Greco Schmidt - Em Uma Viagem Sem Destino

13 Capítulo 13 - O Inimigo Vai Nos Ajudar


Quando chegamos a Paraízzo, o calor havia parado um pouco. Era como se tivesse uma parede invisível, não deixando entrar mais calor, como no castelo de Lunia.
A cidade, ou melhor, a ex-cidade estava totalmente destruída. Algumas pessoas andavam de lá pra cá, tentando pegar algumas coisas que ainda davam para aproveitar. Ouvia-se choro de crianças, e alguns homens, tentavam tirar uma casa caída do chão, talvez tivesse algum corpo, ou alguém ainda vivo, estava lá embaixo.
Paraízzo, fora incendiado, mas não foi um incêndio comum, como aqueles quando uma fogueira se descontrola. Aquilo fora feito por muito fogo, como se alguém tivesse colocado fogo em todas as casas, como se alguém pudesse controlar o fogo e usá-lo. Então caiu a ficha.
Lunia havia colocado fogo na cidade, talvez para nos desnortear e fazer-nos voltar para o Aglomerado, mas nem isso poderia ser o bastante para nós. Eu ficava cada vez mais nervoso quando eu via a cidade totalmente perdida. Pessoas chorando com corpos carbonizados no chão. Casas caindo, animais correndo, de um lado pra outro. Se agora era aterrorizante, imagine quando o fogo ainda queimava fortemente.
Roxye estava muito inquieta, ela parecia querer correr, mas tinha receio, e então eu vi uma lágrima no seu olho. Fui para perto dela e levei-a para um canto, onde ninguém estava nos ouvindo.

— Ei, ei — Disse olhando para seus olhos brilhantes, devido ao choro — Relaxa. Lucca nunca iria deixar ela...ela ficar lá. Eles estão a salvo, eu juro.

Ela acenou com a cabeça, limpou os olhos e arrumou sua blusa, que estava amarrotada.

Seguimos andando pela cidade, até que chegamos a tenda de Madame Norma, morta a alguns dias por Kastian. A tenda estava só a armação, não tinha teto, nem a porta de vidro. A placa que dizia: Madame Norma — Entre no seu futuro, estava pendurada, qualquer hora ela poderia cair.
Então, chegamos a casa de Amora. Roxye largou minha mão, pois eu a segurava, desde que chegamos a cidade. Ela correu em direção a casa, e abriu a porta correndo. A casa estava totalmente acabada, apenas a armação continuava em pé. A lareira continuava ali, como também a mesa, mas o fogão, parecia ter sido queimado.
Roxye caiu no choro, sentando em uma das cadeiras, ela chorava feito criança, pois nem a mãe, nem o irmão estavam ali.

— O que houve com ela? — Perguntou Phillip, bem baixo, para que ela não ouvisse.

— Aqui é a casa da mãe e do irmão dela — Respondi — Mas ainda é uma longa história.

Depois que ficamos alguns minutos vendo ela chorar, saímos da casa, Roxye se apoiava em mim. Estávamos quase saindo, quando um homem trouxe um corpo carregado nas costas, e jogou em uma carroça. O corpo estava envolto por uma manta branca, mas quando caiu na carroça eu pudi ver quem era. Era um menino, de mais ou menos uns 11 anos. Nessa hora eu arregalei meus olhos. Eu conhecia aquela criança. Roxye também parou, e tentou ver em o que eu estava concentrado, e seus olhos arregalaram também.

— Esse é o... — Disse eu.

— Ryan — Disse Roxye, que caía no choro.

— Você conhecia ele, Greco? — Perguntou Alogan.

— Sim — Disse eu — Ele nos avisou dos Bruxos aqui...

— Vamos embora — Disse Roxye, com uma voz que quase implorava.

Seguimos subindo a colina, e Roxye ainda estava muito abalada. E então, a Caneca dos Ladrões, surgiu a nossa frente. Ela também estava danificada, mas não parecia tanto.

— Olhem — Mostrou Tirano — Aquilo é um bar.

— É, claro que é — Disse eu, num tom ignorante.

— Vamos — Disse Phillip.

Chegamos na porta, e quando tentamos empurrá-la para entrar, ela caiu, como se estivesse solta. Não havia ninguém no bar, era deserto, como se não estivesse ninguém ali a bastante tempo. Mesas quebradas, cortinas queimadas, garrafas em prateleiras quebradas, estava muito feio.
Subimos para os quartos. Eles estavam sem ocupar, mas estavam todos bem destruídos. Não havia mais colchões, ou poltronas, estavam todos queimados.
Então eu pensei, algum lugar para que eles possam sobreviver ao fogo. E então lembrei da ajuda de Godofredo e Guilhermina, quando o velho Marvel veio nos avisar dos Bruxos Maiores, que estavam vindo pra Paraízzo. Então lembrei do porão, o porão que dava acesso ao esgoto da ex-cidade de Paraízzo.

— Eu sei onde pode ter sobreviventes, venham — Disse aos outros.

Descemos para o bar, e eu fui atrás do balcão, onde Godofredo havia me mostrado o porão. Cheguei lá, não conseguia abrir, e então quebrei a fechadura com minha espada. Abri a porta e estava tudo num silencio esquisito. Parecia forçado.

— Não temos nada a oferecer — Disse uma voz conhecida — Vão embora.

— Lucca? — Disse Roxye — Lucca? Sou a Roxye.

— Roxye? — Disse a voz — O que esta fazendo aqui?

Então, peguei a lanterna que Phillip havia me dado, e acendi. Desci, e pela escada eu pude reconhecer algumas pessoas no local.
Estavam Godofredo e Guilhermina, Lucca, Marvel, Mentus, e mais algumas pessoas que eu não conhecia. Então, reconheci uma mulher, uma doce mulher de meia idade, de cabelos negros, bem negros, como o de Roxye. Era Amora.
Roxye correu em direção a mulher, que parecia sentir saudades dela também. Elas se abraçaram e depois, Amora disse:

— Você cuidou mesmo dele — Disse ela, sorrindo — Você cumpriu, não o abandonou.

— Eu fiz...eu fiz por você — Disse Roxye, sorrindo.

— Que bom que gosta de mim...Roxye — Disse Amora — Eu também gosto muito de você.

— Onde está o outro menino? — Perguntou Amora — Porch, não é?

— É um longa historia, Amora — Disse Roxye.

E então, Roxye agarrou-a e deu outro abraço de urso.

Godofredo e Guilhermina se aproximaram juntos. É claro, eles são Globins, são uma pessoa só, com duas cabeças.

— Bom ver você de novo, herói — Disse Godofredo — Vejo que tem novos amigos.

— Ah, sim — Disse eu — Esses são do Aglomerado de Blooglonian. Esse é Phillip, nosso líder, esses são os irmãos Auff e Alogan. Esses são, Cuco e Tirano.

— Olá, meninos — Disse Guilhermina e Godofredo juntos — Esse não é o melhor lugar para se conversar com visitas, mas bem vindos — Agora fora Guilhermina que falara.

— Não podemos ficar — Disse eu, a eles — Sabemos onde está a verdadeira espada de Conrad.

— Castelo de Lunia? — Perguntou Lucca — Vocês não iriam voltar pra cá, se não fosse por uma coisa séria.

— Sim, Lucca — Respondi — Auff e Alogan, estão desenhando um mapa.

— Eu adoraria ir com vocês — Disse Lucca — E vocês vão precisar de ajuda.

Amora ouviu o que Lucca dissera, e vinha com Roxye em nossa direção.

— Meu filho — Disse Amora, sendo doce — Você ainda é muito novo.

— Iremos ter que lutar com os Bruxos Maiores em algum momento — Disse Godofredo — Eu deixaria ele ir.

— Não é simples assim, Godofredo — Respondeu Amora — Ele ainda é uma criança.

— Mãe — Disse Lucca, irritado — Já conversamos sobre isso. Eu já sou um homem. E sei usar uma espada.

— Você sabe usar? — Perguntou Phillip — Senhora...?

— Ruschel — Respondeu Amora.

— Então, Sra. Ruschel — Disse Phillip, sério — Eu sou o chefe dos Recrutas no Aglomerado de Blooglonian, você deve conhecer. Bom, eu sei quando um Recruta é bom, ou não com uma espada, e eu posso ajudar seu filho Lucca, a descobrir isso. Se ele for bom, ele poderá vir com nós. Se não, irá treinar. Ele é um homem, deve fazer isso.

Amora parecia gostar de Phillip, olhava para ele com os olhos brilhando, como se lembrasse de alguém.

— Você me lembra meu marido, menino — Disse Amora, por fim — Sempre tão sério, e direto. Bom, se for o caso, eu deixo vocês ajudarem ele. E se for bom, ele pode ir com vocês.

— Isso — Disse Lucca — Vamos lá pessoal.

— Greco — Disse Phillip — Eu, e os meninos, vamos lá fora. Vamos tentar ajudar ele. Tudo bem se pudermos levá-lo com a gente, não é?

— Sem problema nenhum — Respondi, sorrindo.

— O.k. — Disse Phillip, sorrindo também — Vamos lá para fora, pessoal.

Roxye já não abraçava Amora. Marvel e Mentus — o ajudando de Godofredo e Guilhermina — conversavam sobre alguma coisa sobre xadrez, as outras pessoas, estavam cochilando, ou conversando.

— Greco — Disse Guilhermina, quebrando o silêncio — Agora que você terá que vir enfrentar Lunia, e seu exército, sabemos como ajudar.

— Não quero que vocês venham comigo pra lá — Disse eu.

— Não é bem isso — Respondeu Godofredo — Temos um presente pra você. Mas teremos que atravessar por aquele cano, até chegar ao esgoto.

— Vamos, Roxye — Disse eu, pegando a mão dela.

— Mãe...Amora, já volto — Disse ela. E então, seguimos Godofredo e Guilhermina, que passaram pelo cano, chegando ao esgoto, bem fedido.

A vista não era muito diferente do que dá primeira vez que eu a vira, só estava um pouco mais fedorento e mais cheio. Pulamos no lago, e saímos na margem, todo encharcados. Pegamos folhas enormes de uma árvore que cerca o esgoto, e nos secamos. Depois de alguns minutos nos secando, Guilhermina começou a falar:

— Não se assuste, Greco — Disse ela — Nem você, Roxye.

— Não entendi — Disse Roxye, confusa.

— Bom, não é sempre que vemos um deles — Disse Godofredo — Mas somos amigos de um, e ele vai aparecer em poucos instantes.

E então eu pude entender do que eles estavam falando. Uma tremedeira no chão começou e depois de alguns segundos, eu estava de cara com um enorme Gigante, bem maior que Gorgon.
Dei um pulo pra trás, como Roxye. Mas então o gigante começou a se sentar no rio, e começou a se lavar.

— Esse é um lugar perfeito para ele — Disse Godofredo — As árvores são enormes, cobrem ele.

— Sem falar do rio — Disse Guilhermina — Bem aqui, escondido.

O Gigante parecia ser muito dócil. Brincava com a água, comia folhas das árvores, e não parecia ter mais de 9 ou 10 metros.

— Tibério! — Gritou Godofredo — Esse são seus novos amigos.

— Corn! Corn! — Rugiu Tibério, não entendia o que ele falava.

— O que ele quer dizer? — Perguntei a Guilhermina e Godofredo.

— Ele gostou de vocês — Disse Guilhermina — E ele vai acompanhar vocês no castelo de Lunia. Já havia conversado com ele, e ele vai ficar muito honrado disso.

— Isso é ótimo, não acha, Greco? — Perguntou-me Roxye, sorrindo.

— Isso é fantástico — Respondi a Roxye, sorrindo também — Obrigado, Godofredo e Guilhermina, vocês são demais.

Depois de ver o Gigante Tibério, voltamos para a Caneca dos Ladrões, pelo fundo. Vimos Lucca treinando com a espada, e mesmo sem entender muito de luta, pude ver que ele estava indo bem, e que tinha talento para isso.
Amora estava na porta do bar, e estava sorrindo em direção a Lucca.

— Ele é ótimo com a espada, não é? — Perguntou ela, quando estávamos nos aproximando.

— Sim, muito — Respondi a Amora.

— Sempre quis dar um irmão, ou uma irmã pra ele, mas não consegui até hoje — Disse Amora, infeliz.

Roxye parecia triste, e entrou sem olhar para Amora.

Comemos um almoço não tão bem feito, pois tinha muitas pessoas, e não tínhamos quase comida. Nem a que nós trouxemos do Aglomerado dava para todos.
Marvel e Mentus foram buscar algumas coisas na cidade, e ele voltaram com várias bugigangas. Eles trouxeram um colchão, comida, água, pinga e até um fogão, quebrado, mas que deu pra usar.
Comemos, e mesmo parecendo idiota, falei para nosso grupo, que precisávamos continuar agora. Todos assentiram e fomos nos despedir do pessoal do bar.
Amora deixara Lucca partir com nós. Mentus e Marvel queriam vir com a gente, mas achei melhor eles ficarem, para cuidarem do bar. Eles assentiram, meio tristes.
Conte-lhes sobre Tibério no almoço, todos acharam um máximo, e eu também estava feliz, mais confiante. Despedimos de todos e partimos para a floresta. A floresta de Carybin.

Alguns de cara, podem pensar que sou louco, mas não há um jeito de contornar a floresta de Carybin. Então nos aventuramos pela floresta.
Ela estava estranha, os animais não faziam muito barulho. Não era por caso de Tibério, pois ele não fazia barulho algum. Então algo se mexeu na grama. Algo se mexeu mais forte e então, um tigre enorme saiu do arbusto.

— Bom ver você também, Greco — Disse Carybin — Estava com saudades.

— Agora você não terá chances — Disse a ele — Tenho um gigante.

— Eu não quero mais me apossar de você — Respondeu ele — Eu quero vingança contra a mulher que quase colocou fogo na minha floresta.

— Quem? — Perguntei — Lunia?

— Essa mesmo — Respondeu ele — Meus animais nem se manifestam mais. Quando que ela esteve aqui, tivemos que lutar para espantá-la. Ela conseguiu queimar algumas partes da floresta, matar alguns animais, mas lutamos, e vencemos.

— Mas isso só é o começo, Carybin — Disse a ele — Os Bruxos Maiores vão se revoltar...

— Eu sei — Disse ele — E eu quero ajudar vocês.

Nesse momento, um escorpião gigante surgiu na nossa frente. Não havia percebido os pequenos escorpiões que estavam no chão, talvez ninguém tenha percebido, mas Carbona, surgiu ali no meio.

— Olá Greco — Disse Carbona — Carybin já falou que não queremos guerra com vocês?

— Sim, mas... — Disse eu.

E então, antes que eu pudesse terminar a frase, mais dois animais surgiram no local. Não eram animais normais, nem eram animais. Uma era um a sereia verde, com cinco olhos, e que se rastejava pelo chão, então me lembrei, era uma Marystelis. E o outro, era um macaco-abelha, era enorme e zumbia como abelhas, e tinha ferrões no rabo, era um Mongloges.

— Clora, Kennedy — Disse Carybin — Esse é o herói, Greco.

— Prazer, Clora — Disse a sereia.

— Eu sou o Kennedy — Disse o macaco.

O pior não foi cumprimentar animais, foi ver que eles falavam.

— E, então — Disse Carybin — Já se decidiram?

— Sim — Disse Clora — Estamos de acordo em ajudar o menino.

— Me ajudar? — Perguntei.

— Sim — Respondeu Kennedy — Vamos acabar com os Bruxos Maiores. Sabemos que você está criando uma guerra, e se conseguir pegar a espada de Conrad, vai matar todos os outros Bruxos. Mas eles terão exércitos.

— Isso faz sentido — Disse Phillip — Quando mais gente do nosso lado, melhor.

— Bom — Disse Carybin — Eu vou entregar um apito a você, Greco. E quando você soprar ele, saberemos que a guerra terá começado. Caso não sopre, bom, você vai perder muitos reforços, pois a floresta inteira está de acordo em lutar com você.

— E como eu posso acreditar em você, Carybin — Disse eu, indeciso — Você já me enganou uma vez, por que, agora não seria também?

— Greco, pense... — Começou Carybin — Sou um Místico, e tenho muito poder para enganar uma pessoa. Mas quando vejo uma, sinto vontade de matá-la, e usar seu corpo. Quando eu deixar vocês passarem por mim, e irem em direção ao castelo de Lunia, buscar a verdadeira espada, você saberá que isso é um voto de confiança. Não é fácil resistir a um corpo tão saudável. Fiquei sabendo que Blacko tem um novo corpo, quero aquele corpo agora.

— Ele está falando a verdade — Disse Alogan — Ele não está mentindo.

— Como pode saber disso, Alogan? — Disse Roxye.

— Eu consigo ver em seus olhos — Respondeu ele — Ele não virá-os, nem os muda de posição, ele não mostra medo, mostra decisão. Ele quer nos ajudar.

Alogan, foi o cara mais inteligente que eu já conhecera aqui, então apenas virei para Carybin e disse.

— Eu espero que seja verdade — Disse — Não quero matar um Místico. E eu sei como fazer isso.

Carybin sorriu, me deu uma espécie de apito. Ele era preto e bem antigo. Se eu não confiasse em Carybin, eu perderia um exército, mas será que aquilo era verdade? Iria descobrir isso na hora da guerra.
Então passamos pelos animais, ou sei lá o que eram eles, e fomos embora. Carbona, Carybin, Clora e Kennedy, desviaram dos enormes pés de Tibério, que brincava com um galho.
Chegamos ao fim da floresta de Carybin, vivos. E bem longe, um enorme castelo negro, parecendo feito de vidro preto, reluziu ao luz do sol. Precisávamos subir colinas bem grandes para chegar até ele. Mas ainda tinha a parede invisível.
Fomos em direção a parede invisível, e tateamos até encontrarmos a porta, o que não foi muito difícil, porque sabíamos onde estava a porta, pois Ambar havia nos falado. Bem no meio da parede, abrimos uma porta, e o ar gelado já tomou conta de nós, o que de cara, não foi tão ruim.
Um por um foi passando pela porta. Nos escondemos atrás de um enorme arbusto, antes que algum Cavaleiro de Chardes, nos visse.

— Vamos entrar lá — Disse eu — Pegar a espada e ir embora...

Então, mesmo antes de eu terminar a frase, uma força dentro de mim se manifestou e eu senti uma ânsia muito forte. Então parei, arregalei os olhos, e olhei para o chão.

— Greco? — Disse Roxye — Está tudo bem?

Por um momento eu queria falar "não" mas então um barulho tomou conta do local. Era um barulho que me fazia querer ajoelhar e chorar, mas eu não fiz isso. Um grito retumbou no meu ouvido, poderia ser um Borbon sendo torturada, mas eu sabia que era mais do que isso. Então eu me concentrei no grito e consegui distinguir o que era. Era a voz de uma mulher que eu não conhecia de vista, mas sabia quem era.
Então me levantei rapidamente, saí do arbusto e comecei a correr em uma velocidade monstruosa a colina. Eu chorava de dor, e de raiva, mas não entendia muito bem o porque. Aquele grito era de alguém sendo torturado por Lunia, e aquele alguém era minha mãe. Não parei de correr.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.