Notas iniciais
Capítulo de introdução a história.

Foi por sua própria insistência que, aos 16 anos, Gakupo deixou a ruazinha pacata da cidade no interior do interior do Japão, e a atenção de seus pais e sua irmãzinha. Passaria os próximos meses pulando de galho em galho onde pudesse encontrar um sofá ou qualquer coisa assim para dormir, e se tivesse sorte, um prato de comida.

Escalado para um corredor de um prédio velho quase abandonado, basicamente habitado por velhinhos, dormia tarde, quando a maioria dos moradores já dormiam, e acordava antes de começarem o dia.

Era mestre em exagerar uma lorota a fim de contar uma verdade emocional no lugar de uma verdade objetiva, evidentemente com o intuito de conseguir uma cama quente na casa de uma senhora penalizada pela triste história do mentiroso de cabelos longos.

Desde pequeno, ao notar algum tipo de complicação, gritava alto no começo, se não visse resultado, punha-se a chorar sem nenhuma piedade com quem estivesse em sua volta. Nascera sem querer, seus pais haviam casado escondidos num trailer, 7 meses depois lá estava o menininho de olhos tristes e cabelos pretos. Era pequeno como um rato, parecia doente, embora tivesse uma força e alegria como nenhuma outra criança. Tinha três anos quando teve que dividir a atenção total da família com uma irmã, que, certamente, fora mais querida por toda a família, não só por ser uma menina, como também não ser tão chantagista – qualidade que lhe seria util nos próximos anos -.

Gostava de brincar com as cordas do violão de seu pai, quase sempre as arrebentando, deixando o velho furioso mas ao mesmo tempo contente ao perceber que seu filho mais velho tendia aos caminhos da musica. Aos 6 anos, ganhou sua primeira “guitarra”, uma de plástico com botões que faziam barulho e acendiam luzinhas, fora seu melhor presente até ganhar a guitarra de verdade, preta, seria seu maior legado durante toda a vida.

Resolveu deixar o cabelo crescer aos 9 anos, a mãe enchia o saco para deixa-lo cortar, mas não havia jeito, queria o cabelo de samurai que via na televisão. O jeito foi deixar, afinal, podia ser só uma fase... Desiludidos os pais, a partir dos 9 anos e da história do cabelo longo, o pequeno e magrinho menininho do interior foi se tornando cada vez mais revoltado, como se trocasse a pele de sua alma, uma cobra.

Ele tinha 12 anos, quase 13, quando esperimentou-a pela primeira vez. Foi na casa de um amigo, dois anos mais velho, durante uma “festinha” de aniversário. A partir dai, foram só perdas... Perdeu seus amigos, sua mãe, seu pai, sua irmã e por fim... Sua vontade de viver...

Tinha 14 anos, as brigas na casa eram constantes, sua mãe não sabia mais o que fazer com o filho, as paredes de seu quarto com crostas de fumaça devido aquele cheiro insuportável de tabaco e maconha. A única coisa que se mantinha limpa dentro daquele chiqueiro era a bela guitarra.

Sem amigos e virgem, largou a escola, já que não tinha mais vontade para nada, muito menos para estudar, juntou suas poucas roupas relativamente próprias para uso dentro de uma mochila de lona, pegou a guitarra – a qual chamava de Nasu, sabe-se lá por quê – e saiu do aconchego nostálgico e complexado da casa de dois andares na modesta rua de classe média.

Começou a morar na casa de uma senhora, em troca de favores, ele deveria lavar as janelas e fazer esse tipo de tarefa, era uma senhora boa, tranquila, viúva. Tinha uma filha, essa estudava num cobiçado colégio interno de alta classe. Gakupo não entendia como uma mulher humilde como ela tinha conseguido colocar a filha num dos melhores colégios do estado, se não do país. Já tinha visto uma ou outra foto da filha nos quadros na parede, mas a viúva nunca tinha entrado em detalhes.

Tocava guitarra nas horas vagas, quando acabara de fazer suas tarefas. A viúva não se importava, pois era sua única distração.

Pouco antes de seu aniversário de 17 anos, a filha voltou...

Foi a primeira vez que aqueles olhos avermelhados cobertos por uma franja longa e pintada de roxo olharam para outra que não fosse Nasu com um olhar de paixão e deslumbramento...

Foi a primeira vez que ele viu ela. A sua verdadeira salvação.

Continua

Notas finais
Perdão postar uma fic nova antes de acabar a que estava postando antes, mas eu precisava escrever essa história... Talvez como uma forma de desabafo.
Espero que tenham gostado dessa pequena introdução!
Por favor, deixem reviws! Podem me chingar, elogiar, o que quiserem! Podem até sugerir coisas pra fic, a palavra é de vocês!
Obrigada pela leitura
Até a próxima *w*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.