irmão? Talvez fosse essa exatamente a justificativa daquela apatia, afinal era muito mais fácil não se estressar esperando um resgate qualquer. Com Hanabi, as coisas já eram um pouco mais diferentes.

Hanabi não poderia apenas ficar calma e esperar que a sua irmã aparece do nada apenas para tirá-la daquela situação. Hinata não era da máfia, ela não era um bandido, ela não tinha conexões em todo o Japão, ela era apenas a sua turma mais velha teimosa que não sabia lidar com situações de vida ou morte. Ou melhor, que não queria lidar com nada daquilo.

Além disso, Hanabi não poderia sequer ter certeza se Hinata estava de fato intacta. A última vez que ela havia visto a sua irmã, não apenas ela estava em uma situação de briga com o irmão de Sasuke, como também tinha que enfrentar todas aquelas pessoas que haviam invadido a boate.

Simplesmente, haviam muitos inimigos e nenhum aliado. Como ela poderia ficar simplesmente esperando ali por uma coisa que raramente poderia acontecer?

— Não me faça gastar energia ficando com raiva de você, porra.

Sasuke suspirou porque era tudo o que ele sabia fazer. Aquela paciência também estava a irritando. Onde estava aquele homem que não aturava pirraça, grosseria e ser desobedecido? Quando ela era criança ela mais de uma vez provocou a raiva dele sendo completamente mimada, densa, petulante e mal-educada.

Ela não se importava com a posição dele em frente à Neji ou a sua idade que exigia respeito. Ela simplesmente se comportava com completa soberba chamando a atenção para si e consequentemente a raiva. Óbvio que aquela era uma coisa de criança e que ela só se comportava daquela forma porque era imatura, contudo, naquele momento ela queria provocá-lo até ver aquela raiva ressurgir, um pouco de fogo e revolta em uma pessoa tão fria.

Ela queria de volta o jeito mandão dele, a irritação sem sentido e os olhares mortais que eram lançados sobre ela, mesmo que ela fosse apenas uma criança. Com ele, ela sentiu pela primeira vez que era tratada de forma devida como a pessoa que merecia a sua posição e não apenas uma protegida do pai.

Também havia sido ele que havia a aberto os olhos em sua adolescência sobre o fato de que garotos não eram tão irritantes assim, ou pelo menos, não eram tão irritantes a ponto de ela se privar de beijar uma boca ou outra sem compromisso. E até mesmo mais que apenas beijar.

Mas aquilo eram águas passadas. Não havia mais para ela qualquer indício daquele homem de muito tempo atrás. Será que ele nunca havia sido assim para começo de conversa? Talvez a sua mente obcecada havia simplesmente criado uma imagem dele que não condia em nada com a realidade.

Mas, para o bem dele, era melhor que as coisas melhorassem, porque se ela arranjasse um meio de sair daquele buraco sem a ajuda dele, ela iria embora sozinha e ele que esperasse o irmão meia-boca dele.

Ela puxou as correntes mais um pouco a ponto da sua pele ficar ferida. Sasuke vendo isso, suspirou novamente.

— Pare com isso. A única coisa que você está conseguindo é se machucar.

— Então, faço alguma coisa, desgraça. — Hanabi gritou em frustração.

A frustração somada com a preocupação que ela sentia, estavam chegando no limite. Ela de fato só se machucava com aquelas tentativas todas e não havia nenhuma remota chance de melhorar. Seu humor estava regredindo se tornando ainda mais explosivo todo dia e a pessoa que a acompanhava não fazia com que ela melhorasse em nada.

— Você esta se preocupando à toa.

— Eu juro que se você falar de novo--

— Hanabi! – ele chamou seu nome como se fosse uma ordem para ela calar a boca e pela primeira vez em muitos dias, Hanabi de fato parou e escutou o que ele tinha a dizer.

Ela levantou os olhos em sua direção, assustada com a súbita explosão, e percebeu que os olhos pretos estavam vidrados nela. Ela finalmente tinha conseguido arrancar algum tipo de reação dele, Hanabi quase sorriu, porque aquele tipo de reação agressiva era muito melhor que os suspiros silenciosos de alguém que desistiu da vida.

Mas, a agressividade foi apenas para chamar o seu nome, porque ele olhou de relance para a câmera e voltou a se acalmar.

— Observe ao seu redor, Hanabi. — Ele falou mais silenciosamente, de forma que a sua voz não pudesse alcançar os dispositivos de microfone acoplados na câmera posicionada a alguns metros deles. — Observe a movimentação, observe o tanto de tempo que nós já passamos aqui e como somos tratados. Você não percebe nada de errado nisso?

— Que porra você está falando? — Ela perguntou no mesmo tom que ele.

— Existem muitas razões para alguém ser pego como prisioneiro por outra pessoa viva. Talvez você não saiba disso porque você nunca precisou estar nesse tipo de situação. Contudo, existem apenas dois motivos para que pessoas sejam colocadas em cativeiro e ainda te tratarem da forma que estamos sendo tratados. O primeiro deles é quando a pessoa é capturada para ser utilizada.

— E? – Hanabi parecia ainda mais confusa. — O que isso tem a ver com a nossa situação? É óbvio que eles não estão querendo matar a gente AINDA. Eles estão querendo nos utilizar contra outra pessoa. Isso eu já tinha percebido, qual é a novidade?

— A novidade é que você está errada. Nós não estamos encaixados nesse tipo.

— O que você está falando? Você está falando que a gente veio para cá para nada?

Ele voltou a suspirar. — Nós somos a distração, Hanabi.

— O que? Como assim?

Mas ao invés de se explicar ele voltou a se calar, trazendo mais dúvidas que respostas para ela. Ela tentou pensar novamente no que ele havia falado, principalmente na forma como eles eram tratados, mas nada apitou na sua cabeça, não em relação a ela pelo menos.

Mas, em relação a Sasuke sim. A câmera de gravação estava voltada quase que exclusivamente a ela. Ela foi transportada desacordada, enquanto ele não. Ela foi amarrada com correntes por todos os lugares, mas ele não.

Óbvio que poderia ser porque ele não tinha como fugir sozinho em uma cadeira de rodas, mas o que entregava mesmo, era o fato de todos os guardas parecerem estar preparados para receber uma pessoa deficiente.

Até mesmo o banheiro era adaptado.

Como ela tinha percebido isso antes?

Havia comida para eles a todo momento. E não era comida ruim. Eles poderiam ir ao banheiro, sempre que podiam, até mesmo foi permitido que ambos tomassem banho e trocasse as roupas de festas que estavam vestidos.

O que levava Hanabi a pensar que, ou eles haviam sido sequestrados pelas pessoas mais legais do mundo ou de fato eles não estavam ali como alvos ou iscas.

Algo, realmente, estava acontecendo. Mas mesmo com todas as dicas de Sasuke, ela ainda não podia adivinhar o que era.

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Gaara havia ido embora antes que Kiba acordasse. E ele já sabia que o momento que eles tiveram no sofá provavelmente seria o último que eles teriam. Tudo estava muito envolto em uma aura de pessimismo para Kiba achar que seria diferente.

Ele havia parado de ser amarrado a cama como um prisioneiro, mas haviam pessoas na porta, na sua varanda, nas saídas de emergência, e até mesmo a sua babá continuava a acompanhá-lo a todo instante por todos os cômodos da casa, sem desgrudar os olhos.

Ele era um prisioneiro novamente, só que em melhores condições que antes. O problema é que ele nem mesmo estava pensando em fugir, sua mente estava ocupada demais ficando preocupada com Gaara.

Por mais que houvesse tentado, ele sabia que era impossível falar com Gaara de forma que ele entendesse o que ele estava querendo dizer. Kiba queria que ele desistisse dessa merda de vingança, que ele seguisse em frente, que ele parasse de envolver tantas pessoas boas em coisas absolutamente ruins.

Ele queria que Gaara se libertasse daquele ódio. Mas, aquela era uma missão impossível.

Ele já havia ido longe demais para alcançar exatamente aquele resultado e Kiba não tinha qualquer intenção de passar pano para as atitudes dele. Afinal, ele sabia desde o início as intenções que Yumi tinha com Sakura e ainda assim não fez nada para impedir que uma pessoa inocente morresse.

Mas, aquilo era uma vingança. Vingança era uma coisa que completamente tirava a humanidade de quem a queria. Tudo era passível de ser justificável desde que se alcançasse o objetivo que se buscava.

Kiba sabia dessas coisas, por que ele foi assim durante muito tempo. Até que descobriu que as coisas que ele fazia em prol de se vingar pelos outros, muitas vezes machucava pessoas que não deveriam ser machucadas.

Como ele poderia lutar por justiça se as pessoas para quem ele conseguia justiça acabavam piores do que quando começavam? Gaara era assim. E, infelizmente, não tinha como haver mudança naquela situação. Ele simplesmente não enxergava mais nada na sua frente a não ser o desejo de vingar a morte dos seus pais.

A guerra que estava acontecendo lá fora não era nenhuma brincadeira. Não apenas as famílias estavam brigando umas com as outras, matando pessoas entre si, como verdadeiros cães raivosos, como também várias pessoas inocentes estavam sendo pegas no fogo cruzado nessa guerra da máfia. Pessoas que até pouco tempo atrás nem sabia que haviam organizações criminosas tão bem infiltradas no país.

E ele não podia fazer nada para mudar isso. Ele não tinha poder, capacidade ou simplesmente ambição de fazer as coisas melhorarem. Tudo que ele podia fazer era ficar parado esperando o resultado e torcendo, mesmo sem querer, pela pessoa que havia iniciado toda aquela confusão em primeiro lugar.

O que ele faria se Gaara não voltasse? Gaara havia dito que haveria ordens para a sua soltura, então ele simplesmente sairia pela porta sem pensar em mais nada?

E o que ele faria se Gaara voltasse? Ele simplesmente ficaria ao seu lado? Apoiando até que ele pudesse inventar alguma outra vingança para ter o que fazer?

Kiba não era otimista achando que uma vez que Kiba concluísse a sua vingança tudo seria um verdadeiro mar de rosas. Que ele perceberia as merdas que fez. Ou que ele simplesmente seria deixado em paz pelo outro lado.

Aquela seria uma guerra constante. Ninguém sairia ganhando com o passar do tempo. Esse era um tipo de ódio que apenas se renovava. Kiba poderia pedir que ambos fossem juntos para algum lugar quente e com praias, mas ele muito menos se mimava com a ideia de Gaara ir para onde ele quisesse, deixando que outras pessoas lutassem por ele.

Ele ficaria até o fim, porque era assim que Gaara era. Contudo, Kiba não era assim. Ele nunca havia pedido para participar de tal coisa e não gostaria de viver o resto de sua vida preso em um apartamento com pessoas lhe vigiando para que ele não fugisse ou corresse perigo.

Kiba jogou-se na cama.

— Por favor me deixa sozinho. – ele disse olhando para a mulher cuja missão era vigiá-lo de perto. — Eu quero pelo menos ficar sozinho sem ter que olhar tua cara.

A mulher bufou e olhou de esgueira em sua direção. Ela não o suportava, assim como ele não a suportava. — Irei para a sala, não se esqueça que todas as portas, entradas e saídas desse prédio estão vigiadas.

Então ela saiu, olhando com desdenho em sua direção. Era como se ela conseguisse ler a sua mente e todas as suas dúvidas, e pensasse “Até parece que você tem uma opção. Você realmente acha que depois que tudo isso passar ele vai te querer?”

Porque também havia aquela opção. Gaara poderia ficar entediado e o mandar para longe. Ou pior, poderia apenas querê-lo por perto como empregado. Isso definitivamente doeria muito mais.

Kiba ficou sozinho sem perceber que toda aquela movimentação estava sendo observada de longe para uma menina de olhos perolados.

Notas finais
Próximo capítulo dia 17, vou deixar uns espaços de 10 dias para postar agora, porque eu estou com medo de não cumprir o prazo de novo.