Guarda-costas
54 Capítulo cinquenta e quatro
Notas iniciais
Hinata sentia a sua cabeça muito leve e o fato de que todas as coisas estavam de ponta cabeça apenas piorava em muito a sua situação. Como ela havia parado alí mesmo? A certo, Naruto, o infeliz miserável, desgraçado, mulherengo, galinha, filho da puta, psicopata havia a jogado por cima do seu ombro.
Tanto para se arranjar um cavalheiro descente.
Naruto começou a se mover, balançando a sua cabeça, enquanto caminhava, Hinata, por sua vez, começou a bater em suas costas com força na tentativa de se soltar. Ele sequer tentou se defender dela, era como se ele não sentisse os seus golpes e isso a irritou ainda mais.
Passando pelo corredor em direção ao quarto, Naruto fechou a porta com os pés e ela conseguiu visualizar a cama que os dois tinha dormido juntos na noite anterior. A mesma cama que ela estava imaginando que ele estaria em cima fazendo coisas insanas com outra mulher.
Hinata sentiu-se depressiva de repente e quando o seu coração se sentiu mais pesado do que deveria, ela sentiu que toda a sua bebedeira do dia esta querendo sair do seu estômago.
— Oh meu Deus!
Hinata se mexeu com mais força nos ombros de Naruto, que percebendo que ela estava para cair, a deixou descer. Assim, que seus pés bateram no chão, ela correu para o banheiro da suíte e fechou a porta, trancando do lado de dentro.
Só deu tempo para ela abrir a tampa do aparelho sanitário antes de vomitar toda a bebida do dia alí dentro. Naruto esmurrou a porta atrás dela, mas ela não sentia nenhuma vontade de responder. Tudo o que vinha na sua cabeça era enjoou e o gosto horrível de álcool na sua boca.
Ela fechou a tampa e deu descarga, sentando no chão ao lado do seu mais novo amigo. Isso era, definitivamente, o fundo do poço. Não existia nada mais embaraçoso que a sua situação atual. Fugindo do trabalho, ficando bêbada sem motivo e vomitando na frente do seu chefe.
Muito pior do que quando ela era apenas uma adolescente e se metia em mais confusão do que deveria, pelo menos quando ela mais jovem eram seus pais ou seu primo na porta do banheiro escutando a sua humilhação.
— Hinata, abre a porra dessa porta!
Porra!
Hinata sentiu a cabeça pular com cada palavra que Naruto gritava. Ela puxou o celular do bolso para ligar para ele e mandar ele calar a boca, mas assim que percebeu a quantidade de mensagens e ligações perdidas na sua tela, ela parou. Cruzes…
Ele estava realmente tão preocupado assim com ela? Bom… Não era como se ela estivesse agindo de forma muito adulta. Ela simplesmente correu do ‘teatro’ que Naruto estava montando sem qualquer motivo aparente, mas ele realmente achava que ela seria estúpida o suficiente para simplesmente andar nas ruas sozinha, em um lugar que ela não sabia nem a língua e que estava cercado de inimigo que fariam de tudo para colocar suas mãos no seu pescoço?
Ela parecia estúpida assim?
Agora que a bebida estava saindo do seu sistema direto para o sistema hidráulico do hotel, ela começou a se sentir com a mente um pouco menos esparsa.
E o pior de tudo era que a claridade vinha com um sentimento de culpa e raiva dela mesma. Desde quando ela tinha começado a fugir do seu trabalho, porque não aguentava ver seu cliente com outras pessoas? Principalmente, agora que Naruto estava precisando tanto dela?
Ela realmente não agiu da forma mais madura.
Mas, Hinata também estava com raiva dela. Porque por mais irracional que fosse, ele ainda assim poderia ter evitado tudo, enviando-lhe para seu útil em algum outro lugar.
— Hinata, você está bem? — A sua voz veio mais calma do lado de fora.
O tom de voz de Naruto parecia ainda mais preocupado que antes e dessa vez a sua cabeça girou por razões muito diferentes.
Ela excluiu as notificações do celular e mandou uma mensagem para ele:
Tudo certo aqui!!! Se manda.
O celular apitou do outro lado e depois de um tempo Naruto voltou a gritar da porta do banheiro.
— Se esta tudo certo, abre a porra dessa porta!
Hinata estava se sentindo além do seu estado normal de vergonha e se recusou a responder verbalmente a ele, pegando o seu celular novamente e enviando outra mensagem.
Vou tomar banho! E para de bater nessa maldita porta, minha cabeça esta para explodir!
Novo toque e Naruto apenas rosnou do outro lado antes de se afastar da porta. Hinata respirou aliviada, quando escutou os seus passos indo para longe dela. Ela tinha algum tempo para formular algumas respostas prontas para justificar os seus atos.
Além de se colocar um pouco mais descente e não piorar ainda mais a sua situação com a sua famosa honestidade bêbada.
Ela puxou as portas do armário aberta e pegou uma toalha, antes de se esforçar para sair do chão. Ela conseguiu se erguer depois de alguns segundos lutando pelo seu equilíbrio e no momento que se olhou no espelho na sua frente, ela teve vontade de se afundar no chão de novo.
Oh Merda! Naruto tinha a visto naquele estado!
Hinata esbugalhou os olhos surpresa com o rumo dos seus pensamentos, desde quando ela se importava sobre como as pessoas lhe enxergavam? Quanto mais Naruto que já tinha a visto em situações muito mais desgraçadas que aquela?
Hinata puxou os seus cabelos com forças, tentando fazer as ridículas sensações que acertavam o seu peito, pararem. Não era normal que o seu coração estivesse tão acelerado. E tudo aquilo fazia com que ela estivesse ainda mais perdida em um sentimento que poucas horas atrás a havia feito beber até o esquecimento.
Medo.
Ela estava com medo das coisas que estava sentindo. Ela tinha bebido porque não queria se lembrar das mãos de Naruto na mulher da piscina, mesmo sabendo que aquilo era tudo um grande teatro. Ela tinha fugido porque não queria que ele visse como ela tinha se tornado.
E agora, ela se sentia culpada porque o deixou preocupado. E se enquanto ele estivesse a procurando, algo tivesse acontecido com ele? Ela nunca se perdoaria se algo acontecesse com ele, porque se ele não existisse mais na sua vida, o que ela faria?
Nem o trabalho, nem os lugares que eles rotineiramente comiam, nem o treinador cruel que fazia de tudo para deixá-la mais forte, nem todas as pessoas que ela conheceu por causa dele, nem a pessoa com quem ela sempre conversava…
Hinata sentiu os seus olhos encherem de lágrimas que em pouco tempo começaram a correr pelas suas bochechas.
Inferno, ela não tinha cometido o erro de começar a gostar dele, não é?
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Naruto andou de um lado para o outro no quarto logo depois que foi dispensado por Hinata por mensagem. Aquilo era frio até mesmo para aquela pessoa que pouco se importava com o sentimento dele.
Ele apenas queria ajudá-la! Era realmente tão difícil aceitar ajuda. Para ele sim, para ela também. Nisso os dois era infelizmente muito parecidos.
Ele foi para a cozinha e puxou algumas coisas da geladeira. Ela tinha vomitado muito no banheiro e ele conseguiu escutar toda a sua angústia do outro lado da porta.
E agora, que ela não tinha deixado que ele entrasse no banheiro e cuidasse dela, tudo que ele podia fazer era preparar alguma coisa, para forrar o seu estômago e fazer a sua bebedeira ir embora mais rápido.
Naruto segurou a raiva novamente. Ela não deveria ter bebido daquela forma, não quando ela não estava acostumado com tanto álcool e, especialmente, não quando ela estava fazendo isso por causa dele.
Mas, era realmente por causa dele? Ela juraria de pé junto que não, mas ele sabia que sim. Por que estava nos olhos dela.
Naqueles olhos tão lindos e assustadoramente honestos. Ele podia perceber de longe que os dois já tinha ultrapassado a linha de cliente e guarda-costas a bastante tempo, mas ele tinha se iludido por algum tempo achando que o fato dela ser também a sua irmã juramentada havia a tornada mais suscetível a aproximação.
Até que ele percebeu que não foram apenas os olhares dela que mudaram, os seus também.
A pirralha que havia brigado com ele na porta de um clube, que o insultava constantemente, que não conseguia conviver com ele por causa do estúpido papel de playboy sem responsabilidade que ele tinha criado, havia se tornado a mulher que brigava por ele, que insultava por ele e que o defendia arriscando a própria vida.
Toda essa aproximação e mudanças que aconteceram nesses meses em que os dois não ficavam longe um do outro em momento nenhum… Tudo isso fazia muito sentido para ele agora.
Merda, ele quase perdeu a cabeça apenas imaginando que ela tinha saído do seu círculo de proteção. O que ele faria se algo mais grave tivesse acontecido? Se ela realmente tivesse sido machucada por sua causa? Ou se ela simplesmente fosse embora porque ele tinha muita carga para aguentar?
O que ele faria se ela dissesse que apenas não o quer, mesmo que ele jurasse que os seus olhos dizem coisas muito diferentes a essas?
Ele seria capaz de aguentar o golpe?
Nada na sua vida veio muito fácil. Primeiro, ele era o filho do seu pai, a pessoa que era herdaria a posição do seu progenitor como mão direita do herdeiro do chefe da tríade. Nessa época ele tinha muitas expectativas sobre si. Ele tinha que ser o protetor, alguém que cuidaria da sua família acima de todas as coisas.
Tudo naquela época parecia como um sonho.
O seu pai sairia da sua função e ele entraria como seu substituto, herdando um posição de honra. E ele faria o seu pai e o seu tio o olharem com orgulho.
Mas, o seu pai falhou e morreu para proteger a pessoa a quem ele estava destinado a cuidar.
Naruto sentiu que o seu sonho estava se esvaziando pouco a pouco, mas ainda assim acreditava que ele seu pai havia se tornado um herói para a sua família. Afinal, o que havia de mais honrado que morrer pelo seu próprio irmão?
Depois, com o nariz em pé por ser o único filho de um herói, ele sentiu o segundo golpe. Minato, a pessoa por quem o seu pai tinha dado a vida e Kushina, a sua mãe, a pessoa que o seu pai mais queria no mundo, apenas se uniram como um casal.
Ambos esqueceram quem era o seu pai, o que ele tinha sacrificado, a razão que ele havia morrido. E, no momento, que aquilo aconteceu, Naruto percebeu quem eram realmente aquelas pessoas. Pessoas que subjugavam os outros apenas porque poderiam convencê-los a fazer isso.
Que os enchiam de ilusões apenas para terem escravos, sempre dispostos a se sacrificar.
Naquele momento, mais duas pessoas haviam o deixado para sempre.
E foi quando ele desistiu daquelas pessoas e foi embora.
Yumi era a única coisa que lhe restava, porque ela havia sido a sua pequena e elegante irmãzinha que teria um futuro brilhante. Porém, infelizmente, ela tinha seguido os seus passos da pior maneira possível.
Jogou para a puta que pariu, tudo que a família significava e se casou com o pior inimigo do seu pai.
Naquele momento, ele também tinha a perdido.
E ele passou os últimos anos tentando não se apegar com ninguém, porque perder machucava. Doía a ponto de você desistir de si mesmo.
E ele teria continuado, dessa forma, com todo o prazer. Mas, ele não a viu chegando.
Não percebeu o que os seus atos esnobes eram apenas uma forma de fazê-la ficar com raiva, porque ele gostava de assistí-la com raiva.
Não percebeu que todas as vezes que ele a treinava de forma excruciante, a ponto de ela se machucar de verdade, não era porque ele estava simplesmente entediado, mas sim porque ele tinha medo de perdê-la para as mãos de outras pessoas.
Não percebeu que a implicância, os insultos, os xingamentos e as brigas sem fim eram apenas formas de fazê-la permanecer por perto, porque Hinata jamais sairia de perto dele, sem ter a mesmíssima última palavra.
E ele nunca dava a última palavra para ela.
Ele simplesmente não tinha percebido que já tinha se aproximado e se apegado como nunca antes.
Ele estava apaixonado! Que idiota!
Naruto sorriu sentindo o seu peito mais leve agora que tinha finalmente admitido isso para si mesmo.
Aquele estado emocional que ele aprendeu a muito tempo que apenas levava a traição, e que ainda o assustava, não conseguia o impedir de querê-la para si.
E, dessa vez, ele não jogaria isso fora. Agora tudo que ele precisava era escolher o momento certo para capturá-la para si, sem chance para qualquer tipo de fuga.
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