GuCilia - Uma História Diferente
3 Capítulo 3 - É oficial
Notas iniciais
— E o que é mocinha? – Perguntou Cecília
— Ué, que você não vai mais ser noviça, que gosta do meu papi, que ele gosta de você e vocês vão se casar! – Respondeu, com plena certeza
— Meu Deus, que filha mais inteligente nós temos hein Cecília! – Sorriu Gustavo orgulhoso
— É, verdade! – Sorriu para os dois – Era sobre isso mesmo que a gente ia falar Dulce, mas tem alguns detalhes.
— Que detalhes mamãe?
— O que você disse está certo: Eu não vou mais ser noviça, eu gosto do seu pai, ele gosta de mim, mas casar... Ainda não – Afirmou
— Ah, por quê? – Perguntou a menina, cabisbaixa
— Filha – Chamou Gustavo, atraindo o olhar da garotinha – Eu e a Cecília nos gostamos, mas só vamos nos casar daqui a algum tempo. Tudo tem sua hora; namoro, noivado e só depois o casamento. Quando eu casei com a Tereza foi assim, vai ser igual com a Cecília, entendeu?
— Sim piririm! Mas não demora muito não, quero ser daminha! – Sorriu travessa
Cecília e Gustavo riram com a afirmação da carinha de anjo, certos de que agora seria só felicidade para eles.
— Mas enquanto vocês não casam, a gente pode passear junto né papi?
— Claro que pode! Aliás, a gente podia começar no sábado, o que vocês acham?
— Sábado não dá. – Disse Cecília – Tem a festa de aniversário do colégio, vai ser meu último evento aqui.
— Verdade, tinha esquecido. – Disse Gustavo – No domingo então. No domingo eu vou fazer uma surpresa pra vocês duas! – Afirmou o empresário com um sorriso divertido
— Ihh, o que será filha? – Perguntou Cecília – Aliás, eu também tenho uma surpresa pra sábado.
— Conta mamãe! Por favor! – Pediu a menina cruzando as mãozinhas
— É surpresa! Só no sábado! – Viu a garotinha fazer bico – Aliás, alguém aqui tem aula agora né Dulce Maria?
— Você e o papi me levam pra sala? Quero mostrar pra todo mundo que você é minha mãe!
— Claro que sim meu amor! Vamos?
Cecília e Gustavo se levantaram e pegaram cada um em uma mão de Dulce, levando-a até a sala. Ao chegarem à sala de música, onde Fabiana ensaiava com todas as outras freiras e as alunas, atraíram os olhares de Bárbara e Frida, que logo começaram as provocações.
— Olha lá, a protegida da irmã Cecília com o papai viúvo – Provocou Frida, que foi repreendida por Fabiana
— Frida, isso não se faz! – Repreendeu a líder do coral
— Deixa Fabiana, eu resolvo isso! Frida, a Dulce Maria não é minha protegida, ela é mais do que isso!
— É verdade, a Ceci é minha mamãe!
— Mãe? – Perguntaram as colegas de Dulce em uníssono
— Sim piririm! A Ceci vai tirar o uniforme de noviça e casar com o meu papi.
— Dulce Maria! – Repreenderam os pais da garotinha
— Ué, eu tô falando alguma mentira?
— Não, deixa eu explicar pra vocês toda essa história. Fabiana, chama a Madre, o Inácio, o Pascoal e a Diana, por favor? Só faltam eles.
Em um minuto, a Madre chegou à sala acompanhada daqueles que Cecília havia pedido para chamar. Todos se calaram para ouvir o que a jovem tinha a dizer.
Olhou para Dulce no colo de Gustavo, que lhe passou confiança através de um olhar.
— Bom, a história não é muito longa. Há alguns meses eu venho pensando e tomei uma decisão, de que vou deixar o hábito. Isso quer dizer que eu não vou mais dar aula, nem morar aqui com as outras irmãs. – Explicou para que as meninas mais novas entendessem
— Agora você não vai ter quem te defenda, Dulce! – Provocou Frida
— Engano seu, Frida. – Era a Madre quem falava – A Cecília não vai mais trabalhar aqui, mas vai estar presente na vida de Dulce Maria, vai saber de tudo o que acontece com a filha dela aqui dentro. E eu proíbo vocês duas de dirigirem a palavra a Dulce Maria se for pra provocações. – Ordenou de forma enfática, arrancando alguns risinhos das outras alunas
As duas garotas se calaram, mas logo Bárbara fez um questionamento a respeito de Gustavo.
— E onde o pai da Dulce Maria entra nessa história? – Questionou olhando para o dono da Rey Café
— Em poucas palavras, eu decidi deixar o hábito pra poder ter uma família, junto com e ele e com a Dulce. – Respondeu pegando a filha do colo do pai – A Dulce agora é minha filha, e vai ser pra sempre. – Afirmou dando um beijo no rosto da pequena, emocionando aos presentes e deixando as duas rivais de Dulce Maria sem ter o que dizer
— Ela vai ter o seu nome? – Perguntou Adriana, uma das colegas de Dulce
Ia responder quando Gustavo a interrompeu.
— Vai. Assim que nós acertarmos mais algumas coisas, a Dulce vai ter o nome da Cecília.
Cecília e Dulce se surpreenderam com a resposta dele, mas sorriram.
— Bem irmã Cecília, – Disse a Madre – Tudo que podemos fazer é lhe apoiar, e agradecer por tudo o que fez por nossas alunas e nosso colégio – Sorriu para a quase ex-noviça
— Obrigada Madre, eu tenho muito a agradecer à senhora, às alunas e às irmãs. – Disse emocionada, recebendo um beijo de Dulce e segurando a mão de Gustavo – E você mocinha, – Disse colocando Dulce no chão – Se despede do papai. Ele tem que ir agora e você tem aula.
Dulce andou até o pai, deu um beijo e um abraço nele e disse ao seu ouvido:
— Aproveita pra levar a mamãe lá fora e dar um beijo nela, papi.
— Ai Dulce, só você mesmo! – Riu – Vamos Cecília?
Cecília e Gustavo foram até o jardim, se despediram, e Cecília prometeu uma surpresa pra ele no sábado.
Mas ainda naquele dia a noviça falaria com Estefânia, pediria ajuda para comprar tudo o que iria precisar para ser uma nova mulher. Mas apenas no sábado é que ela tiraria o hábito, para surpreender Gustavo.
A semana passou sem demais acontecimentos. A jovem já tinha tudo que precisava, entre roupas, acessórios, sapatos, itens de higiene e beleza, etc. No sábado assinaria um último documento, e então deixaria de ser noviça definitivamente. Mal sabia a mãe de Dulce Maria que Gustavo também tinha uma surpresa maravilhosa pra ela.
Longe da fazenda, Gustavo andava pelo shopping a procura de um presente para sua amada e também para sua filha. O presente de Dulce não foi difícil, mas com relação a Cecília estava indeciso. Dessa vez não quisera a ajuda de Estefânia, quis escolher sozinho. Cecília era noviça, não era acostumada com vaidades. O que poderia agradá-la sem assustá-la? Andou por muitas lojas, boutiques, joalherias, até que depois de algumas horas encontrou o que procurava. Estava ansioso para que o fim de semana chegasse, já tinha tudo pronto para as surpresas que faria às mulheres de sua vida.
Já no sábado, Cecília e Fabiana andavam pelo jardim, finalizando algumas coisas para a festa quando cruzaram com Dulce Maria.
— Mamãe! Irmã Fabiana!
— Bom dia, Dulce! – Disseram as duas, sorrindo para a garota
— Você vai ficar com essa roupa mamãe? – Perguntou a menina dando um beijo no rosto de sua mãe e outro em Fabiana – Pensei que você fosse tirar esse vestidão!
As noviças riram e Cecília respondeu a pergunta de Dulce.
— Por enquanto sim filha, e o nome certo é hábito. – Riu pela forma como a filha costumava chamar sua vestimenta – Vou ficar com ele até a metade da festa. Depois eu saio, troco de roupa e faço uma surpresa pro seu pai. Mas é segredo, ok?
— Sim piririm! – Sorriu para a mãe – Depois dessa surpresa você não vai mais usar o hábito?
— Não pororom! – Riu Cecília
— E o que será essa surpresa de amanhã? Tô curiosa!
— Eu também tô muito curiosa Dulce! Agora vamos, daqui a pouco seu papi chega!
A pequena se ofereceu para ajudar a mãe e Fabiana no que ainda faltava preparar, e rapidamente o palco estava pronto para a apresentação do coral. Cecília olhou em volta, estava tudo muito arrumado e florido. Era seu último evento no colégio, sua última apresentação com o coral do qual ela participava desde que entrara no internato. Sentiu seus olhos lagrimarem, havia passado pelas coisas mais importantes de sua vida naquela fazenda, ao lado das alunas, da Madre, das irmãs – incluindo Fabiana – e principalmente: lá ela havia conhecido as pessoas que mudariam sua vida para sempre, Gustavo e Dulce Maria.
— O que aconteceu Cecília? – Perguntou Fabiana preocupada com a amiga
— Por que você está chorando mamãe? – Perguntou Dulce Maria chegando mais perto da mãe
Cecília abaixou-se diante da menina, que tinha uma feição preocupada
— Não é nada filha, não precisa se preocupar. É que... – Olhou para Fabiana, levantando-se e pegando a menininha no colo – É o meu último evento, é a última vez que eu me apresento com o coral... E eu vivi tanta coisa aqui, aprendi tanta coisa... Conheci os amores da minha vida. – Beijou o rosto da filha – É só emoção!
— Então essa emoção vai aumentar, olha lá quem chegou! – Disse Fabiana
Era Gustavo quem chegava, lindo como sempre, elegante e com um sorriso satisfeito em seu rosto, ao avistar a filha no colo de Cecilia.
— Como estão as duas mulheres mais lindas desse mundo?
— Papi! – Pulou para o colo de Gustavo – Eu que ajudei a mamãe e a irmãzinha a decorar aqui fora, olha só!
Gustavo olhou em volta, realmente estava tudo muito bonito.
— Está tudo lindo minha filha! Vocês capricharam!
— Obrigada papi! Agora dá um beijo na mamãe!
Gustavo colocou Dulce no chão e beijou o rosto de Cecília carinhosamente, sentindo rosto da jovem esquentar apesar do sorriso que ela expressava.
— Senhor Gustavo, como vai? – Cumprimentou a Madre, que se aproximava com um sorriso amigável
— Agora muito melhor Madre, obrigado. – Disse olhando para Cecília
— Eu fico muito feliz, senhor Gustavo. Eu não sei como não percebi antes que a Cecília era a pessoa perfeita para completar essa família!
[...]
Já passava da metade da festa, depois da apresentação do coral, quando Gustavo percebeu a ausência de Cecília e Estefânia, que havia chegado com Vitor logo depois de Gustavo.
— Onde estão sua mãe e sua tia, Dulce? – Perguntou ele para a filha
— Não sei papi! – Mentiu – Devem estar por aí!
Cecília entrou no quarto das noviças sozinha para trocar o hábito por um vestido e depois chamaria Estefânia, que estava no corredor, para ajudá-la com os acessórios e maquiagem.
Abriu a porta de seu armário e pegou o vestido de dentro, depositando-o sobre a cama. Se aproximou do espelho que havia no quarto, e viu-se com o hábito pela última vez. Olhou para seu crucifixo e sorriu agradecendo a Deus pela vida que iniciaria naquele dia, então tirou-o, deixou sobre o criado mudo e respirou fundo antes de tirar as outras peças da vestimenta que usara por tantos anos. Começou pelo véu, admirando seus cabelos escuros e agora soltos caindo sobre seus ombros. Depois de tirar a camisa, saia e sapato, pegou o vestido sobre a cama e fechou os olhos ao senti-lo caindo sobre seu corpo. Respirou fundo para tomar coragem de abrir os olhos e se ver novamente como mulher, deixando para trás a imagem de noviça.
Ao ver seu reflexo no espelho sua primeira reação foi uma surpresa, seguida de um sorriso iluminado. Sua ansiedade havia aumentado, queria ver logo a reação de seu amado. Chamou Estefânia, que sorriu emocionada ao ver a quase cunhada ainda mais linda do que antes.
Estava com um vestido branco leve, bordado com algumas pérolas. A tia de Dulce havia lhe presenteado com um conjunto de ouro amarelo, composto por uma gargantilha com delicados brilhantes, um fino bracelete e brincos delicados, com os mesmos brilhantes da gargantilha. Não prenderia os cabelos, fazia muito tempo que não os soltava. Nos pés, uma sandália nude. Estefânia havia lhe dado também um solitário em ouro amarelo, e para seu rosto, escolheu uma maquiagem não muito pesada, para realçar os olhos azuis da jovem.
— Você está maravilhosa Cecília! – Sorria Estefânia – Meu primo não vai ter mais como fugir de você!
As duas riram, Cecília olhou-se no espelho.
— Há quanto tempo não me via vestida assim, nem lembrava mais como era! A última vez foi quando eu fiz 18 anos, as freiras me presentearam com uma festa, e depois entrei para o convento.
— Cecília... – Estefânia pegou as mãos da moça – Eu te desejo toda a sorte do mundo ao lado da nossa família! Eu estou muito feliz com isso, tenha certeza! No fundo eu sabia que um dia isso aconteceria!
— Obrigada Estefânia, fico muito feliz em fazer parte dessa família linda, tão unida e cheia de amor! – Sorriu – Vamos? Eu tenho que assinar um documento ainda, e só depois vou ser ex-noviça.
— Claro, mas não vamos demorar muito né? Estou muito ansiosa pra ver a reação do Gustavo quando te vir assim. A Dulce também vai adorar, aposto!
— Verdade, ela sempre quis saber como era meu cabelo! – Riu
As duas foram até a sala da Madre, que se surpreendeu com o novo visual de Cecília.
— Está linda, Cecília! Boa sorte, seja muito feliz!
— Obrigada Madre – Sorriu em agradecimento
— Bom, está aqui o documento pra você assinar. Depois, vida nova!
Cecília pegou a caneta, e sorrindo assinou o documento. Era oficial. Agora, ela era apenas Cecília Santos.
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