Guarda-costas
101 Capítulo cento e um
Notas iniciais
Naruto sentiu que algo estava errado.
A parte de trás das suas costas estava arrepiada em um claro sinal de que ele estava sendo observado. Mas, não era nem tanto o sinal que estava sendo vigiado que o deixou intrigado, uma vez que ele era sempre um dos focos de atenção de convidados e repórters, mas o simples fato de que ele não se sentia desconfortável com aquilo.
Aquelas sensações pareciam mais como um aviso do que um alerta. E isso por si só era preocupante.
Ele sentiu novamente o mesmo olhar o perseguindo, mas, dessa vez, ele conseguiu localizar a origem. Vinha do andar de baixo, próximo ao balcão do barman, na mesma direção onde duas mulheres estavam paradas, usando vestidos que não deixava muita coisa a imaginação.
Aquele era o tipo de mulher que sempre agradou Naruto, mas que já não atraia mais a sua atenção, desde de o tempo que ele se descobriu apaixonado por alguém que nunca conseguiria esquecer. Contudo, o seu olhar foi diretamente para a única coisa que poderia pegar a sua atenção. Olhos prateados.
Aqueles eram os olhos mais lindos que ele já havia visto e cada vez que ele o via era sempre como um golpe ainda mais forte no seu peito. Ele sabia quem era quase que imediatamente, mesmo que os seus olhos tenham se encontrado apenas por alguns segundos. A mulher desviou e tentou se esconder, mas já era tarde demais.
Ela já tinha visto. Hinata.
O corpo de Naruto começou a se mover em direção a ela imediatamente, antes mesmo de seus pensamentos voltarem a fazer algum sentido. E em poucos instantes, ele já estava descendo as escadas que davam acesso para a pista de dança.
Ele olhou ao redor, mas não a encontrou em lugar nenhum. Todo o lugar estava cheio de pessoas e, enquanto, ele estava parado, procurando-a, uma mulher se apressou para tocar seu braço. Naruto sequer lhe lançou um olhar, saindo da pista de dança e indo direto para o balcão onde ele tinha a avistado antes.
Ninguém estava ali.
Ele olhou, tocou o banco onde ele tinha as visto e pensou se ele não tinha apenas imaginando toda aquela cena, mas ele tinha certeza que não, pois o seu coração ainda estava acelerado. Ela esteve aqui.
Ele andou para próximo dos corredores que levavam aos banheiros e à parte interna, e a primeira coisa que viu foi o andar rápido de duas mulheres, as mesmas que ele tinha visto antes. Uma delas olhava para trás, mas ele sabia que aquela não era sua Hinata. Quem era?
A sua atenção foi puxada de novo pela pessoa que a puxava pelo braço rapidamente, ele não conseguia observá-la direito, mas aquele andar rápido e aquele corpo delicado, ele conhecia na palma da mão.
Naruto apertou o passo, se aproximando rapidamente daquelas mulheres. O que ela estava fazendo ali? Por que ela tinha que estar ali? Hoje?
Hinata parou bruscamente e Naruto aproximou a mão da sua arma, colocada atrás das suas costas, ele pensou que olharia Yumi em algum lugar, por causa da forma alerta que ela estava parada. Mas não era a sua irmã que vinha na direção deles com uma raiva assassina. Não. Aquele era Itachi Uchiha.
Ele sabia que Itachi de alguma forma tentaria encontrar Hinata, aquele encontro aconteceria mais cedo ou mais tarde, principalmente, depois do Sasuke estar com uma lesão na coluna sem muita chance de recuperação, mas ele nunca planejou que aconteceria naquele lugar, quando ambos deveriam estar focados em Yumi que apareceria a qualquer momento.
De todas as formas, Naruto deixou todos os seus planos para trás, não pensando antes de se colocar na frente de Hinata e falar em direção a Itachi:
— Nem penso nisso, Itachi. Eu não vou deixar você encostar um dedo nela!
Itachi também alcançou a arma dele e ambos retiram os revólveres ao mesmo tempo, embora não apontaram um para o outro.
— Saia! – Itachi disse rapidamente, mas Naruto não se moveu nenhum centímetro. Naruto sabia que se ele tivesse um pouco de tempo para lembrá-lo o porquê ele estava ali, qual era a missão deles, Itachi voltaria a raciocinar com qualquer outra coisa que não fosse a própria raiva.
— Não estamos aqui para isso, Itachi! E muito menos temos tempo!
— O que ela está fazendo aqui?
Naruto percebeu que uma mão pequena tocou o seu braço e Naruto se surpreendeu como aquele pequeno toque fez o seu coração acelerar, mas ele ainda assim não olhou em sua direção, prestando atenção apenas na arma de Itachi. Os olhos de Itachi fixaram-se na mão que agarrava o braço dele e Naruto se sentiu ainda mais possessivo em relação a pessoa atrás dele.
— Não faça nada que você vai se arrepender. A coisa que nós menos queremos é ser pegos em uma briga entre nós mesmos.
— Ela deve sair! – Depois de alguma hesitação, ele voltou a colocar a arma atrás das roupas dele, mas Naruto ainda não guardou a sua. – Antes que as coisas piorem.
Naruto assentiu, mas logo uma voz veio de trás de si, mas essa voz não era de Hinata.
— Nós não vamos a lugar nenhum, não sem antes falar com o Sasuke antes. Onde ele está?
Naruto voltou a sua cabeça para um lugar um pouco mais distante. A pessoa que o olhava era a mesma menina que estava sendo arrastada por Hinata. Ela era alta e muito bonita, embora mais magra que a própria Hinata. Ela também lhe lançava um olhar com escárnio, desprezo.
Ela também puxou a mãe de Hinata que o segurava no braço e a puxou para o seu lado, distanciando-a dele.
Ela ofereceu um sorriso de superioridade, olhando tanto ele quanto Itachi de cima a baixo. — Não fui apresentada a nenhum de vocês e não sei se tenho muito interesse em conhecer, então podemos cortar o papo e ir direto ao ponto... Apenas nos diga cadê o Sasuke e sumimos da frente de vocês em alguns segundos! – ela levantou as mãos e mostrou o seu dedo mindinho. – Eu prometo!
— Quem demônios é você? – Itachi perguntou olhando para ela, em uma imitação bastante parecida com o próprio olhar dela.
— Eu sou a Hanabi Hyuga, irmã de Hinata Hyuga e amiga de Sasuke Uchiha. – ela se apresentou cordialmente, mesmo que o tom de voz petulante permanecesse o mesmo. – Vocês pelo que eu posso entender, são o idiota ex namorado da minha irmã e irmão de desgraçado do Sasuke. É um grande desprazer conhecer a ambos!
— Hanabi! — Hinata disse rapidamente, tentando maneirar a situação. Ela deu as suas mãos para Hanabi e olhou em direção a Itachi sem nem lançar um olhar em direção a Naruto. – Eu apenas estou aqui para falar com o Sasuke, depois disso eu posso ir embora. Não quero confusão.
Aquela pequena frase de Hinata era como música aos seus ouvidos, principalmente depois de tanto tempo sem escutar a sua voz. Ele tinha se acostumado tanto com ela falando sem parar até o ponto de irritá-lo que agora tudo o que ele podia fazer era sentir saudades desse tempo. Tudo era muito mais simples.
Itachi sorriu e respondeu. — Eu não vou deixar isso acontecer...
— Por quê? – Hanabi perguntou encarando avidamente Itachi. – Eu tenho certeza que ele escolheria conversar conosco.
— Ele não está permitido para falar com ninguém.
— E quem exatamente vai dizer isso? O irmão mais velho que o deixou para trás a muito tempo atrás e que agora apareceu do nada? – Hanabi o cortou rapidamente. – Saiba que até o fio do meu cabelo, provavelmente, o conhece melhor do que você. Então, por que eu não poderia vê-lo?
Itachi parecia que estava perdendo a paciência, pois o seu rosto demonstrava quão difícil estava sendo para ele se manter no controle. Ainda assim, ele não pegou mais a sua arma, apenas olhando para Naruto. – Tire-as daqui!
Naruto olhou para as duas irmãs, ele nunca pensou que encontraria alguém da família de Hinata nessas circunstâncias, muito menos imaginou que um deles o odiaria daquela forma, sem sequer o conhecê-lo para conseguir justificar tal raiva. Mas, ele achou que ele merecia... De todas as formas, ele só queria que Hinata olhasse para ele novamente, mas antes de ele falar qualquer coisa, Hinata se pronunciou novamente.
— Eu não vou embora, eu tenho algo para resolver e só vou sair daqui quando...
Hinata não conseguiu terminar a sua frase, pois todas as luzes apagaram de uma só vez e o pandemônio começou.
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— Nós vamos mesmo fazer isso?
— O que foi? Você que disse que queria vir.
Kiba e Gaara estavam do lado de uma sala privada do clube apenas observando a movimentação pela parede de vidro. Ele ainda não sabia o que o ruivo estava planejando, mas ele já sabia que não era coisa boa e Kiba apenas poderia suspirar.
Por mais de uma razão.
Uma dela era que Gaara estava simplesmente deslumbrante. Se é que essa fosse uma qualidade que um homem poderia dar a outro homem. Ele estava vestido a caráter, com um Smoking feito sob medida que abraçava todo o seu corpo, deixando-o maior, mais musculoso e extremamente elegante.
Kiba adoraria parecer assim também, mas por mais que ele estivesse bonito, ele não chegava a parecer como ele. Gaara tinha um porte que era difícil de imitar, isso porque ele não era apenas era um mafioso no nome, mas também se parecia com um. Perigoso, bonito e inatingível.
Por alguma razão, Kiba vinha reparando demais naquelas ‘qualidades’ e aquilo estava o deixando cada dia mais irritado, embora ele não conseguisse parar de pensar na mesma coisa.
Kiba olhou para as suas próprias mãos, sentindo-se nervoso por vários motivos. Ele não tinha uma boa sensação sobre aquela noite, mas Gaara parecia calmo como sempre. Outra coisa que ele gostaria de ter parecido com o ruivo era a sua capacidade de estar sempre calmo.
Sem perceber, Kiba permaneceu em silêncio, afundando a sua mente em pensamentos nada bem vindos, mas se surpreendeu quando uma mão erguer o seu queixo e olhos verdes o encararem tão de perto.
A primeira coisa que ele percebeu era a calidez daquelas mãos, depois a única coisa que vinha a sua mente era como Gaara tinha olhos que pareciam como pedras preciosas – esse era um exemplo de pensamento nada adequado que simplesmente aparecia em sua cabeça sem querer.
— O que essa cabecinha está pensando? – ele perguntou ainda dentro de seu espaço pessoal.
Se você soubesse...
Kiba retirou o seu queixo das mãos dele, tentando colocar um limite nos toques constante de Gaara. Mas, aquela era uma batalha perdida, ele simplesmente não desistia de invadir o seu espaço pessoal.
— Nada. Apenas imaginando o que você vai fazer agora.
Ele sorriu maliciosamente. — Eu tenho uma ideia ou duas.
Kiba entendeu muita coisa naquele sorriso, nenhum deles favorável para ele, e Gaara se aproximou um pouco mais dele. Kiba desviou o olhar e direcionou novamente para as suas mãos. O nariz de Gaara tocou na sua bochecha de forma demorada, arrastando o toque até a sua orelha.
— Por que você pareceu tão tenso? – ele perguntou – Eu te disse que você deveria ficar em casa.
Kiba engoliu em seco e sentiu sua respiração prender no seu peito.
— Eu estou bem.
Gaara deixou os seus lábios tocarem o lóbulo da orelha dele e sua pele arrepiou novamente. – Talvez a gente deva realmente ir embora.
Kiba colocou a mão no peito dele e se virou. Grande erro. A aproximação foi ainda maior. Gaara continuou olhando pare ele e Kiba desviou os olhos para baixo, tentando sair daquele campo de atração, mas os seus olhos desviaram para a boca dele. Segundo grande erro.
Ele sorriu de novo. E Kiba percebeu que estava ferrado, dessa vez, não tinha como ele escapar, certo?
As luzes acabaram e gritos começaram, mas Kiba não se importou com nada disso, porque a sua atenção foi tomada por Gaara. A boca dele desceu sobre a sua, gentilmente, apenas um toque de lábios antes de tudo parar.
— Começou. – Gaara disse por cima dos gritos e alcançou a sua arma. E Kiba percebeu que o que havia começado nele era tão perigoso quanto a tempestade ao seu redor.
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Yumi olhava atentamente as imagens do circuito interno do clube de Naruto. Não foi difícil conseguir aquelas imagens, o que significava que o seu irmão não se importava em ser observado por ela, aquilo era um convite aberto de guerra. Hidan que estava ao seu lado, sorria como se estivesse se divertindo bastante com toda a situação.
Yumi não via a hora de rasgar a garganta dele, quando fosse a hora.
— Parece que eles não confiam muito em você como vilã, minha querida sobrinha. – ele riu novamente, mas Yumi não se importava com aqueles tolos insultos.
— Não existe vilão nessa história, querido tio. Apenas quem vai permanecer vivo.
— E quem vai ser?
Não você, então por que a curiosidade?
Yumi pensou para si mesma, mas não respondeu. Por mais irritada que estava com aquela constante presença, ela queria apenas uma coisa daquela noite. Sasuke. E uma vitória bem debaixo das fuças de Naruto e Itachi.
Eles estavam tentando trazê-la para dentro do seu jogo, utilizando alguém que ela tinha como alvo prioritário. Ela tinha então duas opções: Recuar ou assinar aquela guerra. Se ela recuasse, muita gente poderia pensar que ela tinha medo. E aquilo não enviaria uma mensagem boa para quem lhe interessava.
Afinal, haviam diversos urubus apenas observando para onde iria essa briga. Ele se aliariam rapidamente a quem teriam mais chances de ganhar e, nesse momento, a única passando por um teste era ela.
Por isso, recuar não era uma opção.
Contudo, ela era esperta. Sempre foi. Não era à toa que Yumi sozinha havia conseguido manipular todas as pessoas até chegar onde estava agora. Ela não precisava de ninguém para conseguir os seus objetivos, tudo o que ela precisava era esmagar qualquer um que se metesse em seu caminho e todas as suas peças já utilizadas.
Ela precisava principalmente se livrar de Sasuke.
Yumi permaneceu olhando as câmeras, até que observou o olhar de Naruto angustiado. Não havia outra palavra para descrever aquilo, mas ela logo conseguiu localizar a causa daquela reação. Hinata...
Naruto esqueceu de deixar a namoradinha em casa?
Logo, Hinata se aproximou de outra pessoa. Itachi. Armas foram retiradas e Yumi não pode estar mais feliz. Como aqueles dois puderam permitir tal erro?
Yumi pegou o seu celular.
— Iniciem a operação.
Yumi continuou olhando as câmeras por um tempo até que tudo apagasse.
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— Que casa, Itachi?
Essa frase agora estava retumbando em sua cabeça. Não era sempre que ele se sentia culpado pelas próprias ações, muito menos pelas coisas que falava e por mais que ele ainda achasse que ele estava certo, ainda assim ele estava pensando na reação de Itachi.
Ele não estava acostumado com ele sendo assim, demonstrando qualquer tipo de coisa, muito menos preocupação. Ainda assim, ali estava ele se debatendo por todo aquele drama. Qual era o problema de ele simplesmente ir embora sem ter a sua cabeça tão cheia de preocupações?
Maldita hora que ele voltou para arruinar sua morte. Hinata deveria ter terminado o que começou de uma única vez.
Sasuke escutou alguém batendo na porta e um homem entrando na sala.
— Gostaria de mais alguma coisa, senhor?
— Vá embora! – Sasuke respondeu, sem prestar atenção nele.
— Não tem como ser assim senhor!
O homem puxou a arma do seu coldre e apontou para Sasuke.
Ele olhou para a arma e para a pessoa na sua frente e suspirou. Ele morreria daquela forma? Isso era tão impessoal, Yumi, até mesmo para você. Aquilo foi tudo o que ele pensou, antes do homem engatilhar a arma em suas mãos.
E tudo ficar escuro.
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