Guarda-costas
59 Capítulo cinquenta e nove
Notas iniciais
Naruto passou a mão no cabelo de Hinata, enquanto a observava dormir deitada no seu peito. Ele poderia contar nos dedos com quantas pessoas que ele havia se encontrado naquela posição, com alguém ao seu lado, agarrada nele depois do sexo e a maioria das vezes era mais um pedido da garota que um desejo dele.
Hoje, no entanto, era diferente.
Ele simplesmente não conseguia parar de tocar os fios do seu cabelo... Os ombros nus... Os braços delicados... Ele sequer conseguia parar de olhar o seu rosto que parecia tão inocente no sono.
Sentimentos sempre foram difíceis para ele resolver, mas se ele pudesse classificar o que ele estava sentindo naquele momento, a palavra que mais perfeitamente descreveria era felicidade.
Ele estava feliz por ter conseguido alguém que ele queria abraçar durante a noite.
Agora quão injusto aquilo era para Hinata? Ele não deveria estar se sentindo daquela maneira. Hinata nunca tinha se inscrito nada daquilo.
Sasuke havia a feito sua guarda-costas, sem lhe dar quase nenhuma escolha e se aproveitando dos sentimentos que ela nutria por ele. Hinata havia salvado a sua vida e, sem saber de fato o peso que aquele título carregava, havia se tornado a sua irmã de juramento.
Para finalizar, ele sozinho havia se aproximado, se importado e, finalmente, se apaixonado por ela sem que a mesma percebesse.
Isso não lhe parecia muito justo e pesava em sua cabeça.
Em nenhum momento, ele lhe deu uma escolha para fazer e ele tinha medo que o momento de fazer escolhas já ter passado a muito tempo. Para qualquer um dos dois.
Naruto balançou a cabeça tentando afastar os pensamentos da sua cabeça e Hinata se afastou dele virando para o outro lado.
O lençol deixou de cobrir os seus seios e Naruto sorriu quando ela lhe deu as costas. Aquilo era típico dela. Virando os seus pensamentos por horas a fio e depois simplesmente lhe dando as costas sem se importar com nada além do seu próprio conforto.
Ele suspirou e saiu da cama, ajeitando o lençol antes de se afastar. Naruto colocou uma calça e saiu do quarto, fechando a porta gentilmente atrás de si. Aquela não era uma boa hora para acordar a sua guarda-costas.
Pegando o celular Naruto percebeu que duas ligações haviam sido recebidas e não atendidas. Uma delas era de um número que ele preferiu ignorar, o segundo era, justamente o que ele estava esperando àquela hora da noite.
Naruto ligou de volta e em dois toques ele foi atendido.
— Te liguei antes. — A voz do outro lado respondeu assim que atendeu.
— Eu sei. — Naruto foi para a cozinha atrás de um pouco de água. Ele queria levar para Hinata em caso dela acordar no meio da noite com sede. — O que você quer?
— Eu segui o seu amigo.
Naruto já estava esperando por aquilo. — E?
— Achei várias coisas interessantes.
— Claro. — Naruto queria suspirar já esperando o pior, mas não queria demonstrar fraqueza para o outro lado da sua barganha. Tudo que ele tinha que fazer era pensar em quais seriam as sua próximas ações, caso suas suspeitas fossem confirmadas. — O que você tem para mim?
— Eu te disse que você tinha que tomar cuidado com as pessoas ao seu redor…
— Foda-se, Gaara. O que você quer?
O desgraçado do outro lado começou a sorrir.
— Acontece que eu não era o único atrás do Uchiha.
Naruto suspirou. — Quem?
— Um hacker famoso que você conhece muito bem.
— Porra, para de esticar o assunto. — Naruto falou impaciente.
— Kiba.
— Kiba?
— Ele é um conhecido da sua mulher. — Naruto sentiu a cabeça começar a montar vários cenários na sua cabeça, nenhum deles satisfatórios. Como Kiba poderia estar envolvido com aquilo tudo? Com o Sasuke?
— Eu sei quem ele é. Mande ele para mim. Eu irei interrogá-lo pessoalmente.
— Desde quando eu sou um de seus lacaios, Uzumaki? — Gaara ficou em silêncio por alguns segundos. — Ele é meu. Não vou deixá-lo ir assim tão fácil sem uma boa troca.
Naruto fincou a testa. — Como assim? O que você está tentando fazer?
— Vamos apenas dizer que ele pegou o meu interesse.
— Devo imaginar.
Naruto conhecia Gaara como um impiedoso filho da puta que comia corações no café da manhã. Para alguém considerado ‘limpo’ de todas as merdas antigas da sua família, ele tinha conseguido uma reputação bastante criminosa.
Ele não era uma pessoa fácil. Era perigoso, não confiava em ninguém e se escondia muito facilmente atrás da sua fachada de homens de negócios polido. A única coisa era que ele não enganava ninguém.
O cheiro de sangue flutuava o ar ao seu redor e pessoas com o instinto de sobrevivência um pouco ativado teria vontade de correr no primeiro encontro.
— Você quer saber o que ele estava fazendo atrás do Uchiha?
— Tem haver comigo?
— Bom, o seu Uchiha estava passando várias noites em companhia da pessoa que o contratou Kiba. Quer adivinhar?
Naruto sabia que o desgraçado estava se divertindo com ele, mas não respondeu a pergunta retórica.
— Haruno Sakura.
Naruto sentiu a sua respiração paralisar ao escutar um segundo nome que não esperava naquela noite. E uma das pessoas que poderia trazer mais complicações para a sua vida.
— O que?
— O Uchiha passou muito tempo esperando Haruno do lado de fora da galeria onde ela trabalha.
— O que ele estava fazendo?
— Eu acho que o seu homem está apaixonado.
Naruto revirou os olhos com a voz irônica de Gaara. Para alguém que não costumava falar muito, ele estava se tirando o atraso de uma única vez por telefone.
— Kiba estava procurando algumas informações da Haruno e encontrou uma sombra do Uchiha. Assim que nós o descobrimos.
— Que informações?
— Ele disse que estava procurando uma namorada antiga da Sakura. As duas tinham contas a resolver.
— Namorada? — Naruto beliscou a ponta de seu nariz ainda desconfiado.
— Sim. Mas, eu não comprei isso. Tem mais coisa nisso, mas aparentemente, minhas ameaças ainda não furaram a resistência dele.
— Eu posso resolver isso quando eu voltar. Interrogando ele, eu mesmo.
— Eu já disse que eu cuido disso. Eu quero recrutá-lo para mim. Um Hacker da qualidade dele é difícil de encontrar.
— Claro. — Naruto disse ironicamente, enquanto fechava os punhos com raiva. — Você pode fazer o que quiser com o Kiba, mas não se aproxime da Haruno.
— Outra amiga de sua mulher, não? — Gaara perguntou. — Agora eu me pergunto, porque será que a senhorita Hyuga escondeu o Kiba de você? Talvez ela não confie o suficiente no seu patrão, Uzumaki.
— Você está procurando briga no lugar errado, Gaara. Volte ao seu novo brinquedo mais tarde e vamos falar de negócios.
— Bom... Se você não acha que a Haruno é a mente maquiavélica que você está procurando, então o Sasuke deve estar falando com essa pessoa de outra forma ou... Ele é inocente.
Naruto respirou fundo. Ele queria que o Uchiha fosse inocente e não por que ele tivesse alguma ligação de lealdade com ele, mas simplesmente porque ele queria se poupar do problema de ter que contar tudo aquilo para Hinata.
— Vou procurar outra forma de descobrir. — Naruto pegou um litro de água e voltou para a sala. — Já tem o nome da pessoa que você quer amanhã?
— Sempre tive.
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Gaara desligou o telefone depois de conversar por mais alguns minutos. Tudo estava correndo da forma como os dois tinha planejado na última vez que se encontraram.
Naruto pretendia consolidar o seu poder perante as outras famílias e que melhor forma de fazer isso que matando um de seus membros quando eles estavam se sentindo tão seguros?
Agora a segunda parte do plano era um pouco mais complicada do que parecia e talvez não desse certo. O objetivo de Naruto era mandar um recado e ele só conseguiria isso arriscando tudo o que tinha.
— Porque você não disse para ele o que eu te falei?
Gaara estava sentado na poltrona da sua sala de estar olhando para o jardim do lado de fora das suas altas janelas. Sentado no sofá estava a presença irritante do seu mais novo desconfiado recruta. O cara não parava de falar, sempre com algo esperto a dizer e sempre escorregadio com as próprias respostas.
Ele faria um excelente lacaio, se conseguisse manter a boca calada por mais de dois minutos. Mas, quem ele estava querendo enganar…?
— Porque eu diria algo?
— Sei lá… Aumentar o caos? — Kiba respondeu irritado como sempre. Ele nunca relaxava, mesmo depois deles terem saído do cativeiro onde ele estava sendo mantido para a sua casa.
— O caos não me interessante nesse momento.
Gaara conseguia olhar Kiba pelo reflexo da janela e tudo que ele via lhe agradava. O homem era quase da sua altura, mas bem menor em seu físico. Ele parecia mais um nerd que um lutador e muito disso era mostrado pelo seu pouco instinto de sobrevivência.
Qualquer pessoa com o extinto um pouco mais apurado saberia que não era uma boa ideia confrontá-lo tanto assim e se manteria calado. Aquele homem ia na direção imediatamente oposta.
— Posso ir, agora que eu já que te contei todos os meus mais profundos segredos?
— Ir para onde? — Gaaa observou Kiba se levantar do sofá e começar a andar pela sua sala, tocando todas as suas coisas a vista.
— Te interessa?
— Claro, você é meu agora.
Kiba parou de andar e lhe lançou dardos com os olhos.
— Para de falar essas coisas nojentas?
— Nojentas porque? — Gaara quase sorriu, quase. — Eu disse que você era meu… Não disse para o que? — Gaara se levantou da sua poltrona e encarou o moreno irritado do outro lado da sala. — Quais pensamentos estão flutuando na sua cabeça, Kiba?
Kiba abaixou os olhos, enfiou as mãos nos bolsos e voltou a andar de um lado para o outro. Gaara seguiu até o seu mini bar e preparou um uísque para si, bebida diferente do seu costumeiro vinho.
— Eu não entendo o que você quer comigo.
— Eu posso precisar dos seus serviços em pouco tempo.
— Eu estou fora de mercado, não sabia?
— Mas, você trabalhou para a Haruno. — Gaara replicou, olhando Kiba por cima do seu copo. — O que foi que ela te ofereceu? Os seus serviços não me parecem baratos…
— O que você está falando? — Kiba parou a sua patrulha e olhou seriamente para ele. — Eu não troco meus serviços por sexo, idiota!
Gaara sentou-se no sofá e bebeu lentamente o resto da sua bebida, enquanto observava o moreno lhe encarando possesso.
— Uma pena. — ele disse, finalmente. — Realmente uma pena…
— Ahhh… — Kiba resmungou. — Cala a boca.
— Então, foram apenas suas boas intenções que te colocaram nessa confusão toda? — Gaara sorriu de lado. — Temperamental e ingênuo.
— Cala a boca. — Kiba repetiu chutando-se mentalmente, não era como se o mafioso psicopata do seu lado estivesse enganado. — Eu não queria ter feito isso.
Kiba voltou a andar, mas depois de um tempo parou de novo.
— Você realmente não vai me dizer porque não contou para o Naruto o que aconteceu?
— Você realmente quer essa informação, Kiba? — Gaara levantou uma das suas sobrancelhas inquirindo o moreno. — Por que diferente de você, eu troco as minhas informações por sexo.
Kiba revirou os olhos. — Você leva algo a sério?
Gaara sorriu. — Porque o interesse súbito no Uzumaki?
— Que?
— Ou é na mulher dele? — Gaara inquiriu de novo. — Se eu fosse você ficava longe dela...
— Que porra você esta falando?
— Você é amigo da Hyuga, não? Ela é a amante do Uzumaki, se você está interessado nela...
Kiba esbugalhou os olhos antes de começar a rir. Depois gargalhou.
— Que? Hinata?? — Ele respondeu, sentando-se ao lado de Gaara sem realmente perceber. — Você não a conhece, não é? Hinata não sabe dessas coisas. E ela definitivamente não é amante de ninguém, muito menos de Naruto.
— Hum…
— Hum? Essa é a única coisa que você me responde?
— Eu já te disse o que eu troco por informação Kiba. — Gaara colocou a mão na coxa de Kiba. — E você está muito perto de mim.
Kiba saiu rapidamente do sofá.
— Idiota!
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