Grunenwald - Origens De Um Pesadelo
7 Capítulo 7 - Só amigos, Cameron
Notas iniciais
Peter chegou em casa meia hora depois de deixar Emma em casa. Culpa de sua lenta caminhada. Cheio de sacolas nas mãos, ele se apressou a colocar tudo na bancada da cozinha quando percebeu que o peso das sacolas de mercado estavam dando calos nas palmas de suas mãos. Ainda era um pouco cedo, então resolveu ligar para Cameron.
- Alô? – disse o amigo, atendendo à ligação de Peter.
- É Peter, Cameron. Queria saber se você e Savannah já terminaram a lição.
- Cara, a gente nem começou. Depois da escola ela me chamou pra ir ao cinema, tinha um filme que ela queria ver. E quando chegamos aqui minha mãe chamou a gente pra jantar.
- Então, vocês podem vir pra cá e me ajudarem com a lição?
- Claro. Estamos indo agora. – ele desligou. Peter se deu conta de que estava exausto. Queria poder dormir um pouco, mas tinha muita lição pra fazer, e não podia deixar atrasar já que era seu último ano, e estava mesmo a fim de se formar depois de salvar Grunenwald, e ao contrário de Terrence, se importava em terminar a escola pra ir embora. Ele sabia que ela só tinha ido porque precisava ir, mas depois disso que nada daquilo era de verdade, só que Peter não tinha certeza de que iriam poder ficar naquela dimensão. E quando seus devaneios já tinham chegado ao limite, ele escutou a campainha tocar. Foi correndo abrir a porta.
- E então... Podem falar! O que aconteceu entre vocês dois! – disse Peter, sem querer realmente saber.
- Nada. – respondeu Cameron. – Somos SÓ AMIGOS. – ele disse, revirando os olhos.
- Isso mesmo, Peter. Apenas amigos. – Savannah avisou.
- Até porque... – Peter hesitou em continuar. – ela não é... – ele hesitou mis uma vez. – daqui. – murmurou.
Ninguém entendeu nada do que Peter disse, pra sua felicidade.
- Podemos fazer a lição? Quero voltar pra Grunenwald antes de 3 da madrugada. – disse Savannah.
- Claro. – Peter respondeu, também estava ansioso pra deitar e dormir. Durante as horas em que estavam fazendo as lições, ouviu Cameron murmurar pra si mesmo “Só amigos, Cameron”, em tom de deboche várias vezes. Quando se deu conta, já era meia noite e ainda estavam fazendo o último trabalho: uma redação sobre a 1ª Guerra Mundial, pro Sr. Aza.
- Sabe que nós não precisamos fazer este, não é?
- Prefiro fazer, e garantir que vou me formar. – Peter respondeu à Savannah.
- Você vai se mudar pra Grunenwald antes mesmo de julho, Peter. – disse ela.
- Não. Vou ficar e me formar. Tem muita coisa que quero fazer antes de ir pra... – só então se deu conta – Eu vou me mudar pra Grunenwald? – perguntou, boquiaberto.
- Claro! – ela disse – Você acha que aquele Pettero já era você?
- Achei sim! – respondeu.
- Ninguém tem dois “eus”, Peter. Você viu que a Emma de lá evaporou? Então, são uma espécie de fantasma. – ela disse. – Eles vivem por você enquanto está aqui.
- Mas e você? – pergunta Pet.
- Quando eu venho pra essa dimensão eu simplesmente sumo por lá. E falando nisso, é hora de ir.
- E vai deixar a gente sem essa lição feita? — pergunta Cameron.
- Se vocês insistem em tê-la pronta... – ela olhou pros cadernos, estalou os dedos e do nada, as lições estavam prontas. E nenhuma estava igual à outra.
- Obrigada, Savannah. – disse Cameron, mas ela já tinha ido embora. – Acho que já é hora de ir, então.
- Não quer dormir aqui? – pergunta Peter.
- Pode ser. – ele puxa o celular, discou o número de casa e pediu permissão, concedida, ele disse: — Quero tomar banho.
- Vai lá, cara. Eu tomo o meu depois. – Peter disse. Vendo Cameron se levantar, foi inevitável que também o ouvisse resmungar “só amigos...”. Peter ficou na dúvida se perguntava se aquilo estava o perturbando ou se só queria desabafar mesmo. Depois de uns 5 minutos, Cameron voltou de toalha enrolada na cintura, “só amigos, Cameron”.
- Você tá incomodado com alguma coisa? – perguntou Peter.
- Não. – ele disse.
- Qual é, Cameron? Eu te conheço desde os 11 anos!
- Já disse, não estou incomodado.
- Sei... Você tá é gostando da Savannah!
- Eu? Gostando da Savannah? – ele perguntou, querendo se convencer de não gostava dela. – Caramba, Peter, não ferra, vai!
- Cameron! Fala logo!
- Tá, cara! Eu gosto dela! Eu acho... – ele disse, dando uma pausa. – acho que estou apaixonado... – sussurrou, por entre os dentes.
- Como é? – perguntou Peter, que não conseguira entender nada depois de “eu acho...”.
- Eu acho... – deu outra pausa. – que estou apaixonado. – sussurrou um pouco mais alto.
- Quê?! – disse Peter, ainda sem entender.
- Eu acho que estou apaixonado! – Cameron finalmente disse, gritando. Peter teve um ataque de riso.
- Você? Hahaha! Apaixonado? Haha! – disse Peter.
- Eu sei! E não tem nenhuma graça! – ele tentou. Mas sem muito sucesso, Peter continuou rindo, até pegar no sono. E ao contrário da noite anterior, não teve sonhos. Acordou com Cameron, sacudindo ele.
- Está na hora. Savannah já está lá embaixo.
- Como assim?
- Ela simplesmente apareceu quando eu estava fazendo panquecas. – os dois se arrumaram rápido, e as mochilas. Desceram às 6 e 10 pro café.
- Cameron quase estragou essas. Estava só concertando. – disse ela.
- Tudo bem. – respondeu Peter.
- Podem comer. – ela disse, entregando dois pratos com 3 panquecas cada um.
- Você não vai comer? – perguntou Cameron, interessado.
- Vou. – ela pegou outro prato, mas este só tinha 2 panquecas.
- Está de dieta? – perguntou Cameron, provocando.
- Não preciso de dietas, Cameron. E parece que você não superou o “só amigos, Cameron” ainda.
- Quem sabe sou eu. – ele respondeu. Terminando de comer, foram escovar os dentes e partiram pra escola às 6 e 40 da manhã.
- Temos que correr. – disse Peter. Eles começaram a correr pra escola, o que resultou em chegarem lá às 6 e 55.
- Escola... – Savannah disse. – Eu não preciso disso. E falando nisso, trouxe a carta-resposta de Zaqueu. – ela entregou um envelope.
- Posso abrir aqui?
- Agora. – ela respondeu.
Reino de Grunenwald – Carta Oficial
Caro Peter, os outros 2 sinais só virão em um espaço de tempo longo. Não se preocupe com isso agora. Savah lhe concederá treinamento de batalha em breve. Aceite, com a cabeça erguida. Não deixe que a saudade o impeça de lutar. Savah também me disse que Ever garantiu que não voltará. Não irá. Porém, seu fantasma correspondente irá lhe atormentar próximo à Batalha Final. Fique atento.
Com votos de confiança,
Zaqueu M. Ollarias, Rei e Membro da Suprema Corte de Grunenwald.
Quando acabou de ler, só restavam 3 minutos para fazerem o que quiserem antes de entrar pra aula.
- Matemática? – disse Cameron, observando seu horário de aula. – Droga... – levantando a cabeça, disse: — Acho que deviam banir Matemática da escola. A gente realmente precisa disso?
- Não. – disse Savannah.
- Se você não quer se formar, eu quero. – respondeu Peter.
- Você pode abandonar essa escola agora mesmo, e pra sempre, e quer ficar e aprender? – pergunta Cameron, indignado. – Não te entendo...
- E nem eu. – diz Savannah, totalmente de acordo.
Quando soou o sinal, eles se dirigiram à aula. Quando todas as aulas tinham acabado, eles se encontraram na porta da escola.
- O que vamos fazer agora? – pergunta Savannah.
- Quero ir à biblioteca. – disse Peter.
- Mas a escola está fechando... – começou Cameron.
- À biblioteca da cidade.
- Pra quê você quer ir à biblioteca da cidade?
- Olha, Savannah, se você não quer ir, beleza. Mas eu quero, e já estou indo.
- Não, Peter, eu vou com você.
- E eu também. – diz Cameron.
Peter, Cameron e Savannah andam até um ponto de táxi, e quando um finalmente para um, eles entram e dizem para onde querem ir.
- Biblioteca Comunitária, por favor.
Demoraram uns 35 minutos até chegarem à entrada principal. Parecia um teatro. Grandes colunas sustentavam um teto grande, branco. Entraram pelos grandes portões de madeira polida. Olharam pra dentro, diversas estantes cheias de livro em volta de uma bancada de mármore branco.
- Posso ajudar? – pergunta uma voz jovem. Peter localizou-a na própria bancada de mármore, onde deveria estar a típica senhora de cabelos grisalhos, de uns 60 anos.
- Ah, sim. – disse Peter, dirigindo-se à bancada. Ele observou a dona da voz, era linda. Cabelos negros e ondulados, olhos verdes-escuros, boca coberta por uma fina camada de batom vermelho. – Onde ficam as seções de ficção e ficção científica? – pergunta.
- Corredores 8 e 13. – ela indicou.
- Obrigado. – disse Peter.
- Não tem de quê. – a garota respondeu.
Peter seguiu primeiro para o corredor 8. Ouviu de longe, Savannah e Cameron ainda conversando com a balconista.
- E a seção de romance? – pergunta Savannah.
- Corredor 23.
- Comédia? – perguntou Cameron, não muito interessado.
- Corredor 18.
Peter fixou a atenção em achar o livro que procurava. Tinha de ter alguma coisa sobre Grunenwald. Olhou em todas as estantes do corredor 8. Somente um livro parecia ter as informações de que precisava: Descobrindo dimensões mágicas. Puxou-o e sentou numa carteira pra começar a folhear o livro.
Pessoas que afirmam conhecer outras dimensões só podem ser chamadas de loucas. Há apenas esta dimensão e nenhuma realidade paralela, porém, neste livro, os entrevistados contam o que sabem, e as interpretações que tirei destas.
Rapidamente folheou todas as páginas até encontrar um muito interessante, página 83:
Grunenwald
A mais bizarra de todas as falsas dimensões. Um reino? Pessoas com dupla existência? Um exército de fumaça? A nossa entrevistada da vez é Bridget Carminne.
Mesmo sendo apenas um livro idiota que dizia coisas idiotas, Peter agarrou-o e levou até a balconista.
- Quero levar esse. – e entregou.
- Quer realmente levar esse?
- Quero. Preciso de algumas dessas informações.
- Então recomendo a página 83.
- Por quê?
- Meu nome é Bridget Carminne. – ela disse, num tom calmo e ameaçador.
- E o meu é Peter Maraunder. – diz Peter, sem parecer que estava atônito com a notícia de que acabara de conhecer alguém que sabia sobre Grunenwald.
- Não acredito! Você é o filho de Z... – ela foi interrompida.
- Zachary Maraunder. Como você sabe quem é meu pai?
- Ele... – ela pareceu pensar – Ele já veio aqui várias vezes. – ela disse, sem muita firmeza, ou certeza.
- Ok. Sabe onde estão meus amigos?
- Os dois estão fazendo barulho no corredor 23. Quando chegar lá, peça pra eles pararem. – ela disse. Peter foi andando até o corredor 23, e quando chegou ao fim do 22, escutou barulhos leves como estalos, movimentos, e “só amigos, Cameron”. Olhou de esguelha por um buraco na estante. Cameron estava beijando Savannah. Do jeito que Peter tinha beijado T, só que um pouco mais... Exagerado.
- A balconista disse pra vocês dois pararem. – Peter avisou. Savannah ergueu a cabeça, ajeitou o cabelo e disse:
- Eu tentei pará-lo. Tentei mesmo.
- Eu bem vi. – Peter disse. Agarrado com o livro, saiu andando com um passo forte, passou por Bridget, que gritou:
- Eu sei onde você mora! – “louca...”, pensou Peter, ao ouvir o grito da balconista. De repente olhou o relógio, era hora de seu expediente no Boliche, e realmente não podia faltar. Resolveu ir direto, sem parar pra deixar o livro em casa, quando viu que chegaria extremamente atrasado, começou a correr. Chegou faltando 2 minutos pro tempo de bater o cartão. Dirigiu-se aos banheiros e começou a limpá-los, começando pelo feminino. Depois, foi lustrar as bolas de jogo, e depois as pistas, e quando o Boliche abriu, várias cabeças fizeram fila pra pegar tênis e pistas. Demorou uma hora pra poder sentar-se em paz no balcão.
- Quero um 36. – disse uma voz conhecida.
- Aqui está. – disse Peter, entregando o tênis, e se deparando com ninguém menos que Bridget.
- Eu sei que você me acha louca. Já leu a página 83?
- Já comecei, Bridget. Acontece que eu sei sobre Grunenwald.
- Eu sei que você sabe. E é por isso que quero que você leia. Estou na pista 17 com a minha família.
Peter não entendeu de primeira. Mas tinha alguma coisa na página 83 que devia saber.
É importante saber que os moradores de Grunenwald, na maioria das vezes tem um eu nessa realidade, e geralmente, a primeira letra do nome aqui, é também a primeira letra do nome lá., informa Bridget. – E se envolvem com exatamente as mesmas pessoas. Eu existo em Grunenwald. Me chamo Bree, mas não posso me conectar enquanto a batalha não terminar. Não tenho família, sou adotada, então é importante pra mim voltar pra Grunenwald e encontrar minha família de novo. Tenho uma irmã chamada Ever, acho que é a única que nessa dimensão não começa com a mesma letra do nome de Grunenwald. Ever veio comigo para esta dimensão, foi adotada também e perdemos o contato, mas a família ainda está lá, quero voltar.
Peter finalmente entendeu que a vida de muita gente está em suas mãos. Mas já era dia 15 de novembro, e seus flashes vinham a todo momento. Junto com Savah e Cameron, ele compreendia alguns deles, outros terríveis, ele próprio entendia serem causados por Almeaters.
- Bom dia, turma. Hoje eu quero apresentar uma aluna nova que vai estar conosco durante o resto do ano letivo! – anunciou a Sra. Lester. Foi quando entrou uma figura muito conhecida de Peter, Bridget. – Bridget Carminne! – ok, seu coração é de Terrence, não dela., Peter tentou se convencer, mas era tarde demais, seus cabelos negros já tinham invadido os pensamentos de Peter. – Quer falar um pouco sobre você, querida?
- Pode ser... – ela diz, sonhadoramente. – Bom, eu nasci aqui mesmo. Cresci aqui com minha mãe adotiva, Ciça Carminne. Fui adotada no instante em que nasci. Mas isso não vem ao caso. Recebi educação em casa até os 15 anos, mas minha mãe achou melhor me mostrar como é a vida e me matriculou nessa escola. Trabalho na Biblioteca Comunitária. Minha avó acabou de se aposentar, e deixou o cargo na Biblioteca pra mim. Antes era ela que fazia o serviço. E admito que gosto, tem umas pessoas muito legais que vão lá procurar informações, e outras bem bizarras. E... – ela fez uma pausa. – Como são poucas as pessoas legais que aparecem por lá, dei a sorte de conhecer Peter Maraunder. E claro, Savannah Cindy e Cameron. Levantem-se por favor. – sou realmente obrigado a fazer isso?, questionou a parte consciente de seu cérebro. A outra, comandou as pernas de seu corpo para levantarem instantaneamente, toda a turma ficou obviamente surpresa com a rapidez dos movimentos de Peter. Logo em seguida, Savah levantou, e Cameron, mas só porque Savah também se levantou.
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