Greco Schmidt - Em Uma Viagem Sem Destino
7 Capítulo 7 - Meus Sonhos São Loucos
Descemos a enorme colina, que dava acesso a Paraízzo, mas ela não era tão perto, e não podíamos chegar assim, do nada. Então avistei um pequeno lugar, que tinha uma placa colorida fluorescente, eu não conseguia distinguir o que falava, pois já era começo da noite.
— O que é ali? — Perguntei a Porch
— Suas casas — Disse-me ele — pelo menos, por essa noite.
Fitei ele, e Porch continha um riso no rosto. Não entendi o porque até lembrar de Roxye falando: "Se conseguirmos passar pela divisão, iremos entrar em uma floresta, e talvez do outro lado, podemos achar o Caneca dos Ladrões, talvez Godofredo e Guilhermina possam nos arrumar um quarto." Agora eu conseguira ler o que estava escrito, e pela minha alegria, falara: "Caneca dos Ladrões". Andei mais rápido. O lugar não era feliz, na verdade, era quase deserto. Um ou dois bebiam cerveja em copos do tamanho do meu braço. Outro dormia no balcão, com a mão em um pedaço de rosca doce, com cobertura de morango. E um brincava em um daqueles jogos de pac-man, que nem percebeu nossa presença. A princípio parecia um lugar normal, um bar do mal, mas ai surgiu a coisa mais estranha que eu vira, talvez mais estranha do que a Rainha Carbona, e do que Carybin. Ele ou ela, tinha mais de 2 metros de altura. Tinha 10 dedos em cada mão, e 4 olhos ao todo. Mas isso não tem muita diferença, pois cada rosto, tinha 2 olhos. A princípio pensei que fossem uma espécie de "irmãos siameses" mas nenhum irmão siames tem 10 dedos em cada mão. A cabeça do homem, era verde como o corpo, tinha um bigode cinza, e olhos dourados, a sobrancelha era verde como a pele. Ele não tinha, nem se quer, um fio de cabelo. A cabeça da mulher, era azul, o que dava ainda mais medo deles. Essa cabeça tinha cabelos loiros e brancos, olhos azuis e um queixo grande, seu nariz era arrebitado, e usava muita maquiagem.
— Bem vindos a Caneca dos Ladrõe... — Disse a cabeça masculina.
— Onde sempre encontramos um lugar pra qualquer um... — Interrompeu a cabeça feminina.
— Temos tudo o que deseja, de cerveja ao cacau, a pinga bebe-e-morre... — Disse a cabeça masculina.
— E tudo, tudo de primeira qualidade, o que vão querer, crianças? — Interrompeu novamente a cabeça feminina.
— Ei, por que você rouba sempre a parte mais legal? — Disse a cabeça masculina.
— Porque sou a mais velha, e tenho meus privilégios, e então crianças? — Disse a cabeça feminina, nos olhando com um sorriso amarelo no rosto.
— Nada disso, mamãe falou que, minha cabeça saiu primeiro. — Disse a cabeça masculina — Ah, desculpem crianças...
— Meu irmão é um idiota, não liguem para ele, posso ajudar? — Disse a cabeça feminina.
Eu, Roxye e Porch, estávamos boquiabertos com tudo aquilo, ainda mais eu, pois nunca vira nenhum dos dois, ou seria só um.
— O que eles são? — Perguntei a Porch, bem baixo, enquanto eles falavam.
— São Globins, seres que deram errados — Respondeu Porch
E então, Porch aumentou a voz.
— Olá, Godofredo — Disse Porch — Olá Guilhermina, precisamos de um quarto para esses dois, eles...é...precisam de um lugar para passar a noite.
— Que gracinhas, tão novinhos e já namoram — Disse Guilhermina, nos mandando um sorriso verdadeiro, porém, pouco contagiante.
— Ah...não, não. — Disse eu, a ela — não é isso que você está pensando. Eu sou o herói, preciso salvar vocês.
Godofredo e Guilhermina, me lançaram um olhas arregalado, e depois olharam um para o outro. Porch não me olhou com o mesmo olhar, pois na viagem até aqui, eu contara a ele quem eu era.
— Meu Deus — Disse Godofredo — Mexa-se Guilhermina, precisamos achar o nosso melhor quarto para eles. — Guilhermina parecia ter acordado de um transe.
— Mentus, Mentus, acorde seu vagabundo. — Disse Guilhermina — Leve-as para o 27. Mexa-se, sua gentalha. — e continuo — Desculpem meus senhores, Mentus, já está na hora de se aposentar.
— Qualquer coisa que precisarem, é só tocar o sininho — Disse Godofredo, balançando um sininho.
— Vou ajudá-los a chegar no 27, ok? — Disse Porch a Godofredo e Guilhermina.
— Como quiser, senhor — Disse os dois, parecendo "senhor" muito difícil de se falar.
Andamos pelas escadas até chegar a um corredor um pouco mais arrumado que a recepção. Porch nos apontou o último quarto, que tinha uma plaquinha anunciando "27".
— Volto amanhã bem cedinho, estejam acordados — Disse-nos Porch, indo embora.
— Obrigado por tudo hoje, Porch — Eu falei virando para trás.
— É obrigado — Disse Roxye, de má vontade. Depois da cotovelada que eu dei nela.
— Sem problemas, acredito que tenho uma missão com vocês dois — Disse Porch por fim, virando e descendo as escadas.
Chegamos ao quarto, e encontramos Mentus arrumando algumas coisas.
— Pronto, senhores — E estendeu a mão. Mas viu que nenhum de nós tinha dinheiro, e saiu com a cabeça baixa para fora, em direção a recepção.
Essa noite, eu sonhei com algo estranho. Estava em um buraco negro, pois quando se olhava para cima, eu conseguia ver a luz da lua brilhando e clareando o lado de fora. Eu não conseguira ver nada, nem minha própria mão a 10cm da minha frente. Então, ouvi uma voz rouca, como se não falasse a anos.
— Eu estou bem, eu estou bem, irmã. Só um pouco cansado. Mas graças a você eu estou bem.
— Precisamos caçar aquele miserável — Disse uma voz que eu conhecia de algum lugar — Ele não pode se safar de nós.
— Só mais alguns dias irmã, só mais alguns dias. Emeralda...quero dizer, Lunia, você não precisa ficar tão raivosa assim, nunca nenhum herói conseguiu nos deter, e não será agora.
— Você morreu pelo pai daquela Borbon, que fugiu com ele — Disse Lunia, que agora eu conhecera a voz — precisamos faze-los viram pó.
— Você prometeu, Lunia —Disse a voz rouca — Iria deixar eu me vingar da família Ruschel.
— Eu sei meu irmão, só mais alguns dias, e teremos o nosso exército de Bruxos Maiores prontos. Vamos acabar com ele.
— Assim que se fala. O Blacko está de volta.
Agora eu estava em outro lugar, eu estava em uma sala branca, como quando Ouro entrou no meu sonho. Essa sala reluzia mais ainda. Então ouvi murmúrios e esses murmúrios foram aumentando, e aumentando, e eu já se encontrara no chão, tampando o ouvido. Então eles pararam, e Ouro surgiu novamente.
— Precisava fazer todo esse barulho para vim falar comigo, Ouro? — Disse ao homem.
— Me desculpe, senhor. — Disse-me Ouro — Eu preciso...eu preciso falar algo muito sério com o senhor.
— Continue então, Ouro.
— O senhor luta bravamente com essa espada de vidro negro, senhor. Mas não é a verdadeira, não é a que contém o sangue do Bruxo Blacko.
— Como assim, Ouro? Foi Roxye que me deu...
— Eu sei...eu sei senhor, mas trocaram a espada, e para Roxye, ela ainda é a original. Mas a verdadeira, se encontra no...no... bom senhor, você precisa ser corajoso. Ela se encontra com o próprio Blacko, que não conseguiu tirar seu sangue da espada, ainda. E só ela, só aquela espada, pode matar os Bruxos Maiores.
— Mas quando o pai de Roxye matou Blacko, ela não contia sangue na espada, Ouro.
— Sim, senhor. Muito bem observado, mas ele se sacrificou por isso, deu a alma para isso, caso o senhor queira ver sua família trabalhar em minas, ou ver sua mãe ser uma Borbon para algum Bruxo Maior, faça o sacrifício, eu não fiz, e nem faria.
— Mas, Ouro. Eu, não sei onde encontrar Blacko. É muito difícil. E eu não consigo matar um Bruxo Maior, ainda mais um que vem guardando forças.
— Senhor. Ouça isto: "Feche os olhos e adquira sua arma/Não confie naquele que você agradeceu/Acabe com tudo, ou com todos."
— Isso é uma profecia, Ouro?
— Não senhor, isso é meu, eu estou tentando ajudar o senhor. Irei ser castigado por isso, mas eu preciso que o senhor destrua todos os Bruxos Maiores.
— Obrigado, Ouro.
— Me agradeça matando os Bruxos Maiores.
Acordei exasperado, mas não contei nada a Roxye, ela podia ser a traidora, ou qualquer um, até Godofredo e Guilhermina. Descemos as 8 da manhã para tomar o nosso merecido café. Guilhermina nos avisou que, Porch chegaria as 8 e meia, então tínhamos tempo para tomar nosso café, sossegados. Godofredo serviu torta de limão com pêssego, suco de laranja com um troço azul em baixo, senti desconfiança, mas o suco estava ótimo, não tinha como ser veneno, ou qualquer coisa do tipo. Não olhei nem uma vez para o rosto de Roxye, e ela pareceu perceber isso.
— O que foi, Greco? — Disse-me Roxye — Sonhou com o fracassado do Ouro, de novo?
— Ele não é um fracassado — Disse a ela — Ei! Como você sabe disso?
— Eu não sabia, mas meu plano deu certo. Agora, conte-me.
Resumi que ela não era a pessoa que iria me trair, pois como disse Ouro, ela me dera a espada que o pai dela derrotou Blacko, pelo menos, ela achava que a espada era aquela. Então contei toda a história para ela.
— Isso é um absurdo! — Disse-me Roxye, quando eu falei que a espada que ela me dera, não era a verdadeiro do seu pai.
— É, eu sei — Disse a ela — fiquei espantado como você.
— Se for verdade, Borgin vai ficar bravo. E muito bravo.
— Quem é Borgin?
— Meu pai. Meu deus, Greco.
— Ah, sim. Precisamos ir.
— Ele não é o traidor, conheço ele desde quando eu tinha 4 anos.
— Já da pra casar então...
— Cala boca — Disse Roxye, tentando esconder o riso.
Porch chegou logo em seguida.
— E aí, galera? Dormiram bem?
— Sim — Disse eu — e você?
— Ótimo — Disse Porch — Roxye, você dorme como uma pedra, nem precisa responder, não é?
— Quieto, Willians — Disse Roxye (acho que era o sobrenome de Porch, mas não perguntei.)
— Então, o que temos para hoje? — Disse Porch, parecendo ansioso e inquieto.
— Precisamos avançar, não é Roxye? — Disse eu a ela — Precisamos chegar a uma ajuda.
Nesse momento, um homem magro, bem magro, e pequeno, com a barba mal feita, vestindo trapos, entra no bar correndo e fadigando.
— O que foi, Marvel? — Perguntou Godofredo, parecendo interessado.
— São eles, eles estão procurando o herói — Disse Marvel
Godofredo e Guilhermina olharam para mim, como se quisessem falar: F*deu. Godofredo fez com a cabeça para eu ir para lá. Puxei Roxye, e Roxye puxou Porch. Godofredo e Guilhermina nos levaram para baixo, uma espécie de sótão. Era fedido e vários animais passavam por lá.
— Essa passagem da pro esgoto de Paraízzo. — Disse-nos Guilhermina — É a única forma de vocês se safarem.
— Obrigado, Godofredo e Guilhermina — Disse eu — Obrigado por tudo.
— Nós que agradecemos, herói — Disse Godofredo — Volte sempre, e mate eles — apontou a cabeça para a recepção, lá em cima — por nós. Agora vão.
Descemos por uma porta circular, que dava acesso a um ralo enorme, ouvimos ratos, e outros animais, que nem eram animais de verdade. Roxye, reclamava e gritava, e eu e Porch, falávamos: "XIU ROXYE!" todas as vezes juntos, tentando não atrair ninguém. Parecia não ter fim, eu olhava para a escuridão, e não conseguia ver minha próprias mãos a 10cm da minha frente, então pensei no que eu havia sonhado, eu não conseguia ver as minhas mãos também no sonho. Eu acho que poderia estar mais perto de Blacko, do que eu esperava.
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