Greco Schmidt - Em Uma Viagem Sem Destino
2 Capítulo 2 - O Castelo Negro
Eu tinha 2 opções: ou ficava naquele lago, vivendo de água, ou iria enfrentar aquela floresta e pedir ajuda no enorme castelo negro. Bom, uma hora ou outra, alguém do castelo iria vir para cá, porque com certeza, iria chamar atenção alguma hora. Então, sai do lago, e em pouco tempo já estava seco, por causa do calor do deserto.
Quanto mais eu me aproximava daquela área gélida, com mais frio eu ficava, era algo que, não teria em nosso mundo. Até que cheguei em um ponto, onde a areia acabava, e começava uma grama branca, coberta de neve. A areia não cobria a neve, nem a neve iria no território da areia, era como se tivesse uma parede invisível, impedindo as duas áreas de se juntarem e fundirem uma só área.
Quando pisei na neve, senti meu corpo estremecer, mesmo estando com meu tênis, tamanho 40 no pé. Aquilo tirara todo o calor que o deserto tinha me dado, aquilo no primeiro momento foi ótimo, mas depois de alguns minutos, já estava com os braços cruzados, abraçando meu corpo, e com os dentes batendo.
Cada passo que eu dava, a neve afundava um pouco, parecendo que, embaixo dela, era um enorme vazio. Também deixava todas as minhas pegadas, que se alguém tivesse feito uma armadilha pra mim, seria muito fácil me localizar. Segui então até chegar no começo da floresta, onde uma pequena placa, preta e malcuidada, dizia: "Floresta dos Corvos — Entre e vire o almoço deles". Bom, eu poderia correr, mas o enorme frio, só me deixou arregalar os olhos, e estremecer o corpo. Então olhei mais para dentro da floresta, não tinha escolha, ou era aqui, ou não era mais nada. E então, um estalo de um galho de árvore eu ouço, pensei em tudo que eu passara, e que eu iria morrer aqui agora, antes que eu pudesse virar, uma voz masculina, grossa e sombria retumbou:
— Quem é você, meu jovem? Coloque as mãos na cabeça e vire para mim.
Então, fiz o que ele mandou, virei para ele. Ele não parecia tão sombrio quanto a voz dele, ele era um homem de meia idade, barba marrom e sobrancelhas grossas. Vestia uma calça marrom, e calçava uma bota, e uma camiseta suja, com um macacão por cima, tinha um chapéu na cabeça, como os de duendes, e tinha olhos pretos, como a cor do castelo.
— Meu nome é Greco, Greco Schmidt — disse eu, apreensivo — não sei como vim parar nesse mundo, senhor. Só sei que acordei no deserto, e vim parar aqui.
O homem me analisava, como se eu fosse um planejamento, sua cara era de indecisão, como se não soubesse o que fazer comigo. E depois de um tempo, ele me estendeu a mão, e fez um leve sorriso:
— Bom, você pareceu muito sincero, e espero que não esteja enganado sobre você. Meu nome é Roger, e sou o guarda-caças do castelo da Rainha Lunia Schorban.
— Então é ela, aquela mulher com chifres de minotauro?
— Como ousa falar dos chifres da Rainha Schorban.. — Disse Roger, apunhalando o arco com flechas, que eu nem vira atrás de sua cabeça.
— Não... não precisa disso, eu só... não quis ofender ela, muito menos você. — Disse eu — Não precisa do arco, eu não quis magoar...
Roger então, baixou o arco, mas não tirou os olhos de mim. Depois fez um leve aceno com a cabeça na direção da floresta, como se mandasse eu seguir por ela.
— Não posso entrar ai — Disse eu — essa floresta é muito sombria e perigosa.
— Eu vou guiar você até o castelo. Acho que você deve conversar com a Rainha Schorban, ela deve estar esperando por você.
No começo, achei que Roger poderia ser um golpista, mas ele me protegera de todos os corvos que vieram em minha direção. Os corvos não morriam com as flechas de Roger. Acho que esses corvos eram diferentes, na verdade eu nem sabia se eram corvos mesmo.
Com ele por perto, não demorou mais de dez minutos para nós atravessarmos a pequena floresta, os corvos tinham medo dele, alguns até se arriscavam, levavam flechadas, mas não caiam no chão. As árvores pareciam se espremer para nós passarmos, acho que até elas respeitavam Roger, e eu não seria louco de enfrentá-lo.
O castelo não ficava tão perto depois que saímos da floresta, acho que a visão pelo deserto era outra miragem. Mas essa miragem mostrava um lugar verdadeiro, porém ela mostrava o lugar mais próximo, como se precisássemos ir lá mais rápido.
Quando nos aproximamos do castelo, raios começaram a cair, começou a chover, os corvos gritavam, sim eles gritavam como pessoas. Eles rodeavam o enorme castelo negro, que estava bem na minha frente. Ele parecia feito de vidro totalmente negro, a água da chuva, escorria por ele, como se fosse um box de banheiro. Roger, por algum motivo que eu não sei, não me deixou tocá-lo.
Ficamos de cara com a enorme porta, onde para entrar por ela, você devia atravessar um lago, que rodeava o castelo por inteiro. O lago não era azul, ou verde, ele era marrom, quase um preto. Como se fosse um suco denso, um xarope.
De repente, a enorme porta de vidro negro se abriu, ela desceu até alcançar o pedaço de grama congelada, que faz um estrondo ao receber o vidro. Observei bem o interior do castelo. Mas era impossível saber o que tinha lá.
— Vamos, entre — Disse-me Roger — eu não tenho permissão da Rainha Schorban para entrar. Caso precise de mim, vou estar cuidando dos corvos, bem aqui do lado de fora da floresta.
E então, Roger foi andando, sem olhar para trás.
— Mas... — eu disse. Foi a única coisa que conseguir falar, antes de Roger sumir pela área gélida.
Meus passos eram lentos e barulhentos, como se eu estivesse, quebrando vidro. Como as paredes, o chão também era feito de vidro, mas isso não me incomodara, acho que eu estava muito mais preocupado com o que tinha la dentro, do que com um mero piso de vidro.
Não achei nem se quer uma alma viva lá dentro. Não sei como, mas conseguia me orientar, mesmo sabendo que eu não estivera ali nenhuma vez na minha vida.
Comecei a ouvir vozes vindo da direita em um enorme corredor, onde em uma porta, reluzia uma luz bem amarela. Poderia ser o piso de vidro, mas talvez a luz era tão viva assim, para aquecer mais o castelo, já que estávamos num enorme inverno rigoroso.
Me aproximei da porta e ouvi uma voz feminina, forte, estranha e sombria, como a de Roger, antes de me conhecer:
— É ele, eu sei que é, temos que matá-lo agora...
Uma outra voz, agora masculina, forte e tenebrosa, retumbou:
— Eu sei minha Rainha, mas não há nada que possamos fazer, talvez ele nem consiga... ele não vai conseguir. Se ele morrer bem aqui no seu reino, toda a Perínfina, irá saber que nós o tiramos deles, e iram começar uma rebelião, que desculpe minha alteza, mas não estamos com reforços para isso...
— Cale-se, você só serve para me da conselhos ruins. Lembra daquela vez que me sugeriu trancar Anote no cala-bolso dos crocodilos? Ela usou magia e conseguiu usar eles a seu favor. Ela era uma das piores feiticeiras, e você só me trouxe prejuízo, fiquei mais fraca sem ela. Mas tudo bem, irei deixá-lo passar, você verá o que eu irei fazer.
Eu ouvia tudo aquilo em silêncio, na porta da sala onde a Rainha e a outra pessoa conversavam. Mas, um corvo pousou na janela bem atrás de mim, e gritou com uma voz ensurdecedora, como se quisesse avisar alguém que eu estava ali. Eu cai com o susto, meus joelhos bateram no chão de vidro, e um barulho maior do que o corvo conseguiu fazer, soou. Então, a voz masculina disse:
— Minha Rainha, acho que temos uma visita.
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