Gris
7 Capítulo 6: Hand in Hand
Notas iniciais
GRIS
Petit Ange
“Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira.”
~ Anna Karenina (Tolstói).
Capítulo 6: Hand in Hand. [22]
Isso era para ele aprender... Lavar o rosto por si só não ia ajudar em nada.
Estava só, na verdade, atrasando-o mais.
Um erro de cálculo sem tamanho. Necessitaria, urgentemente, rever seus conceitos. Foi uma solução simplista demais. E custou caro.
Entretanto...
No começo, precisava admitir, quis apenas iludir-se. Podia lidar com aquele incômodo óbvio. Ou melhor, até então, ele lidou muito bem com aquilo.
Com a dor, com aquele latejar...
Mas, naquele momento, debaixo daquele sol e daqueles enfeites do Tosho-Guu, a dor foi demais. Sentiu como se algo houvesse arrebentado dentro de si.
Teve de esforçar-se muito para manter a calma.
E achou mesmo que naquele momento em que disse que iria ao banheiro, só de esforçar-se para falar, fosse vomitar ali mesmo.
Ah, a dor. A velha e conhecida amiga de longa data.
Com coragem, engolira em seco. A ânsia prendeu-se na garganta como um verme de ganchos, mas não mais ameaçou-o.
Era o suficiente, por enquanto. Depois, daria um jeito naquilo.
Sozinho, longe dos olhares alheios... Daria um jeito.
...Ah, mas não deu certo.
Ele lembrou-se, subitamente, de que desmaiara pateticamente na frente de Zexion. Sim, desmaiou.
Culpa da dor, mas... Mas devia ter suportado-a estoicamente.
Já não estava fazendo isso o tempo todo?
Remexeu-se, sentindo algo macio apoiando suas costas. Seria uma cama?
(Ei, era mais macia do que imaginava que fosse. Nikko era mesmo uma cidade muito interessante).
...Ah. Compreendeu subitamente: estava num hospital.
Isso explicaria o estranho gelo que sentia em seu braço. Devia ser a agulha com soro. Será que o estavam tratando como um caso preocupante de insolação?
Poderia ser pressão baixa, também. Deixaria o prognóstico à cargo do médico.
...Será que Zexion estava por ali? Sentia que devia explicações à ele.
Suspirando, forçou-se a abrir os olhos. Precisava enfrentar urgentemente a realidade e implorar por uma alta.
Não podia perder tempo naquele amontoado de paredes brancas e assépticas.
- Hum... – gemeu. A dor atravessou sua cabeça como um estouro de bois.
Sentiu, então, o perfume. Aquele aroma nostálgico de... Lavanda.
Abriu, assim, imediatamente seus olhos.
E o sobressalto foi tamanho que sentiu-se levar um choque que percorreu-lhe da cabeça à sola dos pés.
Ele conhecia aquele perfume.
Foi dele que fugiu. Dele e daqueles outros cheiros, todos tediosos, todos infames, que queriam prendê-lo...
- Mãe?... – engoliu em seco, sem acreditar de fato.
Esfregou os olhos, apenas para perceber que não era um sonho.
Definitivamente, não era um sonho.
Diante de si, estava a mulher de olhos azuis como os dele. O perfume de lavandas que sempre usava envolvendo discretamente o ambiente.
Estava sentada ao lado do seu leito, com aquele sorriso que exibiu no dia em que eles se encararam pela última vez.
- Demyx. – sussurrou. A voz delicada atingiu-o como ondas na praia.
...Por que?
~x~x~x~
Ah, sim. Doce amargura.
Afinal... Era disso que estava fugindo...
...Da única vez em que foi visto por eles, de fato...
~x~x~x~
Tão logo despertou, a primeira coisa que percebeu foi o branco embaçado do quarto. Parecia que haviam posto colírio em seus olhos; estava tudo borrado. Mas ele sabia do que era aquilo. Eram, provavelmente, os efeitos colaterais de ter desmaiado por falta de cuidado num templo debaixo do sol.
Fechou os olhos, suspirando. O ar estava fresco. Ar condicionado, quem sabe? Ou será que dormira demais? Sentia mesmo o corpo tão pesado.
Já devia saber que haviam coisas que nem o sono curava, mas...
E veio a dor, sem avisar. Era sempre assim, mas cada vez que acordava, Demyx sempre desejava ter só mais um pouco de tempo. Porque, quando dormia, a dor não o incomodava. O sono sempre era mais poderoso; e ele sofria em silêncio. Tão em silêncio que sequer percebia-se sofrendo.
Cruel. Sim, não podia negar. Mas um mal necessário.
Ali, ele sentiu, uma vez mais, aquela mesma dor que tantas vezes o presenteou com os sonhos sobressaltados. E pensou, enfim: onde estava?
Porque não queria acreditar que ela estava ali ao seu lado.
Não poderia suportar seu olhar... Aquele seu olhar, outra vez.
Temeroso pela primeira vez em dias, Demyx forçou-se a abrir os olhos, devagar, sentindo-os pesar e lutarem para fechar-se de novo.
E rezou. Pediu fervorosamente que não o deixasse estar perto deles.
Uma chance apenas. Só pedia uma outra chance.
A visão enfraquecida focou-se no dono daquela respiração quase que melodiosa. Aquele que estava com ele naquele quarto branco com cheiro de nada.
E diante de si viu o contorno de um milagre.
A pele estava branca, imaculada... Era como os lençóis. Talvez, fosse uma comparação delicada demais, mas não podia descrever de outra forma. Combinava com a camisa do mesmo branco imaculado (mesmo que estivesse escondida pelo casaco preto). Cabelos em um penteado único, azuis, talvez azul-real, talvez uma nuance acinzentada dele. Jamais poderia dizer com verdadeira clareza. Mas só sabia que aquele, subitamente, tornou-se o seu azul favorito. Mais precioso que o ciano de sua mochila ou sua sitar.
Ah, não... Havia um azul muito mais bonito.
Seus olhos. Podia existir, algum dia, alguma coisa mais bonita que os olhos dele? Nem grandes, nem pequenos. De um azul pacífico como o leito de um lago. Lembrava-lhe o céu de alguma pintura irlandesa. Era uma delicadeza que parecia destoar dele, sempre tão sério, tão estóico.
Mas ali existia aquele azul. Existia aquele olhar quase que balsâmico, fatalmente penetrante tão logo fixasse-se em algo. E, lá no fundo, num lugar onde ninguém poderia ver, mas que invariavelmente refletia-se no azul precioso de lagoa, existia um pedaço de gentileza. Um pedaço pequenino, muito tímido... E caloroso. Era um azul que desapareceu no fundo do lago de seus olhos. Mas, de vez em quando, ainda podia ser visto. Demyx conseguiu enxergá-lo bem ali, naquele ínfimo momento.
...Mais parecia com o olhar carinhoso de um irmão mais velho que vela por seu caçula enquanto o mesmo está acamado, com febre.
O azul mais bonito de todos...
- Zexion...? – murmurou, temeroso de que aquele fosse o sonho.
- ...Olá. – devolveu.
Provavelmente, ele esperava uma pergunta clichê. O padrão. Porque Zexion era aquele tipo de pessoa.
E porque Demyx não tinha a menor vontade de questioná-lo.
- Onde estamos?...
O esboço muito efêmero de um meio-sorriso desenhou-se na linha de seus lábios, mas jamais passou daquilo; mero esboço.
- No hospital. – e deixou o livro que estava lendo, até então, em seu colo. – Lembra-se de como veio parar aqui?
Ele também assentiu. – Desmaiei, né?
- Exato. E isso é tudo do que se lembra?
- ...Eu falei alguma coisa estranha enquanto dormia? – suspirou.
Se houvesse falado em seus sonhos tortuosos mais do que previa, o moreno não saberia como agir. Às vezes, alguns segredos são melhores e bem menos dolorosos quando permanecem simplesmente daquele jeito: encubados. Como uma crisálida antes de ser borboleta.
- Não. – meneou a cabeça.
...Zexion estava mentindo? Ou falava mesmo a verdade?
Não sabia dizer. Tudo girava com tal intensidade que ele não tinha vontade de pensar. Nem de existir. Só queria voltar ao estado anterior de inconsciência.
- Bem, vou chamar o doutor. – e a frase despertou-o do torpor. – Já que você acordou, não há motivos para...
- Espere... Espere um pouco.
Virando-se de onde já estava, Zexion ergueu a sobrancelha. – O que foi?
- Não chame ele ainda. – pediu, numa voz que saiu mais fraca do que pretendia a princípio. – Pode ficar um pouco aqui?
A sobrancelha ergueu-se de forma ainda mais questionadora.
- ...O que você tem?
Poderia muito bem ser uma pergunta comum. Demyx sabia. E queria iludir-se pensando assim. Mas a verdade é que Zexion questionou-o de outra forma; muito mais profundamente do que aquele aparentar superficial. E, talvez isso fosse o que o surpreendeu, pela primeira vez ele quis responder a verdade.
Até então, apenas meneava a cabeça, num dar de ombros mental. Mas ali, não teve vontade de fazer isso.
Seria ainda o efeito da dor?...
- ...Deve ser só uma insolação cretina. – sorriu de leve.
- Morfina, Demyx. Ninguém com uma insolação recebe morfina.[23]
- Me deram... Morfina mesmo?... – e, de repente, o suspiro que saiu de seus lábios quase o partiu. – Por favor, quanto tempo eu dormi?
- Quase um dia inteiro.
Quase 24h... Ou seja: era quase quatro da tarde do dia seguinte?
- Desculpe... – sussurrou. – Deve ter sido assustador.
Zexion suspirou. – Já passou.
- ...Ninguém veio aqui?
- Por que a pergunta? Esperava mais alguém?
...Ah. Que bom. Então, aquela ilusão de sua mãe era justamente isso: uma ilusão. Segura, distante e ilusória.
- Não. – riu. – Desculpe, deve ser efeito da morfina.
Mas Zexion não acompanhou-o no riso.
- O doutor não quis me dizer porquê aplicou isso em você.
Demyx engoliu em seco de imediato.
- Por que?
- Eu é que lhe pergunto. Por que?
- Bom... – sorriu, ainda mais amarelo. – ...Vai ver, existem sigilos tão sigilosos entre médico e paciente que nem quando se está desacordado pode ser revelado.
- E o que seria assim tão sigiloso? – instigou. – Não é só uma insolação?
- Zexy, você está sendo implicante. – resmungou o moreno. – ...E rude.
- Estou em meu pleno direito. Fiquei até agora esperando você acordar.
Pensando bem... Zexion tinha toda a razão. Ele estava em seu pleno direito. Se fosse com ele, será que Demyx, sinceramente, iria suportar alguém que só causava problemas como ele próprio, assim, relativamente bem? Será que também não iria querer, mesmo que só um pouco, respostas?
A verdade é que ele não podia exigir nada de Zexion. E, quem sabe, por saber disso inconscientemente, estava agindo assim... Tentando dar-lhe o mínimo de preocupação. Mas a verdade é que desde que saíra de Tokyo ele sentia-se horrível. Como se pudesse morrer a qualquer momento.
Ele tentara ao máximo não pensar, mas talvez... Talvez, só um pouquinho, estivesse começando a ficar viciado. Foi bom acordar, pela primeira vez em dias, sem sentir a cabeça doer.
...E, sinceramente, arrependia-se de não ter levado nenhum remédio.
Demyx acreditou que não iria precisar mais deles. Estava fugindo, se libertando de sua gaiola dourada. Mas, onde aquilo o levou? À um colapso vergonhoso com Zexion ao seu lado.
Ele estava sendo uma criança mimada naquele instante; se estava no hospital, com morfina correndo por seu sangue, isso era graças ao companheiro forçado de fuga.
Não queria causar-lhe problemas. Poderia jurar à todos os deuses. Ele só queria não precisar contar aquilo... Só isso.
- Desculpe. Você tem razão... – assentiu.
Aparentemente, Zexion fora pego de surpresa.
- ...É. Eu estou certo.
Assentindo, como quem concorda plenamente, Demyx virou o rosto. Não sentia-se mais encorajado a encarar o outro.
- Prometo que um dia vou contar. Sério.
...Mesmo assim, aquele silêncio todo era estranho. Como se não devesse estar ali.
- Espere um momento... – o rapaz dos cabelos azuis falou.
- ...Assim como prometi que te mostraria minha carteira, lembra? E cumpri. – forçou um sorriso, mesmo olhando para lugar nenhum. Achava que devia continuar sorrindo daquele jeito. Nem que fosse para si. – Vou contar, sim. Mas hoje não.
E suspirou.
Zexion também não pareceu se mover.
...Será que estava bravo? Ou simplesmente remoendo aquelas palavras? Sua reação era sempre tão silenciosa, tão pessoal, que Demyx nunca sabia o que achar dela.
- Ao invés disso... – arriscou, por fim.
Não podia parar agora. Já era tarde. Tarde demais para si.
- O que foi agora?
- ...Pode chamar o doutor? Acho que já posso falar com ele.
~x~x~x~
Morfina. Grupo dos opióides. Como o próprio nome deixava transparecer, estava presente no ópio. Seus usos clínicos estendiam-se à: dor crônica (usado sempre em dor pós-operativa), dor aguda forte (como parto ou cefaléia, que devia ser o caso de Demyx) e, por fim, na anestesia.
Via oral, subcutânea, intramuscular e intravenosa. Em alguns casos, os pacientes até mesmo tinham acesso à uma bomba, ativado por um botão, que injeta o opióide em questão ao gosto do mesmo. Supressão de dores físicas e até emocionais. Pesquisando pela internet, Zexion descobriu até mesmo, por ironia, que a heroína era uma derivada da morfina.
Mas o que realmente o intrigava é: por que morfina?
Por que não Tylenol, por exemplo? Se fosse uma dor de cabeça, decorrente ou não de uma insolação, por que justamente a droga mais potente?
“Prometo que um dia vou contar.”
Certo, e até lá?
Afundando ainda mais, se possível, o rosto nas mãos, Zexion deixou-se suspirar longamente. Estava exausto.
Sim. A verdade é que não suportava mais aquilo.
Ele não era idiota. As ausências por longos períodos de Demyx, aquele rosto, aquele tom de voz, e até mesmo a insistência do médico em debater o assunto com o próprio paciente, não com Zexion, que deveria ser o ‘responsável’ temporário enquanto o outro estivesse inconsciente...
De alguma forma, tudo esteve ali desde o começo.
Um fato inquestionável: seu companheiro (obrigado) de fugas, um imbecil chamado Demyx, tinha algum problema físico. Uma doença, quem sabe.
“Desmaio” era um sintoma de milhares de infecções ou doenças, mas outras poderiam ser absolutamente riscadas graças àquela pista. O quadro apenas diminuía mais quando adicionava “dor severa” ali.
O Palm ainda indicava a lista de possíveis indicações para o uso de morfina.
Dor de infartos, dor associada a um trauma físico, dor severa crônica, dor associada a procedimentos cirúrgicos...
Mas nada daquilo parecia fazer sentido. Nada se encaixava de fato.
E, até o dia em que Demyx resolvesse cumprir sua promessa e contar à ele o que tinha, do que sofria...
Até lá, o que iria acontecer?
Teria de manter a mente vazia de qualquer medo, como fizera no Tosho-Guu, e ligar imediatamente para chamar uma ambulância?
Aquilo não iria justamente atrapalhar a fuga deles?
...Aliás, era até difícil lidar com tudo aquilo e ainda pensar que, por Deus, eles tinham de fugir de pessoas que Zexion sequer sabia quem eram, porque estavam justamente atrás deles, dentre outras perguntas importantes.
...Continuando seu “aliás”, ele sequer pudera falar ao moreno sobre a viagem até Nagano. Não sabia mais como proceder quanto a isso.
Não. Agora não era hora de pensar em seus assuntos.
Era hora de lembrar-se, exatamente, o que aconteceu. A cadeia inevitável de eventos que seguiram-se após o desmaio do imbecil.
Suspirando novamente, Zexion forçou a mente a trazer à tona o que ele foi capaz de absorver em meio ao susto inevitável.
O som da ambulância foi a primeira lembrança realmente nítida.
Era um som estridente e detestável...
Depois, tudo do que se lembrava era de ver Demyx agonizar no que parecia ser dor, e da voz de um homem pedindo exames. Nomes que ele não foi capaz de gravar.
Exames. Era como estar fazendo parte de uma grande pegadinha. Ou mesmo de um filme ou seriado com tema médico.
E, quando enfim pôde entrar no quarto onde colocaram o moreno, ele viu: a morfina. Foi como jogar água fria em seu pânico. Subitamente, despertou.
...Por que diabos aquilo?
Quando questionou o doutor responsável, o mesmo foi evasivo ao extremo. Apenas respondeu que deviam esperar a melhora do paciente. Só.
Como se só aquilo fosse resolver alguma coisa...
E Zexion sentiu-se ainda mais vulnerável do que já estava.
A primeira vez que sentiu tamanho desamparo foi quando um idiota de olhos azuis claros veio até seu carro e tentou arrombá-lo. E, no meio de Mooka, disse que iria levar o carro e o próprio Zexion por tempo indeterminado, basicamente.
Depois daquele dia (que parecia estranhamente tão distante), ele não mais sentiu segurança de fato. Suas horas eram permeadas de uma constante tensão.
Estavam sendo perseguidos. Não tinham o menor rumo.
...Estava cercado de idiotas.
Era a sensação mais horrível que já experimentou. Talvez, só equiparado ao desamparo que o assaltou ao ver o corpo do caçula no caixão.
Subitamente, sentiu-se despertar quando viu o médico sair do quarto de Demyx.
Até então, ele imaginou que tipo de conversa estavam tendo. Coisas envolvendo o falado “sigilo profissional médico-paciente”?
Aquilo ainda soava ridículo aos seus ouvidos.
- Certo, estou mesmo enlouquecendo. – concluiu, enfim, passando a mão pelos cabelos. Quem sabe, devia pedir outro café...
Mas a verdade é que, diabos, estava mesmo intrigado com o que acontecera a Demyx. Aquilo foi quase como um sinal.
Ele não podia descuidar do imbecil. Não mesmo.
- Desculpe, senhor. Infelizmente, não podemos liberar a informação. – ele ouviu a recepcionista dizer.
- ...Nada bom. – ele ouviu, então, uma segunda pessoa falar. A voz daquele era indubitavelmente masculina. E ainda mais certamente grave. – Moça, eu acho que você quer que eu não tenha escolha, a não ser...
- Certo, Xaldin. Não ameace a senhorita. – uma terceira voz pronunciou-se. – Guarde para outra hora seus métodos de persuasão pelo medo.
O tal “Xaldin”, aparentemente, bufou.
- Vamos ser diretos, moça: eu me chamo Xigbar, e queremos uma informação.
Zexion, num súbito e abençoado momento de lucidez, tirou o rosto de suas mãos, focando-se na direção das vozes.
“...Xigbar só está nos seguindo, Zexion.”
A voz de Demyx parecia marcada a ferro e fogo em sua memória. A expressão em seu rosto quando falou aquilo. O tom dele.
E aquele momento foi substituído por duas figuras encasacadas de negro.
“Não vai nos fazer mal por enquanto. Posso garantir.”
E, enquanto durou este mesmo momento súbito e abençoado de lucidez, Zexion levantou-se de onde estava.
E engoliu em seco, sentindo-se fraquejar.
~x~x~x~
Assim que a porta fechou-se, Demyx não pôde conter a surpresa no rosto.
Zexion parecia ter fugido de uma trincheira. O rosto, tenso de preocupação, tinha as marcas da tensão absoluta rasgando-lhe as feições.
- ...O que aconteceu? – perguntou, também sentindo-se inquieto com aquilo.
(Afinal, se foi o suficiente para deixar uma pessoa tão sem-graça e controlada como aquele rapaz daquele jeito, então era porque a emergência era muito, repetia, muito emergencial).
Por sua vez, Zexion encostou a nuca na porta e quase achou que fosse escorregar pela mesma até sentar no chão.
- Por favor, diga-me que o nome do seu outro perseguidor não é “Xaldin”...
- Ah...
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