Grey Potter
8 Despedida
Pov. Grey
É, pelo visto, um mês, três semanas e quatro dias não é muita coisa. Ainda mais com as aparições irritantes do:
-... nosso ilustre e querido, diretor Karkaroff! – Como tem gente que idolatra ele, né? Não ligo dos meus amigos gostarem dele, mas isso é exagero. A propósito foi o professor de astronomia que disse isso.
Estamos no último dia de aula, que, como eu descobri, é usado para uma festa de confraternização. Se eu tivesse que decidir ficar aqui com base nos discursos que o diretor faz todo o ano... eu já não estou aguentando um, imagina sete?
Pisquei e estiquei as costas para parar de pensar e tentar prestar atenção no discurso. Eu estava certa, não estou aguentando nem esse. E, pelo visto, ele nem terminou a introdução.
— Eu vou dormir- reclamou Mark.
— Eu também – foi a vez de Lucien.
— Se dormir no discurso do diretor é crime – eu disse, — encontro vocês dois na cadeia. -Apoiei meu braço na mesa e enterrei meu rosto nele, mas levantei a tempo de ver a tragédia.
Víctor, o mais sensato de todos nós, olhou para baixo com um risinho. Lucien, pegou o copo de água que estava a sua frente e bebeu um gole, também sorrindo. Iago e Mark engasgaram, o primeiro com o amendoim que comia, pegando o copo de Lu para se desengasgar, o fazendo babar e enxugar a boca com o guardanapo e a calça com a varinha. O segundo, com exata e completamente nada, o fazendo fingir uma tosse quase imediatamente. E Antoni me olhava rindo baixo, seu rosto estava perplexo.
— Merlin, Grey! – sussurrou- E, a propósito, esse copo era meu- falou para Lucien e Iago. Iago se engasgou de novo, desta vez com a água, e Lucien deu sorte de o salão inteiro estar rindo de uma piada de Karkaroff, afinal ele urrou de rir, assim como eu.
— Vai fazer falta, foguinho das castanhas- disse Mark.
Ganhei esse apelido na semana anterior. Durante um sábado eu pedir para Antoni me ensinar um feitiço, o que resultou em uma “árvore mágica de valor inestimável e antiquíssima” (palavras de um diretor exasperado) queimando até virar cinzas. Apenas os alunos do sétimo anos sabem o nome da árvore, o resto a chama de castanheira, já que seus frutos são parecidos com os da planta trouxa.
Não admiti para ninguém, mas eu também sentiria falta deles. E ainda mais em Beauxbatons, que, pelo que eu li, as amizades entre os anos e os sexos são raras. Decidi ir para lá porque é mais perto da Inglaterra, e porque, talvez, uma escola tão requintada precise de uma garota problema.
Sabe uma coisa que eu torço para não ter um Beauxbatons? Alguém que faça discursos tão longo e tediosos quanto os do Karkaroff. Sério, ele falou por quase quarenta e cinco minutos, quarenta e cinco minutos. Tem noção do que é escutar o mesmo tom de falso entusiasmo por todo esse tempo? Merlin que me salve.
A festa foi legal, mas era parecida com o Baile de Inverno, alunos do terceiro ano para baixo deveriam estar na cama as nove da noite. O tempo que eu fique foi suficiente para ficar com meus amigos e fazer as pegadinhas que eu havia programado.
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Acordei antes de todas as garotas como normalmente. Tomei banho, cobri a tatuagem, e comecei a arrumar minhas malas. Quando estava na metade do processo, uma carta da Nat chegou.
Oi Grey,
Não sei como te contar isso de outro jeito, estou entrando em pânico por conta de Hogwartz. Quando chegar em casa pede para o Remo te trazer para cá, por favor? Preciso de alguém para conversar.
Duvido adivinhar qual animal eu vou levar para... a escola.
Espero te ver logo,
Nat.
Tirei o pergaminho e a pena de onde quer que estavam com o Accio, que para ser sincera, achei fácil fazer. Escrevi minha resposta o mais rápido possível:
Hey Nat,
Minhas zero habilidades de vidente dizem que é um gato.
Peço para Remo me levar aí sim.
Desculpe a carta curta, é a loucura de arrumar as malas,
Grey.
Amarrei a carta no pé da coruja, bestamente, falei o endereço e ela voou pela janela.
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Não contava com o sentimentalismo dos garotos na hora descer do trem, mas foi a desculpa perfeita para desenhar com um feitiço permanente as iniciais GLP, Grey Lilian Potter. Nota mental: perguntar para Remo se colocar os nomes de nossos pais como segundos nomes meu e do Harry, foi ideia de quem meu gêmeo leva o nome.
— Parem de sentimentalismo! – Falei quando tivemos um quarto abraço em grupo. – Existe uma maravilhosa tecnologia chamada carta, sabiam disso?
— Mas é direta, eim? – disse Mark.
— Torça para eu não mudar- retruquei.
É difícil lembrar desta despedida, eu ainda não sabia que não voltaria a falar com eles, apenas com o Krum. Que foi quem se despediu de mim por último. Quando me soltou do abraço, ele disse:
— Continuem sendo o foguinho das castanhas e me escreva.
Minha resposta foi um aceno de cabeça, eu odeio nostalgia.
— Tchau- falei quando ele me abraçou novamente.
— Tchau- foi a resposta.
Nós separamos e andamos até nossas famílias. Remo estava acabado devido a lua cheia do dia anterior.
— Alguma coisa que eu deva saber? – foi o cumprimento com ciúmes palpável que ele me deu.
— Que eu sou completamente imune a coisas que as pessoas se referem como paixão e amor- disse o abraçando. Como era bom poder voltar a falar inglês.
Ele se abaixou para me abraçar também.
— Pronta para aparatar? – perguntou Lupin.
— Que Merlin me ajude.
Mal terminei a frase e tudo já girava. Foi menos de um segundo do pior tipo de tontura possível. Parei com os braços e pernas abertos para não cair, mas com uma pequena sensação de choque pelo corpo, a tontura e a ânsia sumiram.
— França agora? – perguntou padrinho.
— Aham. – minhas respostas são as melhores.
— Agora que eu estava me acostumando com a casa. – caímos na gargalhada.
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