Guarda-costas

11 Capítulo onze


Notas iniciais
Segundo capítulo do final de semana para as corujinhas ainda acordadas. Aproveitem!

O resto da semana passou muito rápido e Hinata entrou em uma espécie de rotina com Naruto. Ele quase nunca saia de casa, mas deixava a sua agenda sempre a disposição de Hinata para ela se preparar sempre que ele tivesse algum compromisso.

Os dois quase nunca se encontravam durante o dia, mas, as vezes, ele aparecia durante a noite para alguma sessão de boxe. E foram nesses momentos que ela começou a entender um pouco mais da sua personalidade e distinguir alguns dos seus humores.

Quando Naruto estava muito irritado com alguma coisa, ele partia para cima dela com toda a força nas sessões de boxe. Quando ele estava com cheiro de bebida, ele começava a provocá-la insistentemente até que ela estivesse irritada o suficiente para não querer mais lutar.

Quando ele estava muito sério sobre alguma coisa, ele simplesmente a ignorava e fazia silenciosamente algum exercício de musculação.

E nesse pouco tempo que Hinata o acompanhou, ela percebeu duas coisas que ela não havia notado antes: ele estava sempre pensando e ele nunca estava feliz.

Obviamente, ele sorria. Principalmente, às custas dela, mas ele nunca sorria por estar de bom humor ou por ter acontecido algo particulamente feliz. E isso a incomodava bastante, porque ela nunca tinha tido tanto trabalho em melhorar a tensão do ambiente.

Naquela noite, ela decidiu que não queria jantar sozinha como todas as outras noites da semana, e pensou que talvez Naruto quisesse comer novamente o ramen do tio que eles foram. Então, ela especialmente pediu para um dos empregados comprar para ela.

Quando a comida chegou, ela levou todas as quentinha, para o andar de cima, pegando algumas coronas no freezer e uns petiscos na geladeira. Ela não sabia se ele já havia jantado, mas ela sabia que pelo menos a bebida ele tomaria.

Abrindo a porta da academia, ela percebeu que ele ainda não estava lá, então, resolveu procurá-lo no seu escritório. Ela nunca mais tinha ido naquele cômodo desde a última vez. Ela não queria deixá-lo furioso como naquele dia, mas se ela fosse esperar ele aparecer na academia, a comida podia esfriar e estragar o macarrão.

Ela não podia deixar isso acontecer.

Se aproximando da porta, ela percebeu que ela estava semi-aberta. Ele nunca deixava a porta daquele jeito, mas aquele dia ela estava com sorte, ela podia apenas espiar para ver se ele estava do lado de dentro.

Hinata olhou por entre a brecha e viu Naruto olhando pelas enormes janelas de vidro, enquanto massageava a própria nuca. Ele estava vestindo apenas suéter e calça moletom, assim como ela.

Talvez já ele tivesse terminado o trabalho. Ela levantou os pulsos para bater na porta, mas um telefone tocou do lado de dentro do escritório.

Naruto não se moveu do local, acionando a chamada por voz e assim que a chamada foi atendida, uma voz muito conhecida por ela encheu a sala. Sasuke Uchiha.

— Consegui concluir todos os contratos de Nagato, ele vai começar a ser cortado amanhã de todas as importações e exportações.

— Quando você volta? Precisamos marcar uma reunião com o restante das famílias agora. Eu quero usar Nagato como exemplo do que vai acontecer se qualquer um deles impedir o trabalho de limpeza da família.

A voz de Sasuke endureceu. — Eu já estou tentando entrar em contato com eles, mas eles estão usando desculpas para negar o encontro.

Naruto sorriu friamente. — Então o que ocorreu com Nagato já deve estar sendo uma preocupação para eles. Nagato deve estar pressionando todos eles para ficarem ao seu lado. Investigue todos os que recusarem a se encontrar comigo. Se eles estão fazendo isso é porque eles possuiam uma relação com Nagato a muito tempo, o que faz de todos eles traidores.

— Você esta utilizando Nagato para tirar os ratos do bueiro?

— Talvez…

Sasuke ficou em silêncio por alguns instantes, antes de falar hesitante. — Yumi me telefonou ontem.

Naruto parou de estalar o pescoço e sua postura ficou tensa.

— Ela queria que eu te pedisse para não fazer nada contra Nagato, ela não quer ficar dividida entre as duas famílias.

Naruto sorriu perversamente. — Não tem o porque ela ficar dividida com coisa alguma, ela já escolheu um lado assim que decidiu se casar com ele.

Novamente silêncio. Era como se Sasuke estivesse escolhendo cuidadosamente cada uma das suas palavras. — Você não está tentando salvá-la, Naruto? Você sabe que ele a maltrata, não? Que ele a bate?

A postura de Naruto ficou novamente tensa e Hinata sentiu a mesma aura de perigo que havia sentido antes nele. Era como se ele fosse uma grande ameaça. Mas seu tom de voz era calmo quando ele voltou a responder Sasuke.

— E ela não sabia disso quando se casou com ele? — sua pergunta não teve resposta. — Não seja ingênuo com ela, só porque a ama, Sasuke.

— Você quer dizer que ela escolheu essa vida por livre e espontânea vontade? Eu convivi com ela por muito mais tempo que você, Naruto. Eu não consigo aceitar isso. — O tom de voz de Sasuke era raivoso, mas tinha um leve toque de melancolia que surpreendeu Hinata.

— Eu não preciso que você aceite qualquer coisa, eu preciso que você a esqueça. — Naruto disse friamente. — Quero que você foque sua atenção nos traidores da nossa família.

Sasuke ficou em silêncio por um tempo antes de voltar a responder com o seu tom de voz normal. — Quanto a esses, você quer que eu os mate?

Hinata sentiu sua respiração ser roubada antes mesmo de realmente entender as palavras. Matar? Sasuke estava se propondo a matar alguém? Como essas palavras poderiam sair tão facilmente da sua boca?

— Não. — Naruto respondeu. — Eu quero resolver isso com as minhas próprias mãos.

Hinata sentiu outro golpe com aquelas palavras. Aquela sensação de perigo que ela sentia no estômago aumentou de forma alarmante e ela quase poderia imaginar que aquele Uzumaki, não fosse o mesmo que ela protegia, se ela já não tivesse visto aquela mesma versão dele antes.

Naruto conseguia ser o homem temperamental que entrou em uma luta com ela do lado de fora de um clube. Um homem sem piedade que treinava com ela tarde da noite. Um homem sério que a ignorava quando estava muito estressado. Ou o provocador que a tirava do sério.

Mas, aquela versão dele só evocava um tipo de sentimento: perigo e poder. Quase como o homem que havia a flagrado andando no seu escritório sem permissão, mas muito pior.

A linha telefônica ficou muda. Sasuke tinha desligado.

Hinata deu um passo para trás, mas um dos potes que estavam na sua sacola caiu. Ela paralisou com o barulho e, depois de alguns segundos, a porta do escritório abriu completamente.

Hinata sentiu o coração acelerar e por extinto recuou alguns passos até suas costas baterem na parede, sem ter mais para onde ir. Naruto também avançou, acompanhando os seus passos. E a diferença de tamanho entre os dois que tinha passado despercebido por Hinata durante todo o tempo que eles estavam juntos, tornou-se absurdamente clara.

Ele poderia fazer qualquer coisa com ela, naquele humor assassino que ele estava.

Naruto parou de se aproximar e agachou e para pegar o pote de petiscos que ela havia caído da sua sacola. Ele levantou e lhe estendeu o pote.

Hinata fitou aquela mão estendida e lembrou do ramen na sua sacola. Ela havia comprado aquilo para ele. O que ela fazia com toda aquela comida agora?

Ela pegou o que ele lhe oferecia, mas quando ia puxar o pote de volta, ele segurou com ainda mais força. Hinata engoliu em seco e observou os orbes azuis mudarem de frios para quentes.

Ele avançou sua mão rapidamente, deixando-a descansar ao lado da cabeça de Hinata. Ela se encolheu com o repentino movimento e fechou os olhos com força. É isso, vou morrer aqui, de estômago vazio e trazendo comida para um idiota que não sabe fechar a porra da porta do escritório!

Mas, nada aconteceu, a mão dele foi em direção da sua cabeça e bagunçou levemente o seu cabelo. Abrindo os olhos, ela notou que a aura violenta que antes emanava dele tinha desaparecido e no lugar estava o Naruto que gostava de provocá-la sem piedade.

Ela soltou a respiração aliviada. Mas ele não a deixou escapar fácil assim, ele aproximou as suas testas e as esfregou impiedosamente uma na outra. Hinata deixou as sacolas para se defender do ataque mortal, mas hoje ele estava mais cruel do que ela se lembrava.

— Eu te disse para não entrar no meu escritório, pirralha.

Hinata tentou se desvencilhar e ele segurou com força os dois braços dela em um abraço de urso. Ela tentou atingí-lo entre as pernas, mas não conseguiu e a dor na sua testa apenas aumentava.

— Eu não entrei nele, seu idiota, eu estava do lado de fora! — ela gritou com raiva. — Para de tentar cavar um buraco na minha testa, porra!

Ele parou e os olhos dele encararam os perolados lacrimejando em dor.

— O que você estava fazendo aqui?

Hinata tentou sair do agarre dele, mas ele era muito… muito forte. — Eu vim perguntar se você queria jantar.

Naruto olhou para as sacolas no chão e a largou de vez. Ela caiu desequilibrada dos seus braços, conseguindo apoio na parede às suas costas.

— Então, porque você não bateu na porta?

— Eu ia fazer isso, mas eu escutei a voz do Sasuke.

— E, então, resolveu escutar toda a conversa?

Ele a pegou de novo e estava preparado para outro ataque, mas ela foi mais rápido que ele, dando um golpe firme no seu nariz com a testa que mesmo não fazendo sangrar, conseguiu a sua liberdade.

Ela saiu de perto da parede e afastou dele.

— Eu escutei, mas não vou falar para ninguém, se você se comportar.

Naruto estalou a língua na boca e a olhou ironicamente com metade de um sorriso brincando nos lábios. — Mas, quem que acreditaria em você, pirralha?

Hinata pensou um pouco e se sentiu ofendida. — Claro que acreditariam em mim!

Ele riu. — Quem, exatamente? O seu chefe? Ele sabe que você não gosta de mim.

— A polícia!

— Que prova você tem?

— Os meus olhos? — ela apontou para os olhos perolados, sentindo o seu temperamento subir.

Ele deu um passo vagaroso na sua direção. — Hum… Será, então, que devo arrancá-los?

Hinata se colocou em posição de luta, de forma desafiadora. — Só tenta vir pra cima de mim! Eu sei que você pode me matar, mas eu não vou facilitar o seu trabalho, não.

Ele não queria rir, mas o fez. A situação era tragicamente cómica. — Eu posso te matar depois. — ele assegurou, antes de voltar o seu olhar para a comida no chão. — Quanto a isso, eu vou levar comigo. Te vejo na segunda.

Naruto pegou todas as sacolas do chão e voltou a entrar no seu escritório, fechando a porta atrás dele. Hinata imediatamente sentiu os ombros mais leves, mas o seu alívio foi apenas momentâneo. Ela olhou para as suas mãos e lembrou que ainda estava morrendo de fome.

Ele tinha levado a sua comida?

Notas finais
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