Guarda-costas
18 Capítulo dezoito
Notas iniciais
Hinata se enterrou no próprio silêncio, enquanto encarava disfarçadamente para Naruto por cima do seu prato de comida. Ele não havia pedido nada para comer e, em vez de ir embora, como ela esperava, ele se encostou confortavelmente na cadeira de madeira e começou a trabalhar pelo celular.
Ela não sabia porque ele continuava alí sentado na sua mesa, se ele não pedia nada, mas não pensou em perguntar. Os homens de preto — que ainda lhe intrigavam -, continuaram posicionados ao redor deles, sem se moverem.
E se não fosse pela enormidade do tamanho deles, Hinata esqueceriam que eles estavam alí a menos de três passos de Naruto.
Tudo isso fez com que ela comesse a sua refeição mais que depressa.
Assim que ela terminou, o tio da barraca voltou a aparecer, mas ele parecia em dúvida se ele deveria se aproximar ou não da mesa. Tudo isso foi resolvido, quando um dos homens de Naruto impediu a sua aproximação e pegou a conta da sua mão.
Hinata se levantou rapidamente e tentou tomar a sua conta de volta.
— O que você está fazendo? — ela perguntou.
O homem a ignorou e pegou algumas notas do bolso que ultrapassavam em muito o valor escrito na comanda e entregou para o tio. Ela tentou falar alguma coisa, mas o tio da barraca enfiou as notas na roupa e se curvou em agradecimento.
— Volte quando quiser, filho. — ele disse com um enorme sorriso no rosto. — E traga seu irmão junto. — Hinata arreganhou os dentes, mas ele continuou distraído. — Ele é muito bom com você, seja boazinha com ele.
Ele voltou a entrar para a sua cozinha e Hinata lhe lançou um sinal rude pelas costas. Naruto também se levantou e começou a sair da barraquinha. — Vamos! Ainda tenho coisas para fazer, depois de te deixar em casa.
— Porque eu iria para casa? Eu já estou bem para voltar para o trabalho.
Naruto parou de se mover e se voltou a ela. Sua voz ainda parecia irritantemente fria como antes, mas ela havia pego uma certa incerteza nas suas aquelas palavras.
— Você quer voltar ao trabalho?
— Claro! — ela respondeu simplesmente. — Eu fiquei quase uma semana parada, eu estou entediada como inferno.
— Pirralha, você acabou de levar um tiro. Deveria estar pedindo demissão.
Hinata torceu os lábios em óbvio desgosto. Ele a tomava como uma covarde que desistiria na primeira chance? Ele estava pensando pouco dela, só porque ela havia se deixado carregar aquela noite? Ela sabia que isso aconteceria, mas ele estava muito enganado se ela iria embora facilmente. Agora, ela queria aquele trabalho.
— Por que eu faria isso? Você precisa de mim mais do que nunca.
— Não, eu não preciso.
— Engraçado você dizer isso. Você pode estar se achando muito coisa, porque tem esses armários com você, mas que eu saiba nenhum deles estava por perto quando tentaram te matar. — Hinata pegou as suas bolsas do chão e jogou sobre os ombros, apertando a apertando a mandíbula com força quando o seu lado direito pinicou em dor. — Eu sou melhor que todos eles. Vamos!
Hinata passou por Naruto, deixando uma de suas malas esbarrar em seu impecável terno. Ela caminhava com passos determinados até a frente do seu carro e parou esperando por ele.
Os membros da sua família responsáveis pela sua proteção olhavam desconfiadamente para Hinata e esperaram pelas suas ordens, sem saber exatamente como agir naquela situação.
Naruto suspirou, também confuso com a situação. Nesses últimos cinco dias ele tinha esquecido o que era sentir qualquer tipo de emoção que não fosse raiva. Mas, agora ali estava ele tendo dificuldades em desvendar a sua guarda-costas.
Ele estava esperando dar adeus a ela, juntamente com um pedido de desculpas por tê-la colocado em uma situação de risco desnecessária, mas não apenas ela não havia deixado que ele dissesse adeus, mas também se recusava a deixá-lo ir.
Naruto voltou a se mover, aproximando-se de onde ela estava parada esperando e empurrou a sua testa com os dedos até que ela saísse da frente da porta do seu carro. — Pelo outro lado. — ele disse simplesmente.
Dois dos seus homens tentaram pegar as suas bolsas, mas nenhum deles chegou muito perto, quando ela mostrou os dentes. Ela deu a volta no carro e entrou pelo outro lado, jogando as bolsas sujas em cima do banco do seu carro entre eles.
Naruto empurrou as bolsas para o chão e voltou a pegar o celular.
— Eu ainda quero dirigir o Black 1970 Dodge Charger. — ela disse assim que o carro começou a se mover.
— Agora entendi, porque você não vai pedir demissão. — Naruto respondeu secamente, enquanto ela se curvava para observar a tela do seu celular. Vários números e gráfico incompreensíveis brilhavam na tela. — E pelo que eu me lembre eu disse que você iria olhar a uma distância segura de 50m, não dirigir.
— Não seja assim, Naruto. Você mesmo diz que é um homem de negócios, então negocie comigo. O que você quer?
Ele a olhou por cima do celular. — Peça demissão.
Hinata revirou os olhos e soprou o cabelo que insistia em cair sobre os seus olhos, o seu cabelo estava ficando muito grande quase batendo na bochecha. E isso estava lhe incomodando enormemente.
— Não vou fazer isso.
— Pensei que ficaria feliz em se livrar de mim.
Ela o olhou seriamente. — Eu não sou uma covarde! Eu não vou te deixar sozinho enfrentando… Alguém que você não quer me contar…
Naruto se voltou completamente para ela e percebeu a seriedade como os olhos perolados de Hinata o fitavam fixamente. — Por que você está se importando tanto, pirralha?
Naruto queria que ela se sentisse constrangida e voltasse a ser a sua guarda-costas idiota, mas Hinata sequer desviou os olhos do seu e com a voz firme, continuou. — Eu não sou de correr na primeira situação complicada, Naruto. Além disso, eu prometi ao Sasuke que cuidaria de você e eu nunca voltou atrás com a minha palavra.
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Gaara estava com uma taça de vinho olhando a paisagem dos seus jardins, quando um carro freou bruscamente na frente da sua casa. Os seus guardas apontaram armas para o intruso do carro, mas quando o intruso saiu do carro e começou a discutir, nenhum deles soube o que fazer.
Ele observou como facilmente aquela pessoa ludibriou os seus guardas na conversa, o suficiente para conseguir se aproximar e dominá-los com golpes ágeis de desarmamento. Sem delongas ele desacordou os guardas e entrou na casa.
Gaara suspirou, percebendo a sua casa ser invadida. Ele não esperava receber visitas àquela hora, mas considerou que em decorrência de todos os acontecimentos, a presença daquela pessoa se tornou algo inevitável.
Não demorou muito tempo para que a porta do seu escritório fosse aberta e fechada de maneira abrupta, mas, em vez de se virar imediatamente, ele continuou a olhar fixamente o seu jardim e beber calmamente a taça de vinho que estava na sua mão.
— Os seus guardas não conseguiram me impedir de entrar.
— Se eu tivesse a intenção de impedir de você entrar na minha casa, você não tinha passado sequer da porta, Deidara.
Ele abaixou a taça de vinho e finalmente se virou para o seu intruso. O homem que estava atormentando a sua vida a alguns meses, metendo o nariz onde não deveria e atrapalhado alguns de seus negócios mais importantes.
Deidara sorriu animadamente, enquanto se aproximava e encostava na sua mesa, encarando-o de frente.
— Quer dizer que você sentiu a minha falta e me deixou entrar?
— Quer dizer que eu estou cansado de ver o meu sistema de segurança destruído toda vez que não deixo você entrar.
— Não seja assim, Gaara, eu senti a sua falta.
Gaara bebeu mais um gole da sua taça e encostou-se na sua janela, observando cuidadosamente os traços delicados daquele homem. Ele tinha cabelos loiros longos e lisos, uma pele branca que ficava facilmente corada com o calor ou excitação.
Hoje, ele estava excitado com energia transpirando pela sua pele.
— O que você quer?
Deidara sorriu e se aproximou mais um pouco, ficando a menos de um passo do corpo de Gaara. Ninguém nunca se atrevia a se aproximar tanto dele, mas Deidara sempre puxava aquele limite ao extremo. — O que eu quero, você não vai me dar, então, porque pergunta?
Gaara desceu os olhos para a distância que impedia que os dois se tocassem e tentou sentir raiva daquela aproximação, mas a raiva não veio… Ela estava entorpecida pelo vinho e pelos estranhos pensamentos que gostavam de invadí-lo toda vez que estava na presença daquela pessoa.
Deidara aproveitou o seu escrutínio e tomou a taça das suas mãos, levando a boca no mesmo lugar onde ele havia bebido anteriormente.
— Você não parece com um humor muito bom, hoje. Eu posso oferecer uma mensagem. — ele subiu nas pontas dos pés e sussurrou lentamente no seu ouvido. — As minhas mãos fazem maravilhas.
Os homens de Gaara apareceram pela porta do seu escritório e Deidara revirou os olhos se afastando dele. Gaara olhou com frieza, quando os seus seguranças levantaram suas armas e apontaram para o intruso que se colocou ao seu lado.
Ele deveria pedir para os guardas atirarem, assim como deveria ter feito na primeira vez que aquele homem se atreveu a entrar no seu escritório sem ser convidado. Mas, assim como na primeira vez, ele não seguiu os seus instintos.
— Deixem-nos sozinhos.
Os guardas se entreolharam desconfiados, mas saíram assim como ele ordenou.
Deidara o olhou de lado e sorriu de canto a canto dos lábios. — Eu amo quando você fica todo mandão.
Gaara se afastou antes que Deidara partisse com um ataque completo para cima dele. — O que você quer, Deidara?
— A Akatsuki me enviou para te matar. — Gaara sentou-se no seu sofá, ignorando a falta da sua taça que o loiro ainda tinha em mãos. — Porque você está do lado do Uzumaki nessa briga, Gaara? Não é como se ele tivesse muita chance de ir contra as sete famílias e sair vivo.
Garra sentou-se no sofá. — E por que a Akatsuki está envolvida nisso também?
A Akatsuki era uma organização de assassinos de aluguel que muitas vezes era contratada para executar algumas pessoas que iam contra as ordens do cartel de drogas das sete famílias. Ele já havia feito parte daquela seleta clientela e tinha utilizado os seus serviços algumas vezes, antes de legalizar os seus negócios e trabalhar dentro da lei, mas certas conexões eram difíceis de se livrar.
Principalmente, quando você sabia muito mais que uma pessoa comum.
— Alguém nos pagou uma grande soma de dinheiro para dar cabo nele e em todos os seus aliados. Você não está com ele, não é?
— Hum…
— Hum, o que? — Deidara moveu-se para sentar ao lado de Gaara no sofá e deixou o vinho na mesa de centro. — Você está escondendo a Kushina ou não? Tá todo mundo falando sobre isso.
Gaara suspirou, lembrando-se de novo sobre o motivo do porque havia tido que voltar tão rápido da China. — Desde quando eu forneço proteção para alguém?
— O comentário geral é que aquela mulher está sob a sua asa até o filho voltar e assumir o lugar. Isso é mentira, não é? Eu não gostei nada, nada, de escutar essa história.
Gaara o olhou silenciosamente e pegou de volta a sua taça, bebendo um pouco do líquido que sobrou. Deidara pareceu chocado com a sua atitude, mas depois sorriu satisfeito.
Gaara levantou do sofá, ignorando-o e foi até a porta. — Melhor você ir. Está ficando tarde e eu estou cansado.
Deidara se levantou, não se sentindo muito a fim de ir embora. Ele queria permanecer na presença de Gaara, mesmo que ele não gostasse exatamente da sua presença. — Eu ainda deixo de pé a proposta da massagem. — ele disse sugestivamente.
Deidara aproximou a mão tocando no peito de Gaara e deixando um papel no seu bolso. E saiu.
Gaara sentiu o seu peito aquecer, exatamente no lugar onde Deidara havia tocado. Ele não era acostumado a receber o toque de ninguém e qualquer um que tentasse saia com um ou dois dedos quebrados, mas aquele toque, em especial, não havia sido tão ruim.
Ele escutou Deidara partindo com o carro da mesma forma brusca que havia chegado e foi para o quarto.
Tirando a roupa, procurou o papel que Deidara colocou no seu bolo, esperando encontrar alguma mensagem pervertida e o número do idiota no papel. E exatamente como esperava, o número que ele já sabia decorado estava alí escrito em linha curvilíneas perfeitas, mas debaixo em letras minúsculas também havia outra mensagem.
Y K
Gaara sorriu sozinho na privacidade do seu quarto, confirmando todas a teorias que já imaginava na sua cabeça. Ele deitou na cama e pensou que da próxima vez, talvez, convidasse o loiro para uma taça de vinho.
Deidara merecia daquela vez.
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