Green Paradise Paraíso Verde
2 Cap 2 - Banquete real
Notas iniciais
Capítulo 2: Brincadeiras Reais
Já estava com 22 anos e morando totalmente sozinha em uma casa estranha. Aquela casa, com uma cor alaranjada viva poderia ser o sonho de qualquer pessoa. Mas não era o meu sonho. Eu queria voltar a morar com meus pais e permanecer minha vida inteira ali com eles enquanto eles me mostravam várias opções de casas para eu me mudar e começar uma vida totalmente independente sozinha.
Quando criança costumava sonhar, visitar aquele mundo mágico de Green Paradise em todas as minhas voltas da escola, mas agora eu morava em uma casa que me deixava com dores na visão só por sua cor neon e ficava sentada ou deitada em qualquer lugar assistindo alguma série, fazendo a lista de contas para pagar no final do mês ou de bobeira pensando em coisas fúteis da vida como amigos ou um namorado. Ainda lembro-me do meu primeiro e único namorado, Josh. Ele era um dos meus colegas na faculdade e era extremamente fofo e gentil. Porém, se estressou e cansou rápido do meu jeito totalmente idiota de ser e terminou nosso relacionamento. Eu deveria ficar triste, mas nem liguei e continuei focando em coisas aleatórias que não chegariam a lugar nenhum. Mas o fato aqui é: eu realmente estava sozinha e precisando de um abraço bem apertado. E foi assim, que depois de me mudar por três anos que eu decidi voltar a minha casa original.
Peguei um trem na estação e fiquei pensando no caminho de ida como seria que minha mãe e meu pai estariam. Como será que eles reagiriam ao me reencontrar? Eu esperava a melhor reação possível. Abri um sorriso bobo só de pensar em minha mãe. Seria uma visita muito repentina? Sendo que, eu nem sequer avisei que iria visitar os dois.
Ao chegar a frente á casa, comecei a respirar fundo e nervosa, era uma sensação um tanto inexplicável para mim. Eu me fui me aproximando aos poucos daquela humilde casa de cor marrom claro e com um lindo jardinzinho à frente e fui me lembrando de alguns momentos preciosos e raros que tive ali. Quando cheguei próximo o suficiente toquei a campainha e fui atendida por uma senhora bem idosa que me ofereceu um chá.
— Me desculpa não pareço ter errado o endereço, então essa casa não pertence ao senhor e a senhora Coelho? — perguntei à senhora idosa enquanto eu me sentava em uma cadeira da pequena mesa de minha família.
— Oh sim! Eles fizeram uma viajem. Enquanto isso alugou essa residência para mim e para meu filho, Lucas. – responde a idosa colocando chá em minha xicara.
— Peço perdão, senhora. Era só que... Eu sou a filha desse casal e fazia anos que não visitava essa casa. Sinto uma enorme nostalgia só de entrar aqui e me sentar nessa cadeira. – respondi fazendo uma reverência em sinal de desculpas.
— Tudo bem jovem. Quer dá uma volta para recordar suas lembranças?
— Sim, eu realmente adoraria se fosse possível! Ao menos uma ultima vez, me deixe ver essa casa.
— o prazer é todo seu.
Eu fui correndo os olhos pela sala, pelo meu antigo quarto que agora se transformou no quarto de Lucas e me lembrei de meu antigo porão. Eu desci as escadas e vi tudo o que eu mais gostava ali: minha pequena barraca de acampamento, o velho sofá vermelho da sala-de-estar, alguns armários que eu usava para colocar meus bonecos (alguns eu levei para minha nova casa), entre outras coisas de criança que eu guardava ali. Fui abrindo os armários e observando todos os meus brinquedos ali, até cair uma pequena foto dele.

‘’ A nossa eterna pequena e grande Anna – 20??’
Era uma foto de quando eu ainda tinha dezenove anos, tirada por minha mãe. Eu agarrei aquela foto para bem perto de meu corpo e permaneci ali agarrada a ela por alguns minutos. Logo em seguida, fui me sentar no velho sofá vermelho para descansar um pouco e última coisa a qual me lembro, era de, me sentir um pouco pesada.
Ao acordar e abrir os olhos não tinha dúvidas de que eu estava ali: eu tinha voltado para Green Paradise depois de anos. Todos aqueles aldeões passando de um lado para o outro procurando um portal, tele transporte, uma passagem secreta para entrar nos seus devidos mundos. Lembro-me de que, quando você pertencia a um mundo poderia vagar em outros, porém sempre teria que retornar ao seu de origem. No inverno o frio era bastante maldoso e todos os mundos tinham que fechar seus portais. Aqueles que não tivessem em um mundo congelariam até a morte. E aqueles que estivessem em outro mundo diferente do seu, seriam expulsos. Então, é por isso que para ser um cidadão de Green Paradise, tinha que primeiro escolher o mundo a qual você gostaria de viver até a morte e ser fiel á ele. Quando fosse fiel, o Deus desse mundo não te deixaria morrer facilmente.
Comecei a me perguntar por que tinha voltado a Green Paradise. Porém, como o momento era um pouco frágil demais para mim, comecei a chorar e deixar as lágrimas rolarem pelo meu rosto agora rosado. Eu ainda estava com os trajes que tinha ido á casa da senhora idosa o que me assustou um pouco. Toda vez que eu iria á Green Paradise eu trajava um visual totalmente diferente das roupas comuns da cidade. Meu primeiro plano era procurar um portal e aproveitar para relembrar a infância em algum dos sete mundos aleatórios, mas fui interrompida por duas espécies de monstros que apareceram em uma das árvores daquele lugar. Eles me assustavam e mostravam seus dentes como se estivessem prestes a me devorar. Assustada, minhas pernas começaram a tremer.

Com um piscar de olhos, apareceu uma grande sombra a minha frente e sacou uma espada da sua bainha e começou a lutar com os dois monstros. A espada brilhava e refletia uma luz prateada a qual não parava um segundo sequer, a pessoa então mascarada atingiu em cheio a cabeça de um dos bichos o que fez ele, jorrar sangue e morrer e o segundo monstro se contorcer de dor.
— Vai parar por alguns segundos, vamos atrair ele ao portal, venha. – disse a pessoa misteriosa e me puxou para um buraco negro próximo o qual me levou para Steampunk.
Enquanto eu me levantava, outra sombra com formato humano apareceu bem á minha frente e eu já sabia de quem se tratava. Era de Rise a Deusa da Soberba.
— Até que enfim tu apareceste Light. Traga o monstro, vou mostrar a ele do que meus bebês são capazes! – disse Rise e então a pessoa com a máscara jogou o monstro que nos seguiu no portal para frente. – que bicho feio! Vai sujar o local. Vamos lá, queridos! – Após Rise dizer isso, uma bugiganga que estava atrás dela começa a funcionar e várias rodas começam se mexer até chegar ao final onde uma arma atira em direção ao monstro que jorra sangue assim como o primeiro jorrou.
—São rápidos, porém fracos demais. – diz a pessoa com a máscara e então, ela retira a máscara revelando seu rosto: se tratava de Light a Deusa Orgulhosa.
— Quem é essa? Outro monstro? – pergunta Rise apontando para mim. Não importa quando eu a olhe, ela sempre teve lindos cabelos verdes e quase sempre usava roupas feitas por ela mesma. Rise era uma acumuladora compulsiva e amava relógios de pulso.
Fale com o autor