Guarda-costas
53 Capítulo cinquenta e três
Notas iniciais
A culpa disso tudo é malditamente sua!
Naruto já havia repetido aquela frase na sua cabeça mais de mil vezes durante todo o tempo em que ele estava a procurando, mas agora a culpa estava o comendo vivo, enquanto ele observava Hinata sentada na varanda do seu quarto, parecendo completamente miserável.
Ela estava vestida em apenas uma fina camiseta e calça, nem o casaco do seu paletó estava posto, deixando o seu corpo exposto ao frio da noite. E para completar o seu tormento, ela também tinha uma garrafa de bebida quase vazia nas mãos e ele tinha quase certeza que o conteúdo havia sido destruído por ela.
A culpa era completamente sua.
Ele tinha mantido em sua mente de forma muito clara as coisas que ele precisava fazer para se preparar para a reunião. Quais deveriam ser as suas prioridades. E para isso ele fez o possível para se afastar, tentou ignorá-la durante todo o dia, beijou outras mulheres...
Com o objetivo de impedir que os seus inimigos chegassem muito perto de suas pessoas e, principalmente, desconfiassem sobre a verdadeira importância dela para ele.
Mas, como sempre ele havia a machucado, porque tudo que ele fazia era destruir as coisas boas na sua vida.
E Hinata havia se tornado essa coisa boa.
Ele tentou avisá-la que nos próximos dias ele faria coisas que não lhe dariam muito orgulho, e contou com que ela entendesse as escolhas que ele tomaria dalí para frente. Mas entre entender e conviver com escolhas, havia uma distância de milhares de quilômetros.
Assim como ele havia entendido a muito tempo que ela significava para ele muito mais do que uma simples guarda-costas, mas não conseguia conviver com a ideia de que precisava se afastar para mantê-la protegida.
Ele deixou que ela permanecesse ao seu lado e como um idiota, mesmo sabendo que a machucaria mais cedo ou mais tarde, aproveitou a presença dela e todas as diferentes emoções que ela lhe trazia. Tudo por culpa dos seu próprio egoísmo.
Agora tudo que ele conseguia sentir era raiva, culpa e medo. Porque ele tinha certeza que tinha fodido tudo. E mesmo sabendo que o melhor para Hinata era que ela finalmente entendesse quão complicado e indisponível ele era, Naruto não queria perdê-la.
Naruto ainda conseguia sentir as mãos e os lábios da mulher que ele havia tocado na piscina, bem na frente de todos, inclusive de Hinata. Ele a obrigou a assistir aquelas cenas, também por uma egoísta decisão, e não permitiu que ela acompanhasse as equipes de ataque responsáveis por descobrir os esconderijos dos outros membros da tríade.
Ele havia explicado, que a sua ausência poderia fazer com que outras pessoas desconfiassem de suas intenções, mas essa era outra mentira que ele teve que contar a si mesmo e a ela.
Naruto apenas não queria que ela estivesse longe do seu campo e visão. Porque perto dele, mesmo que a merda desandasse de vez, pelo menos ele poderia garantir que ela permanecesse intacta.
Naruto se aproximou não conseguindo esconder a sua irritação e foi diretamente para a garrafa de bebida na mão dela.
Hinata era péssima com álcool. Era uma das coisas que ele achava tão interessante nela. A sua selvageria era natural e ela não precisava de nenhuma bebida alcoólica para conseguir se mostrar a pessoa mais louca que ele conhecia.
E era justamente pelo fato dela ter bebido quase uma garrafa toda que ele sabia o quão errado ele estava.
— Devolve! — Ela disse levantando a mão para buscar a bebida, mas Naruto não se importou com as suas reclamações e sentou-se na sua frente, observando o estrago que havia feito àquela menina.
Respirando fundo, ele tentou guardar os seus sentimentos novamente, como ele sempre fazia, mas que a cada momento ficava ainda mais difícil de conseguir.
— O quanto você tomou?
— Não te interessa. — sua voz era arrastada pelo álcool.
— Você esteve aqui esse tempo todo? — ele perguntou apertando os dentes com força.
Ela o olhou surpresa provavelmente pela sua aparência áspera, ou pelas marcas de outras mulher no seu corpo. No desespero, procurando por ela, ele não tinha pensado em se limpar. Ele não tinha sequer pensado em nada.
Engraçado, ele ser tão protetor com ela agora, quando tudo que ele tinha que ter feito era não tê-la deixado presenciar a sua deplorável festa de orgias na piscina.
— Onde mais eu estaria? — ela perguntou confusa. O seu cabelo estava completamente desgrenhado pelas constantes vezes que ela o puxava.
— Não sei, talvez andando pelas ruas sozinha. — ele não conseguiu se controlar e aumentou o tom de voz. Naruto não tinha a intenção de ser grosseiro com ela, mas as emoções estavam tomando a melhor dele. Ele respirou fundo novamente tentando clarear a mente e voltou a falar mais calmo. — Eu entendo você está com raiva de mim, mas porque você não atendeu minhas ligações ou mensagens. Porque, porra, você simplesmente não pediu para qualquer pessoa.... Qualquer um, me dizer que você estava aqui? Hein?
O olhos de Hinata se esbugalharam tentando se encontrar na fumaça de embriaguez que nublava a sua mente. — Porque você está gritando comigo?
— Porque…!
Naruto deu um soco na grade da janela e ele percebeu quando o corpo de Hinata pulou pelo susto. No mesmo momento, que ele percebeu, ele já estava arrependido. Ele não queria perder o seu temperamento na frente dela, principalmente quando o culpado pelo estado dela era apenas ele.
A mão dele começou a sangrar, mas ele não se importou com nada disso e segurou o olhar nos de Hinata. Ela tinha os olhos mais lindos que ele já havia visto e não porque a cor era surpreendentemente diferente, mas porque eles eram como um reflexo de tudo que ela sentia.
Ele sabia exatamente como ela se sentia a todo o momento, porque ela não fazia questão de lhe esconder nada. Raiva, angústia, agitação, loucura, até mesmo a timidez que ela guardava apenas para a paixonite de criança que ela sentia pelo Sasuke. Ele também amava quando observava aqueles olhos depois de beijá-la, porque era realmente doce a forma como ela se derretia sem perceber.
E era esse olhar que ele queria ver mais vezes no seu rosto e não a mágoa que ele assistia agora se escondendo atrás da embriaguez proposital.
— Por que eu estava louco te procurando por todo lugar, jurando que eu te encontraria morta com um tiro na testa... Por isso, Hinata!
Ela piscou várias vezes para a sua declaração e depois engoliu em seco. Talvez apenas agora ela tinha percebido o quão puto da vida ele realmente estava com ela.
Ela tentou se afastar um pouco mais dele, mas espaço não era algo que ela tinha e ele não sairia dalí apenas para deixá-la mais confortável. Por que mesmo que a culpa tenha sido sua, ele não conseguia simplesmente esquecer quão assustado ele estava alguns minutos atrás.
— Você não pode ficar tão chateado comigo. — ela apontou o dedo para Naruto em um aviso. — Eu que deveria estar chateada com você.
Ele permaneceu calado observando, enquanto ela tentava procurar argumento. Ele sabia muito bem como a mente dela funcionava. Hinata costumava ser bastante impulsiva nas suas respostas a qualquer coisa, exceto quando ela tentava convencer alguém racionalmente de que ela estava certa.
O que ela não sabia, era que nenhuma quantidade de convencimento funcionaria com ele, pelo simples fato de que ele sabia que ela estava certa.
— Você foi o único que me deixou presa aqui, quando eu poderia estar sendo útil em algum outro lugar.
— Por isso você esta bebendo? — ele perguntou com um sorriso irônico no rosto. — Porque eu não te deixei correr para o perigo na minha frente?
Ela abriu a boca, mas logo fechou. Naruto sentiu vontade de balançar Hinata para que aquela bebedeira fosse embora mais rápido, mas ele optou pela opção mais segura. Ele segurou a mão dela e a levantou do chão.
Hinata se surpreendeu com a ação brusca e se desequilibrou ao se levantar. Mas, Naruto estava bem alí para segurá-la.
— Por que demônios você tinha que beber tanto, hein?
Ela tentou encontrar algum ponto de equilíbrio nos seus pés.
— Estava divertido até você chegar!
— Deveria estar!
Naruto a arrastou com ele pela sala e não pode se impedir de olhar por cima do ombro, exatamente no lugar onde Hinata estava sentada. Ela estava tão vulnerável naquele lugar! Qualquer um no prédio ao lado poderia facilmente atingí-la com uma arma de alto calibre e longa distância.
Porque demônios ela não tinha pensado nisso?
Ele a apertou mais forte ao seu corpo e sua irritação aumentou muito mais, dessa vez, direcionada completamente a ela. Ela deveria saber melhor, do que se colocar em risco daquela forma.
Ela era como um peso morto no seu braço, esbarrando em todas as coisas e tropeçando nos próprios pés, até que ele cansou de apenas arrastá-la e a jogou por cima dos ombros descuidadamente.
— Me coloca no chão, idiota, eu não sou um saco de batata.
— Não... Você é mais inútil que um!
— Porque você está sendo tão ruim comigo? Hein?? — ela continuou a bater com força. — Porque você não volta para aquelas mulheres lá fora? Ela te fazem feliz.
— Incrível como a sua língua está funcionando agora. — ele deu um tapa forte na sua bunda.
— Ai! Que porra! Isso doi, caralho!
— É para doer. — ele deu outro tapa na sua bunda. — E olha essa boca.
— Eu vou vomitar! — ela gemeu e bateu nas suas costas.
Alguém abriu a porta e Chouji entrou preocupado no quarto. — Não conseguimos encontrar…
Ele parou de falar assim que observou o peso morto em cima dos ombros de Naruto.
— Ora, ora! — ele disse com um sorriso de alívio no rosto. — Parece que o senhor encontrou a pirralha!
— Sim. — Naruto disse secamente. — Como foram as missões hoje?
— Conseguimos descobrir algumas outras localizações, podemos fazer alguns strikes amanhã pela manhã antes da reunião, se o senhor quiser. — Chouji respondeu. — Além disso, descobrimos a posição de Hidan.
— Hum...
— Eu quero ir! — Hinata disse com a voz abafada atrás de Naruto e este completamente a ignorou.
— Quero que todos as posições descobertas sejam monitoradas, por enquanto apenas observação. Eu quero descobrir se eles estão tramando alguma coisa antes de tomar qualquer decisão.
— Existem homens de Nagato e Tomoyo ao redor do hotel, encontrei alguns hoje, mas nenhum deles se aproximou muito. Eles estão mantendo cerco no hotel.
— Mande alguns homens para observar o andar. Não quero ninguém chegando aqui perto. Precisamos manter cuidado até a reunião.
— Não se preocupe com esses babaca, eu te protejo! — Hinata disse mais alto e balançou as pernas na frente de Naruto. Chouji tentou ao máximo manter a sua postura profissional e tossiu fortemente para disfarçar a gargalhada que ameaçava sair.
Ele recebeu um olhar fuzilante de Naruto que dissipou qualquer graça do ambiente. Ele sabia como o seu chefe era protetor, quase possessivo, com a sua irmã de juramento.
— Você não está em posição de defender nem a si mesma.
— Quem disse? — Hinata reclamou.
Ele voltou a sua atenção para Chouji. — Avise aos outros homens que essa louca foi encontrada. — Naruto se virou para ir ao quanto e Hinata começou a se balançar no seu ombro.
— Me larga, idiota!
Hinata voltou a gritar ainda mais, batendo nas suas costas. Chouji tentou se lembrar da última vez que uma pessoa insultou, foi carregada bêbada ou bateu em um membro da família principal dos Uzumakis ou melhor no chefe da tríade em pessoa, e não conseguiu se lembrar de nenhum episódio que fosse remotamente similar.
Hinata de fato era a menina dos olhos de Naruto!
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