Guarda-costas
113 Capítulo cento e treze
Notas iniciais
Minato olhou a movimentação ao seu redor. E percebeu que não havia muito o que fazer, já haviam várias pessoas pensando por ele e ele só poderia atrapalhar tentando ajudar. Não que ele sentisse qualquer desejo em tomar a iniciativa das ações assim como era no passado. Não ele não faria isso, Minato havia deixado aquela vida para trás, quando decidiu se “aposentar” e forjar a própria morte.
Era estranho pensar em como ele tentou terminar com a sua própria existente de uma forma muito diferente da que o seu velho pai havia sonhado, abandonando diretamente os ensinamentos que ele havia lhe passado e a sua missão. Passar o legado do nome Uzumaki a diante.
De acordo com seu pai, para Minato concluir com perfeição o seu papel de chefe da família Uzumaki, ele deveria buscar poder através do casamento com uma mulher que pudesse lhe dar qualquer tipo de suporte, ter uma criança com ela, e criá-la com o pensamento de que aquele ser carregaria nas costas a responsabilidade de manter a linhagem viva. Ele seria treinado para mesma forma que o seu antecessor, abdicaria das mesmas coisas que ele e manteria o legado de infelicidade mesmo após a sua morte.
Nesse ponto, Minato sabia que havia sido uma tremenda decepção para o sue velho pai.
Ele tinha os herdeiros, obviamente. Ele já havia ido para a cama com tantas mulheres no decorrer de sua vida que era até estranho ele ter apenas dois. Contudo, ele não tinha filhos. Filhos no sentido mais natural da palavra, no sentido de poder ter satisfação apenas por ser chamado de pai.
Isso porque ele nunca havia sido um pai de verdade. De nenhum deles. Yumi havia dado as costas para a família e Naruto o odiava com todas as suas forças, em prol da honra do homem que o criou e que ele tinha como única figura paterna, Hiya.
Eram várias as vezes que Minato esteve próximo a contar para Naruto que ele era o seu filho. Desde o momento que ele havia o visto pela primeira vez, já com cinco anos de idade, logo depois que Hiya havia sido oficialmente promovido a ser o seu “irmão de juramento”.
Aquela havia sido simplesmente outra forma que o seu pai havia arranjado de o torturar de fazê-lo acreditar que não haveria mais nada na sua vida a não ser o dever. E aqueles foram anos cruéis.
Trazer o seu filho para tanto perto dele, obrigá-lo a vê-lo amando, respeitando e adorando outra pessoa como figura paterna. Era uma das piores dores que ele teve que enfrentar na vida.
E para somar a tudo isso, ainda tinha Kushina. Os olhares raivosos de acusação dela, o ódio que ultrapassava em muito a paixão que uma ela sentiu por ele.
Ele foi obrigado a assistir Yumi e Naruto se aproximando como irmãos, chamando-se de irmãos, mas sem nunca poder fazer com que eles sentissem um ao outro como verdadeira família. Era um pesadelo, mas era algo que ele havia escolhido em sua própria covardia.
Não tinha como voltar atrás, porque de todas as formas ele receberia apenas ódio de todas as partes. Naquela época, ele resolveu focar na única pessoa que lhe sobrava e se contentar com apenas aquele amor, mas Yumi...
Yumi havia mudado.
A sua filha que parecia um anjo caiu na pior armadilha que poderia, a de uma mulher vingativa e traiçoeira. Kushina nunca aguentou ter sido colocada em segundo plano, mesmo que a sua vida tivesse melhorado 100% desde que ele havia a deixado.
Hiya havia lhe dado tudo, cuidado de um filho que não era seu apenas pelo dever e obrigação, tomado uma prostituta como esposa apenas para lhe dar dignidade e ainda permitiu – mesmo que Minato tenha percebido isso apenas após a sua morte — que ele convivesse como o seu filho todos os dias e o tratasse como “quase” da família.
Ainda assim, para Kushina aquilo nunca seria o suficiente, muito pelo contrário, para ela parecia que todos estavam jogando na cara dela a vida que ela deveria ter tido no lugar da legítima esposa de Minato.
Minato percebia toda aquela raiva, mas ele sequer sonhou com o que ela havia planejado. Ela descontou toda a raiva que havia acumulado no seu passado e jogado tudo na única pessoa inocente dessa história. Yumi. E quando Minato finalmente descobriu tudo que foi feito para a sua filha, já era tarde demais.
As costas de Yumi já haviam se virado, ela não era a mesma pessoa, e ele novamente se viu fadado a sustentar o peso de não ter conseguido proteger mais uma mulher em sua vida.
No final, Minato achou que a sua morte seria a solução, mas ele sabia que aquela também tinha sido uma escolha covarde e que continuaria não tendo qualquer oportunidade de apresentar Yumi e Naruto como irmãos. Nem muito menos, se apresentar como pai.
Todos eles agora só poderiam se encontrar de uma única forma. Como inimigos. E aquilo era como uma faca atravessando o coração de Minato.
Se acostumar com não ter ninguém ao seu lado, quando supostamente era para ele ter tudo, era simplesmente como funcionava o carma do universo e ele lidaria com aquilo pessoalmente, não era mais justo deixar que outros sofressem por ele.
Quanto a isso, ele jamais voltaria atrás.
— Aqui, eu trouxe para você.
Uma menina de cabelos curtos e olhos realmente lindos sentou ao seu lado. Minato havia descoberto quem ela era a alguns meses e se surpreendeu bastante com o tipo de pessoa que Naruto quis manter ao seu lado. Inicialmente, ela deveria ser apenas a irmã juramentada dele, assim como Hiya havia sido para Minato.
Pelos seus contatos, Minato descobriu que ela havia salvado a vida de Naruto em mais de uma ocasião e até mesmo se machucado no processo. Acontece que Naruto e ela não tinham mais um relacionamento tão puro quanto de uma guarda-costas e um cliente.
E Minato sabia que aquela era a mulher pela qual seu filho estava apaixonado.
Ela olhava para ele com olhos extremamente curiosos, encarando-o de cima para baixo. Era óbvia a curiosidade que ela sentia em relação a ele, mas era engraçado também ver a hesitação que ela sentia em falar qualquer coisa.
Ela colocou uma bandeja de comidas na sua frente com um simples sanduiche, um copo de suco e frutas que pareciam ter sido cortadas com uma faca cega. Minato sorriu para ela e agradeceu pela generosidade do prato de comida, ele não havia comido a muito tempo, contudo ainda se encontrava sem fome. Era difícil comer quando seus dois filhos estavam sendo segurados por um psicopata e querendo matar um ao outro.
A menina sentou-se ao seu lado e Minato admirou o gosto de seu filho. Enquanto, ela estava amarrada por Itachi, ele percebeu que o vestido caia muito bem nela e que ela era realmente bonita, agora que tudo havia passado e ela tinha sido permitida a trocar de roupa, ela mudou para trajes largos que a engoliam completamente. Minato podia jurar que sabia a quem aquelas roupas pertenciam.
Ela começou a olhar para as próprias mãos e uma expressão preocupada dominou o seu rosto.
— Tudo vai ficar bem. – Minato tocou levemente o seu ombro e suspirou ao tentar colocar aquela mesma frase na sua cabeça. – É Hinata, não é? Tanto a sua irmã quanto Naruto vão estar a salvos.
— Não tenho tanta certeza disso. – Hinata respondeu. – Nunca vi ninguém tão inconsistente quanto Gaara, nunca dá para saber o que ele vai fazer no próximo passo. O mesmo para Itachi. – ela o encarou de novo. – O mesmo para você.
Minato sorriu e bagunçou o cabelo dela levemente.
— Você faz bem em não confiar em ninguém. Pessoas gostam de passar a perna um no outro sempre para conquistar mais, mas não precisa se preocupar comigo, meu interesse único é que esse resgate saia bem.
— Naruto é realmente seu filho? – Hinata perguntou finalmente o que queria. – Ele sabe disso?
Minato sorriu sem humor. – Tenho certeza que agora sabe. Gaara não perderia essa oportunidade.
— Porque você ou Kushina nunca falaram nada para ele? Eu sei que isso não é da minha conta, mas...
— Como isso poderia não ser da sua conta? Você não é a esposa de Naruto?
Hinata engasgou e sentiu um súbito ataque de tosse, tudo isso enquanto balançava a mão negativamente na direção dele.
— O que? Não. Não tenho nada haver com ele. Eu... – A tosse não lhe deixava continuar e Minato tocou sua costa para que ela se acalmasse. – Nós não somos casados.
Minato sorriu, achando graça da inocência dela.
— Vocês não precisam ser casados para serem esposos. Basta que exista vontade de ambos os lados e isso é perfeitamente claro para mim que existe, afinal que mulher arriscaria tanto por um homem que não ama? Não se preocupe, eu apoio. – Minato lhe deu um grande sorriso e Hinata parecia mais perdida que nunca.
Ainda assim, ela não tentou mudar a sua cabeça e apenas suspirou.
— Eu não estou fazendo nada demais, além disso, você terá o papel principal nessa história. Você vai morrer por ele. – Hinata disse calmamente, ainda olhando nos seus olhos. – Você sabe disso, não é? De uma forma ou de outra, amanhã, você vai morrer. Não sei em quais mãos, mas...
— Eu sei. – Minato disso calmamente pegando o sanduíche que a sua nora havia preparado, não era muito bom, o pão estava seco e a carne parecia mais gordurosa que o necessário, contudo, ainda pareceu perfeito no sue paladar. – Eu já morri de todas as formas, esse é apenas meu tempo extra.
— Não diga isso, talvez Naruto esteja interessado em escutar uma coisa ou outra de você, afinal, até outro dia, ele estava órfão.
— Não se preocupe tanto com Kushina, aquela mulher teve o que mereceu, pelas mãos corretas.
Hinata franziu o cenho e achou estranha aquela frase. – Como assim, pelas mãos corretas?
— Yumi. – Minato suspirou pesadamente, sem perceber o olhar estranho de Hinata. – Yumi tinha todo o direito do mundo de destruir a vida de Kushina e eu te garanto não são muitas as pessoas que sentirão a falta dela, muito menos Naruto.
Hinata puxou o braço de Minato para ela e o forçou a tirar a atenção de sua refeição e olhar para ela.
— Como assim, Yumi a matou?
Minato não sabia o que responder, mas ainda assim respondeu com a verdade. – Yumi a matou, ela atirou em Kushina com um sniper. Sem escapatória.
Os olhos de Hinata esbugalharam, mas logo se fecharam apertadamente. Minato não sabia o que aconteceu, mas tinha certeza que havia pisado na bola mais uma vez.
— Desculpa, eu falei algo errado? – ele tentou mudar perguntar, mas Hinata ainda parecia perdida em reflexão. Ela abaixou a cabeça e enfiou as mãos no cabelo em pura concentração. Minutos depois, ela levantou a cabeça novamente e olhou com raiva para ele.
A raiva dela parecia monstruosa também e ele já havia se acostumado com a forma que várias mulheres olhavam para ele.
— Como você sabe disso? Como você tem certeza que foi Yumi?
Minato sentiu-se em um inquérito policial, onde qualquer resposta o levaria apenas para detrás das grades. Ainda assim, ele não podia ser cruel com aquela menina, então ele apenas falou a verdade.
— Depois que a Kushina morreu foi realizada a autópsia do corpo, o tiro que a matou foi de uma arma de longo alcance. Depois eu consegui comparar os fragmentos da bala e eram as mesmas da arma que eu havia dado a Yumi, uma pouco depois do seu aniversário de quinze anos. Só podia ser ela. Ambas tinham muitas coisas para resolverem entre si e tudo foi finalmente solucionado.
Hinata não disse mais qualquer palavra por alguns segundo e quando Minato finalmente foi tentar tocar o ombro dela novamente para trazê-la de volta a realidade, ela se levantou, pegou sua bandeja de comida e arremessou do outro lado da sala próximo a Itachi que falava no telefone.
— FILHO DA PUTA!! EU VOU TE MATAR, NARUTO!!
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