Guarda-costas
116 Capítulo cento e dezesseis
Notas iniciais
— Ele está sozinho. Gaara já saiu. O que você está fazendo? Tudo pronto? — Hinata reportou novamente para a Itachi, porque ela sabia que faltava apenas algumas poucas horas para a troca entre ele e Gaara.
Ou melhor possível troca, ninguém esperava que aquela negociação desse certo no final das contas. E era por isso que ela estava ali.
— Partiremos agora, não vai haver muito tempo para o seu lado e a maior parte dos homens estão sendo colocados em pontos estratégicos para dos nossos negócios em caso de retaliação. Ou seja, você está sozinha para pegar ele. Você está pronta para isso? – Hinata não respondeu, ela esperava que aquilo fosse resposta suficiente. – Ótimo. Com o passar do tempo, provavelmente, a guarda dele vai relaxar um pouco, esse será o momento que você deverá capturá-lo. Não se esqueça que todos os lugares estão sendo vigiados.
— Ok. Tudo certo. — Hinata desligou o telefone e continuou observando a movimentação. Ela já tinha o plano perfeito, e muito desse plano já havia sido experimentado em outra ocasião, quando ela invadiu o prédio de outra pessoa para matá-la.
Só que com uma vantagem, nesse momento, ela estava muito mais preparada e com a cabeça fria. Ela também não estava mais doente e de luto. Hinata já possuía o seu disfarce, porque ela poderia entrar apenas como camareira do hotel e logo começou a se preparar para o papel.
Após arrumar toda a roupa e esconder o cabelo, ela também se lembrou de colocar lentes, para que ninguém observasse seus olhos, porque segundo Itachi, eles eram chamativos demais e poderia estragar o disfarce.
Ela saiu de um prédio para o outro, o que também era parte da movimentação da empresa. O hotel possuía torres gêmeas com conexão apenas no térreo e no décimo andar. Então, era normal que camareira trocassem de prédio a todo momento. Também era bem mais perto do seu alvo.
Ela entrou no prédio adjunto ao que Kiba estava e conseguiu manobrar pela segurança com o seu cartão mestre e identidades falsas. Era incrível como ninguém parava para saber a correta identificação dos funcionários, mesmo havendo dois seguranças na porta para impedir o trânsito de pessoas suspeitas.
Aquele era um trabalho de segurança muito porco e ela tinha lugar de fala para apontar esses erros.
Passar de um prédio para o outro foi realmente muito fácil e a chave mestre que Itachi havia conseguido estava de fato fazendo com que ela se movesse livremente naquele lugar. Kiba provavelmente ainda estava no quarto do apartamento de Gaara, porque ele não passava mais tempo em outros cômodos, então tudo que ela precisava era encontrar o lugar perfeito para a invasão.
Da última vez que ela havia invadido o prédio, a segurança no andar onde Kushina estava era muito mais leve, mas com Kiba era diferente. Haviam seguranças em todo o andar, nas saídas de emergência e até mesmo na varanda das janelas do apartamento, inclusive no quarto onde ele estava.
Gaara de fato era um psicopata. Nem mesmo Naruto inventaria todo esse cinturão de seguranças para cima dela e ai dele, se ele tentasse qualquer coisa daquele tipo.
Depois de observar tantas pessoas em vigia, sua única opção era partir do andar de cima e descer até onde Kiba se encontrava. Aquela não seria nem a primeira, nem a última vez que ela faria uma escalada daquelas, mas ela ainda assim se impressionava com a altura da sacada para o chão.
Chegando no apartamento superior, ela utilizou uma câmera presa em uma vareta para observar a parte de baixo, e naquele momento ela confirmou a presença dos dois guardas vigiando a varanda.
Era certo que ela não podia com os dois de uma única vez, por isso não podia simplesmente invadir a varanda de forma impulsiva, a solução, então, seria esperar o momento para haver a troca. Eles não trocavam ao mesmo tempo, primeiro um saía, depois o outro. Isso para não deixar em nenhum momento a posição vazia.
Isso era bom para ela, porque tudo que ela tinha que fazer era esperar o momento correto que sobrasse apenas um deles estiver sozinho na varanda. A partir dali, seria mais fácil.
Ela continuou a observar pela sua câmera, e logo a mensagem que ela aguardava chegou. Itachi já estava perto. Ela precisava se mover rápido e se aqueles dois embaixo não resolvessem se mover nos próximos minutos, ela teria que partir para o seu plano B: chegar atirando e rezar para dar tudo certo.
Contudo, ela não precisou esperar por muito mais, um dos guardas se levantou, se despreguiçou, conversou algo com o outro e abriu a porta do quarto de Gaara, entrando. Segundo os cálculos que ela havia feito, ele poderia ter saído por vários motivos, se fosse para comer algo, ela teria pelo menos dez minutos, mas se ele fosse apenas no banheiro, apenas dois.
Isso lhe dava uma janela de dois a dez minutos que não era nada confortável. Ela se preparou para apagar o homem que havia sobrado, mas esse resolveu se mover no segundo que ela iria atirar o dardo de sonífero, e ela acabou abordando o ataque.
Hinata só tinha uma chance e só poderia fazer acontecer se tivesse 100% de chance de sucesso, porque se ela não acertasse, ele pegaria a sua arma e atiraria nela. Ela poderia até revidar, mas o tiroteio chamaria mais atenção dos outros vários guardas e ela estaria fodida.
No entanto, o segurança pegou o seu telefone e foi até a escada de incêndio descendo um lance de degraus até o andar de baixo. Hinata agradeceu pela sorte e pulou para dentro da varanda sem pensar duas vezes.
A porta do quarto ainda estava aberta, então ela entrou rapidamente no cômodo. O forte ar-condicionado foi primeira coisa que ela sentiu, depois o cheiro de flores adocicado. Muito bom, na opinião de Hinata, mas nada parecido com o Kiba que ela conhecia. Será que o seu amigo, depois de apaixonada, havia virado um completo banana? Chegava até a ser insulto uma coisa dessas.
Hinata olhou ao redor e encarou uma das suas piores possibilidades, Kiba não estava no quarto. Ela imaginou o que poderia fazer se isso acontecesse, mas todas as opções eram igualmente ruins. Se esconder e esperar? Não dava tempo. Procurar ele pela casa, de cômodo a cômodo? Alguém muito facilmente poderia achá-la.
O que ela faria então?
A sua resposta veio mais cedo que o esperado. Ela escutou a porta do quarto abrir e ela se escondeu rapidamente, imaginando ser o guarda retornando para o seu posto. Mas, era o Kiba, entrando no quarto, olhando confusamente ao redor.
Hinata saiu de seu esconderijo, retirou a arma do cós da sua calça e deixou ao lado de seu corpo em caso de necessidade. Ela não queria a tirar nele, mas se não tivesse solução ela faria isso sem pestanejar.
— Kiba. – ela disse calmamente para não chamar a atenção de qualquer pessoa do lado de fora que estivesse próximo. E Kiba se virou, parecendo ainda mais confuso, até que observou a arma na mão dela e a confusão virou frieza.
— O que você está fazendo aqui, Hinata? – ele perguntou.
Hinata sentiu-se um pouco envergonhada pela arma na sua mão, mas aquilo era necessário, porque apesar dos anos de amizade que eles tinham, ela ainda se importava ainda mais com a sua irmã.
— Kiba, eu preciso que você venha comigo e me deixe te explicar a situação, tenho certeza que você vai entender tudo.
Kiba a olhou de cima para baixo com um olhar levemente de pena e depois olhou para a porta por onde tinha acabado de entrar. Ele balançou a cabeça e suspirou, ele estava apático nesse momento.
— Eu acho que você está tão perdida quanto eu, Hinata.
— Como? Do que você está falando.
— Olhe ao seu redor. Quanto tempo você está aqui? Cinco minutos? Você já escutou algum barulho lá fora desde que entrou aqui, exceto o meu?
— O que? – Hinata tentou escutar, mas a sua tentativa foi falha. Não havia qualquer barulho do lado de fora.
— Ninguém está do lado de fora Hinata. Nós dois estamos aqui igual idiotas sozinhos. Isso quer dizer que você foi enganada por alguém e eu fui abandonado por um filho da puta!
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Itachi entrou no armazém onde seria feita a troca entre ele e Gaara, mas antes mesmo de chegar, percebeu como todos os lugares, inclusive as estradas, estavam fortemente vigiadas por homens dele. De fato, não havia qualquer confiança da outra parte, ele era o único que estava indo as cegas naquela situação.
O seu motorista parou o carro no meio do galpão e Itachi pode ver outro carro parado mais a frente. Ele saiu e Gaara fez o mesmo.
Gaara sempre havia sido uma incógnita para Itachi. Ele havia saído do circuito a muito tempo atrás, ou melhor, toda a família dele foi arrancada as forças para fora da tríade. Contudo, ele poderia ter voltado.
Gaara havia acumulado poder o suficiente em sua vida, aproveitando dos restos deixado pelos seus pais, ele reergueu o poder da família dos escombros que as tríades haviam deixado, e poderia facilmente voltar a sua posição.
Até mesmo vários esforços foram feitos nesse sentido, porque todos sabiam que ele era um inimigo perigoso.
Mas Gaara nunca aceitou sequer conversa sobre isso, mesmo que não objetasse a realização de certos negócios em conjunto. Ele queria dinheiro, e apenas dinheiro das famílias, enquanto isso, transformava os seus negócios em grandes conglomerados. Tudo isso dentro da lei.
Contudo, Gaara nunca deixou de ser violento, ameaçador, um criminoso assim como todos eles. Ele só fazia de forma diferente para as câmeras, passando como um bom homem de negócios.
Não era atoa que ambos estavam ali, trocando reféns.
— Você o trouxe. – ele perguntou calmamente se aproximando, os seus homens permaneceram parados deixando-o caminhar sozinho.
— Claro, foi esse o acordo.
Itachi foi até o porta-malas e Gaara o seguiu. Dentro do porta-malas havia uma pessoa deitada, completamente desacordada e amordaçada. Minato. Itachi havia o preparado muito bem para a ocasião, para entregá-lo de bandeja para o se pior inimigo.
Itachi nunca poderia ter imaginado que conseguiria aquele homem no seu carro de forma tão dócil. Gaara acenou para os seus homens que tiraram Minato de dentro do carro.
— E sua parte? – Itachi fechou o porta-malas
— Você sabe muito bem que eu cumpro com o que eu prometo. Sasuke está sendo muito bem cuidado.
— E a outra menina?
— Nas mesmas condições. O que você vai fazer com ela?
— Aquela fedelha colocou o meu irmão naquelas condições, eu não deveria fazer o mesmo? – Itachi apertou as mãos sentindo a raiva que vinha se acumulando. – Foi uma feliz coincidência que ela estava no lugar certo, no momento certo.
— Bom, você que sabe, eu não costumo me meter nos assuntos familiares dos outros.
— E os outros?
Itachi estava falando de Naruto e Yumi. Ele queria aqueles dois vivos e bem lúcidos, por enquanto.
— Na mesma. Muito pouco apreciativos ao tempo de conexão fraternal. Se eles não estivessem acorrentados eu acho que nós não teríamos tempo de matá-los com as nossas próprias mãos, eles fariam isso entre si.
— Talvez não seja lá uma ideia tão ruim.
— E Hinata? – Gaara perguntou. – Ela não tem como se tornar uma ameaça não, correto? A última coisa que eu quero é que ela faça alguma estupidez e destrua os nossos planos.
— Eu já te disse, eu a mandei sequestrar o seu namorado. – Gaara o olhou com cara de poucos amigos, Itachi não sabia se era pelo termo “namorado” ou se era porque ela ainda não havia concordado com o plano de distração de Hinata. – Eu já te disse, não tem como ela fazer qualquer coisa para ele, ambos são amigos. Além disso, ambos foram enganados. Por nós dois.
Gaara o olhou fuzilante, mas não disse nada. — Vamos. – ele começou a andar para o seu carro.
E Itachi o seguiu. Quando ambos estavam do lado de dentro, o carro explodiu com o motorista dele. E ambos foram concretizar a sua vingança. Finalmente.
No final das contas, não foi tão ruim aquela aliança temporária, mas ele não podia esperar que durasse para sempre. Assim que tudo aquilo acabasse, ele também teria que matar o ruivo. Ele era perigoso demais para andar por aí. Uma verdadeira ameaça.
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