Guarda-costas
1 Capítulo um
Notas iniciais
Nada poderia ser pior do que uma paixão mal resolvida e quando essa paixão era por uma pessoa completamente fora do seu alcance a estupidez se tornava a sua sombra.
Hinata estava sentada do lado de fora do clube noturno, em meio a diversos sacos de lixo. Ela havia acabado de fugir da sua própria festa de aniversário surpresa, a qual os seus amigos passaram dias preparando para ela. Haviam até mesmo dançarinas exóticas nas mesas e ela estava se divertindo, até que ela o viu do outro lado da sala com uma menina em seu colo e um copo de bebida na mão.
O amor da sua vida que nunca – na verdade — havia sido nada mais do que um amigo.
Desde os doze anos, Hinata havia se apaixonado perdidamente por ele. Mas, na real, quem poderia estar apaixonada pela mesma pessoa até os vinte e um anos de idade, sem nunca ter conseguido se declarar?
A mesma pessoa que estava sentada agora do lado de fora de um clube noturno, em meio a ratos e latas de lixo — e um fedor muito estranho que vinha do canto mais escuro do beco — chorando e se sentindo traída por um cara que nunca havia sido seu.
E o pior era que ela não podia culpá-lo por isso.
Como alguém como ele poderia gostar de uma pessoa como ela? Ela tinha um temperamento ruim, não abaixava a cabeça para ninguém, não conseguia se enfeitar como uma bonequinha e dificilmente se comportava como uma e, além de tudo isso, tinha uma obsessão por futebol e pelo Messi.
Afinal, quem poderia dar uma bola de outro para Cristiano Ronaldo quando existia Messi no mundo? Hinata sentiu uma nova onda de lágrimas no seu rosto, quando se lembrou que quem estava ganhando as bolas de ouro agora era Modric.
O mundo era realmente injusto com ela.
Hinata pegou um lenço da sua calça e assoou o nariz com muita força. O som era horrível, mas ela não se importava, só haviam ratos e baratas para verem o seu momento de humilhação.
Ela se levantou, pensando em pegar um táxi e ir para casa, a sua festa já havia acabado e os seus amigos não se importariam com a sua ausência, quando haviam mulheres seminuas nas mesas. A única coisa que ela queria agora era chorar até chegar em casa e afogar sua tristeza em um balde de sorvete...
Algo voou em cima dela, tão rápido que sequer os seus reflexos a salvaram. Ela caiu por cima de um balde de lixo, e o cheiro de vômito foi mais violento que o súbito ataque.
Hinata tocou seu cabelo e sentiu algo grudento escorrendo sobre ele. E quando ela estava preparada para empurrar o idiota que tinha caído em cima dela para fora, um homem muito alto e muito forte o puxou pelo pescoço.
Por um momento, muito breve ela pensou que aquele havia sido o seu salvador, livrando uma donzela do perigo, uma verdadeira história de cavalheirismo, mas o homem sequer a lançou um olhar, se ocupando em prender o outro homem contra a parede, ignorando completamente a sua presença.
Ela tentou se levantar do chão, mas as suas costelas doíam mais do que esperava. Aquele desgraçado havia jogado uma pessoa em cima de mim?
— Me diga quem é você! – O homem gritou com a voz de um louco. – E onde demônios está Gaara!
— Ele não pode vir hoje ao encontro, ele estava ocupado. É só uma assinatura, porque o senhor está assim?
Hinata levantou lentamente do chão, pensando em ser educada. Até porque o homem não havia lhe visto, ela exigiria um pedido de desculpas e iria embora.
— Senhor, com licença…- ela começou.
— E ele mandou um ninguém falar comigo? – O homem a interrompeu, lhe ignorando novamente.
Hinata respirou fundo tentando afogar o seu temperamento, se aproximou dos dois e bateu no ombro do cara louco. Ele se virou para ela rapidamente, esquecendo o homem por um minuto. Os seus olhos se encontraram e logo ele começou a encarar todo o seu corpo, dos pés a cabeça, e a sua expressão era de total asco.
— Não me toque, sapatão. – ele voltou ao seu trabalho de sufocar até a morte o outro homem.
Hinata abriu a boca em choque e fechou e abriu de novo. De repente, sentindo o seu temperamento sair da coleira, de forma tão arrebatadora que ela completamente se esqueceu da costela machucada.
Ela estava simplesmente possessa. Com ódio, com vontade de matar, trucidar. Sapatão?
Em uma onda de adrenalina, Hinata pulou nas costas do homem louco com uma gana de machucar que era maior que a sua capacidade. Ela enrolou seus braços no pescoço dele e apertou com toda a força. O homem rapidamente largou o outro e tentou tirar os meus braços do seu pescoço. Não conseguiu.
— Sua doida, o que você está fazendo?
— Quem é a sapatão, hein? – Hinata também apertou a sua cintura com as pernas e assim que um dos joelhos dele falhou pela dor, ela larguei uma das minhas mãos do seu pescoço e comecei a dar socos na sua cabeça. – Você joga uma pessoa em cima de mim e age todo superior? Pelo menos olhe ao redor antes de jogar uma pessoa.
— Sai de mim, sua doida.
Ele puxou o seu braço do pescoço e a desequilibrou. Hinata caiu no chão batendo com a cabeça, mas ainda o segurava pela cintura com as pernas. Ele se levantou tentando se livrar da perna e ela permaneceu de ponta cabeça, segurando as suas pernas na cintura com ainda mais força.
O homem tentou se livrar das pernas, mas percebeu que isso era inútil. Ele virou as suas pernas até que ela estivesse de frente e a puxou pelo colarinho até que os olhos ficassem na mesma altura.
Ela não desistiu de lhe fazer dano e no momento que ele a pegou pelo pescoço, ela começou a socar a sua cara continuamente. Esse cara era um tarado de asfixia.
Vendo que nenhum dos dois pretendia abandonar o seu ataque, ela largou uma das pernas, segurou o braço dele e se alavancou para cima, alcançou com o pescoço com a sua perna, e prendendo-o em uma chave de braço improvisada.
Para qualquer homem isso, seria o suficiente, mas não com esse louco, ele era simplesmente muito forte. Antes de ela conseguir completar o seu aprisionamento, ele puxou o braço aprisionado para o seu peito, levando-a junto.
Os dois caíram no chão e ela sentou no seu peito, enquanto ele se livrava da perna no seu pescoço. Quando ele conseguiu, Hinata começou uma nova chuva de socos no rosto dele.
— Seu desgraçado, pelo menos peça desculpas. – ela gritou.
Ele a jogou para o lado com toda a sua força e os dois levantaram do chão ao mesmo tempo. O rosto dele estava coberto de sangue, contrastando brilhantemente como o seu cabelo loiro. Ela estava superficialmente em melhor condições, mas todo o seu corpo doía pelo esforço.
Ele se preparou para atacá-la novamente e ela estava pronta para outro round. Estava decidido, um dos dois iria morrer hoje.
Ele correu para ela e novamente ela pulou em cima dele, dessa vez pela frente, puxando o seu cabelo. Ele se surpreendeu com o meu ataque feroz e deu um soco no braço que insistia a ir no seu pescoço. Ela se desequilibrei novamente, mas, dessa vez, se segurou agarrando o seu peito com os meus dentes.
A mordida havia sido forte o suficiente para arrancar um pedaço e ele a arremessou para fora do seu alcance.
Cada um caiu para o lado frustrado, irritado. E com vontades assassinas. E quando os dois estavam se preparando para levantar novamente, a sombra de um homem apareceu no meio dos dois, vindo pela porta aberta do clube no qual ambos haviam saído.
E não era nada mais nada menos que Sasuke.
O homem que ela amava.
— Não esperava que vocês fossem se conhecer dessa forma. – Sasuke disse. Nos seus lábios estava tatuado o sorriso mais lindo que ela já havia visto na vida e que ainda conseguia fazer o seu coração acelerar.
— Que porra que você está falando idiota? — Naruto perguntou irritado.
— Ei, olha como você fala com ele, sua fuinha. – Hinata apontou o dedo para ele em alerta. Ela ainda queria terminar de amassar a cara daquele idiota, mas não aqui, não na frente do Sasuke.
— Calma, os dois. – ele tirou um cigarro da sua mão, enquanto continuava sorrindo. Seus olhos resplandeciam diversão. – Deixe eu apresentar os dois. Naruto, essa é Hinata, sua nova guarda costas.
— O que? – Ela gritou, se sentindo um pouco menos apaixonada por ele.
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