Guarda-costas
94 Capítulo noventa e quatro
Notas iniciais
— Não me diga que você simplesmente deixou o idiota ir embora? – Hyuga Hanabi perguntou. – Sem falar mais nada?
Já havia passado um mês, desde o último dia que ela havia visto Naruto e três semanas desde que a sua irmã havia chegado de surpresa. E, apenas depois de ter passado todo aquele tempo que ela conseguiu, finalmente, explicar para ela o que havia acontecido no último ano.
Não era como se ela não confiasse em Hanabi, mas era difícil admitir o quanto as coisas haviam dado errado para ela. Ela havia perdido sua melhor amiga, seu namorado e seu emprego em apenas algumas semanas, logo depois de achar que havia finalmente encontrado toda a alegria do mundo com as pessoas que estavam ao seu redor.
Ela e Hanabi haviam voltado para o apartamento de Sakura e estavam organizando as várias coisas de Sakura em caixas para doação, Hinata achou que não conseguiria completar aquela tarefa, mas aquilo se tornou mais fácil do que imaginava, a medida que distraia a sua mente contando tudo para a sua ouvinte.
Hinata enxugou o suor da testa e finalmente respondeu:
— O que você queria que eu fizesse, me agarrasse na perna dele?
— Claro que não, mas você deveria ter obrigado ele a te escutar... Talvez fingindo um pire paque, eu DUVIDO se ele iria embora te deixando sozinha quase morrendo.
— E eu enfiaria o meu orgulho no cu? – Hinata olhou abismada para a sua irmã.
— O que é o orgulho perto do amor e um pau grande para nos satisfazer?
— Como demônios você sabe que tem um pau grande? – Hinata balançou a cabeça confusa. – E porque demônios eu estou falando do pau dele com você.
— Hump! – Hanabi fechou uma caixa com fita em abundância e a chutou para o lado. – Nenhuma mulher, chora o tanto que você chorou por querer continuar sentando em um pau pequeno...
— Hanabi!
— Ué, é como a nossa família funciona...! – Hanabi lhe ofereceu uma piscadela passando por ela, dando-lhe um tapa na sua bunda. – Nós Hyuga não nos satisfazemos com pouco. O pai, por exemplo...
Hinata tapou os ouvidos e deu grito agudo, assustando Hanabi que ia em direção a cozinha atrás de um pouco de água. O apartamento estava ficando ainda mais quente com o passar das horas, isso porque o ar-condicionado central havia dado problema novamente.
— Você está doida, maluca? Que diabos de grito foi esse?
— Eu estou salvando os meus ouvidos! – Hinata reclamou irritada. – Você estava a ponto de falar do... do... do... daquilo do papai.
Hanabi franziu o cenho a olhando como se ela fosse um ET.
— Eu ia falar que o que chamou a atenção do nosso pai para a mamãe foi a bunda gigante de melancia que ela tem! Uma pena que ele percebeu muito tarde que ela era uma psicopata.
— Você sabe que você é exatamente como ela não?
— Eu não tomo isso como um insulto. Ser um bobão como você e o papai... Isso sim é um insulto.
— Eu não sou uma bobona! – Hinata mostrou a língua para a sua irmã. – E pare de falar assim comigo, eu sou a sua irmã mais velha.
Hanabi sorriu, colocando um pouco de água em seu copo e olhando para Hinata de forma provocadora. Para uma pessoa com apenas dezoito anos, não era um exagerado falar que ela de fato havia adquirido a personalidade sombria e psicótica de sua mãe.
Em outra vida, Hinata tinha certeza que ambas haviam sido vilãs horríveis capazes de destruir cidades inteiras sem sequer suar, assaltar castelos, raptar princesas... Como verdadeiros monstros.
— De fato, eu não posso mais te chamar de boboca... – ela começou, com o seu sorriso se ampliando ainda mais. – A ideia de matar a sogra antes mesmo das coisas ficarem sérias, foi um golpe magistral... Eu confesso que nunca pensaria em tal coisa, mas você estava certa, pelas coisas que eu escutei, você muito dificilmente conquistaria o coração de sua sogra.
— Eu não a matei por isso! – Hinata gritou irritada mais uma vez. O seu temperamento mal-humorado apenas piorava na presença da sempre maliciosa irmã mais nova. – Eu sequer sei se de fato puxei o gatilho, tudo parece uma enorme nuvem negra na minha cabeça. Eu mal lembro como cheguei naquele prédio.
— Então, diga que você não fez nada. Ele pode te perdoar, se você dizer que é meio maluca da cabeça. Eu acho que as pessoas chamam isso de inimputabilidade penal.
— puta, o que?
— I-NIN-PUTA-BILIDADE... – Hanabi soletrou. – É incrível que você só tenha pego o ‘puta’ da palavra.
— Quem usa esse tipo de palavras, de qualquer forma?
— Que seja, esse não é ponto. – Hanabi estalou os dedos. – Foco, Hinata! Precisamos contar para ele, que você não estava em seus plenos sentidos e não sabe o que ocorreu no dia. Lembrando de tudo que Kushina fez com a Sakura, eu já posso dizer que ela era uma mulher podre, os inimigos dela devem estar por toda a parte. Quem garante que alguém não tenha usado você? Embora, eu goste de acreditar que a minha irmãzinha tenha apenas simplesmente se livrado da sogra para facilitar a sua vida, eu duvido um pouco que isso tenha realmente acontecido.
Hinata deu as costas para Hanabi e continuou a olhar para as caixas colocando coisas aleatórias em cada uma delas. Ela não respondeu Hanabi e isso não passou despercebido.
O negócio era que a cabeça de Sakura não estava pesando apenas por aquele mal entendido, mas várias outras coisas. Ela conseguiria esquecer o que ele fez, dando-lhe as costas tão facilmente?
— O que foi? – ela perguntou, mas Hinata deu de ombros. – Pensei que você ficaria feliz sabendo que eu apoio o seu pau amigo.
Hinata revirou os olhos e continuou a embalar as caixas. Ela subitamente sentiu um peso enorme nos seus ombros. Era como se toda a sua animação tivesse ido embora de uma única vez.
— Eu não sei se eu deveria me explicar ainda mais, ele não acreditou em mim, quando eu disse o que tinha acontecido. Não era como sequer ele tivesse conhecido você ou a mamãe antes para pensar que eu poderia ter feito algo parecido.
— Novamente, não vou tomar isso como um insulto. – Hanabi se aproximou de Hinata e se sentou ao lado dela, passando um dos seus braços, por cima do seu ombro. – Você tem que levar em consideração que ele tinha acabado de perder a mãe e não importa o quanto a mulher havia sido um furúnculo de cruz credo enquanto estava viva, ele ainda era o filho dela.
Hinata balançou a cabeça com força, tentando se livrar de uma memória ruim. — Eu não quero receber um outro não na cara. Além disso, eu ainda tenho que resolver as coisas com o Sasuke... Ele pode ter morrido.
Hinata procurou rapidamente uma desculpa. Não tanto apenas uma desculpa, porque havia um fundo de verdade, ela queria saber o que havia acontecido com ele, saber se ele estava vivo. Haviam muitas coisas que ela havia se arrependido daquele dia, mas nada superava o fato dela ter cumprido o desejo desesperado de suicídio que Sasuke tinha estampado na sua testa.
— Vamos cuidar de um cara gostoso de cada vez, Hinata. – Hanabi deu outras das suas dicas de sabedoria. – E, sinceramente, o problema ‘Naruto’ é o único que você consegue resolver sozinha, além disso, tem um prazo para você acertar as coisas.
— Prazo? Por que teria um prazo para eu me explicar com Naruto?
Hinata olhou confusa para Hanabi e mordeu os lábios. Ela conhecia muito bem a irmã que tinha e mesmo que não tivesse a visto por bastante tempo, ela sabia dizer exatamente quando ela estava escondendo algo.
Hinata pegou um grande consolo que estava guardando na caixa de Sakura e apontou para Hanabi, ameaçando-a.
— Pode começar a falar, mocinha.
— Talvez... Talvez, eu não tenha te contado algo.
— O que foi? – Hinata colocou o objeto na caixa e sentiu o seu coração apertar. Uma sensação ruim percorrendo o seu corpo.
— Eu vi uma notícia uma semana atrás no twitter... Era um daqueles blogs desacreditados de fofoca e super sensacionalistas que estão apenas em busca de pouco de buzz.
— Fala, menina!
— Naruto foi visto com uma mulher saindo de uma cerimônia para a mãe dele, a notícia falava que ele está noivo.
Hinata sentiu o impacto da palavra noivo, antes mesmo que o real significasse daquela frase a atingisse. Noivo, como em alguém que vai casar... Como em alguém que tem alguém para casar... Uma noiva?
Naruto tem uma mulher?
— Com quem que ele vai casar?
Hanabi suspirou profundamente vendo o estado de confusão que a sua irmã estava novamente se tornando. Ela não havia dito aquela notícia antes, porque não queria aumentar a fossa da irmã e, porque, havia pensado que o motivo dela ter estado todo esse tempo super triste havia sido por causa de uma traição do loiro com a mulher misteriosa das fotos.
Mas, não havia sido nada disso. Naruto havia ido embora por um mal entendido. E Hanabi poderia perdoar qualquer mau entendido, desde que não fosse traição. Se fosse, ela teria que vingar a honra e o coração partido de sua irmã pessoalmente.
— Não tem o nome dela, então ela sequer deve ser importante.
Hinata ignorou. — Ele vai se casar?
— Ela foi provavelmente a pessoa que vazou a notícia...
— Ele vai casar com uma mulher?
— Sabe.. Só para aparecer com um homem poderoso do lado?
— Não acredito.
Hinata completamente ignorava as tentativas de Hanabi explicar em uma melhor luz sobre o que poderia ter acontecido. Na visão de Hanabi, Naruto tinha um pouco do benefício da dúvida, depois de tudo que Hinata havia contado sobre ele.
Naruto simplesmente parecia apaixonado demais para machucá-la dessa forma.
— Ele não vai se casar! – Hinata declarou se levantando do chão onde estava sentada e Hanabi abriu um grande sorriso no seu rosto. – Por cima do meu cadáver que ele vai fazer isso comigo.
— Isso! – Hanabi levantou do chão também. – Por cima do nosso cadáver que aquela interesseira vai ficar com toda a fortuna dos Uzumaki, depois de todo o trabalho que você teve para se livrar daquela sogra maldita.
— Ele pensa que pode simplesmente dizer que não acredita em mim, me dar as costas e fechar as portas para sempre? – Hinata disse, cada palavra sendo carregada com ainda mais raiva. – Nem a pau que ele vai fazer isso comigo.
— E nós vamos explodir o cérebro daquela bruaca em mil pedaços apenas por ela ter pisado no seu território. – Hanabi continuava na sua própria linha de pensamento. – E se ele tiver dormido com ela, vamos cortar pelo menos uma das suas bolas preciosas!
Depois dessa frase, a raiva de Hinata caiu consideravelmente. – Você acha que ele dormiu com ela?
— Claro que não. – Hanabi dissuadiu o pensamento de Hinata rapidamente, percebendo a estupidez que havia dito. – É só uma desculpa para cortar um dos seus preciosos.
— E porque você quer cortar uma das bolas dele?
— Para te vingar. O filho da puta te machucou, obviamente, ele pagará por isso. Ninguém pode te fazer chora, exceto, eu.
Hinata pareceu desgostosa. E se ele tivesse de fato dormido com ela? Naruto não era conhecido por conseguir segurar os seus impulsos por muito tempo, além disso, os dois nunca estiveram realmente juntos. Como ela iria ter certeza que ela não era apenas mais uma foda?
— E depois de tudo eu simplesmente vou deixá-lo.... – ela disse, tomando uma decisão.
— O que?
Hinata olhou nas orbes de Hanabi que se pareciam tanto com as dela. – Depois eu vou para casa com você. E nunca mais aparecer na frente dele de novo.
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