GuCilia - Uma História Diferente

14 Capítulo 14 - Um passeio até São Paulo


Notas iniciais
Oi gente linda! Desculpem pela demora, mas meus "compromissos escolares" tomaram meu tempo nesses últimos dias! Aproveitem! Boa leitura!

Depois de passarem um bom tempo juntos, Cecília resolveu voltar pra seu quarto.

— Amor, eu vou lá pro quarto. Já está muito tarde, e pensei de aproveitarmos bem o domingo com a Dulce, antes de ela voltar pro colégio. – A jovem falou ainda deitada no peito do namorado (ou marido, nem eu sei mais)

— Dorme aqui, por favor!

— Eu até queria, mas estou preocupada com a Dulce Maria. Quero estar ao lado dela se ela acordar! – Falou se levantando

— Tudo bem, qualquer coisa me chama! Amanhã vemos com ela onde podemos ir.

— Eu chamo, pode deixar. Boa noite. – Ela o beijou – Eu te amo!

— Boa noite meu amor!

Ao adentrar seu quarto, Cecília viu Dulce Maria um pouco agitada entre os cobertores, e se preocupou. Foi ao banheiro para tomar um banho rápido e quando saía, já de pijama, ouviu os gritos de Dulce Maria chamando por ela, e foi correndo até a cama.

— Dulce! Filha, acorda!

A menina despertou num sobressalto, respirando mais forte, e pulou nos braços da mãe.

— Mamãe, promete pra mim que não vai morrer? – A pequena pediu assustada, com a voz chorosa

O pedido da menina foi como uma facada no coração de Cecília, que não conteve as lágrimas e apertou a menina mais forte contra seu corpo.

— Eu prometo, meu amor! Eu prometo! – Ela tentava garantir com firmeza na voz, mas era em vão

Cecília chorava agarrada a Dulce Maria, se perguntando qual provação teria que vencer por ver sua filha traumatizada daquela forma.

— Dulce. – Afastou a pequenina de seu abraço – Olha bem pra mim, eu garanto pra você que não vai acontecer nada! Eu tô aqui, bem pertinho de você!

— Promete?

— Prometo! Agora deita aqui, descansa, pra gente poder aproveitar bem o dia amanhã!

— Segura a minha mão?

— Seguro sim! Tá aqui ó, bem agarradinha à minha! – Ela disse pegando a mão da menina e evolvendo ela em seu corpo

Depois de alguns minutos Dulce Maria adormeceu, mas Cecília não conseguia dormir de jeito nenhum. De alguma maneira ela se culpava pelo que acontecera em Recife, afinal Nicole queria se vingar por ter perdido Gustavo para ela. Tornava a chorar de preocupação quando Gustavo entrou no quarto.

— Cecília? O que houve? – Ele perguntou – A Fátima me disse que ouviu a Dulce gritando!

— Ela teve outro daqueles pesadelos. Eu estava saindo do banho quando eu ouvi ela me chamar, vim correndo e ela estava agitada, se mexendo demais. Eu a chamei e ela acordou assustada, pulou no meu colo e me pediu uma coisa que me atingiu fundo, como uma facada. – Explicou já começando a chorar

— O quê ela te pediu? – Perguntou franzindo o cenho, já preocupado

— Ela pediu pra... – Ela respirou fundo – Pediu pra eu prometer pra ela que não morreria.

— Como? – Ele questionou espantado

— Ai meu amor, você não imagina como me doeu ouvir aquilo. O que deve estar passando pela cabecinha dela pra me pedir algo assim? – Ela abraçou o “marido”, com lágrimas em seus olhos.

— Calma, meu amor. Segunda-feira levamos ela a um psicólogo e se ele achar prudente ela fica mais alguns dias em casa, ou você passa mais um tempo com ela no colégio.

— Será que isso passa?

— Claro que sim. – Ele tornou a olhá-la – Ela é criança, vai superar isso. Não se angustie, meu amor. Nós estaremos com ela, vamos protegê-la. Dá um cantinho pra mim, vou ficar aqui com vocês hoje.

Gustavo se aconchegou ao lado de Cecília e a abraçou, assim os três passaram aquela noite. Na manhã seguinte, os três tomaram café acompanhados de Estefânia, Vitor, Gabriel e Fátima.

— É muito bom ver essa mesa cheia, até pouco tempo éramos apenas em três ou quatro. – Gustavo disse sorrindo

— Obrigada de novo pelo convite Gustavo. Essa sensação de casa cheia é nova pra mim e pra Cecília, mas é muito boa.

A ex-noviça concordou com a irmã, enquanto Gustavo emendou:

— E é justamente por isso que eu quero fazer um convite a todos aqui, inclusive a vocês dois. – Se dirigiu a Silvestre e Franciele

— Que convite? – Gabriel perguntou ao irmão

— Eu decidi comprar uma casa maior, num condomínio. E a ideia é que todo mundo more junto.

— Todos nós? – Estefânia perguntou – E a cobertura?

— Sim, sem exceções. Eu vou manter esse apartamento, caso precisemos um dia, ou podemos alugar. O Vitor pode até manter a casa dele, mas se mudaria conosco. O que vocês acham?

— Eu acho ótimo papi! Quando a gente se muda? – Dulce se manifestou

— Calma! – Ele riu – Primeiro todos os seus tios têm que aceitar, depois eu compro a casa, e aí a gente se muda.

— São muitos tios, vai demorar! – Ela protestou

— Não vai não! Se todos eles aceitarem, amanhã mesmo eu e a sua mãe começamos a procurar as casas. Você pode até ir junto, se quiser.— Iupiii! Eu quero! Titios, aceitem, por favor! – Ela pedia com um olhar suplicante – Vai ser legal todo mundo morando juntinho!

— Pedindo assim, quem negaria? Eu topo! – Estefânia se pronunciou – E vocês?

Fátima, Gabriel e Vitor se entreolharam e responderam em uníssono:

— Aceitamos!

— IUPIIIII!! – A menina comemorou praticamente caindo da cadeira

— Maravilha! Amanhã mesmo nós vamos procurar umas casas!

— Mas e o colégio papi?

— Você vai ficar mais uns dias em casa, meu amor. – Cecília a respondeu – Ainda precisa descansar um pouco.

— Eba! Mais dias de folga! E hoje? O que nós vamos fazer?

— Nós vamos pra São Paulo! Vamos ao Parque do Ibirapuera, fazer um piquenique, andar de bicicleta, e o que vocês quiserem! – Ele explicou

— São Paulo? Você não me disse nada! – Cecília comentou – É um ótimo passeio! Esse parque é lindo! Eu não conheço, mas já vi fotos, reportagens de televisão...

— Eu decidi agora. Gostou da ideia, filha?

— Adorei, papi! E São Paulo fica muito longe?

— Não, mais ou menos uma hora. Hoje vamos só nós três, mas um outro dia vamos todos nós! Aliás, nós podíamos passar um fim de semana na fazenda de Vassouras qualquer hora dessas!

— Faz tanto tempo que nós não vamos lá, eu acho ótimo! Vocês vão adorar tudo por lá, é muito bonito! – Gabriel pontuou – Também tem a casa de Petrópolis!

— Fazenda em Vassouras, casa em Petrópolis... O que mais vocês têm? Um castelo na Escócia? – Cecília zombou, rindo

— Não, castelo na Escócia ainda não temos, mas eu pretendo! – Ele riu – A Escócia é um dos melhores países do mundo!

A família riu do comentário de Gustavo e eles logo terminaram o café da manhã. Estefânia foi com Vitor para a cozinha para ajudar Franciele com a cesta do piquenique, Fátima e Gabriel ficaram na sala conversando e Dulce Maria subiu com os pais, para terminarem de se preparar. Cecília foi com Dulce até o quarto dela e Gustavo foi até o seu. Lá, ele entrou em seu closet e tirou de lá seu violão, que para sua sorte estava bem conservado, mas tinha um bom tempo que ele não tocava. Arriscaria uma música dedicada a sua amada, por ela valia a pena. Desceu com o violão, pediu que Silvestre o levasse para o carro, e subiu novamente para seu quarto. Passou pela porta do quarto da filha e ao ver ela e Cecília conversando resolveu ouvir.

— Mamãe, posso te falar uma coisa?

— Claro que pode! – Ela penteava os cabelinhos loiros da pequena

— Obrigada mamãe.

— Pelo quê? – Ela indagou confusa

— Por fazer a gente tão feliz! Tá tudo tão bom com você aqui, melhor do que antes! Você é a mamãe que eu sempre quis, eu te amo muitão!

Gustavo sorriu pelas palavras da filha.

— Meu amor... – A jovem virou a menina para si – Eu te amo tanto, mas tanto... Você é a minha maior preocupação, meu real e grande amor, você acredita nisso? – Ela já lagrimava

— Acredito! – Ela abraçou a mãe – Não esquece daquilo que você me prometeu, tá?

— Não... Não esqueço. – A angústia voltava ao coração dela – Eu te amo muito! Lembra sempre disso!

— Eu atrapalho? – O empresário perguntou entrando no quarto

— Não, meu amor! A gente já ia descer! – Ela secava as lágrimas

Os dois desceram de mãos dadas com Dulce Maria, a tirando do chão de dois em dois degraus.

— Nós já vamos! Voltamos à noite, para jantarmos juntos! – Ele pegou a cesta das mãos da prima – Se despede dos seus tios, filha.

Dulce foi se despedindo dos tios, enquanto Cecília falava com a irmã.

— Você está feliz, não é?

— Muito, Fátima! O Gustavo e a Dulce Maria me completam, sabe?

— Dá pra ver, vocês são perfeitos juntos! – Disse pegando as mãos da irmã caçula, e reparando que a aliança dela ainda estava na mão esquerda – Esqueceu de trocar a aliança de lugar?

— Não, o Gustavo e eu decidimos continuar com a brincadeira por mais um tempo! – Ela riu – Você fica bem?

— Claro! Já me dei super bem com a Franciele, temos papo pro resto do dia, vou ajudá-la com o jantar hoje!

— Então tá! Estamos indo. Dulce! – Chamou a filha – Vem se despedir da sua tia!

— Tchau titia! Tô feliz por você morar aqui!

— Tchau pequena! Aproveitem o passeio!

Os três saíram, e no trajeto até São Paulo eles cantavam as músicas de que a filha gostava, além de clássicos da música popular brasileira e internacional.

— Não sabia que conhecia tantas músicas, amor! Eu sempre imaginei que não ouvissem música popular.

— Às vezes eu ouvia, e antes de ser noviça também. Eu adoro música, inclusive eu tocava piano quando mais nova!

— Sério mamãe?

— Sim! Mas tem muito tempo que não toco, não devo lembrar de mais nada! – Ela riu

— Duvido! E se quiser voltar a tocar, também pode! – Falou Gustavo

— Eu penso nisso sim, mas teria que voltar a estudar, ter um piano...

— Nisso eu daria um jeito, meu amor.

— E você, sabe tocar alguma coisa?

— Não! – Ele mentiu, aproveitando que Dulce não lembraria que o pai tocava violão, ele ficara muito tempo sem tocar

— Papi! Eu quero aprender a tocar piano, pra tocar junto com a mamãe!

— Eu pago aulas pra vocês duas com o maior prazer! Agora você não vai ter como fugir, amor.

Em mais alguns minutos eles chegaram ao Ibirapuera.

— Como é lindo aqui! Olha só, filha!

— Vai indo com a Dulce, escolhe um lugar pra gente ficar enquanto eu pego as coisas aqui!

— Ok! Vem filha! – Ela pegou a menininha pela mão e andou alguns metros mais pra frente

Depois de arrumarem tudo, eles brincaram com a filha na grama, sem se importarem com as roupas, correram atrás dela, a ensinaram a andar de bicicleta... Depois de um bom tempo, eles voltaram até a toalha de piquenique que estava no chão.

— Esperem aqui, vou buscar uma coisa que eu esqueci lá no carro. Já volto! – Beijou os lábios de Cecília

— Mamãe, quando a gente vai mudar meu nome? – Dulce perguntou enquanto o pai se afastava

— Não sei, podemos ver isso com o seu pai! Você quer mudar de nome?

— Quero! Quero ter o seu nome pra ser oficiomente sua filha!

— Você já é minha filha! O coração vale mais que qualquer documento. E se diz oficialmente.

— O que é aquilo nas costas do papi? – Ela apontou para o pai

— Não sei, parece um violão.

— Preparadas pra ouvirem a pior serenata da vida de vocês? – Ele sentou-se ao lado da “esposa” e pegou o violão de dentro do case

— Ué, você não disse que não sabia tocar nada?

— Disse, pra te fazer uma surpresinha! Mas faz muito tempo que eu não toco, dá um desconto! – Ele disse enquanto afinava o violão com a ajuda de um afinador acoplado

— Que legal papi! Agora você e a mamãe vão poder tocar juntos na nossa casa nova!

— Mas a gente não tem piano, filha!

— Ele compra um, ué! O que você vai tocar, papi?

— Uma música de um compositor chamado Tom Jobim, já ouviu falar?

— Já, esses dias a mamãe cantou uma música dele pra mim! Como era o nome, mamãe?

— Wave.

— Essa mesmo! Eu gostei dela! Me ensina depois, quando a gente tiver um piano?

— Ensino, mas eu tenho que aprender antes! – Ela riu – Começa a tocar, amor!

Gustavo respirou fundo e começou a dedilhar no violão.

“Eu sei que vou te amar

Por toda a minha vida eu vou te amar

Em cada despedida eu vou te amar

Desesperadamente, eu sei que vou te amar

E cada verso meu será

Pra te dizer que eu sei que vou te amar

Por toda minha vida

Eu sei que vou chorar

A cada ausência tua eu vou chorar

Mas cada volta tua há de apagar

O que esta ausência tua me causou

Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver

A espera de viver ao lado teu

Por toda a minha vida”

Dulce Maria e principalmente Cecília olhavam encantadas para o empresário, que ao fim da música se aproximou da “esposa” e a beijou.

— Por toda a minha vida, meu amor. – Ele se declarou

— Pra sempre. Contra tudo e contra todos. – Ela tornou a beijá-lo

Dulce Maria se levantou e saiu discretamente, deixando os pais, mais apaixonados do que nunca, num clima de eterno romance.

Notas finais
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