Greco-Romana

10 Saimos em Missão


Naquela mesma tarde nós nos reunimos para ver algumas coisas que ainda faltava. Nós sairíamos para a missão no dia seguinte.

-Já sabem o que vão levar com vocês?-Perguntou Jay.

-Armas – Falou Tresh

-Comida- Falei -E você?-Perguntei para Jay

-Eu vou levar essa belezinha, aqui. — Ele pegou um soco inglês e colocou na mão. Naquela hora eu tinha pensado que não ia ser muito útil contra monstros. Porém, o soco inglês se abriu e dele se formou um escudo prateado. Na frente havia a imagem de um elmo.

-Uau! Que maravilha! –Eu retruquei.

-Onde você arrumou?-Perguntou Tresh.

-Isso? Filhos de Hefesto. Digamos que eu ganhei de um filho de Hermes. -Jay respondeu.

-Você é tão certo e pediu para um dos meus irmão roubarem? -Perguntei.

-Seus irmãos? Então você é mesmo filha de Hermes? — Eu tinha percebido que ainda não tinha falado que era filha do deus.

-É. Mercúrio, tecnicamente. Então, pediu para alguém roubar isso?

-Sim. Mas depois eu conversei com o dono. — Respondeu Jay.

-E dono?- Perguntou Tresh.

-Me xingou. Mas eu convenci ele. Que armas vai levar Tresh?

-Eu? Minha espada. Não tenho mais nada de especial.

-Mas acho que é melhor arrumar. E você, Romana?

-Minha Adaga e o estojo de facas. Tenho que arrumar algo que de para afia-las na missão.

-Por falar em levar-Jay pôs a mão na testa.- Tenho que esterilizar algumas agulhas e preparar o estojo de primeiros socorros.

-Para que agulhas?-Falei

-Porque talvez alguém precise de pontos. – Vou preparar três estojos com o mesmo conteúdo de socorros. Um para cada um de nós.

-Já aviso. Não sei e não vou costurar ninguém. – Fui bem clara, afinal não ia mesmo.

-Espero não termos que costurar ninguém. -Tresh falou.

Jay foi arrumar o estojo, mas logo estava de volta. Ele entregou o estojo de primeiros socorros eu abri. Lá tinha agulhas, pomada para dores musculares, comprimidos, antialérgicos, um frasco com néctar e ambrosia.

-Eu ganhei absorvente de brinde ou vocês dois também tem?-Falei.

-Como se a gente tivesse órgãos femininos. -Tresh disse.

-Romana, eu coloquei isso ai porque nunca se sabe. Algumas semideusas não levam isso nas missões. E se você reparar tem remédio para cólicas. -Jay disse.

-Na missão vou sangrar por outros lugares mais graves. Acho que sangrar por baixo eu fico na boa. -Falei.

-Ai que nojo!-Disse Tresh.

-Como se eu fosse andar sangrando por ai. É uma brincadeira. — Falei.

Depois de ter arrumado o nossas coisas, fizemos uma breve discussão:

-Gente, vocês já pensaram na profecia?-Perguntou Tresh.

-Eu quero saber o que é aquela pista. -Disse Jay.

-Acredite, a gente vai descobrir da pior forma. -Disse Tresh

-Sabe, -Falei- eu foquei no começo. A parte do lugar movimentado. Acho que a gente tem que ir para o central park, lá é movimentado.

-Eu acho uma boa sugestão. Mas tem também a estátua da liberdade. -Falou Tresh.

-Verdade. Principalmente que agora é temporada de férias. Aquilo lota de turista. -Falei.

-Não. -Jay falou. -Pensem comigo. -Ele se levantou da escada do ginásio. -Existe só um lugar que é mais movimentado que a Estátua da liberdade e o central Park.

Eu e Tresh ficamos com cara de pastel de vento para Jay.

-Gente!-Jay deu um berro. -É a Times Square!

Verdade! Eu não havia pensado nisso. Aquilo ferve, seja em temporada ou não! Mas como eu ia adivinhar se eu vinha do outro lado do país? Sabia da Times, claro. Mas o central Park foi minha primeira alternativa.

-Então, nosso rumo é a Times Square.-Concluiu Tresh.

-Entendemos ok?- Falei. -Mas e a pista?

-A gente vai ter que andar pela Times para descobrir. E eu estou com medo. -Falou Tresh.

-Ta? Medo do que?-Falei.

-Não sei. Um de nós não vai concluir essa missão.

Foi nessa hora em que meus pensamentos vieram a tona. ‘Jay morto’. Ele não poderia morrer. Ele me deu boas vindas, é meu guarda costa. Eu ainda ganhei um beijo com um sentimento de mentira, mas que fora de verdade.

Tinha Tresh. Ele é chato e tal. Mas não merece morrer se não for pela minha mão. Essa semana nós convivemos um pouco mais. E ele ainda nem tinha me dedado.

-Meninos. -coloquei a mão na testa- Não podem ir nessa missão em que estão prestes a morrer.

-A profecia não pode ser de morte. Existe outras hipóteses. -Disse Jay.

-E somos um esquadrão, sua bocó. -Disse Tresh.

-Eu sei. Mas não quero ficar com sentimentos de culpa. -Conclui.

-Sabe, você vai ser boba se fizer isso. Nós estamos indo por livre vontade. -Disse Jay.

-Não você Jay. Eu sei que ta indo porque é meu ‘guarda costa’.

-Romana, eu poderia te deixar ir. Mas não fiz essa opção. Não se culpe.

-Mas e Tresh? Tresh, nada pessoal, mas eu não tenho afinidade nem nada. Mas não quero que você morra. Eu não gosto nem de você.

-Ai, eu sou um gordo vida loca! E eu vou nessa droga. Minha vida é parada, agora que ela se agitou, vou morrer em grande estilo. Também não gosto de você. -Tresh sorriu.

Sorri para eles, mas com um receio no meu coração. Não queria que ninguém morresse.

No dia seguinte Tresh me cutucou para eu acordar. A van do acampamento nos deixaria próximo a Times Square.

-Ei! A gente tem que resolver os problemas. A gente sai hoje, esqueceu?

-ãaan? -eu disse abrindo o olho com o cabelo no meu rosto.

-Vamos. A gente tem que tomar um café reforçado.

-To indo.

-Romana?

-O que foi?

-Acorda! -Ele me pegou pelo ombro e me sacudiu.

-Ou! Qual é o seu distúrbio? Eu to indo. -Levantei da cama e fui me arrumar. Tomei banho,lavei meu cabelo e terminei de colocar mais algumas coisas na bolsa.

-Romana -Tresh falou da porta do chalé- já leva a bolsa. Do café da manhã a gente já vai direto para a colina pegar van.

-Ta- Berrei do banheiro.

O sol estava extremamente forte. O dia estava muito bonito. Cheguei na porta do refeitório e Jay e Tresh vieram em minha direção.

-Coma o quanto puder -Disse Jay.

-E mastigue direito. -Disse Tresh.

-Ta. Eu to com muita fome -Falei. -Estava um pouco nervosa para sair em missão. Senti o mundo recuar. Mas logo esqueci porque Jay fez uma coisa.

-Gente!!! -Ele gritou em alto em bom som.- Estão me ouvindo? -Metade do refeitório pareceu ouvir.Mas uns nem olharam.-Ou! Olhem para mim!-Ele gritou mais alto. Só que agora ele pegou o prato e seu garfo e começou a bater. — Atenção de todos! -Agora todos se voltavam para ele bem atento. -Eu tive uma breve história aqui durante alguns meses, convivi com todos, me socializei com todos. Hoje saio em missão, e como todos ouviram a profecia, talvez um de nós não volte, ou seja erro de interpretação. Se ela estiver certa peço desculpas por não voltar, afinal, eu sou o médico de vocês.

-Jay...-Verona ia começar a falar.

-Verona, por favor, eu preciso terminar. -Ela olhou para ele com lágrimas nos olhos. -Eu tenho que dizer a vocês que meu pai, Apolo, sendo o mais lindo do Olimpo tem um filho lindo, vulgo eu. Mas eu sou o diferente da minha família. Galera, eu sou Gay!-O falatório começou. Verona não teve reação, eu não tive reação. Tresh tinha engasgado.

-Você sabia Tresh? -Perguntei. Mas percebi que ele estava engasgado.-A meu Zeus! Desengasga. -Dei um tapa nas costas dele e ele cuspiu a comida.Ele estava vermelho.

-Obrigada. -Ele respirou fundo. -Eu...eu não acredito!

-É um desperdício!

-Galera! Atenção! Eu quero falar que é por isso que nunca beijei nenhuma aqui. Espero que não mudemos em nada a convivência. E falem o quanto tiver, eu não tenho vergonha. -Ele sorriu.

-Garoto!-Disse o senhor D. -Você poder ser gay, mas é um campista normal.Desça dessa mesa.

-Ãn...me desculpe...eu só...-Jay ficou sem graça.- Ta, eu desço.

Senti a mesa de Apolo ferver com perguntas a Jay. Eu mesma queria fazer um monte de perguntas a ele. Mas ele se despediu dos companheiros de chalé e foi falar com Vernona que estava na porta do refeitório quase chorando.

-Tresh, vamos pegar nossas coisas e sair. -Quando nos levantamos uma sobre cobriu a gente.

-Olá turma estranha. -Era Jessy. Ela estava com uma cicatriz grande no braço.

-Quer vingança? Se eu voltar viva a gente se bate. Tchau. -Falei saindo da mesa.

-Não. Só vim avisar que vou junto. -Ela disse.

-Você o que?

-É. Você escutou bem. Eu vou junto.

-Não mesmo. -Falei.

-Eu vou sim. -Ela insistiu.

-Quem você acha que é? Eu sou a líder da missão e você não vai. Cadê seu namorado?

-Eu pedi conselho a ele sobre querer ir. E ele deixou. Vou nessa missão e fim.

-Romana, o grupo ta cheio. -Tresh disse.

-Verdade. Da meia volta.-Conclui.

-Não. Eu vou ir. -Jessy insistia ainda mais.

-Tu é chata em! Vamos resolver isso como pessoas maduras.

Assim que fiz o que pretendia Tresh logo reclamou:

-Eu não acredito que você tirou no palitinho a decisão dela ir ou não! Quanto maduro isso da sua parte!

-Jay, não ia bater nela. O destino deu a ela o palito maior que o meu. Não me culpe.

-Eu te culpo. Agora além de aguentar você, tenho que aguentar ela. Obrigada!

-De nada. Mas eu podia ter escolhido pedra, papel e tesoura, ia ter mais sorte.

-Romana, não fala comigo.

Fomos até ao chalé dez, onde Jay tinha ido conversar com Verona. Nós nos despedimos dela e subimos a colina.

-Então, Tyler deixou mesmo você ir? -Disse Jay.

-É! Nós tivemos uma conversa madura. -Disse Jessy.

-Quando ele me procurou achei que ele estava meio agitado. -Jay disse.

-Jay, você sabia? –Falei.

-Sim. Ele foi falar comigo.

-Porque não me contou?

-Porque você ia querer sair logo daqui antes dela chegar, simples.

-Ou eu teria me escondido. Jessy, se disser algo errado, lhe corto a cabeça.

-Fique fria Romana. Não vou ser chata.

No topo da colina a van estava a nossa espera. Tyler ia junto para deixarmos nós até o ponto certo. Claro, ele iria por causa da namorada. O sátiro daquela vez em Nova York estava junto, o Brandom. Ele ia ir ao encontro de mais um semideus. E os Stolls estavam juntos. Jay sussurrou para mim que eles iam trazer algumas coisas roubadas para vender, trocar ou usar no acampamento.

Na despedida foi muita melação Tyler e Jessy. Ela era tão entranha com ele. Mas eu apenas abracei Travis para desviar da cena.

-Boa sorte, meu amor! -Disse Tyler, assim que déssemos em dez quarteirões antes da Times Square.