Greggory Field: A Vingança

20 Capítulo 20 - Adorável Distração


Notas iniciais
Este é um capítulo bem bacana. É o começo que de algo que irá levá-los ao fim... Fiquem atentos.

– Vamos procurar uma área onde não tenha tantas árvores. – Sr. Payne disse.

– Certo. – concordou. Depois de pensar um pouco, Greg perguntou — Como ela espera que cortemos a grama? – mas nem precisou de resposta. A cada duas arvores, havia um prego com ferramentas de jardinagem, incluindo aquela tesoura especial para aparar. Logo deduziu que não existia cortador de grama; era tudo manual.

Os passarinhos ainda cantarolavam, e as árvores tinham tamanhos e cores diferentes, e formatos de folhas muito variados.

– Ok, acho que aqui está bom. – Roger falou, ao chegar numa espécie de área de plantação, com apenas algumas sementes, mas ainda estavam cercados por árvores. O sol penetrava bem mais nessa área, e os olhos de Greggory estranharam mudança brusca de iluminação.

– Bom para...? — Greg fez uma pausa, mas logo pensou no que podia ser. – Vamos começar o treinamento? É isso?

– Na mosca. – disse o Sr. Payne, entusiasmado. – Pois muito bem, o Primeiro exercício. Quero que me diga quais são seus poderes. E quantos são.

– Nossa, já começou pegando pesado, não é mesmo?! – Greggory caçoou, rindo. – Certo... Eu leio mentes, tenho o poder do fogo... Uma vez no incêndio na minha antiga casa, desejei abrir a porta – que estava trancada-, e ela se abriu. Na hora, pela a adrenalina, eu abstraí... Mas agora, percebo que pode ter ligação com meus poderes.

– Sim, sim... De fato. Algo mais? – Sr. Payne perguntou. O garoto fez que não com a cabeça. – Então são... Três, estou correto?

– Acho que sim. – disse.

Logo depois, Roger lhe deu algumas instruções para começarem. Pediu para que pensasse em algo que lhe desse raiva, e para tentar canalizá-la potencialmente em seus poderes. A roupa do Sr. Payne acabou chamuscada.

– Não, não. Foque-se no que você quer que pegue fogo. – ele disse, ainda alisando a manga da blusa, que agora estava carbonizada e rasgada.

Greg respirou fundo e tentou se concentrar. O que ele queria que pegasse fogo? Pensou, então, numa árvore, mas após olhar pra grama, acabou ativando o fogo ali mesmo.

– Greggory, já está na hora de você mesmo apagar o fogo! Você o faz surgir, então também tem capacidade de extingui-lo! – gritou o Sr. Payne nervosamente, pois estava no meio das chamas.

– Como eu faço isso?! – perguntou Greg, desesperado.

– Acalme-se. Pense em coisas geladas e molhadas.

O fogo se alas trava rápido, e aquela grama provavelmente não seria reconstituída tão cedo.

Depois de alguns minutos de tensão, ele conseguira. Caiu exausto no chão, ainda quente. O sol estava forte, e não ajudava. Greggory suava sem parar, e daria qualquer coisa por um copo de água.

– Ora, fique de pé! Você não vai derrotar Thomas se desistir assim, tão rápido. – Sr. Payne falava, soando mais como uma bronca do que como um conselho. – Tente outra vez. Controlar-se é essencial, especialmente saber seus limites... Se você não sabe como delimita-los, lamento, então teremos de parar por aqui.

Greg, sem falar nada, limpou com as costas da mão o pouco de suor que se acumulava acima de sua boca e se levantou.

– Assim é melhor. Muito bem, vamos lá.

Greggory esfregou as mãos, e tentou pensar em uma coisa só. Eis que Anelouise surgiu em sua cabeça. Ele ficou furioso não só com ela, pelo seu jeito de se achar superior, mas pelo fato de estar pensando nela.

De repente, ouviram um grito, agudo e penetrante, repleto de dor e angustia.

– O que você...? – Sr. Payne ia perguntando, quando ele mesmo se interrompeu. – Oh Deuses, a menina! – disse, e saiu correndo. Greg foi atrás. Ela estava muito longe deles, mas não fora difícil achar. Ane era um pontinho laranja no meio de um mar de verde.

A menina estava no chão, com a perna em chamas.

– Faça parar, Greggory, AGORA! – berrou Sr. Payne, sensibilizado pela agonia da Ninfa.

Greg, vendo Anelouise se contorcendo daquele jeito, conseguiu parar muito mais rápido que da outra vez.

– Parece que desespero funciona pra você. – disse Roger, analisando a perna dela. Estava muito vermelha e cheia de bolhas, e como ela era muito pálida, aquilo só se tornava mais evidente.

– Isso não está nada bom... – Greggory disse, vendo o que tinha feito. – Me perdoe, foi sem querer, eu nem sei como isso aconteceu, eu só...

– Greg, quantas vezes tenho que dizer? CONCENTRE-SE! É isso que dá quando você perde o foco. – disse Roger, tentando botar de pé Anelouise, que não conseguia falar, de tanta dor. – Vamos falar com a sua mãe e vai ficar tudo be...

Ela começou a balançar a cabeça e negativa, violentamente. Seus olhos estavam cheios d’agua, e ela mordia o lábio para não gritar.

– Ela não quer que a mãe dela saiba. – deduziu Greggory, e Ane o fitou, com um olhar espantado. Parecia que ele tinha acertado em cheio.

– Mas por quê? Não entendo... – Roger perguntou, confuso.

– Sr. Payne, por favor, pode ir buscar algo para colocarmos na perna dela? Pergunte a empregada, alguma erva ou planta que ajude a curar feridas. Eu fico aqui. – pediu Greg, se abaixando. Anelouise olhou para o lado oposto que o menino estava. Agora ela estava sentada com as pernas para frente e os braços mais para trás, sustentando o corpo.

– Ahn... Está bem... Mas não saia daqui. – pediu, e saiu apressado.

Greggory fitou a Ninfa. Suas bochechas estavam levemente rosadas, e ela olhava apavorada para a perna. Tinha sido mais ou menos na canela, e em toda região abaixo do joelho. Sua pele ali, estava demasiadamente vermelha, e ardia bastante.

– Desculpe... Eu não queria fazer isso, realmente não queria. – ele disse.

Ela nada disse, ficou apenas fitando o céu, com uma cara de dor.

– Por favor, não fale para sua mãe que eu te fiz isso. Foi um acidente, como já disse. E além do mais, se você contar, ela vai nos expulsar daqui. TODOS nós. E eles não tem culpa. Já me sinto ruim o suficiente por eles estarem nessa missão por minha causa. – Greg desabafou.

Anelouise fez uma cara confusa, e então balançou a cabeça em negativa, como se tivesse tentando afastar alguma ideia da mente. Ela ainda não olhava para ele. As desculpas não iam adiantar. Seria melhor procurar outro assunto para distrai-la, para não fazer pensar na dor. Ele tinha causado isso.

– Dia bonito, não? – tentou. Certo, um tópico clichê. Mas, ele estava em pânico. É horrível puxar assuntos quando se está nervoso. Ele tinha medo de que ela o culpasse, tinha medo de Ane contar o ocorrido... Tinha medo de todos serem expulsos dali e não completarem a missão...

Não muito depois, o Sr. Payne voltou, com Marquize, a empregada. Quando ela viu o ferimento pela primeira vez, ficou horrorizada, mas não demorou a adicionar folhas e borrifar líquidos em uma mistura dentro de uma casca de coco. Para finalizar, acrescentou uma fruta roxa, redonda e relativamente grande. Quando aberta, parecia haver uma estrela do mar de cor rosada dentro dela, e em cada um de seus prolongamentos continham pequenas sementes pretas. Com um graveto, ela despejou toda a popa da curiosa fruta e mexeu, com o mesmo galho.

Em seguida, aplicou na perna de Anelouise e deu uma folha bem grande para o Sr. Payne. Ela disse-lhe onde podia encontra-la e instruiu-o a amarra-la na perna da menina, de quatro em quatro horas. Deste modo, ela iria ficar melhor em menos de uma semana.

– Muito obrigado. – o Sr. Payne agradeceu. Marquize abaixou a cabeça, se curvou um pouco numa mesura, e foi embora, sem fazer pergunta alguma.

– Greggory, me ajude a carregar Ane lá para dentro. Ela não pode ficar aqui... E fique tranquila, sua mãe ainda não chegou. – Roger falou, abaixando-se e pegando os ombros da menina. Ela jogou os braços em volta do pescoço dele, e mancava com dificuldade. Estava claro que ela sentia muita dor, e não ia conseguir enganar a mãe.

– Sr. Payne, se importaria em levá-la sozinho? Eu vou terminar nossas tarefas... E as dela também. – disse.

Roger deu de ombros e seguiu com a menina, fora do campo de vista de Greg.

Todo o trabalho foi insuportavelmente cansativo, chato, repetitivo e demorado. Pareciam que tinham se passado dias quando chamaram Greggory para almoçar. Ele estava suado, exausto e ofegante.

Dylan que veio chamá-lo, afinal, não dava para gritar da casa de modo que Greg ouvisse.

– A ruivinha entrou toda apressada... Você sabe o que rolou? – perguntou o amigo, coçando a cabeça.

– Eu... Eu não sei. – mentiu Greggory. Ele pensou: “Vou mentir ‘parcialmente’, afinal, eu não sei o que deu em mim, não sei o que aconteceu comigo...”.

Então, caminharam silenciosamente até a casa. Chegando lá, foram direto para a sala de jantar, onde Bartira já tinha chegado e estava sentada a mesa, junto de Anelouise, que parecia bem melhor, mas se olhasse com atenção, dava para perceber que ela sentia dor.

Todos tomaram seus lugares e começaram a se servir. O Sr. Payne parecia exausto, Sabrina botava a jarra de suco na bochecha de Dylan, que ficava vermelho e sorria, provavelmente aliviado com o calor que sentia. Ele acabou transformando o suco em gelo, e todos tiveram que lamber o que tinham em seus copos, feito picolés. Ane mexia sua comida de um lado para o outro.

– Vejo que todos terminaram as tarefas. Dar-lhes-ei a tarde livre. – Bartira disse, dando uma garfada de Suflê.

– Nossa, mamãe, mas que adorável! – Anelouise caçoou, e Greg segurou uma risada. Bartira olhou feio para os dois, e logo todos já estavam a encará-los, com olhares de reprovação.

– Querida, porque está com a perna estirada, assim? – perguntou a mãe, muito esperta, reparando debaixo da mesa. A perna de Ane ocupava uma cadeira.

– Ela estava cortando a grama toda torta, e então reclamou de dores nas pernas. – Greggory falou, sem pensar.

– Isto é verdade, Anelouise? – Bartira perguntou, abaixando a cabeça ligeiramente, para fitar a filha diretamente nos olhos.

– Sim. Ele até se ofereceu para terminar minhas tarefas. – ela disse, referindo-se a Greg, que ficou espantado com a frase da Ninfa. Ela estava dando créditos a ele? Ele tinha CAUSADO o ferimento!

– Eh, Greggory, acho que lhe subestimei. Parece ser um rapaz bem bondoso... Porém, com o senso de humor errado... – ela disse, olhando para Ane.

A menina, por sua vez, nada disse.

– Hmm... Pessoal, desculpe interromper, mas isso é prioridade. Precisamos decidir quem vai vir comigo para colher sucebros. Sr. Payne e Greg estão fora da jogada, pois tem de treinar. Alguém?

A Srta. Sanders pigarreou.

– Certo, precisaremos de mais duas pessoas. Duas para agilizar, e duas para ficar de olho nas Harpias. – informou.

– Eu! – falaram Dylan, Sabrina e Mason ao mesmo tempo.

– Mason, se não se importar... Gostaria de levar os jovens. Eles são mais rápidos. Isto é, se estiver tudo bem pra você. – Sra. Brown disse.

– Ahn... Ok. – ele disse, desapontado.

– Quando partiremos? – Srta. Sanders perguntou, também desapontada por Mason não ter se oferecido antes.

– Hoje à tarde mesmo. Talvez amanhã tenhamos mais tarefas. E além do mais, não sei quanto tempo vamos levar, então... Quanto antes melhor.

Dylan e Sabrina assentiam.

Notas finais
O que acharam? O próximo se chamará: 21: Acidente nas Montanhas. Algum palpite? Haha L. Chandler x