Growing Up

3 Turbilhão de mudanças II


– Olá senhorita, desculpe o incomodo, seu nome é Maria Eduarda Cortez Schneider?

Olhei desconfiada, afinal, não é todo dia que dois policiais batem na sua porta procurando por você.

– Sim sou eu, algum problema? – Os dois trocam olhares o que me deixou preocupada – O que está acontecendo?

– Podemos entrar para conversar? – Não estava aguentando, o que estava acontecendo aqui? Nos sentamos quando o policial mais velho começou a falar – Então senhorita, acabou de aconteceu um acidente na via principal entre dois carros, uma camionete 4x4 entrou na contra mão atingindo de frente um Voyage preto, a senhora Priscila Cortez estava dirigindo o veículo e não sobreviveu. Nós sentimos muitíssimo pela sua perda.

– Não! Não pode ser verdade, minha mãe não morreu, ela estava trabalhando, daqui a pouco ela vai chegar e passar por aquela porta e vocês vão ver que tudo isso não passa de um engano! – Levantei-me sem conseguir segurar o choro, coloquei as mãos em frente ao meu rosto e chorei, quando a moça policial veio e me deu um abraço.

– Vamos, não fique assim, tudo vai passar. Sua mãe gostaria que você enfrentasse tudo isso. – Levantou meu rosto deu um sorriso e disse – Acho que você precisa entrar em contato com seus familiares e resolver tudo que tem de ser revolvido.

Não foi fácil, tive de ligar para meus avós, meus tios, primos, todos. Minha avó não parava de chorar um minuto, meu avô e minha tia estavam resolvendo as coisas do enterro e todo esse lance. E eu? Bem, eu não saia do meu quarto, chorava lembrando de todos os momentos que tive junto a minha mãe. A maneira como ela me tratava, as viagens que fazíamos juntas, a ida ao parque e praia. Lembrei de um piquenique que fizemos nas férias.

Flashback

Era um dia ensolarado e minha mãe teve a brilhante ideia de fazermos um piquenique na pracinha aqui perto! Acordamos cedo umas 8h da manhã e arrumamos uma cesta com suco de uva e limão, nossos favoritos, no dia anterior minha mãe tinha feito um bolo de queijo maravilhoso para levarmos hoje, fizemos também algumas torradas e compramos alguns doces e chocolate. Pegamos nossas bicicletas e nos direcionamos a pracinha. Chegando lá nos sentamos e comemos tudo, nunca comi tanto na minha vida. Minha mãe usava um chapéu florido e seus óculos de grau redondo, um vestido branco e sandálias de dedo, minha mãe era uma mulher muito simples. Do nada ela começa a rir e eu fico sem entender.

– Ei, o que foi? Por que você está rindo?

– Estou rindo de você chuchu – Faço uma careta pelo “chuchu” e ela ri continuando o que estava dizendo – Você não toma jeito hein? Que desastrada! Está com os cantos da boca toda melada de chocolate. – Disse me ajudando a limpar.

– haha verdade mãe, o que seria de mim sem a senhora?

– Hum, vamos ver... nada! Hahahah – Não aguentei e comecei a rir, era verdade, minha mãe sempre foi meu porto seguro, ela me dava forças e me corrigia com um sorriso no rosto, nunca deixava eu me sentir mal por nada. Ela era a minha heroína, parece idiota uma adolescente com seus 16 anos falando isso, mas é a mais pura verdade.

– Eu te amo mãe! Não me deixe nunca, okay?

– Eu também te amo minha filha, e não importa o que aconteça e sempre estarei ao seu lado, agora saiba que um dia eu vou embora desse mundo e você precisa estar preparada, pois tudo isso é muito lindo mas ninguém é eterno meu amor – Disse ela com aquele lindo sorriso no rosto – E quando esse dia chegar, eu quero que você siga em frente.

– Certo, certo mãe, vamos parar com essa conversa pois eu já não estou mais gostando do rumo que essa conversa está tomando. – Disse e ela riu.

Fim do Flashback

Foi impossível não sorrir com aquela lembrança. Como minha mãe era maravilhosa, e ela estava certa, eu preciso seguir em frente. Levantei-me, olhei as fotos que tiramos naquele dia e saí do meu quarto. Minha avó estava mais calma e já estava tudo pronto, minha tia mandou eu me arrumar para o enterro, certo eu estava disposta a seguir em frente, mas quem disse que é fácil ver a pessoa que você ama, com quem passou a maior parte dos momentos felizes, indo embora? Não, não é fácil, naquele momento uma estaca estava sendo enfiada no meu peito e eu não aguentei mais, chorei e fui amparada pela minha tia que me abraçou e chorou junto comigo. Meus amigos, Cássio e João vieram me consolar, assim como alguns vizinhos, não estava gostando disso, as pessoas me olhavam com pena. Voltei pra casa com meus familiares, tínhamos outras coisas para resolver, como: com quem eu iria ficar. Naquele momento eu estava me sentindo um saco que deveria ser jogado para alguém cuidar. Mandaram eu subir, tomar um banho e relaxar, mas tenho certeza que isso foi apenas um pretexto para não dizerem na minha frente que não me queriam. Tomei um banho e me sentei no pé da porta para escutar o que conversavam lá em baixo.

“- Ela ainda é menor de idade, precisa ficar com algum responsável, mamãe, papai? – Disse minha tia Rita com a voz um pouco abalada. Não a culpava por não querer ficar comigo, ela era casada, tinha 3 filhos, dois da minha idade e um mais novo, tinha muita coisa com o que se preocupar.

– Minha filha, eu e sua mãe não temos mais capacidade de cuidar de uma adolescente, a minha aposentadoria e a dela não seriam o bastante para cuidar da menina. – Por mais que eu tenha mais contato com a família da minha mãe, na verdade não tenho nenhum contato com a família do meu pai, eu não era muito próxima dos pais da minha mãe.

– Eu até cuidaria da Duda, mas vocês sabem que eu não paro em casa, estou sempre viajando, não daria atenção pra ela, e suponho que seja isso o que ela mais necessita nesse momento. – Disse meu Tio Paulo, justamente por causa da sua agenda lotada de viagens a trabalho nunca tive muita proximidade com ele, mas sempre que nos víamos ele trazia alguma coisa pra mim e era simpático comigo.

– Eu fico com a garota – Disse meu Tio Gustavo, não o conheço bem, a única coisa que eu sei sobre ele é que é advogado, casado, tem 4 filhos, nada mais. Também não tive contato com ele, só o vi 3 vezes em meus 16 anos, não tive contato com seus filhos ou com sua mulher. – Já conversei com Vanessa e nós temos como cuidar dela."

A partir daí não escutei mais nada, saí e fui dormir um pouco.