Guarda-costas

68 Capítulo sessenta e oito


Notas iniciais
Vamos lá!!

Naruto assistiu do Tablet em suas mãos, enquanto Hinata entrava no cassino onde aconteceria a reunião. O seu estômago estava apertado em apreensão, mas o seu medo estava muito bem disfarçado pelo sorriso sério que permanecia em seu rosto.

Ele não tinha mais volta.

Todos os seus planos estavam correndo da forma como havia planejado, exceto por um ou dois detalhes que não haviam estado em sua encomenda.

O primeiro deles o surpreendeu de forma agradável, o segundo nem tanto.

Em vez da presença de Kushina lhe atrapalhando a vida, Naruto havia recebido uma chamada de Sasuke lhe informando que ele estava com a sua mãe e que ambos haviam sido atacados. Ele a levaria todo o caminho até o Japão e a manteria em segurança até que ele voltasse.

O que também significava que a sua mãe estava em cativeiro por agora.

Naruto jamais imaginaria que Sasuke faria tudo o que ele havia mandado. O que ele realmente esperava era que suas suspeitas fossem sanadas e que Kushina aparecesse de uma hora para outra para “salvar a sua vida”.

Bom... Não foi dessa vez que a sua desconfiança foi confirmada.

Isso queria dizer que Sasuke estava livre de qualquer suspeita? Absolutamente não. Havia algo estranho no seu companheiro e ele teria que descobrir aquilo tudo mais cedo ou mais tarde.

Já a segunda surpresa do dia, havia sido a chegada de um novo elemento na equação das famílias. Itachi Uchiha. Irmão mais velho de Sasuke.

Itachi era um dos Uchihas que permanecia mais à sombra, ele nunca era visto explicitamente nos negócios da família, mas todos sabiam que ele seria o sucessor natural de Madara.

Vê-lo em uma reunião dessas havia se tornando um choque e algo que Naruto não conseguia prevê se daria resultados bons ou ruins.

Naruto batucou os dedos na porta do seu carro, ele sentia uma vontade inenarrável de parar os seus próprios negócios e simplesmente aparecer na reunião para arrancar Hinata de lá. Ou pelo menos mandar alguém que pudesse fazer isso, mas aquilo causaria ainda maiores problemas.

Afinal, aquele seria o seu grande teste e a única forma de colocá-la no jogo como uma oponente sério.

Se tudo corresse bem, Hinata poderia assumir, finalmente, seu lugar como membro dos Uzumakis, sua importante mão direita e, não, apenas como sua protegida.

A primeira, colocava-a em uma posição de poder no jogo, o segundo a deixava em uma posição de potencial vítima.

E Hinata não funcionava como uma potencial vítima em sua vida. Ela era muito importante para Naruto deixar que os seus inimigos a vissem como a sua fraqueza.

O preço para pagar em tudo isso, era o de ter que deixá-la enfrentar o seu mundo sozinha.

Jiraya o olhou do banco passageiro e deixou um leve sorriso escapar dos seus lábios. Todos acreditavam que Jiraya era um dos seus homens mais idiotas do clã e não sem razão, ele havia construído aquela imagem para si a perfeição e funcionava com perfeição no trabalho que ele prestava.

Mas, Naruto sabia que ele não era assim em seu todo.

O seu jeito estúpido escondia uma sabedoria que muitas poucas pessoas tinham, isso vinha da sua longa experiência trabalhando com pessoas dentro dos Uzumakis.

Naruto especialmente confiava nele, porque ele foi um dos amigos íntimos de seu pai. Uma das únicas pessoas daquela época que Naruto conseguia enxergar com admiração.

No início, Naruto o queria como parte de um dos seus executivos, mas Jiraya se negou rapidamente, falando que ele não era o tipo de pessoa que olhava com bons olhos uma mudança de vida tão aguda.

Ele também disso que por nada nesse mundo, ele se prenderia em uma sala com ar-condicionado, conversando com pessoas sobre dinheiro, dinheiro e dinheiro.

E Naruto preferiu não insistiu em sua proposta.

Na verdade, ele se sentia muito mais feliz com a posição que Jiraya ocupava agora como um de seus homens de confiança. E isso se devia a várias razões, sendo a principal delas manter um olho em sua doce guarda-costas.

Jiraya não imaginava que seria tão difícil cuidar de alguém com um terço do seu peso e meio metro menor, e foram várias as vezes que ele reclamou daquele enorme peso nas suas costas, mas Naruto fazia questão de lhe informar que ou era Hinata ou os executivos engravatados.

Ele sempre escolhia Hinata.

Naruto também desconfiava que Jiraya sabia alguma coisa sobre os seus confusos sentimentos por Hinata. Porque eram várias as vezes que ele recebia olhares sugestivos, mesmo que discretos.

— Esta tudo pronto, senhor. Eles estão se aproximando.

Naruto fechou o seu tablet e respirou fundo para acalmar as suas apreensões. Quanto mais rápido ele terminasse aqui mais rápido ele teria notícias de Hinata.

Ele confiava na missão que deu a ela, afinal não havia ninguém nesse mundo para criar o caos, melhor que ela.

Naruto saiu do carro em que estava e escutou as outras pessoas saírem dos outros carros. Ele havia levado cerca de dez homens com ele, enquanto todo o resto fazia parte da comissão que seguia Hinata.

Ele não precisava de muitos consigo, porque a pessoa que ele vinha buscar não era do tipo que ostentava guarda-costas para todos os lados. Ela se cuidava muito bem sozinha e tinha muito orgulho disso.

Naruto se colocou na frente dos carros com todos os homens ao seu lado, não demorou muito para as luzes dos faróis serem vistas vindas em sua direção. Eram três carros, a mesma quantidade que ele trazia.

O tempo era frio e a noite era escura. Fazia um silêncio ensurdecedor que foi finalizado apenas quando os seus homens trouxeram as armas para as mãos e se prepararam para a luta.

Os carros dos seus convidado pararam e de dentro vários homens armados saíram. Nenhum deles ousou atirar primeiro, o que provavelmente seria a melhor chance que eles teriam toda a noite.

Os carros estavam virados um para o outro dando luminosidade o suficiente para a cena que ocorreria. Só faltava um dos personagens principais.

Tsunade.

E quando ela apareceu foi exatamente como ele havia imaginado. Um dos guarda abriu a porta para ela sair e as suas madeixas loiras logo apareceram em evidência.

Tsunade era uma mulher bonita, apesar da sua idade. Tinha pelo menos sessenta anos nas costas, mas tinha a aparência de estar ainda nos vinte. Ela estava vestida com um terno sob medida, discreto que trazia uma falsa fachada de seriedade para cima dela.

Tsunade não tinha um osso discreto no seu corpo. O seu corpo voluptuoso era sempre destacado em qualquer coisa que ela vestia e o sorriso nos seus lábios, sempre maliciosos, nunca davam margem para as pessoas terem qualquer pensamento inocente.

Obviamente, Naruto não a conhecia como a mulher atraente, chefe poderosa, olhar mortal. Para ele, ela sempre havia sido a tia Tsunade, uma amiga de sua mãe de longa data. Alguém que sempre se dava muito bem com os seus pais.

Alguém que ele respeitava, admirava e sentia orgulho de se ter dentro dos seus círculos de influência.

Ele nunca teria imaginado que ela seria uma das primeira na sua lista de eliminação. Mas, alí estava o momento e a pessoa. Ele só tinha que colocar em prática o que veio fazer na noite.

Naruto não era mais a criança que confiava em tudo que a sua família queria e Tsunade também não era a mulher generosa que ela se fazia crer para os mais inocentes.

Ela era má, cruel, perversa. E um grande problema em seus negócios.

— Ora, ora, Naruto. Quanto tempo não te vejo e logo aqui no meio do nada. Não estamos atrasados para algum lugar?

Ela iniciou a conversa. A voz dela sempre o fazia se lembrar de Kushina. As duas eram sempre próximas quando mais jovens e Naruto não tinha dúvidas que diversas das mudanças que ocorreram na sua família tinha um dedo diabólico daquela mulher.

— Nenhum de nós dois vai ser esperado esta noite. Já mandei uma pessoa de confiança passar a mensagem.

Tsunade sorriu levemente e os homens ao seu redor se moveram desconfortavelmente.

— Ai, ai. Hidan achando que tinha te pego pelo rabo e você dando voltas nele. – ela cruzou os braços fingindo irritação. – Eu adoraria ter visto a cara dele quando ele descobriu que o plano dele não era assim tão infalível.

— Não se preocupe, vocês dois poderão se encontrar no inferno mais tarde.

Ela franziu o cenho quando ouviu a resposta atrevida, mas o seu sorriso se mantéu.

— Imaginei que Hidan estava se apressando demais achando que você era carta fora do baralho... Ele sempre costuma confundir o tamanho do seu ego com o tamanho da vantagem que ele tem no jogo. Espero que você não esteja fazendo o mesmo, Naruto. – Ela se aproximou dele um pouco mais e Naruto a encontrou no meio do caminho da estrada. – Como vai a sua mãe?

— Não viemos aqui para falar dela. – Naruto respondeu. – Aliás, eu gostaria que terminássemos mais rápido tudo isso. Eu tenho coisas a fazer.

Dessa vez, o sorriso dela deslizou do seu rosto. Tsunade nunca foi conhecida pela paciência primorosa. Bem verdade, as pessoas falavam que o seu temperamento explosivo tinha vida própria.

— Então vamos negociar. O que você quer?

— Você. – Naruto respondeu rapidamente.

E, dessa vez, ela gargalhou. – Nossa, Naruto. Você está bem grandinho para ter uma queda na sua tia, não acha?

— Eu devo você a uma pessoa. Uma pessoa que provavelmente você conhece muito bem.

Ela revirou os olhos, provavelmente já sabendo a resposta. – Aquele garoto ainda não se cansou de me procurar?

O garoto que ambos conversavam eram Gaara.

Tsunade havia sido uma peça fundamental na desestruturação e extermínio da família Sabuko. Ela apenas não considerou que mais cedo ou mais tarde as pessoa que ela falhou em matar iriam pegar o rastro de volta a ela.

Ela havia perdido a guerra no momento que deixou o Gaara sobreviver.

— Você realmente achou que ele esqueceria tudo o que aconteceu? – Naruto questionou, pensando que erros como aquele não eram típicos de pessoas como ela. – O que te deu na cabeça deixar um cara como aquele vivo?

Tsunade suspirou e olhou para o céu escuro. Não havia estrelas ou uma lua para ela focar o olhar. Tudo que se via no alto era a escuridão da noite e aquilo estava a transportando para um lugar distante.

“Por favor, não o mate. Ele é apenas uma criança. Por favor, um dia nós fomos irmãs, não mate meu bebê.”

Ela fechou os olhos, retirando as imagens da sua cabeça. Ela sabia a quantidade de sangue que tinha em suas mãos. Ela tinha uma sede por poder infinita, a ponto de que tudo era possível, não importava sequer os laços de amor que ela tinha com os outros.

— Sabe, Naruto. – ela começou. – Com o tempo você vai ficando com o coração mole e não tem o que fazer.

— Você está querendo me dizer que o Gaara ficou vivo, porque a sua cabeça pesou? Não me venha com essa, Tsunade, consciência não é uma coisa que combina com você.

— De fato. – Ela deu de ombros. – Eu deveria ter pego um pouco das dureza da sua mãe, destruindo tudo ao redor, sem me importar com ninguém, até que eu chegasse em um ponto onde o meu filho que nunca movimentou um dedo pudesse ostentar o poder que jamais teria.

As palavras venenosas cravaram Naruto de forma certeira e, por mais, que ele quisesse ignorar toda aquela provocação, ele não podia ignorar o fato de que ela estava certa.

Naruto estava aqui porque Kushina era uma pessoa horrível.

A única diferença dele para Tsunade era que ele não teve escolha nenhuma sobre o seu destino. Gaara também não teve. Sasuke também não teve.

Aquilo tudo era apenas uma geração de pessoas sofrendo desde muito jovem por causa das escolhas egoístas de pessoas mais velhas. E, no final, não tinha mais espaço para tanto ego em um único jogo, não importava o quanto cada um fizesse o melhor para se agarrar a vida que tinham conquistado.

— Eu imaginei que em algum momento você estaria começando a fazer a sua lista de eliminação... – Tsunade interrompeu os seus pensamentos, sentindo-se vitoriosa por suas palavras terem o afetado. — Mas, eu admito que eu jamais achei que eu teria a honra de ser a primeira.

— Está se sentindo injustiçada?

— Jamais. – O seu sorriso dela se abriu de novo, dessa vez mais luminoso que antes. O primeiro sorriso honesto da noite. – Eu nunca me colocarei na posição de vítima. Eu gosto de matar ou morrer, sempre foi esse o meu lema e isso nunca vai mudar. Então, Naruto, o que vai ser para hoje a noite?

Notas finais
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