Green Eyes
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Rachel saiu do banheiro, já vestida.
–- Você está linda, Rachel!
–- O vestido caiu perfeitamente em você!
–- Ficou realmente bonita.
–- Parem de mentir, eu estou horrenda!
–- Ah, que indelicadeza a minha... Esse são Aurum e Argentum, meus cãezinhos de estimação. A propósito, eles são uma espécie de “detector de mentiras”, e se estivéssemos mentindo, eles nos devorariam.
–- Que agradável... – Rachel sorriu amarelo.
–- Não se preocupe, eles são muito dóceis. Agora sente-se aqui.
Rachel sentou-se, e Reyna começou o trabalho. Ela fazia tudo muito rápido e eficientemente, como se arrumar pessoas fosse a coisa mais simples e ridícula do mundo. Em pouco tempo, sua juba já estava controlada, e seu rosto trazia uma quase imperceptível maquiagem, que dava um brilho perolado em seu rosto.
–- Uau! – Rachel disse, atônita, enquanto fitava o próprio reflexo. – Essa sou eu?
–- Sim, é. Eu não fiz nada, apenas revelei a beleza que você esconde. Beleza essa que Octavian conseguiu enxergar...
Rachel corou.
–- Opinião da especialista? – Reyna virou-se para Piper.
–- Simplesmente perfeita. A propósito, foi bom descobrir suas habilidades obscuras, Ice Queen. Bom trabalho!
Reyna sorriu, descontraída.
–- Obrigada.
Annabeth riu.
–- Hey, Rachel, tudo o que você precisa para esse encontro é uma pitada de sabedoria. Não diga coisas idiotas que podem estragar tudo. Vá, antes que o chocolate esfrie!
–- Tudo bem... – Rachel caminhou até a porta, e se virou. – Obrigada. Por tudo.
As três sorriram, enquanto Rachel fechava a porta. Piper se virou para Reyna e perguntou:
–- Você arrumou cabelo e maquiagem, e eu a roupa. Mas e Annabeth?
A pretora sorriu.
–- Ela bolou um plano para juntar os dois, que é à prova de falhas. E você já vai descobrir qual é.
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Rachel andava timidamente de volta ao Café, e sentia a famosa sensação de “borboletas no estômago”. Nem se lembrava da última vez que isso aconteceu. Na verdade nem sabia o que estava sentindo. Um breve arrepio correu por seu corpo ao ver de longe os cabelos louros dele balançando por causa do vento.
Respirou fundo, e foi até ele.
–- Olá.
Ele levantou a cabeça e a fitou de cima a baixo.
–- Uau... – ele deixou escapar um suspirou. – Você está muito bonita!
–- Sério mesmo?
–- Sério.
Rachel sorriu, sem jeito.
–- Sabe, é bem estranho ouvir um elogio de você, principalmente porque até então nos odiamos, coisa e tal...
–- Acho que temos uma impressão errada um do outro. Tipo, nós praticamente acabamos de nos conhecer, e nos “odiamos”.
–- Isso é culpa da rixa entre gregos e romanos. Pessoas que nem se conhecem se odeiam... Por sorte isso acabou. Ainda que pessoas como você continuem com esse pensamento!
Octavian revirou os olhos.
–- Só de eu estar aqui, falando com você... Já foi um grande passo.
Rachel riu com gosto.
–- Realmente!
Eles se encararam, e Octavian se perdeu no sorriso dela.
–- Hã... Vamos tomar os chocolates?
–- Sim, claro... Bem, eu te mostrei o meu acampamento. Nada mais justo do que fazer o mesmo, não acha?
Octavian riu.
–- Tudo bem, tudo bem. Siga-me.
Os dois caminharam lado a lado, tomando seus chocolates. Octavian ia mostrando todos os detalhes daquele imenso lugar, completamente incrível. Tudo era grandioso e rico em detalhes. Rachel olhava para todos os lados, e um floco de neve caiu sobre seu rosto. Vestiu seu sobretudo e pegava os flocos que caíam do céu. Octavian a observava.
–- Hã, Rachel...
–- Uhm? – ela respondeu, ainda brincando com o floco em sua mão.
–- Tem um lugar que eu queria te mostrar...
–- Então me mostre!
Ele a conduziu pela mão até um espaço coberto, mas que tinha uma vista perfeita de tudo ao redor. Rachel não segurou um arquejo de surpresa.
–- Meus deuses... isso é...
–- Perfeito, não? – Octavian completou, olhando pensativo para o horizonte.
–- Com certeza!
–- Pronto. Sua visita ao Acampamento Júpiter está completa. Tomou do melhor chocolate quente de todos, e viu a melhor vista de todas.
Rachel riu, e o encarou.
–- Por que você não é assim o tempo todo?
–- Perdão?
–- Perguntei por que você é tão diferente comigo... Se todos pudessem ver o Octavian que eu vejo agora... – Rachel o fitou, olhando profundamente dentro de seus olhos azul-acinzentados.
Ele ficou em silêncio, encarando os lindos olhos verdes de Rachel, que brilhavam intensamente.
–- Eu... Eu não sei o que houve comigo. Mas eu não sou mais o mesmo, definitivamente.
–- Isso é bom.
–- Nah... Talvez não seja.
–- Não, sério, isso é muito bom. Octavian, você é a pessoa mais insuportável que já conheci em toda a minha vida. Mas ultimamente você tem mudado aos poucos, e eu estou descobrindo quem você é de verdade. E eu... Digamos que eu tenha gostado...
–- Você só pode estar brincando.
–- Não. Eu estava pensando a melhor maneira de dizer isso sem parecer eu estou flertando com você! – Rachel riu.
–- Você também é pessoa mais teimosa, irritante e esquentada que já conheci. E foi essa garota que despertou um “novo eu”. Você mudou o que eu sentia sem saber.
Rachel sorriu.
–- Ok, posso dizer uma coisa louca?
–- Diga. Uma coisa louca vindo de você é normal.
Ela revirou os olhos.
–- Eu... me sinto melhor quando estou com você.
–- Já que estamos no clima Frozen mesmo... Posso dizer uma coisa ainda mais louca?
Rachel riu.
–- Diga.
–- Eu também. – Octavian riu.
Ele pegou nas mãos de Rachel.
–- Apesar de tudo, obrigado. Você me fez uma pessoa melhor.
–- Igualmente. – ela sorriu, acanhada. – Mas eu ainda te odeio.
–- Graecus... – ele riu, revirando os olhos.
Eles se encararam em silêncio por um tempo.
–- Quer um pouco de diversão?
–- Só se for agora!
Ela pegou na mão dele, que saiu correndo, a guiando.
Atrás deles, Annabeth sorria. Ela desceu para se encontrar com Percy e ver que rumo o seu plano iria tomar.
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–- Para onde estamos indo?
–- Estávamos na Colina dos Templos. Deuses, você precisa ver o Coliseu! E o Circus Maximus! Oh, você realmente precisa ver o Circus Maximus! E as Casas de Banho! E podemos ir até às Colinas. Qual você prefere? As de Berkeley ou Oakland?
Rachel riu.
–- Quero ver tudo! O que é mais perto?
–- Se passarmos pelo lago e entrarmos na Linha Pomeriana, estamos em Nova Roma, pertinho do Circus. Pode ser?
–- E ainda pergunta, seu grande idiota? Me leve onde quiser!
Octavian sorriu para ela, revirando os olhos.
–- Você manda, Dare.
Os dois atravessaram o lago, e entraram em Nova Roma. De longe, a grande construção já podia ser vista. Eles se aproximaram e o queixo de Rachel caiu. Se já parecia gigante de longe, de perto era dez vezes maior, e era impossível não abrir a boca e olhar para cima.
–- Caramba, é gigante!
–- Você ainda não viu nada...
Ele a guiou para dentro, e Rachel ficou estupefata. Tudo era muito, muito grande naquele acampamento.
–- Deuses, é lindo!
–- Eu sei... Esse aqui é uma réplica perfeita do original Circus Maximus. Ele, inicialmente servia para jogos de entretenimento dos reis etruscos de Roma, e mais tarde seria palco para jogos, festivais e corridas de bigas. Por volta de 50 a.C, Julius Caesar expandiu o Circus, que passou a poder acomodar mais de 250.000 espectadores.
Rachel o encarava, fascinada.
–- Como você sabe tudo isso?
–- Simplesmente sei... Eu sou um cara que se interessa por sua história.
–- Se interessa pelo futuro? – Rachel perguntou, com um sorriso travesso.
–- Se não me interessasse, não faria profecias.
–- Realmente. Me interesso pelo futuro tanto quanto você. Gosto muito de história e arte. E sou completamente fascinada pela junção das duas: História da Arte.
–- Ligo mais para a arte da guerra.
–- Então prefere uma lança a um pincel?
–- Que tal a junção dos dois? – Octavian disse, e Rachel sorriu.
–- Você está pegando o jeito.
Eles se encararam por alguns segundos.
–- Hey. – ele deu um soquinho no braço de Rachel. – Venha, ainda temos muito para ver.
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