Guarda-costas

15 Capítulo quinze


Notas iniciais
Esse capítulo contem cenas de violência

Hinata respirou fundo esperando que Naruto já estivesse longe. O que ela pretendia fazer não era nem um pouco conclusivo e dependia de muito mais sorte do que ela acreditava ter.

E, nesse ponto, ela estava certa como sempre, a sorte não estava em seu favor aquele dia.

Assim, que o atirador que os seguia passou e Hinata estava pronta para sair de debaixo do carro e atacá-lo por trás, outros dois atacantes surgiram pelo outro lado do estacionamento e o chamaram. Ela recuou imediatamente para debaixo do carro e tentou ao máximo escutar a conversa acontecer ao seu lado.

— Nenhum sinal deles... — disse o atacante mais próximo do carro. Ele tinha uma voz rouca que parecia ser causada pelo uso contínuo de cigarro. — Eles devem estar escondidos em algum lugar.

— E a polícia? Ela não foi alertada com todo esse barulho? O que vamos fazer? — perguntou uma voz feminina.

— Não se preocupe com isso agora. Achem aquele maldito!

— E quanto aos outros que estavam com ele? — A terceira voz finalmente se uniu. Outro homem.

Hinata não reconhecia nenhuma daquelas vozes.

— Se eles atrapalharem, os matem também.

— Vamos!

Cada um seguiu para um lado.

Hinata pensou em quem ela poderia seguir primeiro e decidiu por ir atrás do homem que ainda corria por entre os carros na mesma direção que Naruto havia saído a pouco.

Levantando, ela sentiu novamente a dor aguda no ombro, mas deixou para se preocupar com isso depois. Contudo, ela deveria evitar entrar em uma luta corpo a corpo com qualquer um deles. Seu ombro não permitiria isso.

Andando silenciosamente atrás da pessoa que era seu alvo, Hinata verificava continuamente os seus arredores para que não fosse ela a pessoa que seria pega de surpresa pelos dois atiradores que ainda estavam por perto.

Ela levou o seu tempo, aproveitando o seu tamanho para se encolher entre os carros e começar a andar ao lado da pessoa que perseguia, deixando a distância de uma fileira entre eles. Hinata conseguia vislumbrar a sombra do atirador ao seus lado e quando percebeu que a pessoa estava verificando ao lado oposto de onde ele observava, ela o atacou.

Hinata desembainhou a faca que estava na sua manga e com força puxou a porta do carro ao seu lado, acionando o alarme. Ela sabia que não tinha muito tempo para agir, mas conseguiu se jogar para debaixo do carro antes dos tiros começarem.

O seu alvo estava observando concentrado o carro com o alarme ativado e ela utilizou essa distração para chegar pelas suas costas. Antes que ele pudesse perceber o que estava acontecendo, ela veio pelas suas costas e enfiou a faca em seu pescoço, em um ponto que impedia até mesmo de fazê-lo gritar.

O corpo do homem caiu sobre o dela e ela utilizou toda a sua força para tirá-lo de cima. Por algum motivo, Hinata se sentia fraca naquele momento.

Sua mão foi parar novamente no seu ombro direito que estava pinicando em dor ainda a pouco e percebeu que saía sangue do seu machucado. Ela não poderia ficar alí sentindo raiva da sua dor, porque qualquer um dos outros atiradores poderiam voltar a qualquer momento.

Ela vasculhou por todos os bolsos do homem a procura de um revólver, mas não encontrou. Ela pensou em pegar o fuzil, mas optou por não fazê-lo, o fuzil só iria a atrasá-la e ela não conseguiria usar a arma com o ombro do jeito que estava.

Ela procurou por identificações, mas não havia nenhuma. Exceto pela tarjas de militar no pescoço.

Hinata puxou as tarjas e correu novamente pelo estacionamento, imaginando que os outro atiradores viriam imediatamente até onde ela estava, mas nenhum deles apareceu de novo.

Hinata, então, começou a procurar Naruto. Onde ele estava?

Hinata não precisou procurar por muito tempo, o som de tiros que vinham na direção onde o Naruto havia ido, indicou diretamente onde ele estava.

Ele estava sendo atacado.

Esquecendo a dor do seu ombro e a exaustão, Hinata correu para onde ela escutou o barulho dos tiros e encontrou Naruto em cima de um dos atiradores com uma arma apontada para a sua cabeça.

O homem debaixo dele parecia aterrorizado, como se estivesse vendo o próprio demônio na sua frente.

E ela não duvidava que ele estivesse certo. Por que ela também conseguia sentir a aura assassina que vinha de dentro dele, enquanto ele questionava o seu atacante. Hinata olhou ao redor, procurando pelo terceiro atirador, mas este não estava em lugar nenhum.

Naruto não levantou a cabeça, quando ela se aproximou e nem fez nada para reconhecer a sua presença, mas ele sabia que ela estava alí com ele.

— Quem te mandou? — Naruto perguntou.

— Não sei… — o homem respondeu com dificuldade. — Eu sou apenas um contratado.

— De quem?

— Eu não sei.

Naruto olhou para cima, em direção a ela, seus olhos azuis gélidos e mortais e Hinata teve novamente aquela sensação onde ela não sabia exatamente se era realmente Naruto que ela estava vendo na sua frente.

Aquele era o Naruto?

— Me dê a sua faca. — ele mandou.

— O que?

— A faca, agora!

Sua voz estava calma demais para a situação em que os dois estavam e mesmo que Hinata não quisesse entregar a sua faca, ela não viu razão para negar. Ela alcançou uma terceira faca que ficava nas suas costas e lhe deu na sua mão.

— O que você vai fazer? — ela perguntou.

— Pode se virar.

— Hum?

Ele voltou toda a atenção para o homem debaixo dele. — Se quiser olhar, por mim não tem problema.

Ele tapou a boca do homem e forçou a faca próximo aos seus olhos, rasgando as pálpebras. O homem se contorcia debaixo de Naruto, mas em nenhum momento conseguiu mover o Uzumaki de cima dele. Sangue escorria por toda a parte, se misturando com as lágrimas que ele chorava.

Logo depois, Naruto fez o mesmo do outro lado dos olhos e mais abaixo na boca, rasgando-a.

Hinata virou-se, sem querer ver o que mais ele iria fazer com o homem. Ela se sentou ao lado do carro escondida e se ocupou em vigiar os arredores, enquanto Naruto continuava picotar o rosto da pessoa que tentou os matar.

Aquilo não era nada parecido com qualquer coisa que ela já havia feito. Matar era uma coisa. Uma exigência na área em que ela trabalhava, mas aquilo que ele estava fazendo era pura e simplesmente pela tortura.

No entanto, ele não parecia estar tirando qualquer prazer da dor do homem. Ele agia mecanicamente como se aquilo fosse um dever, em vez de uma escolha.

E mesmo que ela não soubesse exatamente como deveria se sentir assistindo aquela sessão de tortura, ela também não conseguia retirar do seu coração qualquer sentimento pena pelo homem.

Ele queria o Naruto morto e qualquer um que estivesse ao seu lado, ele meio que merecia, certo?

Depois de três minutos, o homem já havia parada de se mexer, mas se era pela dor ou porque Naruto tinha simplesmente o matado ela não sabia.

Naruto se levantou de cima do homem e limpou a sua faca com o lenço do seu paletó. E logo depois ele o estendeu para ela.

Hinata apenas olhou para a sua bela faca maculada. — Pode ficar!

Ela odiou escutar a fraqueza da sua voz e esperava que Naruto, em seu estado mais psicótico, não conseguisse perceber. Mas também não teve sorte com aquilo.

— O que foi? O que eu acabei de fazer te deixou enjoada?

— Você quer dizer as suas atividade de Freddy Krueger. — ela respondeu. — Eu realmente não me importo com isso, mas você poderia bancar o psicopata, quando outra pessoa não estiver mais nos buscando com um fuzil na mão.

Ele ficou em silêncio por alguns instantes e Hinata evitou, olhá-lo nos olhos. — Isso deve ser feito, pirralha. As pessoas precisam saber o que acontece quando elas tentam mexer comigo.

Ele se aproximou dela, mas ela recuou e ele parou.

Hinata olhou para o homem ao seu lado e sentiu uma onda de enjoo a dominar. Ela fechou os olhos e respirou fundo, mas quando sentiu apenas o cheiro de ferrugem de sangue derramado. Ela não queria respirar nunca mais.

O problema era que Hinata estava se sentindo envergonhada. Ela estava fraca por causa da dor no seu ombro e ela sentia que os seus olhos iriam fechar a qualquer momento pela exaustão que ela sentia em todo o corpo.

Abrindo os olhos novamente, Hinata viu a sombra do atirador passeando a algumas fileiras da que eles estavam, vindo na direção deles. Ela se jogou no chão e se arrastou até o lado de Naruto.

Naruto levantou sutilmente a cabeça para olhar onde estava a mulher.

— Você ainda tem bala? — Hinata perguntou, sentindo que iria desmontando a qualquer momento.

— Ela é minha.- ele respondeu, levantando o revólver na sua mão.

— Sem problema, — a respiração dela falhou. — Só evite o seu instinto Krueger, por favor.

Naruto olhou para Hinata mais atentamente, percebendo a forma como ela piscava os olhos como se tentasse se manter acordada e segurava o braço direito.

Ele colocou a mão na sua testa e ela empurrou sua mão para longe. Ela estava suando anormalmente, mesmo que sua pele estivesse gelada e o seu rosto estava branco como papel.

— Você foi baleada?

Naruto puxou a mão dela de cima do ombro e percebeu o suéter vermelho manchado de sangue.

— Porra!

— Para de besteira e tira logo a gente daqui.

Ele a olhou por uma última vez, antes de levantar. Hinata respirou fundo, tentando se levantar para talvez ajudá-lo com a cobertura, mas não conseguiu arranjar energia o suficiente para se mover.

Ela não imaginava que o seu estado estivesse tão ruim. Outra onda de enjoo.

Ela não escutou nenhum som de tiro vindo de qualquer lugar e apenas esperou. Ela não sabia quanto tempo havia passado, poderia ser alguns segundos ou vária horas, mas, quando Naruto voltou ao seu lado, ela sentiu que estava na beira.

— O que aconteceu? — sua voz foi tão baixa que ela tentou repetir para ele escutá-la.

— Cala a boca. — ele tirou o casaco e a cobriu. Como ele sabia que ela estava com frio?

Passou um tempo e ela escutou pneus de carros soaram no asfalto e Naruto a aproximou do seu peito puxando-a para o seu colo. Ela não queria ser carregada, principalmente, na frente de Kiba, mas não conseguiu se desvencilhar das mãos que a carregavam.

Ela sentia que o seu corpo não era nada mais que um peso morto.

Naruto a levantou do chão sem qualquer dificuldade e ela também considerou aquilo como um ataque direto ao seu ego. Ela não deveria estar sendo carregada. Não deveria!

— Pense nisso mais tarde. — Naruto sussurrou rispidamente, enquanto a levava em direção ao carro.

Que porra, ele está lendo meus pensamentos?

— Tenho certeza que não é nada tão paranormal. — ele lhe respondeu.

Hinata escutou a voz de Sakura longe e sentiu-se aliviada. No entanto, o seu peito doeu um pouquinho. Todo mundo estava bem, exceto ela. Por que a sua sorte era uma vadia!

Naruto ignorou qualquer pergunta que jogaram para ele e entrou com ela na parte de trás do carro, deitando-a no macio estofado do carro de Sakura. Sua visão já estava escurecendo, mas ela segurou o colarinho de Naruto, sentindo-se automaticamente melhor.

— Você que vai pagar as minhas contas de hospital.

A sua voz não estava mais fria como antes, na verdade, ele parecia bastante irritado. — Cada centavo vai sair do seu salário, pirralha. Só para você aprender a nunca mais esconder de mim quando estiver com dor.

Entretanto, antes que ele falasse a última frase ela já havia apagado. Naruto ajeitou o seu casaco em cima dela e a apertou contra o seu corpo tentando transmitir o máximo de calor possível, enquanto Kiba corria para o hospital mais próximo.

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Naruto voou para fora do carro, assim que eles chegaram no hospital. Uma maca já estava esperando por eles na porta e ele colocou Hinata, gentilmente, em cima dela.

Os médicos agiram rápido colocando-a para dentro do hospital e Sakura a seguiu com os olhos cheios de lágrima. Kiba ainda permaneceu ao seu lado, em conflito. Ele não sabia se deveria permanecer do lado do seu cliente ou verificar como a sua amiga estava.

Mas, mesmo que o seu coração o puxasse para o segundo, pela primeira vez, naquela noite, ele seguiu o procedimento e permaneceu ao lado de Naruto.

Naruto percebendo que Kiba ainda estava alí com ele, ordenou. — Vá para dentro, fique ao lado delas. Ligue para o Reno e peça que ele cuide de tudo por aqui.

— Eu devo permanecer para cuidar da sua proteção, senhor.

Kiba respondeu, mas ao encontrou os olhos de irados de Naruto, Kiba recuou um passo e acenou com a cabeça, entrando para seguir Sakura.

Naruto respirou fundo tentando controlar a raiva que estava sentindo. Ele deu um soco na lateral do carro e deixou a dor dos seus dedos lhe acalmar.

Olhando para o banco do passageiro, ele podia ver perfeitamente as manchas de sangue do banco, bem como na sua camisa impecavelmente branca.

Ele pegou o celular e ligou para Yamato que atendeu no primeiro toque.

— O senhor está bem?

Naruto ignorou a pergunta. — O que aconteceu?

— Recebemos o sinal de ataque na Marina tarde demais. Quando chegamos haviam três vans se preparando para uma emboscada. Conseguimos neutralizar duas delas, mas a outra fugiu.

— Alguém deixou a Marina desprotegida. Quem estava responsável por essa área?

— Inazuma. Nós os mandamos para a mansão. Eu posso começar os questionamentos.

Naruto olhou novamente para o sangue na sua camisa que não era dele. — Não! Eu vou cuidar disso, pessoalmente.

Notas finais
Você acham que eu devo mudar a classificação da série para 18+?? Por favor, comentem! O próximo sairá no sábado.