Guarda-costas

105 Capítulo cento e cinco


Notas iniciais
Mil perdões pelo atraso, é que eu não percebi que esse final de semana seria as eleições e eu precisei viajar. De todas as formas, eu aumentei um pouco o capítulo para compensar! Boa leitura!

— O que você está fazendo?

Sasuke perguntou para Hanabi que não parava de me mexer ao seu lado. Ela sequer prestou atenção nele, preferindo continuar o seu ardo trabalho de continuar a tirar as suas amarras. Ela estava com irritada, com raiva e completamente possessa, qualquer pessoa que pudesse ler os seus pensamentos naquele momento, poderia pensar, mas não são tudo a mesma coisa?

E a resposta de Hanabi era um definitivo não!

Ela estava irritada por estar presa em uma cadeira, da cabeça aos pés sem qualquer chance de se defender ou de chutar as bundas de quem a prendeu alí. Ela estava com raiva por ter sido pega desprevenida até chegar naquela situação de vulnerabilidade vergonhosa, afinal uma Hyuga nunca deveria se encontrar naquele tipo de situação. E ela estava completamente possessa com o que estava vendo do seu lado: Sasuke amarrado em uma cadeira de rodas... Em uma maldita cadeira de rodas.

Meu deus, como a situação havia chegado àquele nível? Sua irmã era realmente a responsável por aquilo?

Hanabi conhecia Hinata melhor que ninguém, afinal ela havia testemunhado a sua irmã crescer, passando por todas as fases da adolescência, inclusive a fase “rebelde”. Nessa época, Hinata simplesmente não se conformava em entender quem ela era, a quem ela pertencia e as coisas que lhe eram permitidas fazer, geralmente, preferindo responder a essas questões com rompantes de raiva cega.

Esses rompantes ocorriam por causa da sua personalidade forte e da sua mania de sempre tomar a o caminho mais difícil por culpa da sua impulsividade. Aquela era uma constante que tornava Hinata perigosa. Contudo, Hanabi também sabia que a sua irmã sempre se controlava, de forma que as suas insanidades nunca resultassem em alguém ficar machucado.

Até hoje.

E o pior de tudo, é que Hinata provavelmente sequer imaginava que as suas ações, haviam resultado naquelas consequências. E ela preferia que a situação permanecesse naquela velada ignorância.

Hanabi não queria que a sua irmã encontrasse Sasuke daquela forma, ela já se sentia bastante culpada por ter simplesmente atirado nele, até mesmo indo além de suas capacidades apenas para se desculpar com ele... Se ela descobrisse o real resultado de seu rompante de raiva foi fazer o seu antigo amigo virar um aleijado em uma cadeira de roda, ela ficaria simplesmente destruída.

E a única forma de ela proteger Hinata, era sair daquele buraco imediatamente e livrar ambos daquela situação.

— Você está se machucando, as amarras não vão sair e você está apenas fazendo barulho chamando atenção para nós.

Hanabi sorriu ironicamente. – Você acha que eles vão simplesmente nos esquecer se ficarmos caladinhos nessa cela? Uau, excelente ideia.

— Talvez, talvez não. Mas, definitivamente seria mais fácil para os seus pulsos que já estão sangrando.

Hanabi rosnou. Os seus pulsos estavam latejando de tão machucados que estavam, porque quanto mais ela se movia, mais as cordas entravam na sua pele, mas não tinha como o filho da puta saber disso, pois ele estava cara a cara com ela e nem louca ela demonstraria estar sentindo qualquer tipo de dor para ele.

Ela voltou a puxar as suas mãos com raiva, tentando se libertar por pura teimosia e recebeu apenas um arquear de sobrancelhas do homem a sua frente.

Ela virou o rosto e contemplou a parede ao seu redor. Eles estavam em um prédio antigo, a tintura era gasta e o reboco parecia ser feito de barro, ainda assim algo lhe dizia que aquelas paredes não seriam facilmente derrubadas. O que a trazia para um segundo problema... O que ela faria assim que ela estivesse livre daquelas amarras?

A porta pelo qual ela achava que eles teriam passado era uma de metal, a única coisa que parecia hightech naquele porão e, para completar, ainda havia uma câmera ativa gravando qualquer movimento que ocorria na sala, o que significava que estava sempre em cima dela.

Ela conseguia perceber perfeitamente a câmera a seguindo, dando zoom e os fechar das lentes todas as vezes que eles capturavam uma imagem. Até o momento, a única coisa que eles estavam capturando eram imagens dela falhando miseravelmente.

Sasuke, por outro lado, estava tão calmo, quanto se estivesse em um pequeno passeio, ele estava incrivelmente apático a toda a situação, como se não lhe importasse o que quer que fosse acontecer. O Sasuke que ela conhecia antes não ficaria assim, ele tentaria de todas as formas se livrar daquelas amarras e ser proativo...

Parece que muitas coisas haviam mudados nesses últimos cinco anos que ela não tinha o visto. Na última vez, ela era uma criança, apenas quatorze anos, e a única coisa que ela sabia sobre ele, era que Hinata o adorava. Ela ficava super boba perto dele, parecendo quase uma menina. Um verdadeiro milagre!

Hanabi nunca contou para ninguém, mas, às vezes, ela sentia inveja daquela reação, porque ela nunca tinha conhecido alguém que a fizesse se sentir daquela forma estúpida. E talvez fosse por isso, por ela presenciar tantas vezes a sua irmã fazer papel de boba perto dele, que ela começou a também se sentir nervosa perto dele. Era verdadeiramente patético!

Ela chamava aquilo de um sério caso de paixonite associada.

Até que ela caiu em si e percebeu que ela era apenas uma criança estúpida por estar tão impressionada com um cara que tinha mais do dobro da idade dela e parecia ser um arrogante de galochas... Além do mais, a sua irmã gostava dele. Não tinha como uma coisa ser mais off-limit.

Quando ela voltou para ver a sua irmã, e Hinata contou para ela o que tinha acontecido, ela achou que ver ele novamente não a incomodaria tanto quanto fazia antes, até porque a sua irmã também havia abandonado aquela paixonite boba de infância.

Mas, ela se enganou... Ela se incomodou bastante! Mesmo que o motivo fosse bem diferente do esperado. Ela olhou de relance novamente para a cadeira de rodas em que Sasuke se sentava, mas dessa vez o seu olhar não passou despercebido.

Sasuke sorriu secamente. – Nunca achei que conseguiria de alguma forma deixar Hanabi Hyuga sem palavras.

Hanabi escutou aquelas palavras, voltou a si e bufou irritada. – Você gostaria de me deixar algum dia sem palavras, mas não será hoje. – ela disse, mas percebeu o quanto a sua voz ficava fina a cada palavra, ela se silenciou. Urgh! Até mesmo falando irritada ela parecia uma criança na frente dele. Ela respirou fundo e parou de se mover, resolvendo olhar diretamente naqueles olhos apáticos. – Por que você não está fazendo nada? Parece que é só a minha cabeça que está na guilhotina.

Sasuke retribuiu o olhar, ainda sem expressão.

— Eu já te disse, você só está perdendo o seu tempo. – Sasuke disse lentamente.

Hanabi não conseguia entender aquela completa tolerância, era como se a cabeça dele sequer estivesse naquele porão, mas em outro lugar bastante mais distante. Ele mau prestava atenção nela. De certa forma, a ação de ser ignorada também não era nenhuma surpresa para ela, até porque, se ela nunca tinha conseguido fazer ele pensar nela antes nem por um instante por que agora seria diferente?

Mas, ele falou mais uma frase que a surpreendeu: — Eu não vou deixar que ele te machuquem. Não se preocupe.

Aquela fala era estranha, ela não costumava escutar muitas coisas clichês de ninguém, para ela, aquelas estupidezes pertenciam a filmes bregas e livros enjoativos, mas ela pode negar que ouvir aquilo dele fazia o seu coração acelerar um pouco mais que o adequado. Contudo, o balde de água gelada veio mais rápido que aquela emoção idiota.

— Eu devo pelo menos isso a sua irmã.

Hinata. Ele devia isso a Hinata! Claro, ele iria proteger a irmãzinha de Hinata. Mas, na mesma proporção que aquilo foi como uma inesperada facada em seus sentimentos já esquecidos, foi algo que também lhe deixou feliz. Ela pelo menos tinha certeza que Hinata ainda tinha uma chance de se desculpar com aquela pessoa.

Era importante para Hanabi que Hinata conseguisse as suas desculpas e finalmente conseguisse dormir à noite sem pesadelos. Ainda assim, ela precisou perguntar:

— Por que você deve a ela? Qualquer pessoa pensaria que ela estaria devendo algo a você... Não foi ela que te deixou assim?

Ela esperou por uma resposta, mas logo quando percebeu que não seria fácil obter uma, ele finalmente respondeu.

— Você culparia um revólver por disparar em sua cabeça? – ele perguntou. – Hinata foi apenas um revólver para mim. A única pessoa que atirou na minha cabeça, fui eu mesmo. Ela não tem por que se sentir mal por nada.

Hanabi sorriu sem humor. Ela estava entendendo perfeitamente bem o que ele estava falando, ele havia desejado os tiros que levou. Não seria essa uma tentativa falha de suicídio? Tinha coisas que ela não estava esperando descobrir naquele quarto caindo aos pedaços, uma delas era saber que aquela pessoa tão arrogante em sua frente havia tentado retirar a própria vida pelas mãos de Hinata.

E por mais que ela conseguisse entender aquela lógica torta, ela sabia que Hinata nunca entenderia daquela forma.

— Você sabe como ela vai se sentir. Me diga, Sasuke, se você estava querendo se matar porque você simplesmente não fez isso sozinho, mas tentou utilizar uma pessoa inocente? – o tom dela se tornou irritado

— Inocente... – Sasuke suspirou ao dizer aquela palavra. – O que é uma pessoa inocente? Eu já fui inocente um dia, Naruto também, Hinata também. Sempre teremos uma parte inocente em nós, mas quando vemos que ela não vai nos levar muito longe, nós a abandonamos no meio do caminho. Eu queria poder te dizer que eu usei uma pessoa inocente, mas na minha cabeça, eu tinha as minhas intenções, os meus desejos e as minhas próprias culpas. Hinata também tinha as dela, a única diferença nesse caso foi que apenas ela conseguiu alcançar o que queria, enquanto eu não. Não seria nesse caso, eu a única pessoa inocente?

— Que porra você está falando?

Ele sorriu.

— Você não entenderia, Hanabi. Você mesma ainda é inocente demais para entender qualquer coisa desse tipo.

— Eu acho que eles bateram muito forte na sua cabeça. – ela respondeu rispidamente.

— Talvez. De todas as formas, eu não acho que ele vai demorar muito para vir nos ver.

Novamente o ELE chamou a sua atenção.

— Ele? Como você sabe que é um ele? Você já falou isso duas vezes.

Sasuke sorriu e pela primeira vez que os dois estavam naquele quarto, Hanabi reconheceu um pouco do antigo Sasuke que ela conheceu a muito tempo atrás. Ele pareceu estranhamente um pouco mais animado.

— Só uma pessoa tem poder o suficiente para causar tudo o que está acontecendo, Hanabi. E essa pessoa não é Naruto ou Yumi.

Ela sabia quem Yumi era. A irmã de Naruto, o que ela tinha a ver com toda a história, ela não tinha ideia... Mas, continuou a tentar acompanhar o raciocínio do homem à sua frente, mesmo pensando que talvez ele estivesse um pouco fora de si.

— Nós apenas servimos como a distração para o buffet principal. Basta saber quem vai ser convidado para o banquete.

Ela desistiu completamente. — Puta que pariu, eu não preciso de você para me deixar mais louca do que eu estou.

Hanabi puxou novamente as amarras, sentindo-se enlouquecer pouco a poco e Sasuke voltou ao seu mundo de pensamentos. Ela sabia que Sasuke sabia exatamente o que estava acontecendo, ela também sabia que ele nunca falaria nada para ela com palavras diretas. E se fosse para escolher entre ficar no escuro ou traduzir aqueles enigmas irritantes, elas continuaria sem saber nada.

E apenas esperaria que o ELE aparecesse. Quem quer que o ELE fosse...

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Yumi acordou sentindo a sua cabeça zunir. Algumas imagens enchiam a sua memória, o que servia apenas para aumentar ainda mais a sua dor de cabeça. O que estava acontecendo?

Ela abriu os olhos e a pessoa que estava na sua frente a surpreendeu ainda mais que qualquer coisa. Sabaku no Gaara. De fato, surpreendente.

Ele estava sentado em frente a ela, olhando-a calmamente. Acontece que diferente dela, ele não estava amarrada em uma cadeira, nem amordaçado. Gaara estava com uma arma em sua mão, engatilhada e pronta para ser usada.

— Bom dia? – ele perguntou. – Será que já é dia? Eu não sei dizer, você dormiu por bastante tempo e eu ainda não sai do seu lado.

Yumi manteve a calma, sem se importar com as óbvias ameaças a sua saúde física. Ela sabia muito bem que Gaara não era o tipo de pessoa que buscava prisioneiros, ele simplesmente se livrava das pessoas, ou fazia com que outras pessoas fizessem isso por ele. A única razão de ela estar presa naquele lugar pelas suas mãos, era porque ele queria algo dela.

Gaara se levantou e desamarrou a amarra da sua cabeça.

— Desculpa por ser rude, mas não tinha como saber se você não iria acordar gritando comigo, então eu precisei tomar certas precauções.

— O que você quer? – Yumi perguntou rapidamente. – Algum outro dos seus jogos?

Yumi conhecia Gaara muito bem. Os dois vinham da mesma leva de manipuladores inescrupulosos que faziam de tudo para conseguir o que queriam. Ele havia conseguido isso em idade muito mais nova que ela, por isso, ela o respeitava até determinado nível. Ela também sabia que ele era um verdadeiro psicopata.

Como é que falavam mesmo...? Um louco poderia facilmente conhecer o outro, certo?

— Yumi, querida, eu deveria ter conversado com você antes. Você sempre foi muito divertida para mim. Ver você tentando escalar uma cadeia de poder que não te pertencia apenas para conseguir vingança, sempre foi algo que eu admirei bastante. – Gaara respondeu, voltando a se sentar em sua cadeira. – Eu confesso que eu não sabia exatamente onde te colocar no jogo de cadeiras da máfia, mas eu tinha certeza que você daria uma excelente peça no tabuleiro.

Ela suspirou, ignorando os insultos velados jogados em sua direção.

— O que você quer de mim?

Gaara sorriu gentilmente. Aquele era um olhar que ela nunca tinha visto nele, o que era ainda mais assustador. E ele logo respondeu: — Honestamente, apenas a sua agradável presença me basta.

— A minha presença você já tem? Mas, o que será que você tem em mente? – ela tentou inquerir. — Eu já adianto que não vai existir ninguém nesse mundo para levantar mundos e fundos para me salvar. Não há ninguém para mim.

Gaara sorriu novamente, retirando toda a sua gentileza e adicionando uma acidez assustadora em seu belo rosto.

— Se tem algo que eu aprendi todos esses anos, minha querida Yumi, é que sempre irá existir alguém para uma pessoa... Seja por ódio, seja por amor, seja por dor e amargura. Eu conheci várias dessas pessoas no decorrer da minha vida, mas sabe qual delas foi a que mais me marcou? A pessoa que destruiu a minha vida por pura generosidade.

Yumi afiou o seu olhar, sem entender as intenções ocultas naquela frase. Mas, ela não precisou de muito tempo para descobrir.

— Sabe quem é essa generosa pessoa? Por incrível que pareça você a conhece muito bem, ou talvez não afinal você pensava que ele estava morto todo esse tempo...

As palavras a atingiram em cheio e ela sabia exatamente de quem ele falava. Minato.

— Será que ele vai aceitar ser destruído por amor a você também... Ou ao filho dele?

Yumi paralisou, olhando seriamente para Gaara e não acreditando em nada que saia daquela boca venenosa. Ela sabia muito bem que Minato estava morto, não tinha como ele estar vivo, de forma alguma! Pai...

E ao filho dele?

Ela era filha dele. A única filha. Ela fechou os olhos impedindo que a pessoa na sua frente se aproveitasse da sua confusão. Mas, logo abriu quando percebeu que a sua mente estava chegando a conclusões inenarráveis.

— Você dois seriam tão bons juntos se não fosse por todo o resto.

Dessa vez, Gaara olhou para algum ponto atrás das costas de Yumi e quando ela virou o rosto para trás para saber o que ele estava vendo, ela percebeu que Naruto estava amarrado em outra cadeira atrás dela, a apenas alguns passos de distância. Ela não tinha sentindo a sua presença quando acordou, mas agora ela conseguia ver os olhos raivosos e igualmente confusos de Naruto.

Gaara utilizou sua força para a virar na cadeira e a deixar cara a cara com Naruto que ainda olhava de forma incessante para Gaara. Sem lhe lançar qualquer olhar de reconhecimento.

— É tão lindo fazer o reencontro de familiares. — Gaara apoiou cada uma de suas mãos nos ombros de Yumi. – Deixe que eu os apresento. Yumi, esse é o Naruto seu irmão mais velho. Naruto, essa é Yumi, a sua irmã mais nova. Agora, só está faltando uma peça... O papai de vocês, e ele vai chegar logo, logo. Não tenham medo crianças.

Notas finais
Comentem que eu adoro ler as teorias de vocês! Próximo capítulo: 24/11/2020 - o dia para eu postar deveria ser 23, mas eu tenho uma endoscopia esse dia e eu vou passar o dia todo meio lerda pelos anestésicos.