Notas iniciais
Oi pessoal! Peço desculpas pelos dias sem postar, mas estive doente essa semana! (Já está tudo bem, já melhorei) Aproveitem a leitura!

— Por favor. Pela nossa filha, esqueça esse voto de silêncio! – Ele pediu mais uma vez

Cecília pensou por mais alguns segundos antes de responder.

— Está bem, se é pela Dulce Maria, eu aceito. – Ela respondeu

— Só por ela?

— Por enquanto sim. Depois que eu souber o que é, eu digo se é por você também!

— Ótimo! – Ele sorriu – Ligue pra Fátima e peça pra ela vir!

[...]

— Já está pronta, meu amor? – Ele perguntou entrando no quarto – Cecília, você está linda! – Sorriu ao vê-la

— Obrigada, você também está lindo! – Ela disse se aproximando dele

— Agora ponha isso aqui. – Ele estendeu uma venda preta para ela

— Pra quê isso, Gustavo?

— Não faça perguntas! Você é minha esposa, tem que fazer o que eu peço! – Disse brincando

— E precisa disso aí?

— Precisa. – Ele colocou o tecido sobre o rosto dela – Vai valer a pena, eu te garanto!

No carro, Cecília tentava inutilmente descobrir qual era a surpresa de Gustavo, enquanto admitia para si mesma que estava gostando de todo aquele mistério, e que queria cada vez menos manter aquele voto de silêncio.

— Chegamos! – Ele afirmou parando o carro

— Até que enfim, pensei que não fôssemos chegar! Já posso tirar essa venda?

— Não, aguente mais um pouquinho. Está curiosa?

— Tenho que admitir que sim, e muito!

— Ótimo, era essa a minha intenção!

Ele saiu do carro e abriu a porta para Cecília, a conduzindo até a porta de entrada de um luxuoso restaurante.

— Posso tirar agora? – Ela perguntou mais uma vez

— Eu mesmo faço isso, meu amor. – Ele disse tirando a venda do rosto dela

— Gustavo! Esse lugar é maravilhoso!

— Não só o lugar, a noite também vai ser! Mas vamos jantar primeiro, com calma. – Disse quando chegaram à mesa reservada

Um maître se aproximou deles.

— Boa noite. Aceitam sugestão?

— Apenas para a comida, para beber eu quero o melhor vinho que vocês tiverem.

— Perfeitamente, com licença!

— Vinho? – Cecília questionou

— É meu amor, pelo menos experimente. Se não gostar, tudo bem.

— Por que me trouxe aqui?

— Para te lembrar do quanto eu te amo, e que esse amor é maior do que qualquer outra coisa. Você é o amor da minha vida, Cecília. – Ele pegou a mão dela – É com você que eu quero passar o resto da minha vida, eu quero que você seja a mãe dos meus filhos, minha companheira, namorada, amiga, esposa. Mais uma vez, me perdoa?

Ela se levantou e pegou a mão dele, fazendo-o levantar.

— Me perdoa? – Ele voltou a perguntar, pegando na cintura da ex-noviça

Ela pôs as mãos no pescoço dele e o beijou ternamente.

— É claro que eu te perdoo, meu amor. E sabe do quê mais? Chega desse voto de silêncio!

Gustavo a abraçou fortemente, e disse ao ouvido de Cecília:

— Eu sabia que esse voto de silêncio não ia durar! – Ele riu voltando a olhar pra ela

— Eu confesso que também não queria isso, foi só pra te deixar com um peso na consciência, porque você mereceu!

— Eu prometo que isso nunca mais vai acontecer!

O maître se aproximou deles, servindo vinho e trazendo alguns canapés de entrada, e eles voltaram a se sentar um de frente pro outro.

— Prove o vinho, mas vai devagar!

Cecília colocou um pouco do vinho em sua boca e fez uma careta ao constatar que era amargo.

— Credo, que coisa mais amarga! Mas é bom, eu gostei!

— Só no começo. Depois a gente se acostuma! – Ele riu – Esse vinho é um Cabernet Sauvignon. É um dos melhores!

— Quantos tipos existem?

— Vários! Vinho branco, tinto, rosé, frisantes, e eles podem ser secos, suaves, demi-sec... E cada vinho é feito com um tipo diferente de uva. Além desse aqui, existe Merlot, Pinot Noir, Tannat, Chardonnay, que é pra vinho branco, vários outros.

— Ai, fiquei confusa! Não imaginava que existissem tantos tipos diferentes!

— E não é só com vinho, as uvas são usadas para espumantes e champagnes. Outras frutas são usadas para fazer outras bebidas, como o licor, por exemplo.

— Você devia produzir vinho em vez de café, entende tanto!

— Eu entendo muito mais de café, tenha certeza. Eu aprendi isso tudo aos poucos, porque meu trisavô tinha uma fazenda onde além do café, ele produzia vinho. – Gustavo começou a contar – Meu avô me contava que desde pequeno ele amassava as uvas com os pés, e acompanhava a produção do que chamamos de vinho piccolo. Ele dizia que toda manhã meu trisavô tomava um cálice daquele vinho, e dizia sempre: “Vinho não se bebe, se degusta! O que se bebe é a porcaria de cerveja!”. — Cecília riu – Meu avô ria e ele ensinava que para se apreciar o vinho corretamente devemos sorver doses pequenas, pressionar a língua contra o céu da boca e deixar o vinho escorrer pela garganta. Só assim vamos saber diferenciar um tipo do outro!

— Olha só, ele devia saber muitas coisas!

— Sabia, meu avô adorava contar as histórias dele. E eu como sempre gostei de ouvir histórias e ver fotos antigas, passava mais tempo com eles do que em casa com os meus pais, cheguei a morar lá por muito tempo!

— Eu e a Fátima sempre sonhamos com isso, ter uma família grande, a casa cheia em dias de festa, mas tudo o que a gente tinha eram as irmãs lá do orfanato!

— Agora vai ser diferente meu amor. Assim que voltarmos pra Doce Horizonte eu vou comprar uma casa bem grande e vamos morar todos juntos, inclusive a Fátima e o Vítor, se eles quiserem!

— Você estava falando sério?

— Claro! E a casa vai ter tudo o que você e a Dulce quiserem!

— Se eu fosse você não falava isso pra Dulce, senão ela vai pedir tudo o que vir pela frente!

Eles riram e continuaram a saborear o jantar. Cecília havia abusado um pouco do vinho, para surpresa de Gustavo. Não chegara a ficar bêbada, mas um pouco alegre demais.

— Meu amor, é melhor irmos pra casa.

— Ah não! – Ela dizia – Vamos ficar e beber mais um pouco, quero experimentar todos os tipos de vinho! – Disse rindo subitamente

— Melhor não, deixamos pra outro dia. Vem, vamos pra casa. – Ele levantou e pegou as mãos dela

— Amanhã podemos voltar aqui?

— Podemos, antes de irmos embora. Mas sem excessos!

Eles foram até em casa e Gustavo ligou para Fátima para pedir que ela passasse a noite ao lado de Dulce Maria. Explicou tudo o que tinha acontecido nos últimos dois dias, a briga, o voto de silêncio e o jantar surpresa.

— GUSTAVO! AMOR! – Ela chamava gritando do quarto

— O que foi Cecília? – Ele perguntou entrando no quarto, preocupado

— Vem cá, tô com saudade! – Ela disse pulando no abraço dele e o beijando

— Cecília, por favor! – Ele tentou resistir, não queria se aproveitar da situação – Você pode acabar se arrependendo disso depois!

— Vou me arrepender do quê? Você não é meu marido? – Ela riu e voltou a beijá-lo

“Dane-se!” – Gustavo pensou enquanto retribuía aos beijos dela, a deitando na cama e explorando cada canto do corpo dela

— Meu Deus, como você é linda! – Ele dizia enquanto distribuía beijos pelo pescoço dela e tirando seu vestido, se surpreendendo ao ver a lingerie preta que ela usava

— O que foi? Porque está me olhando desse jeito? – Ela riu novamente, tirando a camisa dele

— Você deixou mesmo a noviça no passado, não é?

— Quem vive de passado é museu, meu amor! E você tem um corpo maravilhoso, sorte que é só meu!

— Todinho seu. E que você seja só minha, esposa! – Ele beijava o peito e o abdômen da “esposa”, maravilhado com a beleza daquele corpo que por tanto tempo ficou escondido debaixo de um hábito

Ele estava ao ponto de tirar o sutiã dela quando ela o interrompeu.

— Sabe o que eu quero agora?

— Não sei, depois você me diz! – Ele continuou a beijá-la

— Gustavo, vá pegar mais vinho. Eu gostei muito, quero mais!

— Agora? Deixa pra depois!

— É, vai! Eu te espero aqui, com uma surpresa!

Gustavo se levantou e foi até a sala pegar uma garrafa e duas taças de vinho. Ao voltar para o quarto, teve uma surpresa: A lingerie de Cecília estava jogada no chão, e ela estava apenas com o lençol sobre seu corpo. Gustavo se aproximou dela com a garrafa e as taças, mas ao beijá-la percebeu que ela dormia.

“Foi melhor assim.”— Ele pensou— “Vou dar um susto nela amanhã de manhã”.

Gustavo deixou o vinho sobre a cômoda e deitou-se ao lado dela, controlando suas próprias vontades. De manhã, Cecília foi despertando aos poucos.

— Ai, que dor de cabeça! – Ela olhou em volta e viu suas roupas e as de Gustavo jogadas no chão, e percebeu que estava sem qualquer roupa – Meu Deus! Não pode ser, eu não posso ter feito isso! Gustavo! Acorda! – Chamou sacudindo-o

— Bom dia meu amor! – Ele a beijou – O que foi? – Ele começou a brincadeira

— Ontem, a gente... O que a gente fez? – Ela perguntou assustada – Eu não me lembro de nada!

— Olhe em volta, olhe pra nós... O que parece que nós fizemos?

— Meu Deus! Isso não podia ter acontecido, devíamos ter esperado o casamento! E agora meu Deus?

— Meu amor! Você não é mais noviça, isso não é nenhum pecado! – Ele disse

— Aí é que você se engana, de acordo com a Bíblia isso é pecado sim!

— Bom, agora não adianta. Já aconteceu. Aliás, – Ele tocou na barriga dela – Pode ser que tenha uma pessoinha aqui.

Cecília se enrolou no lençol e levantou apavorada em direção ao banheiro e quando saiu, já vestida, Gustavo estava na mesma posição, tranquilo.

— Não dá pra acreditar que você está aí tranquilo depois disso tudo, depois de me dizer que talvez eu esteja grávida! – Ela gritou nervosa

Ele gargalhou alto pelo nervosismo dela.

— Era brincadeira, meu amor! – Ele continuava rindo – Não tem bebê nenhum, não aconteceu nada! Você bebeu um pouco demais pra quem nunca tinha bebido antes, aí quase passamos da conta, mas você dormiu!

— Gustavo Lários! Eu não acredito que você me enganou desse jeito, que coisa horrorosa! – Ela batia nele, que tentava se defender com um travesseiro

— Não me bate, por favor! – Ele pedia rindo – Só quis te dar um susto! Mas logo vai ter um bebê aí sim!

— Não faz mais isso! Bebê, aqui, – Apontou para a própria barriga – Só depois do casamento!

— Mas nós já somos casados, olha aqui! – Mostrou a aliança na mão esquerda – E ontem você disse assim: “Vou me arrepender de quê? Você não é meu marido?”

— Eu disse?

— Disse! Agora chega dessa conversa, vamos aproveitar que a Fátima está lá com a Dulce e vamos passear só nós dois! – Ele a beijou apaixonadamente

— Eu topo! A gente podia tomar um sorvete, aproveitar esse calor!

— Não prefere vinho? – Ele riu

— Não, não quero ficar bêbada de novo!

— Você não estava tão bêbada assim, é que você não é acostumada, aí acontece! Vou me trocar! – Ele a beijou novamente

— Ah meu marido... Eu te amo! – Sorria como uma adolescente

Os dois passeavam pela beira da praia em clima de completo romance, entre brincadeiras, beijos e carinhos. Perto da hora do almoço, entravam no hospital quando cruzaram com Fátima e Dulce Maria.

— Mamãe! Que saudade! – A pequena gritou pulando no colo da mãe

— Meu amor! Que surpresa linda!

— Eu tava indo pra casa com a titia!

— Que boa notícia filha! – Gustavo disse

— A gente pode passear?

— Vai com calma filha, você acabou de sair do hospital! – Cecília preveniu

— O médico disse que ela está 100%. Pode fazer o que quiser! – Fátima explicou

— Nesse caso, nós vamos almoçar e depois vamos pra casa, podemos brincar de alguma coisa por lá mesmo, o que você acha?

— Pode ser mamãe! Mas eu quero ir no seu colo, bem agarradinha com você, pra te proteger! – Dulce se agarrou mais ao pescoço da mãe

Cecília estranhou as palavras da filha e olhou preocupada para o namorado e a irmã.

— Nós viemos de carro, mas eu vou atrás com você, bem grudadinha!

Durante o trajeto para o restaurante, Dulce Maria ficou mais calada do que de costume, e não largou a mãe nem por um segundo. O mesmo aconteceu no restaurante e no caminho pra casa. Ao chegarem, Cecília levou Dulce até o quarto para conversar um pouco com ela.

— Dulce, o que aconteceu com você meu amor? Tá tão quietinha, nem falou com o papai direito! – Ela perguntou colocando a menininha sentada à sua frente na cama

— Não aconteceu nada mamãe! Eu só quero ficar pertinho de você! – A menina abraçou a mãe e ficou em seu colo

— Filha, fala pra mamãe. Você sonhou de novo com alguma coisa ruim?

— Não. – Mentiu – Foi só aquele dia mesmo!

— Tá bom. Fica aqui um pouquinho, que eu vou lá na sala e já volto!

— Fica mais aqui comigo, por favor!

Cecília abraçou Dulce Maria e deitou com a menina, enquanto acariciava os cabelos loiros dela. Depois que percebeu que a filha dormia ela foi até a sala, onde Fátima e Gustavo conversavam.

— Fátima! Aconteceu alguma coisa com a Dulce Maria durante a noite? Eu achei ela estranha, muito quieta, não falou direito com o Gustavo e não saiu de perto de mim! – A mais nova perguntou sentando-se ao lado de Gustavo

— Era justamente sobre isso que eu estava falando com o Gustavo. Ela acordou no meio da noite, apavorada, gritando seu nome. Ela me disse que sonhou com você e a Nicole, que a Nicole queria matar você, mas pediu pra eu não te contar nada. Ela disse que tinha medo que você fugisse da Nicole e abandonasse ela.

— Você devia ter me ligado! Aquela mulher traumatizou a minha menina! – Cecília começava a chorar, e Gustavo a abraçou – Ela é muito novinha, vai ficar com isso na cabeça pra sempre!

— Meu amor, nós vamos levá-la a uma psicóloga quando voltarmos, como combinado. Enquanto nós estivermos por perto nada vai acontecer a ela, eu te prometo.

Os três continuaram a conversar, quando depois de algumas horas Dulce apareceu na sala chorando e foi direto abraçar Cecília.

O choro de Dulce Maria cortava o coração de Cecília e Gustavo, que não sabiam o que fazer para confortar o coração da filha. Cecília temia que esses pesadelos continuassem por um tempo e a menina não quisesse mais dormir sozinha.

[...]

— Mamãe, eu posso dormir com vocês?

— Claro filha, o que você quiser! – Cecília se controlava para não chorar na frente de Dulce Maria

Dali por diante Dulce Maria não queria mais dormir sozinha, só com os pais. Cecília e Gustavo se preocupavam cada vez mais e adiantavam a volta para Doce Horizonte.

— O que nós vamos fazer quando ela tiver que voltar pro colégio na segunda? Ela não quer mais dormir sozinha! – Cecília questionou olhando para a filha que estava deitada em seu peito

— Não sei. Talvez se você dormir lá por uns tempos.

— É uma boa, vou conversar com a Madre. Boa noite amor! – Ela beijou os lábios dele

No dia seguinte eles já estavam com tudo pronto para viajarem, Fátima iria com eles, tinha decidido se mudar para Doce Horizonte. Depois das longas horas de viagem, já de madrugada, os Lários chegaram à cobertura da família. Cecília colocou Dulce em sua cama, sabia que não adiantaria tentar deixar a menina sozinha.

— Coloquei a Dulce na minha cama! – Disse a ex-noviça entrando no quarto do namorado – Ela vai dormir comigo por esses dias. A Fátima fica no quarto dela por enquanto, depois a gente vê o que faz.

— É melhor. Mas e nós, o nosso casamento de mentirinha, vai continuar?

— Não era pra continuar, mas eu gostei tanto de agir como sua esposa que acho que vai valer a pena continuar assim!

— Você vai voltar pro seu quarto ou vai ficar aqui comigo?

— Isso a gente negocia depois, se você prometer se comportar. Vamos aproveitar esse tempinho a sós, marido?

— Só se for agora, esposa!

Os dois passaram um tempo namorando, vendo filmes e conversando sobre assuntos divertidos e aleatórios. Se não fosse pela preocupação com os pesadelos de Dulce Maria, poderiam dizer que nada mais os abalaria. E por eles seria assim, ficariam juntos para sempre.

Notas finais
Uma curiosidade: A história do vinho é real, meu trisavô fazia vinhos e dizia exatamente essas palavras! E aí? Gostaram? Comentem, por favor! Beijão!