Guarda-costas
55 Capítulo cinquenta e cinco
Notas iniciais
— O que está acontecendo? — Foi a primeira coisa que kushina perguntou enquanto falava no telefone.
Não havia ninguém ao seu lado. Ninguém que pudesse perceber o quão descontrolada ela estava naquele momento. Os saltos agulha andavam por toda a circunferência do quarto de hotel e a paisagem que se via na noite escura pela janela, era nada mais nada menos que as ruas iluminada na China.
Um suspiro veio pelo telefone, antes de uma voz se pronunciar.
— Você não poderia deixar para ligar amanhã?
A voz do homem pelo telefone poderia parecer bastante monótona, mas ela podia vislumbrar as quebras de raiva que saiam dela. Ele estava possesso com alguma coisa.
Uma pena porque ela também estava.
— Como se você fosse atender. — ela respondeu. — Essa é a primeira vez que você atende as minhas chamadas depois de um mês e isso porque eu estou ligando de um número desconhecido e dentro com o código da China. Você acha que eu sou idiota, Sasuke?
Sasuke não respondeu e isso foi o suficiente para fazer Kushina para de se movimentar de um lado para o outro.
— Fala comigo, o que está acontecendo.
— Eu não devo satisfações para você, achei que havia deixado esse ponto bastante claro quando começamos a trabalhar juntos.
— Não seja ingênuo, Sasuke. Você é o único que acha que não trabalha para mim.
Ela ouviu uma risada do outro lado da linha. Ela era seca e nada divertida.
— Acabou. Kushina. Você e eu.
— Não faça isso Sasuke, não quebre meu coração. — A voz de kushina foi irônica com todo o sentimento de raiva que ela sentia. — Você deveria me contar as coisas que o Naruto estava fazendo, mas, em vez disso, permitiu essa reunião estúpida. Eles vão matar o meu filho. Você não sabe disso?
— Não como se isso te importasse muito. — Sasuke replicou. — Você está fazendo de tudo para destruir a vida do seu próprio filho sozinha. Talvez seja muito melhor que o túmulo dele seja nesse país.
— Do que você está falando?
— Deixa eu te dizer apenas um nome, para talvez clarear a sua mente. Ino.
— Ino?
— Porque você não me diz onde ela esta? Eu tenho que ter umas palavrinhas com ela.
— E, porque isso? — Kushina apertou as unhas na mão, sentindo a dor na sua pele delicada. — Fique longe dos meus jogos, Sasuke. Você pode conseguir as suas prostitutas em outro lugar. Ou bem… Você parece que já está curtindo bastante uma delas, não?
— Do que você está falando?
Kushina sorriu de canto, pensando em quão bom era tomar precauções de todos os cantos. — Você realmente precisa de um resumo da sua relação amorosa com a minha enteada? Talvez eu deva mandar cópias de fotos das suas noites quentes com ela.
Do outro lado não se ouviu mais nada, apenas o som distante de batidas eletrônicas. Ela sabia o porque daquele sons. O seu filho achou que fosse uma boa ideia dar uma festa um dia antes de enfrentar o seu próprio comitê da morte.
Ela havia tentado evitar a todo o custo essa reunião. Escondendo pessoas, barrando comunicações. Ela tinha conseguido fazer isso por alguns meses, até que tudo foi por água a abaixo com a explosão do porto.
Como Naruto tinha sido negligente o suficiente para deixar uma parte tão importante do seu poder ir para baixo tão facilmente. E o mais importante, porque ele havia deixado que essa reunião acontecesse com a sua presença?
Só havia duas possíveis opções: ou ele estava desesperado e iria sucumbir a todas as exigências das outras famílias. Ou ele tinha algum plano para tentar sair da aliança.
Em uma delas, Naruto poderia permanecer vivo, mas sem poder e a outra ainda estava obscura demais para ela determinar as consequências.
No entanto, em ambas, a única coisa que ela conseguia vislumbrar era a morte de seu filho. O que lhe levava ao motivo de sua ligação.
— Ele esta com aquela menina?
— O que? — Sasuke perguntou confuso.
— A guarda-costa. — Kushina falou entre os dente. — Ele esta com ela?
— Hinata?
— Sim, Hinata! Não importa o nome dela!
— Porque você está tão descontrolada?
— Porque eu acabei de ver um vídeo do meu filho em uma varanda, conversando com ela de uma forma íntima demais para uma guarda-costas. — Kushina respirou fundo. — O que ela é para ele?
Silêncio do outro lado de novo.
— Sasuke…
— Eu já te disse, Kushina. Você e eu acabamos. Se quiser ligue para o seu filho, você mesma.
A linha ficou muda e Kushina jogou o telefone na parede com força. O seu filho estava entrando em uma estrada sem volta. Ele estava indo para a guerra com uma maldita fraqueza a tiracolo.
Hyuga Hinata, você está se metendo em água muito turvas.
Kushina pegou o seu celular e enviou uma mensagem para outra pessoa. Essa reunião não poderia acontecer.
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Naruto aproveitou o tempo que Hinata passou no banheiro e fez uma sopa para a sua guarda-costas, depois serviu a mesa apenas para ela e esperou.
E ele teve que esperar cerca de quase uma hora, antes de ver ela saindo do banheiro vestida apenas em um robe. O seu rosto parecia ainda pior do que quando ela entrou e a preocupação o paralisou imediatamente.
Ele levantou da mesa e foi até Hinata.
Ela se virou de costas assim que ele se aproximou e Naruto não pensou duas vezes antes de virá-la para ele novamente. Os olhos de Hinata estavam vermelhos e a parte baixa dos seus olhos estava um pouco arroxeada. Era como se ela tivesse passado todo o tempo que estava no banheiro se debulhando em lágrimas.
— O que aconteceu, Hinata? Você está doente?
Ele colocou uma mão na sua testa, mas ela se esquivou do toque, saindo do alcance das suas mãos. Naruto a seguiu até a mesa onde ele havia deixado a tigela e ela olhou para o parto surpresa ao mesmo tempo que olhava para ele de esgueira.
— Isso é meu? — ela perguntou com raiva.
Naruto cruzou os braços. — Não tem como não ser, você é a única pessoa bêbada por aqui.
— Eu já disse que não bebi tanto assim…
Ela resmungou, mas mesmo assim sentou a mesa e começou a comer silenciosamente a comida que ele havia preparado. Ele não a interrompeu enquanto comia, mas considerou estranho o fato dela permanecer tão calada.
Ela não era do tipo que permanecia em silêncio contemplativo. Mas, Naruto esperou ela terminar todo o conteúdo do prato antes de voltar a falar.
— Você esta melhor? Deveríamos conversar um pouco. — ele queria falar com ela agora, explicar as coisas, responder as coisas que ela gostaria de saber. Principalmente, se fosse aquilo que estava a fazendo ficar triste.
Hinata levantou a cabeça e bebeu água, depois pegou o prato e foi em direção a pia. — Não tem porque conversar sobre nada. — ela permaneceu de costas para ele, enquanto falava e lavava o prato. — Eu não deveria ter saído da piscina, mas eu fiquei entediada…
Naruto a seguiu, encostando-se no balcão da cozinha e cruzou os braços tentando descobrir o que fazer com as suas mãos. Ele estava pela primeira vez em muito tempo nervoso com ela.
Ele poderia muito bem ter confundido toda a situação e entendido errado as coisas que estavam acontecendo. Talvez ela ainda estivesse alheia as coisas que estavam acontecendo entre eles…
— Eu não estou querendo te machucar. — ele começou. — Não foi por isso que eu fiz você assistir aquelas cenas lá embaixo. Eu estou procurando uma pessoa.
Hinata parou de lavar o prato imediatamente e se virou para ele. O robe dela deslizou suavemente sobre o seu ombro e ele pensou quão bom seria poder tocar na sua pele naquele momento.
— Que pessoa? — ela deixou o prato de lado e puxou um pano de prato para enxugar as mãos. Eu não sabia que você estava procurando alguém.
Naruto sorriu. — Ninguém sabe. A maioria das pessoas acha que eu estou aqui para anunciar para o mundo que eu estou caindo fora das tríades, mas, sinceramente, quem já não sabe disso?
Hinata franziu o cenho. Ela achava muito estranho o fato dele ter que anunciar presencialmente o fato que ele estava desistindo da máfia. Até porque depois de tudo que ele fez para Nagato e Tomoyo, aquilo estava meio óbvio.
— Eu estava pensando que toda essa coisa de anúncio público era realmente ridículo. Mas como eu vou ter certeza da lógica mafiosa de vocês?
Naruto sorriu lentamente, tocando o cabelo molhado dela. — Você parece mais inteligente do que aparenta, Hinata.
— Idiota. — ela revirou os olhos e depois voltou para o assunto. — Quem é a pessoa que você esta procurando?
— Não sei.
— Como assim você não sabe, isso não é o mínimo que se tem que saber quando se está procurando alguém?
— Essa pessoa é um coringa, Hinata. E foi por isso que eu não deixei você sair. Eu não posso te proteger do que eu desconheço.
Hinata permaneceu em silêncio organizando os seus pensamentos. Não era a coisa mais fácil do mundo, quando os resquícios da bebida ainda rodeava a sua cabeça.
— E como você sabe que ela sequer existe? — Hinata perguntou.
— Eu consigo enxergar as ações dela. Ela esta se escondendo nas sombras, eu sequer sei se é homem ou mulher, mas de alguma forma eu sinto que tem um jogador extra em todas as coisas que eu faço. — ele explicou. — Essa pessoa sabe exatamente os meus passos e tenta utilizar as minhas ações como uma sombra para as dela.
— E como ela saberia de tudo que você faz? — Hinata perguntou. — Nem eu sei de tudo que você faz.
— Isso é muito simples, Hinata. — Naruto fechou o rosto. Os seus olhos brilharam perigosamente em uma feição que ela reconhecia de outra ocasiões. Naruto estava com raiva e ele vinha reprimindo isso a algum tempo. — Nós temos um traidor.
— O que?
Hinata começou a se mexer na cozinha, sentindo-se subitamente ansiosa. Isso era informação nova que ela não tinha qualquer ciência. Como ela poderia não saber da presença de alguém que poderia fazer algum mal para Naruto.
— Você quer dizer que tem alguém aqui dentro passando informações suas? Quem diabos é esse desgraçado?
Naruto não lhe respondeu a observando passear de um lado para o outro. Quando ela percebeu que ele não respondeu, ela parou na sua frente franzindo o cenho. Ele não costumava contar tudo para ela, mas quando ela perguntava ele falava quase de forma imediata ou simplesmente falava que não tinha importância.
Aquele silêncio gritava aos quatro ventos quem ele achava que era.
— Você está desconfiando de alguém que eu conheço. Quem é?
— Não quero falar uma coisa que ainda pode ser dúvida, por isso não estou respondendo.
Hinata franziu o cenho. — Isso é mentira, você não quer me dizer, porque esta com medo de eu entrar em modo Havoc e ir procurar satisfações.
— E eu estou errado?
— Como eu vou te proteger Naruto, se eu não sei contra quem eu estou te protegendo, Naruto?
Naruto não respondeu, mas sorriu levemente. Essa era a sua lógica, será que ela poderia entender ele um pouco melhor. Ele levantou a mão aproveitando a aproximação entre eles e pousou em sua cintura.
— Não fique com raiva. Não vale a pena.
— Como não? Você está dizendo que existe um traidor na família e que esse traidor esta passando informações suas para uma pessoa que você sequer conhece. Quão perto você está da morte, Naruto? Me diz quem é!
Ele a puxou mais perto e ela o olhou com desconfiança, enquanto se sentia ser arrastada para perto do seu corpo. Ele ainda cheirava a bebida e outras mulheres, inclusive tinha marcas de batom em todo o seu peito e pescoço.
Ela sentiria raiva dele de novo, se não estivesse com raiva de outras pessoas.
— Você está melhor? — Ele colocou a mão em sua testa e sentiu a sua temperatura. Ela parecia um pouco melhor que antes. Isso porque a raiva fazia bem para ela. — Eu fiquei preocupado.
— Me diz quem é!
— Não.
Ele a abraçou e apoiou o queixo no seu ombro, sentindo o cheiro do sabonete na sua pele. Ela estava com um cheiro maravilhoso e se ele tivesse um pouco mais de vergonha na cara, ele teria se afastado naquele momento, mas ele não tinha.
— Me larga. — ela disse. — Se você não quer me dizer, pode me largar.
Ele riu abafado no seu pescoço e beijou levemente a pele fria.
— Eu não vou te contar, não adianta.
Ela deu um soco na sua costela que doeu bastante, mas não foi o suficiente para fazê-lo a soltar.
— Não seja má. — ele disse. — Eu troquei de assunto quando você ficou desconfortável, não foi? Faça o mesmo por mim.
— Você trocou de assunto por mim ou por você. — Ela sussurrou a contragosto.
— Podemos voltar ao antigo assunto se você quiser. Ou podemos fazer outra coisa.
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