Guarda-costas

30 Capítulo trinta


Notas iniciais
Espero do fundo do coração que gostem.

Hinata sentiu o soco na sua boca antes que pudesse desviar. Hoje o treino estava sendo brutal e mesmo que ela não gostasse das formas como as coisas estavam rapidamente se tornando contra a sua pessoa, ainda assim, manteve os pés firmes no chão e a posição de guarda dos punhos.

Outro golpe veio, mas, dessa vez, ela foi atingida diretamente na perna. Ela não estava esperando a mudança de estilo, uma vez que tanto ela quanto Naruto tinha concordado em treinar apenas boxe, então quando ela caiu no chão, um tipo diferente de sentimento dominou a dor.

Hinata estava com raiva.

— Que porra, Narut...

Ele não esperou que ela terminasse a frase, antes de estar em cima dela novamente e Hinata conseguiu apenas colocar os braços em guarda na frente do rosto, antes de receber cada um dos socos cruéis que vinha na sua direção.

Ela tentou se desvencilhar com a pernas e com o torso, mas ainda sentia os efeitos do seu treinamento de uma semana atrás e não conseguiu o que queria.

Não demorou muito, antes de Naruto perceber que ela não mais revidava e ele deu apenas mais um soco antes de parar completamente os ataques. Ela abaixou as mãos esperando que tudo acabasse, sentindo-se exausta de tanto apanhar, mas não foi isso que ela conseguiu.

Naruto a puxou pelas pernas e a arrastou por todo o pátio, antes de afundar metade do seu corpo na piscina.

A água foi como um tapa na sua cara e Hinata recuperou um último fio de força que ainda restava no seu corpo, debatendo-se na água até Naruto finalmente libertar as suas pernas.

Hinata rapidamente voltou a superfície da piscina e conseguiu respirar novamente, boiando na água. Ela manteve os olhos fechados, sentindo-se exausta, com dor e completamente humilhada.

Os dois tinha criado o hábito de treinar lutas perto da piscina em vez da academia. Na primeira vez, ela havia jurado que era porque o ambiente era muito mais confortável para os dois e tinha uma piscina onde os dois poderiam se jogar depois de treinarem, mas como ela estava errada.

Naruto utilizava aquela piscina para jogá-lá dentro todas as vezes que ela desistisse e se rendia em uma luta. E, por mais que não quisesse admitir, aquele era uma fato que acontecia de forma recorrente, quando ela estava no mano a mano com o homem na sua frente.

E ela não podia fazer nada sobre isso, Naruto era simplesmente muito mais forte... Idiotamente demais!

— Eu já te disse que não importa quão fodida você está, não pare de lutar.

Ela abriu os olhos. Essa era a quinta vez que ele havia a jogado de cabeça para baixo na piscina apenas naquela tarde. E, se isso não bastasse, ele sempre a segurava pela perna até que ela sentisse que ia morrer e começasse a se debater.

Aquilo era tentativa de assassinato. Da forma mais pura.

Mas, Naruto não chamava os seus constantes afogamentos da mesma forma que ela. Não! Para ele aquele castigo era considerado um aviso de que ela deveria sempre tentar lutar, porque mesmo exausto o corpo sempre vai conseguir formas de tentar sobreviver.

Hinata não queria falar aquilo em voz alta, mas suspeitava que a mãe dele havia deixado-o cair do berço quando era criança, porque definitivamente Naruto estava para lá de fodido da cabeça.

Hinata foi lentamente até a borda e se puxou para fora da piscina. Sua roupa estava insuportavelmente molhada e ela sequer tentou levantar para um novo round se jogando alí mesmo no piso, sem qualquer dignidade.

Naruto, por outro lado, estava sentado confortavelmente em sua espreguiçadeira olhando para o celular.

— Eu estou bem, quase você esteja preocupado. — Hinata disse secamente. — Assim.. Eu quase morri afogada pela quinta vez hoje, mas eu estou de boa…

Naruto levantou os olhos e a encarou seriamente, antes de um sorriso se desenhar no seu rosto. Outra camada de humilhação subiu pelo seu rosto, mas ela ignorou a vergonha e focou na raiva.

Toda a raiva do tratamento desumano que ela havia sentindo nos últimos três meses em que ele a tinha tomado como “discípula”, apenas como desculpa para bater nela no momento que quisesse.

Bulinador!

Ela engatinhou até perto da espreguiçadeira em que ele estava e Naruto jogou uma enorme toalha em cima da sua cabeça. Ela sentou alí mesmo, não se incomodando em subir para a espreguiçadeira do seu lado e se cobriu com a toalha. O frio estava começando a consumir o seu corpo. E tudo que ela queria/precisava era de uma xícara de café e cama.

Foda-se, ela já tinha até tomado banho.

— O que você olha tanto nesse celular?

— Resolvendo se eu compro uma ilha próxima da Itália ou apenas uma pequena villa no méxico.

Hinata suspirou e engatinhou até mais perto de Naruto e puxou o braço dele para poder ver as fotos dos dois empreendimentos, a raiva dela colocada em algum espaço distante na sua mente para em outro momento ser acessada novamente.

— Para que demônio você quer uma ilha? — ela perguntou, olhando para as fotos de um espaço muito bonito. — Fazer uma praia de nudismo?

Naruto sorriu e escreveu alguma coisa no celular em uma língua estrangeira que ela não entendia. Depois pegou uma garrafa de água ao seu lado e jogou no seu colo. Ela não estava com sede, mas sabia melhor do que discutir sobre as suas necessidades de hidratação.

Os dois permaneceram em silêncio, enquanto assistiam o sol se pôr. Haviam alguns momentos como aquele onde os dois simplesmente paravam e esqueciam o resto do mundo, em que ela pensava que a companhia dele era um pouco mais suportável. Mas, esses momentos eram raros e geralmente terminavam no momento que um dos dois abria a boca.

— O que você tem esses dias?

Ele estava novamente em seu habitual estado zumbi pensante. — Hum?

— Você está a um passo de me matar essa semana com esses treinos malucos. Sasuke outro dia parecia super chateado quando saiu da sua sala. tem alguma coisa que você não está me contando?

Ele permaneceu em silêncio e Hinata preferiu não forçar a conversar, se ele quisesse lhe dizer alguma coisa, ela falaria sem ela puxar o assunto.

Hinata, então, se concentrou em secar o cabelo na toalha, ele estava crescendo bastante esses dias, batendo um pouco abaixo do seu queixo. Ela queria cortar ele de novo, mas sempre se via sem qualquer tempo para isso.

— Nada que uma cabecinha de vento entenderia. — ele finalmente respondeu.

Hinata revirou os olhos e já ia dar a sua habitual resposta malcriada, quando Reno — o mordomo — interrompeu o que seria um inflamado protesto. Ele apareceu na porta com uma caixa em mãos.

— Senhor Uzumaki. Senhorita Hyuga. — Naruto assentiu, permitindo a sua entrada na sala.

Hinata tinha a impressão que ele a odiava. Porque sempre que ele a olhava, não conseguia esconder o desdém da sua postura. Ele nunca havia sido muito agressivo sobre isso, mas Hinata preferiria milhares de vez que ele simplesmente tirasse o cabo de vassoura que ele tinha enfiado no rabo e a atacasse com tudo que quisesse.

Ela odiava esse passivo-agressivo.

— Chegou uma encomenda do Senhor Uchiha para a Senhorita Hyuga.

Hinata levantou imediatamente do chão, esquecendo completamente o cansaço e correu até o mordomo, tomando a caixa da sua mão. O mordomo lhe lançou um olhar reprovador e saiu, quando percebeu que ela estava focada demais na caixa para agradecer a entrega.

Tão vulgar!

Hinata, por outro lado, estava completamente alheia a própria rude atitude e simplesmente foi com a caixa até a espreguiçadeira ao lado de Naruto e se sentou.

— Parece que eu não te bati tanto assim, você foi bem rápida em se levantar e pegar a caixa. — Naruto disse secamente.

— A força do amor!

Naruto revirou os olhos e deitou na espreguiçadeira, enquanto ela abria a caixa delicadamente. Ela queria guardar tudo daquele presente, inclusive o papel e o laço. Era a segunda que ela ganhava algum presente dele, depois do terno.

Terminando de desembrulhar, ela abriu a caixa e encontrou vários bolinhos de arroz dentro e um bilhete do lado.

“Obrigada pelo café!”

Hinata soltou um gritinho agudo e Naruto balançou a cabeça de forma reprovadora. Ela pegou um bolinho e mostrou para ele. — Não acredito!

— Pra dizer a verdade, nem eu.

Naruto se levantou e se aproximou da caixa de doces. Todos eles estavam decorados com rostos divertidos e todos os tipos de cores diferentes. Hinata sorriu quando pegou um deles que estava com um rostinho desconfiado.

— Esse aqui parece com você.

Ela disse aproximando o bolinho do rosto de Naruto.

Ela caiu na gargalhada, quando ele lhe lançou um olhar aborrecido, mas logo a sua risada morreu, quando ele tomou o bolinho na sua boca.

Hinata levantou da espreguiçadeira em um impulso, deixando a caixa para trás e tentou tomar de volta o doce. Ela não conseguiu e quando tentou atacá-lo, Naruto, mesmo sentado, conseguiu facilmente impedí-la, prendendo-a entre as suas pernas.

Ela tentou pegar com as mão, mas ele também conseguiu prender as suas mãos para trás das costas, em um golpe que ela conhecia bem o suficiente para saber que não conseguiria sair facilmente. Em pouco segundo, ela estava imobilizada pelo corpo dele e completamente sem força para conseguir recuperar o seu doce.

Ele manteve as suas mãos presas com apenas um das mãos, e pegou o bolinho de arroz na sua boca com a outra, levantando-o próximo do seu rosto.

— Eu acho que ele parece muito mais com você.

— Devolve, idiota. — ela disse, mas Naruto apenas continuou sorrindo.

Hinata olhou para ele com raiva e tentou morder o bolo da que estava na sua mão, mas ele apenas sorriu de novo e afastou do alcance da sua boca.

— Isso é meu. Você não pode pegar as coisas que o Sasuke me dá.

— Não sei… — ele pareceu ponderar o que ela disse. — Você é a minha irmã de juramento, tudo que é seu é meu também.

Ela pareceu chocada com o que ele disse e ainda mais irritada. — Eu compro um só para você. Mas me devolve os do Sasuke.

— É tão importante assim para você? Então pegue.

Ele colocou metade do bolinho na boca dele.

Ela olhou em transe a sua ação e começou a repetir. — Não, não, não, não, não...

Ela estava frustrada por não conseguir se mover. Ela tentou o braço e não conseguia. A perna, não conseguia. Ela não queria que ele a ganhasse em mais alguma coisa. Então, moveu a única coisa que podia, a boca.

Hinata desceu a boca sobre o bolo ainda nos lábios de Naruto e mordeu um pedaço do bolo antes que ele pudesse fazer isso primeiro.

O rosto de Naruto estava muito perto do dela e os lábios deles se tocaram levemente, mas nenhuma das duas coisas fez muito sentido para Hinata quando ela sentiu o sabor do doce tocar a sua língua e encher o seu paladar.

Ela sentiu uma onda de eletricidade correr por todo o seu corpo e inclinou a cabeça para buscar um pouco mais do bolo. Os lábios dele se tocaram novamente mais demorado, mas Naruto continuou a não se mexer. Os olhos dele presos nas ações de Hinata. E Hinata sentiu sua pele se arrepiar.

Ela nunca tinha ficado tão perto antes. Era errado fazer aquilo?

Ela já estava arrependida e sentindo uma bola de fogo se amontoar nas duas bochechas, ela tentou se afastar. Mas, ele não deixou puxando-a para frente até que o seu joelho se apoiasse na espreguiçadeira, entre as suas pernas.

Hinata queria ser esperta e aproveitar que ele estava a soltando, para atacá-lo, mas não conseguiu se mover, envergonhada pelas suas ações.

Ele começou a mastigar o restante do bolo que estava na sua boca e Hinata não pode deixar de observar como o seu maxilar se movia desfrutando o sabor doce.

O mesmo sabor que ela ainda sentia na sua própria boca.

Naruto a puxou pela cintura, fazendo-a perder o equilíbrio e aproximando ainda mais os dois corpos. Ela estava completamente molhada e o tecido da sua camisa, começou a grudar no corpo dele cheio de suor.

A aproximação fez algo no estômago de Hinata doer de forma estranha. E ele se aproveitou da situação para juntar as suas duas testas.

— Gostou? — ele perguntou sério, sem nenhum pingo do divertimento que geralmente amenizava a situação, quando ela estava tão envergonhada como agora.

— Hum? — ela disse desorientada.

— Você quer mais?

— Hum?

— Eu não gosto de fazer as coisas pela metade. E você literalmente só me deu metade.

Ela se lembrou de como os lábios dela tocaram nos dele e a bolha de torpor em que ela flutuava imediatamente explodiu. Que porra é essa? Ela se puxou tentando se desvencilhar, mas ele a apertou mais perto, prendendo-a no meio das suas pernas.

O corpo deles ainda estava em contato e Hinata sentiu que poderia sufocar a qualquer momento. Era muito pior que os consecutivos afogamentos que ela já tinha sofrido nas mãos dele naquela tarde.

— Me larga, idiota!

— Você acha que é assim, pirralha? Me assedia o quanto quiser e vai embora?

— Você roubou os meu bolinhos.

— E você roubou meu beijo. O que é mais valioso?

Ele acariciou a sua cintura de forma vulgar e Hinata sentiu outra onda de eletricidade invadir o seu corpo, deixando o seu rosto ainda mais quente de vergonha. Ela deveria ter bebido muita água quando estava sendo afogada pelo diabo na sua frente.

Como ela poderia ter feito uma coisa dessas?

— Eu quero outro. — ele disse.

Naruto subiu uma das mãos paradas na sua cintura para puxar o pescoço de Hinata para baixo na direção da sua boca.

Os seus lábios se tocaram duramente, mas quando os lábios dele começaram a se mover em cima dos dela, eles eram suaves e carinhosos e Hinata fechou os olhos, sobrecarregada de emoções que ela não sabia que existia.

Naruto não tentou aprofundar o toque, deixando os seus lábios movendo pelos de Hinata vagarosamente, assim como ele havia feito com ela uma semana no seu pescoço.

Hinata sentiu o seu corpo se mover sozinho e o seu cérebro estúpido apenas desligou qualquer racionalidade. Ela apoiou a mão em seu peito e prendeu o tecido da camisa dela em seus punhos.

Ela não impediu que nada acontecesse e deixou que os lábios dele deslizassem sobre o seu da forma como ele quisesse.

Hinata também o acompanhou e moveu os dela repetindo cada uma das coisas que ele fazia com ela. Tocando em beijos delicados e sugando suavemente a carne dos lábios.

Ela sentiu a respiração pesada de Naruto no seu rosto. E ele foi o único que separou o beijo, depois de alguns segundos, não sem antes lamber o arco de cupido dos seus lábios.

— Delicioso.

Hinata abriu os olhos, quando ouviu a sua voz. — Hum?

— Tinha restos de doce nos seus lábios. — E ele a largou.

Hinata se afastou e deixou-se cair na espreguiçadeira que antes estava sentada. A sua respiração começou a voltar ao normal lentamente e quando o seu cérebro voltou a funcionar normalmente, ela percebeu o sorriso zombador de Naruto desenhado no seu rosto.

— Filho da puta!

Ela disse, sentindo outro tipo de dor no estômago e, dessa vez, ela sabia bem o que era. Raiva.

— Você começou…

— Eu não te beijei, eu estava recuperando o meu bolinho. — ela deu um soco forte no seu ombro.

— Eu não te beijei, eu estava limpando a sua boca. — ele disse inocentemente.

— Filho da puta!

Ela disse se levantando da espreguiçadeira.

— Pirralha?

— O que é?

— Seus bolos? — ele apontou para a caixa que ainda estava na espreguiçadeira.

— Enfia no cu!

E ela saiu furiosamente para dentro do apartamento e Naruto começou a gargalhar até sentir o seu estômago doer. Fazia muito tempo que ele não se divertia assim.

Naruto levantou da espreguiçadeira e pegou a caixa de doce que Hinata havia deixado para trás. Aparentemente, eles não eram tão importantes para a sua guarda-costa uma vez que ela havia os dado de tão bom grado para ele.

Em um impulso Naruto chamou o seu mordomo e o mandou colocar cada um daqueles bolos fora. Ele já estava bastante satisfeito com apenas um deles. Ou bem… Metade de um.

Notas finais
Vou chamar esse capítulo de 'graças ao Sasuke, finalmente conseguimos' Comentem e favoritem, é muito importante para mim! Até quarta-feira.