Grunenwald - Origens De Um Pesadelo

2 Capítulo 2 - A Volta de Zachary Maraunder


Notas iniciais
Bom, espero que gostem desse capítulo que é realmente importante pra história.

Enquanto estavam voltando pra casa de Peter, Cameron contou a T o que aconteceu no sonho de Pet.

- Você... Quer dizer, o seu eu do pesadelo, meio que...

Peter sabia que aquilo estava constrangendo T, resolveu ajudar.

- Não tem como saber se eu transei com essa tal de Ever!

- Está claro pra mim, Pet. – disse Came.

- E quem é Ever? – pergunta T.

- Não faço ideia! Só sei que no pesadelo eu estava sentindo falta dela. Ela parecia um pouco com você, Terrence.

- Com... Comigo? – pergunta ela, mais uma vez constrangida.

- Só tinha algumas mudanças. Ela tinha o cabelo puramente loiro e liso, e os olhos eram amarelos.

T pareceu ficar atordoada com aquilo, jamais poderia imaginar que essa tal de Ever fosse parecer com ela. Nem Peter poderia imaginar.

- Estamos chegando. – disse Cameron, quebrando uns 3 minutos de silêncio. T parou na porta da casa de Pet, desceu do carro e foi andando pela calçadinha até a porta, pra esperar Came e o dono da casa. Peter pega a chave e abre a porta, observa a sala exatamente igual. Quando T e Came entraram, trancou-a e foi levar a bolsa pro seu quarto, no segundo andar.

- Querem alguma coisa pra comer? – pergunta Pet.

- Pode ser. – diz Came. Peter entra na cozinha e dá de cara com o que menos esperava, seu pai.

- Peter? – pergunta, mas o filho estava extremamente ocupado em tentar adivinhar as horas. Era terça-feira e pelos seus cálculos, 3 da tarde.

- Hoje não é dia de estar aqui. – diz ele, friamente.

- É que tive alguns problemas com a Lei no sul da África, e fui obrigado a voltar.

- E pretende ficar quanto tempo? – pergunta Pet, frio, novamente.

- Até conseguir uma passagem de avião pra China.

- Sua próxima parada?

- Não. Vou morar lá.

- Como assim, morar lá?! Isso quer dizer que não vai mais voltar?

- Isso. Pensei muito, e achei que minha distância e eu ficar voltando não faz bem à você. Então, eu e Nora decid...

- Quem é Nora?

- Minha noiva.

- Sua noiva?! Achei que ainda não tivesse superado a morte da minha mãe!

- Ela conseguiu o que minhas aventuras não conseguiram, me fazer esquecer, seguir em frente.

- Então vai se casar, morar na China, e me deixar pra sempre?

- É o melhor a se fazer, Peter. Eu e Nora, que ainda não teve a oportunidade de te conhecer, decidimos te emancipar.

- EMANCIPAR?! – Pet gritou, o que atraiu T e Came da sala pra cozinha.

- Peter?! – T estava ofegante, devia ter corrido. – Sr. Maraunder? – T se assustou com a visão do pai do melhor amigo. Peter notou que ela falou pela primeira vez desde “comigo?”.

- Tio Zach? – pergunta Cameron.

- Garotos! – Zachary fica animado, como não estava conversando com o filho.

- Eu vou pro meu quarto. Vamos, gente. – os três saem andando pro quarto de Peter, onde, sentados na cama, Pet conta exatamente o que o pai lhe disse e planejou.

- Se pai vai se casar com uma chinesa chamada Nora?

- É o que parece, Came. Ele vai me emancipar.

- Te emancipar?! E você vai continuar morando sozinho nessa casa? – T questiona.

- Vou, obviamente. Mas vou precisar de um trabalho. – lembra Pet.

- Talvez o Boliche. Eles estão precisando de um balconista. – diz Came.

- Será? – pergunta Peter.

- Você pode tentar, Pet. Vai ser algum dinheiro pra você comprar suas coisas. – disse T.

- Tem razão. Vou passar lá e tentar o emprego. – respondeu.

- O que você vai fazer agora? – pergunta T, preocupada.

- Não sei. Estudamos numa escola pública, não vou precisar pagar a escola. Mas eu vou precisar juntar pra faculdade.

- Pede ao seu pai! – Cameron não entendeu que Peter não quer nada vindo de Zachary.

- Ele não é meu pai. – diz Peter.

- Deixa seu orgulho de lado, Pet. Pede uma garantia de que quando chegar o ano, ele vai dar todo o dinheiro que você precisa. – T exige.

- Pode ser. Vou lá agora.

Peter desce as escadas com esperança de não ter que olhar pra cara do pai. Mas sabia que ele estaria lá, não importa o quanto ele torcesse.

- Zachary. – diz Peter.

- Não vai me chamar de pai?

- Você não é meu pai. – responde, friamente. Um súbito silêncio interrompe a próxima fala de Zachary. – Vim aqui pedir uma garantia.

- Garantia do quê?

- De que vai me dar o dinheiro que eu preciso pra faculdade no ano em que eu precisar.

- Faça um documento que eu assino em baixo. A única coisa que não vou te dar é uma pensão. Se vou te emancipar, isso significa que terá de arranjar seu dinheiro sozinho.

- Eu sei disso, Zachary. Por isso vou procurar emprego assim que você for embora pra sempre da minha vida.

- Me odeia a esse ponto?

- Você procurou isso. Você me abandonou. Só está colhendo o que plantou.

- Não pensa nos Natais que vai passar sozinho?

- As famílias de Terrence e Cameron sempre se unem nos Natais, não estarei sozinho. Nunca passei nenhum Natal sem presente, ou sem carinho. A família de Cameron é a minha família.

- Já me trocou antes mesmo de eu ir embora?

- Troquei você aos 11 anos, quando decidiu viajar o mundo sem mim. – Peter, tomado por um ódio incontrolável do pai, subiu as escadas furiosamente pro seu quarto.

- Ele vai te dar o dinheiro? – pergunta Came.

- Vai. Mas eu vou começar a juntar caso ele se esqueça do filho que abandonou nos Estados Unidos.

- Ele não seria baixo a esse nível.

- Seria sim. Acredite em mim, Cameron.

- Vocês querem dormir aqui essa noite?

- Pode ser, mas quero tomar um banho e trocar de roupa. – diz T.

- Você tem roupa aqui. – responde Peter. – Você e Cameron têm roupas aqui.

- Pega uma toalha pra mim. – pede Terrence. Peter se levanta e vai pegar uma toalha pra amiga, entrega a ela, que entra no banheiro pra tomar banho.

- E aí, cara? Essa tal de Ever... Ela é gostosa mesmo?

- Sei lá, cara. Ela estava usando um vestido azul. Mas tinha curvas bonitas. – disse Pet.

- Curvas bonitas? – pergunta Came rindo. – Qual é, Peter! E ela ainda se parece com T?

- Terrence?! Curvas bonitas? Deve estar confundindo-a com Savannah Cindy.

- Savannah é uma tábua, Cameron. Sou muito mais a Terrence.

- Alguém está gostando da T... – Came cantarolou.

- Ela é minha melhor amiga. E Savannah Cindy não passa de uma garota riquinha da escola.

Muito tempo se passou, de forma que já eram 11 da noite, com os três de banho tomado, e com o quarto de Peter arrumado pra três pessoas dormirem, T e Came ligam pros seus pais pra avisarem que vão dormir na casa de Peter, quando ele está quase adormecendo, com ajuda do ar condicionado, alguém abre a porta tão forte, que Peter se assusta, olha pra claridade, assim como T e Came e vê Zachary, parado à porta, cheio de malas nas costas.

- Conseguiu as passagens mais cedo?

- Consegui. Por isso eu mesmo me dei o trabalho de fazer o documento e assiná-lo. Preciso que leia a assine, meu avião sai às 3 da madrugada e você tem que assinar antes de eu ir. – diz ele. Peter se levanta, junto com Terrence e Cameron, sonolento e cambaleando. Peter lê e assina o documento, rodeado pelos melhores amigos.

- Está tudo certo. – Peter finalmente assina e guarda o documento no bolso do moletom que usava. – Pode ir. Não se esqueça de me esquecer até o ano da formatura.

- Tchau, filho.

- Não me chama assim. – Peter sobe com T e Came nos calcanhares.

- Tchau, Sr. Maraunder.

- Até.

E voltam pro quarto de Peter, que precisou ser consolado, de tanto que chorava.

- Ele não podia ter me deixado. Ele tinha que ficar! – grita. Consolado, adormece.

- Pettero, sabe que não posso ficar pra sempre. Tenho que partir antes que eu coloque em risco tudo o que conseguiu sem mim. – diz Ever, abotoando a gola de seu vestido azul.

- Mas e se eu quiser você aqui? Você comigo? – pergunta.

- Isso não mudará nada. – diz ela. – Partirei do mesmo modo. Sei o que ficar com você poderia causar. – Ever continua, agora calçando seu salto alto branco.

- Nós nascemos pra ficar juntos. Sei disso. Eu vi. – disse Pettero.

- Isso não significa que devamos ficar juntos. Lute por Grunenwald. Eu vou seguir minhas ambições, e quando tudo isso acabar, eu volto. – responde Ever.

- Não vá, Ever. – suplica. Tarde demais, ela havia saído da sala escura, e deixado Pettero no sofá.

Um ruído ao fundo foi acordando Peter, e quando abriu os olhos, lembrou-se de tudo o que deveria fazer nesta quarta-feira.

Notas finais
Espero que tenham detestado Zachary Maraunder. É importante pra mim que tenham esse sentimento.