GuCilia - Uma História Diferente
20 Capítulo 20 - Ela desapareceu!
Notas iniciais
Gustavo e Cecília conversaram por mais um tempo e decidiram perguntar a Dulce Maria se ela aceitaria conversar com Gabriel sobre os pesadelos que vinha tendo. Achavam que por ser tio, ela se abriria mais fácil do que com uma pessoa estranha.
— Dulce! – Gustavo chamou quando eles chegaram ao parquinho
— Papi!
— Filha, a gente quer conversar uma coisinha com você. – Cecília falou sentando ao lado do namorado e de frente para a filha
— De novo? O que eu fiz dessa vez?
— Nada, é sobre outra coisa. Lembra que no começo dessa semana a gente foi com você lá na psicóloga e você não quis conversar com ela?
— Lembro, por quê?
— Eu e seu pai erramos em ter levado você lá sem perguntar antes se você queria ir ou não, e pedimos desculpas por isso.
— Não tem que pedir desculpa, mamãe! Vocês só me levaram lá porque estavam preocupados comigo, não foi?
Cecília e Gustavo se olharam e sorriram orgulhosos pela maturidade que a filha demonstrava ter ao entender as razões de seus pais, mesmo sendo tão pequena.
— É, foi por isso! – Cecília ainda sorria – E foi pra não cometer esse erro de novo que nós viemos falar com você.
— Eu não quero ir lá! Por que eu tenho que falar com aquela moça?
— Dulce, você mesma acabou de falar que entendia a nossa preocupação! – Gustavo argumentou, com paciência
— Mas eu não conheço aquela moça, papi! Como eu vou saber que ela não é como a Nicole?
Gustavo olhou para Cecília, que entendeu o que a filha queria dizer.
— Como assim, meu amor? Explica melhor. – Pediu Cecília, para ver até onde Dulce Maria se abria
— Eu aceitei conhecer a Nicole melhor porque o meu papi pediu, e ela só fez coisa ruim!
Gustavo se sentiu culpado e baixou a cabeça, Cecília percebeu e apertou sua mão.
— Meu amor, nem todas as pessoas são como a Nicole. – Ela pegou as mãos pequenas da filha – Você ainda vai conhecer muitas pessoas diferentes, algumas boas, outras nem tanto, mas você vai precisar aprender a conviver com isso. Tudo bem?
A pequena assentiu e Cecília continuou:
— E se você conversasse com o seu tio Gabriel? Ele é padre, e lembra que você diz que Deus é chefe das freiras e dos padres? – A menininha assentiu – Então, ele vai saber o que te dizer melhor do que qualquer psicólogo, porque o Papai do Céu é quem guia as palavras dele.
— Tudo bem mamãe, com o titio eu falo!
— Eu vou ligar pra ele. Ah! Se você quiser pode falar com ele a sós.
— O que?
— Sozinha. – Cecília riu
— Ah, tá.
— Então tá! É até bom que ele venha hoje, eu tenho uma coisa pra conversar com ele.
— A data do casamento?
— Sim!/Não! – Gustavo e Cecília respectivamente responderam ao mesmo tempo
— Gustavo! – Ela cutucou o “marido” – Que pressa toda é essa?
— É sobre a data do casamento ou não é? – A carinha de anjo voltou a perguntar
— Não, ainda não! – A ex-noviça respondeu – Seu pai estava brincando!
— Nem tanto! Eu quero falar com meu irmão sobre isso sim!
Cecília o olhou e ele emendou:
— Meu amor, nós já moramos juntos, fingimos sermos casados, pra quê esperar mais?
— O papi tem razão, mamãe!
— Gustavo, depois nós conversamos sobre isso tá? Aqui é melhor não, vai que as meninas escutam.
— Tudo bem, mas não fuja da conversa senhora Lários! – Ele sorriu
— Não vou fugir!
— Acho bom! – Ele beijou os lábios dela levemente, e ela interrompeu
— Gustavo! Por favor, aqui não é lugar pra beijos! Se as meninas veem isso, vão voltar pra casa falando que os pais de uma aluna ficam namorando no colégio, e aí já viu! Já basta os problemas com os pais da Bárbara e da Frida.
— Mamãe, eu gosto de ver vocês dois juntinhos, mas não gosto de ficar de vela! E se eu fosse vocês tomava cuidado com as cobras. – Ela apontou para Bárbara e Frida, que estavam um pouco longe
— Dulce Maria, de onde você tira essas respostas? – Cecília perguntou, cada vez se surpreendia mais com a esperteza de sua garotinha
— Da minha cabeça, ué! Eu vou brincar, tchau! – Ela disse e foi em direção às coleguinhas
— Se não fosse nossa filha, eu não diria que ela tem cinco anos! – Gustavo comentou
— Eu também não, ela é muito esperta! Mas ela tem razão, aquelas duas meninas, quando querem arrumar confusão...
— Então vamos pra outro lugar, essa fazenda é enorme! Deve ter algum lugar aonde elas não vão! – Ele se levantou e entrelaçou seus dedos nos dela
— Só na casa da Diana, ou no galinheiro, no chiqueiro... Você escolhe. – Ela riu enquanto eles caminhavam pelo colégio – Mas vem cá, você não tem que trabalhar não? Você veio pra resolver o problema da nossa filha, não pra passear!
— Mas e a conversa da Dulce com o Gabriel?
— Ela vai falar com ele sozinha, não adiantaria você ficar. Além do mais, a Madre pode estar sendo muito legal com a gente, mas nós não podemos abusar! Querendo ou não, você é um estranho no meio das meninas e das freiras!
— Eu sou pai, Cecília! Me preocupo com a minha filha!
— Eu sei meu amor, mas você não confia nas professoras, na Madre, na mãe da sua filha? O Gabriel é seu irmão, é padre...
— Claro que confio, meu amor! Tudo bem, se você insiste tanto, eu volto pra empresa. Mas me liga, qualquer coisa? Vou querer saber como foi a conversa deles!
— Claro! Mas isso você pergunta direto pra ele, esqueceu que moramos todos juntos?
— Verdade, esqueci disso.
— Esqueceu ou é só um pretexto pra me ligar?
— As duas coisas! Vem comigo até o carro?
— Claro, vamos!
Os dois andaram até o carro, e se despediram.
— Bom trabalho, meu amor. Eu prometo que ligo se acontecer alguma coisa.
— Promessa é dívida, hein? – Ele beijou os lábios dela, e como naquele momento não havia ninguém por perto, Cecília permitiu
— E sem pressa com essa história de conversa com o Gabriel sobre o casamento, tá? Depois falamos nisso.
— Promete pelo menos que vai pensar?
— Prometo. – Ela sorriu e o beijou docemente – Eu amo você.
— Eu amo você. Deixa um beijo pra Dulce!
Depois que Gustavo saiu, Cecília aproveitou que naquele momento Dulce estava em aula e enquanto andava até a casa de Diana, ligou para o cunhado, que prometeu ir até o colégio no período da tarde para conversar com ela e Dulce Maria. Andou mais um pouco e encontrou Diana separando materiais recicláveis na varanda de casa.
— Licença, Diana!
— Oi Cecília, bom dia! Como a Dulce passou a noite?
— Com certeza melhor do que eu. – Ela disse enquanto começava a ajudar a amiga com os materiais
— Por quê? – Diana indagou, curiosa
— Dessa vez eu tive um pesadelo.
— E era como os da Dulce? – Ela se preocupou
— Não, era diferente. Mas podemos não falar disso?
— Claro. O Inácio me falou que os pais da Bárbara, da Frida e o Gustavo estavam aqui, o que aconteceu?
— Elas e a Dulce brigaram. – Cecília disse
— Qual foi o motivo dessa vez?
— O de sempre, a Frida provocou a Dulce, disse que ela não tinha mãe, que eu abandonaria ela como o Gustavo fez... Aí a Dulce se irritou e começou a querer bater na Frida, puxou o cabelo dela, enfim.
— Essas meninas não sossegam, não é possível. – A professora de consciência ambiental suspirou
— Quando eu cheguei lá, só faltava elas saírem no tapa!
— E como mãe, você fez a sua parte e comunicou a Madre.
— Acho que mais como professora do que como mãe, num primeiro momento. Porque eu tinha que ser imparcial, ouvir as versões das duas, sem defender a Dulce só porque ela é minha filha. Até porque, isso só ia dar mais motivo pra discussões entre elas e entre nós e os pais. Depois que os pais delas chegaram, aí eu pude agir como mãe.
— E o que você falou?
— O que eu achei que devia, que a Dulce não tinha motivo algum pra provocar. Quando a mãe da Frida insinuou que eu era um mau exemplo por ter deixado a vida religiosa por amor, eu respondi que tudo o que eu fiz foi correr atrás da minha felicidade, e que não tinha melhor exemplo que eu pudesse dar à Dulce do que esse. Batalhar pela felicidade dela, mudar por amor... Eu me lembrei de tudo que você me dizia quando eu estava em dúvida em relação ao Gustavo. – Ela sorriu para Diana
— Fez muito bem! Que Deus e a Madre me perdoem, mas já tinha passado da hora de alguém falar umas verdades pra essas famílias.
— Usaram da proteção que a gente sempre deu à Dulce como argumento a favor das filhas deles, mas a Madre acabou do nosso lado. Disse até que o convite pro Gustavo jantar aqui foi dela!
— Não tem como não ter carinho pela família de vocês! São humildes, amigos de todo mundo apesar do dinheiro que tem. Sabem o que realmente tem valor, pode ter certeza que a Dulce sempre vai seguir os bons exemplos de vocês e vai ser uma mulher boa, como você é.
Continuaram conversando e separando os materiais, na hora do almoço Diana convidou Cecília e Dulce Maria para almoçarem em sua casa, Cecília não viu problema desde que a Madre soubesse que o convite se estendia à carinha de anjo. Dada a permissão, mãe e filha passaram um começo de tarde muito agradável ao lado da família Oliveira: após o almoço alegre e animado, uma sobremesa deliciosa e uma roda de violão. Foram avisadas quando Gabriel chegou ao colégio e se dirigiram à capela, lugar que o padre considerava mais tranquilo e sem chance de interrupções.
— Gabriel, será que eu posso falar com você mais tarde?
— Claro Cecília, é sobre a Dulce ou sobre a data do casamento?
— O Gustavo falou com você? – Ela lançou um olhar indignado a Gabriel
— Falou, qual o problema?
— Meu papi é rápido mesmo! – A pequena riu
— De tanto que ele insiste, eu acabo aceitando!
— Você já aceitou, mamãe! Olha só! – Dulce pegou a mão esquerda de Cecília e apontou para a aliança da mãe
— É, talvez. – Cecília riu – Enfim, nem uma coisa nem outra, é outro assunto.
— O que é, mamãe?
— Assunto de adulto, meu amor.
— Sempre isso, que coisa! – A menina cruzou os bracinhos e fez carinha de emburrada
Cecília e Gabriel riram.
— Tudo bem, depois da conversa com a Dulce eu te chamo.
— Então tá bom, mas qualquer coisa você me chama? É que eu ando muito preocupada.
— Normal, é preocupação de mãe. Mas eu chamo, prometo!
Cecília sorriu para Gabriel em agradecimento, e se abaixou na altura da filha.
— Filha, conversa direitinho com o seu tio, tá? – Ela acariciou o rostinho da carinha de anjo
— Sim piririm, mamãe. Não fica preocupada, o Papai do Céu vai ajudar. Você que me disse, lembra?
— Lembro sim, meu amor. – Cecília deu um abraço apertado em Dulce Maria – Gabriel, qualquer coisa me chama.
Cecília saiu da capela e, por um segundo, se sentiu entediada e perdida, sem saber pra onde ir ou o que fazer. Todas as pessoas com quem poderia conversar naquele momento estavam ocupadas, ela ainda não tinha aulas e a filha estava com o tio, então ela resolveu ligar para Gustavo.
Ligação On
— Oi, meu amor!
— Meu amor, que bom que você ligou! – Gustavo sorriu ao ouvir a voz da namorada – Eu tava aqui agoniado, como foi a conversa da Dulce com o Gabriel?
— Eles estão lá ainda, não faz muito tempo que o Gabriel chegou. Eu liguei porque... – Ela sorriu envergonhada – Eu tô entediada.
— Entediada? – Gustavo riu – Por quê? Ou melhor, como assim? Esse colégio é tão movimentado!
— Pois é, mas tá todo mundo ocupado agora. A Dulce está com o Gabriel, a Fabiana e a Diana estão dando aula, o Pascoal levou a Madre pro aeroporto porque ela precisou viajar de última hora... – Ela recostou-se numa mureta
— Quer vir pra cá?
— Eu até pensei nisso, mas até eu chegar aí a conversa deles já acabou. E além do mais eu preciso falar com o Gabriel sobre aquele sonho que eu tive, sabe?
— Sei. Acha que ele pode te ajudar?
— Eu acredito e espero que sim, meu amor! Aliás, você falou com ele sobre a data do casamento, não foi?
— Eu? – Fez-se de indignado – Claro que não, como você pediu.
— Sei. Ele me falou, Gustavo! – Cecília riu – Mas sabe de uma coisa, de tanto que você insiste eu vou acabar aceitando!
— Ah é? Bom saber disso, meu amor!
— Vou acabar aceitando, daqui dois ou três anos! Nós nem temos um mês de namoro!
— Meu bem, você sabe que é tudo de brincadeira, né? Eu entendo e respeito seu tempo! O nosso casamento de mentirinha já me satisfaz, pelo menos por enquanto.
— Obrigada, meu amor! – Ela sorriu – Eu prometo que vou pensar no assunto, quem sabe a gente antecipa o casamento pra daqui um ano.
— Isso me deixa muito feliz! Tão feliz que eu tô indo aí, te fazer companhia!
— Meu amor, eu bem que queria mas não dá, você sabe. Tem as crianças, as irmãs, a Madre...
— Ela viajou, não viajou? Quando ela volta?
— Pelo que ela disse, só na segunda-feira.
— Então! As meninas e as irmãs não vão nem me notar, e se notarem eu digo que eu fui até aí a pedido da Dulce Maria, pronto!
— Que bonito, hein senhor Gustavo? Usando a nossa filha pra mentir?
— O que eu não faço por você, né? Além do mais, quem é a nossa fã número um? Ela vai ser a primeira a concordar com a ideia!
— Tudo bem, você venceu! Pode vir! Qualquer coisa a gente vai pra casa da Diana, as meninas não vão lá.
— Ótimo! Logo, logo eu tô aí!
— Tô te esperando, meu amor. Um beijo!
— Outro pra você, meu bem!
Ligação Off
Na capela, Dulce conversava com o tio.
— E como é esse anjo que você vê?
— Ele é loirinho, de olho azul e o cabelo cheio de cachinhos!
— Ele fala com você?
— Fala. Ele fala que a mamãe vai pro céu junto com a minha mãezinha Teresa. Eu não quero que a mamãe morra, tio!
— Dulce, você não sabe que todo mundo tem um anjo da guarda?
— Sim piririm!
— Então, como você é criança, o seu anjo da guarda também é! E as crianças falam as coisas brincando, como você fala!
— Então a mamãe não vai morrer?
— Claro que não, Dulce! Os anjos da guarda são nossos protetores! E o seu anjo da guarda, loirinho, de olho azul, é uma criança brincalhona e sapeca que nem você!
— Obrigada titio! – A sapequinha sorriu para o tio – Agora eu posso ficar feliz!
— Agora você vai lá fora e chama sua mãe?
— Sim piririm!
A pequenina saiu saltitante até o lado de fora da capela, e encontrou com a mãe.
— Mamãe, mamãe!
— Oi, meu amorzinho! – A jovem sorriu e pegou a filha no colo – Como foi a conversa com o tio Gabriel?
— Ele falou que o anjo é o meu anjinho da guarda, que é criança e só fala essas coisas de brincadeira! O titio falou que você não vai morrer!
— Claro que não, filha! – Cecília sorriu e beijou o rosto da pequena – Eu não prometi pra você que nada ia acontecer comigo?
— Prometeu e agora eu tô feliz de novo! O tio Gabriel pediu pra você ir lá falar com ele!
— Eu vou lá então.
— Você não vai me contar o que é?
— Não senhorita! É assunto de adulto! – Cecília colocou a filha no chão – Eu chamei seu pai aqui, você espera ele?
— O que eu fiz agora?
— Nada! Ele só vem passear e fazer companhia pra gente, e no fim da tarde ele volta pra casa!
— A Madre não vai brigar?
— Ela precisou viajar, o Pascoal levou ela pro aeroporto! Agora eu vou lá na capela, e você se comporte!
— Deixa comigo, mamãe!
[...]
— Então Gabriel, o que você achou da Dulce Maria?
— Eu não sou psicólogo, mas pelo que vocês e ela me disseram, ela desenvolveu um certo bloqueio. Ela não quer falar com a psicóloga porque não a conhece, assim como não conhecia bem a Nicole e deu no que deu.
— Pelo menos agora ela parece mais tranquila!
— Mas e você, o que houve?
— Noite passada eu tive um sonho, na verdade um pesadelo. Eu aparecia vestida de branco num campo todo florido, e conversava com a Dulce Maria, pedia pra ela fazer o pai feliz se ele casasse de novo.
— Como assim?
— Depois a Dulce e o Gustavo apareciam num cemitério, jogando flores sobre um caixão, que provavelmente... Era meu. – Ela respirou fundo – Eu fiquei muito assustada, e se isso acontecer mesmo?
— Cecília, eu compreendo que você esteja assustada com tudo isso. Mas você é uma mulher de muita fé, e deve usar isso pra te ajudar! A Dulce é uma criança sensível, e muito inteligente. Ela vai perceber que você está assustada com alguma coisa!
— Você tem razão, Gabriel! Eu não posso demonstrar fragilidade na frente dela, ela percebe tudo! Obrigada pela ajuda, tá?
— Imagina Cecília, antes de ser padre eu sou seu cunhado e tio da Dulce Maria.
Alguns minutos depois, Gustavo chegou à fazenda e encontrou a filha lhe esperando na porta do colégio.
— Papi! – Ela correu até o pai, que pegou-a no colo e colocou-a sentada no porta-malas de seu carro
— Tudo bem, filha? Cadê sua mãe?
— Tá na capela, conversando com o tio Gabriel. Eu perguntei o que era, mas ela disse que era assunto de adulto!
— Será que ela demora?
— Não sei, mas você pode ficar escondido esperando!
— Escondido?
— Sim piririm! Senão a Bárbara e a Frida vão fazer fofoca pra todo mundo do colégio!
— E aonde eu vou me esconder?
— Na sala da Madre, ela viajou e ninguém vai entrar lá!
— Eu tive uma ideia. Você tem mais alguma aula hoje?
— Não pororom! Por quê?
— O que você acha da gente fazer um passeio?
— Iupiiii! Eu topo! Aonde a gente vai?
— Vamos esperar a sua mãe e a gente decide junto com ela!
Cecília apareceu acompanhada de Gabriel.
— Reunião da família Lários? – O padre brincou
— Mamãe, o papi deu ideia da gente sair pra passear!
— Que boa ideia! E aonde nós vamos? – Ela perguntou e deu um beijo em Gustavo
— A gente estava te esperando pra decidir, meu amor!
— Eu acho que a melhor pessoa pra decidir isso é a Dulce! Então filha, aonde nós vamos?
— Primeiro no caminhão de comida do tio Vitor! Depois no shopping, depois... – Ela enumerava quando a mãe a interrompeu
— Ei, ei, ei! Devagar, filha! – A ex-noviça riu – A gente já está no meio da tarde, logo anoitece e a gente vai precisar voltar.
— Tá bom, mamãe! Hoje a gente vai no caminhão de comida do tio Vitor, amanhã no shopping, depois de amanhã... Eu ainda não sei, mas vou pensar!
— Então está decidido! LePF, aí vamos nós! – Falou Gustavo – Vem com a gente, Gabriel? Eu ligo pra Estefânia e aviso que nós vamos, e lanchamos todos juntos!
— Parece uma ideia ótima, eu vou sim! – O padre respondeu, sorridente
Em pouco tempo toda a família Lários, incluindo Fátima e Vitor, estava reunida na praça central de Doce Horizonte. Aproveitaram o fim de tarde sem pressa, com muita alegria e no início da noite Gustavo levou a namorada e a filha de volta ao colégio.
— Chegamos, donzelas! – Ele desligou o carro – Gostou do passeio, filha?
— Sim piririm, papai! A gente vai no shopping amanhã, né?
— Não sei se eu vou poder, mas você pode ir com a sua mãe! Aí vocês aproveitam e compram tudo o que a gente destruiu no quarto naquela guerra!
Eles desceram do carro e se despediram, e após o jantar Cecília colocou Dulce Maria na cama.
— Dorme bem, filha!
— Você não vai deitar aqui, mamãe?
— Ainda não, eu vou conversar um pouquinho com a Fabiana e depois eu venho, tá?
— Fica aqui, por favor!
— Eu fico até você pegar no sono, vou lá rapidinho e depois eu volto aqui pra ficar grudadinha com você, tá?
— Não some, por favor mamãe!
— Eu não vou sumir, meu amor! Eu só vou conversar um pouquinho com a irmã Fabiana. Dorme, vai!
Após alguns minutos Dulce Maria adormeceu e Cecília foi conversar com Fabiana, que não estava no quarto. Elas se encontraram na casa de Diana, onde começaram a conversar e não perceberam o passar do tempo.
No quarto, Dulce Maria tinha mais um dos pesadelos onde o anjo dizia que Cecília morreria em breve. Acordou assustada, e ao não ver a mãe resolveu procurá-la pelo colégio, que estava em total escuridão. Começou a andar, e sem perceber se afastou demais do colégio, indo em direção a um matagal abandonado naquele enorme terreno.
— Mamãe, cadê você? Mamãe! – A pequenina chamava enquanto lágrimas rolavam de seu rosto – Mamãe!
[...]
— Meu Deus, olha a hora! Eu preciso voltar pro quarto, se a Dulce acorda e não me vê lá...
— Tá tarde mesmo. Eu vou com você, Cecília! – Fabiana disse e as duas foram em direção ao colégio. Para o azar, o lugar onde Dulce estava era distante, e elas não podiam escutá-la
Elas chegaram ao quarto e Cecília se assustou ao ver a cama da filha vazia.
— Fabiana, a Dulce não está na cama! – Ela começava a ficar nervosa
— Calma Cecília, ela pode ter ido ao banheiro!
— É, pode ser! – Ela procurou não entrar em pânico
— Vamos fazer o seguinte: Eu vou lá e você fica aqui, caso ela volte!
— Tá bem, não adianta sofrer antes da hora! – Ela respirava fundo, tentando se acalmar
Fabiana foi até o banheiro, rezando para encontrar Dulce Maria lá, caso contrário Cecília e Gustavo teriam mais uma preocupação. Não a encontrou e rezou, pedindo coragem para dar a má notícia à amiga.
— Cecília... – Ela entrou no quarto, falando baixo – É...
— Fala de uma vez, Fabiana!
— A Dulce não está lá.
— O quê? Não, de novo não! E agora Fabiana? – Ela lagrimava
— Calma Cecília, vamos esperar um pouco, talvez ela esteja em outro lugar!
— A cama dela já estava fria quando nós voltamos, faz tempo que ela saiu daqui! Será que ela saiu pra me procurar?
— Bom, talvez. Mas vamos sair do quarto, pra não acordar as meninas!
— Fabiana, eu acho que ela saiu atrás de mim! Ela deve ter tido outro pesadelo, e ficou assustada quando não me viu aqui! – Ela disse quando já estavam no corredor – A minha filha desapareceu por minha culpa! Eu vou ligar pro Gustavo!
— Calma! Vamos primeiro falar com a Madre, com as outras irmãs pra todo mundo procurar a Dulce. Se, Deus nos livre, ninguém achar ela, aí você liga pro Gustavo!
— A Madre viajou, Fabiana!
— É mesmo, tinha esquecido! Vamos nos reunir na sala dela, e sair pra procurar a Dulce!
— Tá, tudo bem. Vamos!
Na mata, Dulce continuava chamando pela mãe.
— Mamãe! Aparece, por favor! Mamãe! – Ela olhou em volta – Onde eu tô? Droga, acho que eu vim longe demais! E agora?
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