Growing Up
15 Emoção
Notas iniciais
– Nossa já foi e ... você? – era aquele homem, o mesmo da frente da escola e da pizzaria. Agora com ele tão perto e olhando em seus olhos, aqueles olhos acinzentados... eu lembrei... não pode ser. Era ele! O homem que me abandonou a mais de nove anos atrás, o homem pra quem eu guardei todos os presentes do dia dos pais. O homem que me deixou esperando várias vezes por ao menos uma ligação. Durante todo esse tempo minha mãe não me deixou sentir tanta falta dele, mas agora, ali sem ela do meu lado e esse homem aparecendo depois de tanto tempo agindo quase como se eu não existisse, tudo vinha como um tsunami.
- Filha? – Era ele, Carlos Eduardo Albuquerque Schneider. Eu queria sair correndo dali mas minhas pernas estavam tremendo, meus olhos encheram de lágrimas e eu estava prestes a chorar... de raiva.
- Eu não sei quem é você – consegui falar e tentei dar as costas mas ele segurou meu braço.
- Filha, por favor fale comigo, precisamos conversar
- NÃO ME CHAME DE FILHA – algumas pessoas que estavam por perto pararam e ficaram nos olhando – Eu não sou sua filha... – nesse meio tempo a Mel apareceu e ficou nos olhando assustada. Ela tinha ouvido.
- Duda...
- Vamos pra casa, por favor – peguei em sua mão e saímos deixando o homem nos observando de longe, mas ainda consegui ouvir.
- Eu não vou desistir de falar com você – espero sinceramente que isso seja apenas blefe dele. Fomos embora do shopping sem falar nada, quando pegamos um táxi a Melani me perguntou.
- Você quer falar sobre isso?
- Espera até em casa?
- Claro – Deu-me um selinho. O resto do caminho fora feito em silencio. Em casa Vanessa estava na cozinha preparando a jantas mas a Mel avisou que não iriamos comer, meu tio estava no escritório trabalhando e os meus primos jogando video game no quarto do Pietro, a Gabs nos chamou mas negamos e fomos para o nosso quarto, tomamos banho e nos arrumamos para ficar em casa mesmo, pois já eram 19 horas. Eu usava minha camiseta do Toy Story 3 e apenas de calcinha, assim como a Mel, que por sua vez usava uma camiseta baby look rosa. Nos deitamos na cama olhando uma pra outra – Você quer falar sobre isso agora?
- O que... você quer saber exatamente?
- Quero saber tudo amor, quero que você se abra pra mim e conte o que sente. Aquele homem, ele... ele é mesmo seu pai? – Falava enquanto acariciava minha bochecha.
- Sim – nesse momento meus olhos encheram de lágrimas novamente e ela me abraçou e depois volto ao seu lugar agora mais perto de mim, colocando sua mão em minha cintura – quando eu tinha cinco anos ele e minha mãe se separaram, nós morávamos em Curitiba mas após a separação eu e minha mãe fomos para Gramado, pois ela queria uma vida nova. No começo sempre ia me visitar e levar para passear. Mas... mas depois de 8 meses – minhas lágrimas caiam involuntariamente – no meu aniversário de 6 anos esperei o dia todo por uma ligação, mas ele não ligou. Ele não só não ligou naquele dia, como não ligou mais nenhum outro – ela escutava atenta – nas festas do dia dos pais na escola eu sempre guardava seu presente, tentava ligar mas ele nunca atendia. Até os meus 10 anos eu fiz isso, mas depois eu desisti. Entendi que ele não ia voltar mas não conseguia compreender o porquê disso, sabia que ele e minha mãe não eram mais felizes juntos e precisaram ir buscar a felicidade deles, assim como minha mãe fez mas poxa, eu sou filha dele – estava chorando e soluçando ao mesmo tempo – mas ele me deixou. Quando eu tinha 14 anos perguntei a minha mãe por que ela nunca foi atrás de uma pensão ou coisa do tipo, por mais que eu agradecesse por ela não ter feito isso, nunca gostei de me sentir forçando algo a alguém; ela me respondeu que podia nos sustentar e não ia atrás de alguém que parecia não se importar – nesse momento nós duas ficamos em silêncio, não eram necessárias palavras, ela apenas me abraçou e ficamos ali deitadas juntas, eu me recuperando do ocorrido e ela ali me dando suporte. Como minha vida mudou tanto em tão pouco tempo? E por mais que a Mel esteja do meu lado, eu ainda queria minha mãe comigo nesse momento.
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