GuCilia - Uma História Diferente
22 Capítulo 22 - Meus grandes amores
Notas iniciais
O oposto da felicidade. O oposto da harmonia, da paz que existia naquela família. De um segundo para outro, a felicidade se transformara em medo, em pavor. Encontraram seus familiares, Silvestre e Franciele amarrados e desacordados com fitas sobre a boca. Olharam em volta e viram as paredes pintadas com frases de ameaça feitas à tinta vermelha, objetos quebrados e uma desordem jamais vista antes naquela casa.
— Mamãe, o que aconteceu com eles? – Dulce tinha um olhar assustado
— Não sei, meu amor. – Cecília estava atordoada, mas tentou passar confiança à Dulce Maria – Filha, desce lá na casa do Emílio e pede pra ficar lá um pouco, pode ser? O papai e a mamãe já vão lá.
— Papi? – Ela perguntou ao pai, chorando. Gustavo estava paralisado, não dizia uma palavra, não se mexia
— Faz o que a sua mãe disse, por favor, Dulce. – Ele pediu no automático, não estava prestando atenção em mais nada
— Eu quero ficar aqui, mamãe! Eu quero ajudar! – A pequena chorava
— Então... Desce lá e pede pra chamarem o delegado, tá? Mas não volta, fica lá brincando com o Emílio que quando der a gente te chama. Agora vai, vai filha.
Dulce voltou ao elevador, com lágrimas nos olhos. Tocou a campainha do apartamento de Rosana.
— Dulce, o que foi? – Rosana perguntou quando abriu a porta, dando passagem para Dulce entrar
— Não sei, tia Rosana! Tá acontecendo alguma coisa lá em casa!
— Calma, Dulce. Para de chorar me explica.
— Eu não sei o que é! Minha mãe pediu pra eu vir pra cá e ficar com o Emílio, e pediu pra chamar o delegado!
Juju e Emílio apareceram na sala.
— O que foi, mãe? – Juju perguntou
— Por que a Dulce tá chorando? – Emílio se aproximou da amiguinha
— Emílio, leva a Dulce lá pro seu quarto, fica lá brincando com ela, tá?
— Mas o que aconteceu?
— Não sei, meu filho. Vão lá brincar, eu chamo vocês depois.
Emílio e Dulce saíram e Juju voltou a perguntar porque a menina chorava.
— E aí, mãe? O que aconteceu?
— Não sei, Juju! A Dulce apareceu aqui chorando, disse que está acontecendo alguma coisa lá na casa deles, parece que a Cecília pediu pra ela ficar aqui, e pra chamar o Peixoto. Eu vou lá ver o que é, toma conta dos dois?
— Claro mãe, fica de boa!
Rosana subiu para a cobertura e se assustou ao ver Gustavo e Cecília desamarrando e tentando acordar os familiares.
— Licença gente, mas o que aconteceu aqui?
— Oi Rosana. – Eles cumprimentaram – Não sabemos ainda, chegamos e encontramos a casa assim! – Cecília explicou
— Meu Deus, e essas ameaças na parede? “Se preparem, eu vou voltar!” — Ela leu
— Pois é, ainda tem isso. A Dulce...
— Ela tá lá em casa, com o Emílio e a Juju. Vocês me dão um minutinho, eu vou chamar o Peixoto.
— Obrigada. – Cecília agradeceu, e Rosana ligou para o namorado
O casal respirou em alívio quando todos começaram a despertar, queixando-se de muito sono.
— Graças a Deus!
— Vocês estão bem? Quem fez isso? – Gustavo e Cecília os conduziram até os sofás
— Calma meu amor, deixa eles respirarem um pouco. – Cecília pediu
— Já liguei pro Peixoto. E aí, tá todo mundo bem?
— Tá tudo bem, eu acho. Rosana, você pode por favor pegar água pra todo mundo?
— Claro, Cecília!
— Deixe isso comigo, dona Cecília! – Silvestre fez menção de levantar, mas a ex-noviça o impediu
— Não Silvestre! Descanse agora, tá bem?
Enquanto Rosana foi até a cozinha dos Lários, Gustavo tornou a perguntar se eles sabiam quem era o responsável por tudo aquilo.
— Ninguém sabe, primo. – Estefânia disse, um pouco confusa – Em algum momento a casa ficou vazia, todos estávamos fora. Eu, o Vítor e a Fátima estávamos no LePf, o Gabriel na igreja e o Silvestre tinha saído pra fazer compras com a Fran.
— Nós viemos do food truck, e encontramos com o Gabriel chegando. Ficamos aqui na sala conversando, o Silvestre e a Fran vieram servir um lanchinho pra gente, depois nós começamos a sentir muito sono. É a última coisa de que eu me lembro. – Fátima explicou
— Então alguém deve ter entrado aqui antes ou depois que vocês dormiram!
Rosana voltou com copos de água para todos, ia ajudá-los a despertar. Silvestre e Franciele tomaram a água e voltaram para a cozinha.
— E aí, descobriram quem fez isso?
— Não. Só sabemos que alguém entrou aqui, e deve ter posto alguma coisa no lanche deles!
— Cadê a Dulce Maria? – Estefânia perguntou
— Tá lá em casa. A Cecília pediu pra ela descer e ficar lá, o cenário aqui não é dos melhores. – Rosana olhou em volta e viu novamente as ameaças nas paredes – Será que mexeram em mais alguma coisa?
— Não sei, vou lá em cima pra ver. – Gustavo subiu, e desceu depois de um tempo, transtornado. Entretanto ele já sabia o que fazer
— O que foi, meu amor? – Cecília perguntou assim que o viu
— Reviraram, quebraram tudo! O apartamento está destruído, as mesmas ameaças que estão aqui em baixo estão lá em cima!
Peixoto chegou logo em seguida com os peritos, que analisaram todo o apartamento. Concluíram que alguém poderia ter esperado até que todos saíssem, sabotado os lanches e subido depois de um bom tempo pra terminar o “serviço”. Basicamente, que alguém tinha espionado a família Lários. Mais ainda, um alguém chamado Flávio Escobar.
Os peritos que analisaram o apartamento encontraram as latas de tinta spray usadas para pintar as ameaças em toda a cobertura, e encontraram nelas as digitais de Flávio.
— O Flávio? Mas como? – Gustavo estava indignado, e com razão – Eu mato esse infeliz! – Esbravejou
— Calma, Gustavo! – Cecília pediu – Vamos pensar e agir com calma, você não vai matar ninguém!
— Desculpa, meu bem. É que eu fui pego de surpresa, porque depois que a Nicole foi presa e internada nós nunca mais soubemos nada dela nem da família!
— Tudo bem, mas vamos deixar a polícia tomar conta disso!
— Peixoto, o que você acha?
— Olha, pelo o que eu conheço da história de vocês, da família de vocês, ele não teria motivos pra fazer isso sozinho, por vontade própria.
— Então ele fez isso a mando de alguém? – Cecília perguntou
— É o mais provável. – A família toda estava perplexa como Cecília e Gustavo
— Gustavo, me passou uma coisa pela cabeça agora, que eu sinceramente espero que não seja verdade!
— O que?
— E se a Nicole estiver fingindo? Se a doença dela não for verdade?
— Você acha que ela seria capaz disso?
— Acho! Ela disse, jurou pra nós que se vingaria! Ela pode ter pedido pro irmão dela fazer isso!
— Peixoto, você consegue descobrir isso?
— Consigo, claro!
— Então por favor, cuida disso pra gente. Nós vamos nos mudar pra casa nova e contratar toda a segurança possível, de forma alguma a Nicole pode descobrir onde nós moramos!
— Pode deixar comigo, seu Gustavo! Bom, eu preciso ir, com licença. Qualquer coisa estou à disposição!
— Obrigada, delegado. Rosana, cuida da Dulce mais um pouquinho? Nós vamos nos organizar aqui e depois vamos buscar ela. – Pediu o rei do café
— Claro Guga, pode deixar.
O Delegado e Rosana foram até o apartamento dela, e a família continuou na sala, conversando.
— Vocês estão melhores? – Cecília perguntou
— Estamos, já está passando todo aquele sono. – Vitor respondeu por todos
— Irmã, será que a doença da Nicole é fingimento mesmo?
— Pode ser, Fátima. A Nicole é capaz de tudo!
— Gustavo, nós vamos mesmo nos mudar antes? Você não falou sem pensar? – Gabriel questionou o irmão
— É o único jeito, Gabriel! O tempo que falta para a nossa mudança é praticamente o mesmo que levaríamos para comprar tudo o que foi quebrado, pintar as paredes, enfim, reorganizar a casa inteira.
— É, talvez você tenha razão. E a cobertura? Vai ficar fechada ou alugar?
— Ia ficar fechada. Mas acho que agora não vai sobrar quase nada aqui, então vou alugar. O que você acha, meu amor?
— Pode ser uma boa ideia! Mas meu amor, não sobrou nada inteiro lá em cima?
— Muito pouco, o que sobrou nós vamos levar. Eu vou ligar pro corretor, pedir pra ele ir abrir a casa, mandar levar as coisas e arrumar tudo lá. Acho que nos mudamos em menos de uma semana. – Ele se afastou para fazer a ligação
— E hoje?
— Vocês podem ir lá pra casa, se quiserem! Não vai caber todo mundo, mas já ajuda! – Estefânia sugeriu
— Obrigada, Estefânia. Mas acho que o Gustavo vai preferir ir pra um hotel, nós somos muitos e a Dulce Maria com certeza vai querer dormir com a gente!
— E a Dulce, o que vocês vão dizer pra ela? – Vitor questionou
— Acho que não é bom ela ver mais do que já viu quando nós chegamos, então vamos deixar ela na casa da Rosana e pegar ela só quando estivermos indo pra outro lugar.
— Tem razão, mas ela vai querer saber pra onde nós vamos! – Fátima comentou
— Não tem porque a gente mentir, só não vamos falar tudo. Vamos dizer que não vai dar pra ficarmos aqui por causa da bagunça e que vamos passar algumas noites num hotel enquanto a casa nova não fica pronta.
— Pronto, tudo certo com a casa. – Gustavo apareceu e se sentou ao lado da namorada – Bom, eu pensei em irmos pra um hotel, vocês concordam?
— Eu estava justamente falando isso pra eles, meu amor! A Estefânia sugeriu que nós fôssemos pra casa dela.
— Obrigado prima, mas é melhor não. Nós somos sete pessoas a mais, incluindo a Franciele e o Silvestre.
— Nós temos mais dois quartos de hóspedes e dois quartos pra funcionários.
— Então fazemos assim: Eu, a Dulce e a Cecília vamos pra um hotel, porque ela com certeza não ia querer dormir sem a gente, ainda mais depois do que viu aqui. A Fátima, o Gabriel, a Franciele e o Silvestre ficam na casa de vocês.
— Todo mundo concorda? – Cecília questionou, e todos assentiram
— Então ótimo, vou avisar lá na cozinha pra eles arrumarem as coisas deles, enquanto nós arrumamos as nossas. – Gustavo disse
— E a casa, vai ficar assim?
— Não meu amor, vou mandar uma empresa especializada pra limpar e preparar a casa pra ser alugada, e um pessoal pra fazer a mudança.
Depois de alguns minutos todos arrumavam suas coisas e Cecília, depois de arrumar suas malas e as da filha, foi até o quarto de Gustavo, que ainda terminava as malas.
— Posso entrar, meu amor?
— Claro!
— Não terminou as malas ainda?
— Não falta muito, se você quiser me ajudar...
— Ajudo, claro! – Ela foi até o guarda roupa dele e pegou o que faltava, quando se virou viu que Gustavo segurava um porta retrato de seu casamento com Teresa — É difícil pra você sair daqui, né?
— É, esse apartamento tem muitas lembranças. Algumas boas, outras ruins. Mas mesmo que a Teresa ocupe um lugar que é só dela, agora ficou no passado. O meu presente e o meu futuro é você. – Ele se sentou na cama com ela
— Meu amor, é bom que você tenha lembranças da Teresa! A saudade e as boas lembranças são pra sempre.
— Você não sente ciúmes?
— Como eu poderia sentir ciúmes? A Teresa se foi mas deixou você, que é o amor da minha vida; a Dulce, que é a filha que eu sempre sonhei; e essa família que eu tanto amo. Eu sempre vou ser muito grata a ela!
— Obrigado, meu amor. Se fosse qualquer outra mulher não entenderia. Obrigado. – Eles se abraçaram e se beijaram – A partir de hoje, vida nova!
Pouco tempo depois estavam todos prontos para saírem. Antes de fechar a porta da cobertura, Gustavo olhou em volta e se sentiu emocionar. Todos imaginavam que aquilo poderia acontecer, mas apenas Estefânia, Gabriel, Silvestre e agora Cecília, sabiam exatamente o que ele estava sentindo. A ex-noviça não disse nada, apenas entrelaçou seus dedos aos do namorado e, junto com ele, agradeceu a Teresa pela oportunidade de viver esse amor, apesar das circunstâncias.
— Obrigado/a Teresa. – Eles sussurraram juntos
Pararam na casa de Rosana para pegar Dulce Maria, que tinha perguntado pelos pais incontáveis vezes.
— Mamãe! – A pequenina gritou assim que viu a mãe e pulou em seu colo, Cecília sentiu que ela chorava, e sentiu seu coração se apertar
— Não chora meu amor, tá tudo bem! – Cecília também chorava, enquanto acariciava os cabelos da filha – Olha pra mim.
Dulce fez o que a mãe pediu e olhou em seus olhos enquanto acariciava seu rosto.
— Filha, tá tudo bem! Não precisa chorar, olha: seus tios, seu pai, eu, o Silvestre, a Franciele, todos estamos bem! – Ela secou as lágrimas da menina, que também secava as da mãe
Gustavo estava emocionado, e pegou a filha do colo de Cecília, que beijou o rosto dela antes de entregá-la ao pai.
— Calma filha, tá tudo bem agora. – Ele repetiu o gesto da namorada
Todos assistiam à cena encantados por verem uma família tão unida.
A família Lários ficou por mais algum tempo na casa de Rosana, fizeram um lanche, e abraços de Dulce em todos não faltaram. Se via que ela era uma perfeita cópia de Teresa, tinha a mesma personalidade. Aos poucos, absorvia também a personalidade de Cecília, o que fazia Gustavo ter certeza que ela seria uma grande mulher, boa e generosa, como seus dois amores.
Mais tarde, o casal foi com Dulce para um hotel. Quando chegaram lá a menina dormia, apesar de não ainda não ter anoitecido. A noite anterior tinha sido muito tumultuada e ela não havia dormido, então Cecília a levou para o quarto enquanto Gustavo terminava as reservas e acertava o pagamento.
— Durma tranquila, meu amor. A mamãe está aqui com você, e eu nunca vou te deixar. – Cecília se levantou da cama onde deixara Dulce Maria e foi até a varanda do quarto, de onde se podia ver o pôr do Sol e o céu limpo, que anunciava uma noite estrelada.
— Senhor, peço Sua proteção para a minha família, principalmente para a Dulce Maria. Tire dela esses pensamentos ruins, traga de volta a alegria que a minha filha sempre teve! – Ela parou por alguns segundos – Teresa, muito obrigada por ter colocado no mundo a filha maravilhosa que a nossa Dulce é. Eu também te agradeço pelo Gustavo, que é meu grande amor. Apesar de tudo, mesmo que sua partida tenha sido traumática, me deu a oportunidade de ter a melhor família que alguém poderia desejar, um namorado maravilhoso, uma filha linda. Eu prometo a você que nunca vou deixá-los, e vou dar a eles todo o meu amor. Muito obrigada. – Ela terminou a oração com lágrimas em seu rosto, mas não eram de tristeza, eram lágrimas de gratidão
Da porta da varanda, Gustavo ouvira a tudo. Igualmente emocionado, se aproximou de Cecília e a abraçou.
— Faz tempo que você está aí? – Ela perguntou abraçada a ele
— O suficiente. Obrigado por tudo, meu amor! – Ele desfez o abraço
— Não precisa me agradecer, tudo o que eu faço é por amor a vocês. – Ela disse olhando nos olhos dele
— Teresa deve estar muito feliz e agradecida a você também, por cuidar tão bem de nós.
— Vocês são a melhor coisa que aconteceu na minha vida.
— Eu te amo. – Eles disseram juntos
Gustavo e Cecília ficaram naquela varanda apreciando o pôr do Sol, e trocando juras de um amor que, já estava mais do que provado, não seria abalado por nada e nem por ninguém.
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